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1.1. L’analyse protéomique, objectifs et mise en œuvre

1.1.2. Les outils et l’apport de la spectrométrie de masse

Raul Lino (1879-1973) foi um arquitecto que se movimentou razoavelmente isolado dos arquitectos portugueses, quer porque não se formou em nenhuma escola do tipo Belas- Artes ao contrário da maioria daqueles, quer porque não frequentou os meios profissionais (só em 1926 é que lhe foi conferido o diploma oficial de arquitecto), preferindo meios culturais literários, musicais ou artísticos, não esquecendo os círculos socialmente privilegiados que frequentava e aos quais pertenciam muitos dos seus clientes. No entanto teve uma enorme influência, quer entre os arquitectos, quer na sociedade em geral (pelo menos entre aqueles que sabiam ler), marcando indelevelmente a primeira metade do século XX, mas também reconhecido por muitos na segunda metade do século e até hoje. Basta lembrar as sucessivas reimpressões de

Casas Portuguesas ou a recente publicação de colectâneas de textos de Raul Lino em

periódicos de grande divulgação. A sua formação afinal iniciou-se ainda era criança em Inglaterra, para ser depois mandado para a Alemanha onde esteve em Hannover entre 1893 e 1897, frequentando uma escola de Artes e Ofícios e uma escola técnica, tendo aí aulas de Arquitectura, enquanto frequentava o atelier de Albrecht Haupt, que se tinha doutorado com uma tese com o título de A Arquitectura da Renascença em Portugal, amplamente ilustrada e publicada posteriormente em fascículos e em livro por editores portugueses, o primeiro largo estudo realizado sobre a arquitectura em território português, na senda da descoberta da cultura portuguesa iniciada no século XIX por estrangeiros e que só começou a ter efeitos por cá nos finais do século, se bem que não se pode esquecer Alexandre Herculano e Almeida Garret e outros. Do conde Raczynski ao rei D. Fernando II, até Haupt, essa sequência veio alimentar o interesse dos portugueses no próprio país que, já no final do século, se manifestava em nacionalismo quer entre republicanos, quer entre monárquicos, quer na “geração de 90”, quer em eminentes escritores como Eça de Queiroz ou Ramalho Ortigão, quer no historiador de Arte Joaquim de Vasconcelos que estudou na Alemanha. Assim Raul Lino interessou-se por Portugal na vertente Arquitectura e Artes e Ofícios a partir de uma aprendizagem

dos valores sociais britânicos e de um ensino numa Alemanha interessada pelo exemplo britânico em torno da casa unifamiliar com doutrinação de Ruskin e William Morris e obras de arquitectos como Philip Web, Voysey ou Ballie Scott e, em paralelo, com o enfoque português de Haupt. Quando voltou para Portugal, em 1897, era ainda muito novo, mas, pouco depois, abalançou-se a participar no concurso para o pavilhão de Portugal da Exposição Universal de Paris 1900 com um projecto que era sobretudo uma colagem de elementos arquitectónicos recolhidos das ilustrações do livro de Haupt, apresentando-se como oposto à atitude internacional Belas-Artes de Ventura Terra, que foi quem ganhou o concurso e projectou os dois pavilhões da representação portuguesa, o do Quai d’Orsay e o das colónias. Deste modo, Raul Lino tinha todas as condições para se interessar pela movimentação a que se chamou Casa Portuguesa que se iniciou na última década do século XIX274.

O movimento da Casa Portuguesa: um debate arquitectónico?

Aparentemente a questão de uma casa portuguesa foi colocada, nos finais do século XIX, por etnógrafos, como se dizia na época. José-Augusto França refere-se a Henrique das Neves a quem lhe pareceria “haver um tipo português” muito baseado em observações limitadas à Beira Alta. Mas é evidente que o uso da palavra tipo não parece coincidir com o conceito que encontramos em Quatremère de Quincy, na sequência classificatória das ciências no século XVIII, ou no debate tipológico entre italianos nas décadas de 60 e 70 do século XX, o que leva a redobradas cautelas na interpretação deste debate na transição do século XIX para o XX. Em oposição a um único tipo, Rocha Peixoto, director da revista de Etnologia e Arqueologia Portugália, aí escreveu a propósito da casa que Ricardo Severo projectou para si próprio no Porto. No entanto Joaquim de Vasconcelos em 1908 considerava “que já ninguém se entende no meio de

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Dados recolhidos em: França, José-Augusto

A Arte em Portugal no Século XIX, segundo volume

Lisboa: Livraria Bertrand, 1966

Ribeiro, Irene

Raul Lino, Pensador Nacionalista da Arquitectura

tantas receitas e alvitres. Cada província tem felizmente o seu tipo. Procurai-o. Como pretendeis apregoar uma fórmula, um padrão único?”275.

Já Rute Figueiredo, que publicou a sua tese de mestrado, Arquitectura e Discurso

Crítico em Portugal (1893-1918), em 2007, sobre discursos críticos ou não em relação à

Arquitectura durante aquele período, faz remontar o início da discussão em torno de uma hipotética casa portuguesa a uma tese levantada pelo etnólogo Paula e Oliveira em 1895, num texto sobre uma excursão à Serra da Estrela publicada em Arte Portuguesa onde paira a dúvida sobre a existência de “um tipo tradicional e característico de habitação, que pudesse, com rigor, classificar-se de – casa portuguesa”, afinal depois da hipótese de Henrique das Neves formulada em 1893. Mas seria com a revista A

Construcção Moderna que verdadeiramente o debate se instalaria, pois publicou vários

artigos entre 1903 e 1905 sobre o tema e anunciando um inquérito que afinal se traduziu nessa publicação276.

Em Abril de 1903 a revista apresentava um artigo de Abel Botelho, romancista e crítico de Arte, segundo Mello de Mattos, intitulado A Casa Portuguesa que inicia com a habitual condenação do chalet, “essa absurda transplantação, para o nosso clima, das inconfortáveis gaiolas alpinas”, condenação que Botelho indica já ter vinte anos pela voz de “neoestetas” que exigem “a renovação arquitectónica da ‘casa portuguesa”. Mas Botelho entende que “é impossível estabelecer para todo o país um tipo, já não digo uniforme, mas nem sequer aproximado de construção civil. A casa varia, adapta-se aos costumes dos habitantes e ao clima. Sempre assim sucedeu, quer nas edificações rústicas, quer nas urbanas. (…) Portanto, como base para a nossa investigação, poderíamos partir apenas deste princípio: em que cada região, mais acentuadamente caracterizada, do nosso país, se notam e se mantêm tipos de construção especiais”. Mas mesmo no interior de cada região, Botelho duvida da existência de um só “tipo” e considera que apenas na Beira Alta e em Trás-os-Montes “o carácter das construções

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França, José-Augusto

A Arte em Portugal no Século XIX (op. cit.), pp. 156 a 158

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Figueiredo, Rute

Arquitectura e Discurso Crítico em Portugal (1893 – 1918)

resiste com vantagem à caprichosa invasão do cosmopolitismo e da moda”. No entanto previne contra o “pretender arruar a nova Lisboa com prédios transplantados dos contrafortes do Marão ou do Caramulo”, pois “seria tão grande e absurdo contra-senso como obrigar, nesses apartados rincões, os cabreiros e os pastores a andarem de luvas”. Depois tenta provar este absurdo ao imaginar uma rua, na cidade, bordejada por casas com a escada no exterior, como nessas províncias, para além de considerar “esses tipos rústicos (…) de uma absoluta pobreza de ornamentação”, concluindo que “De sorte que caímos neste dilema: ou deixá-las lá continuar onde elas vegetam, na sua tranquilidade bucólica, entre pinhais e castanheiros; ou deformá-las, fazendo com que deixem de ser o que são”. E classifica de ingénua a “crença na possibilidade de criação de um tipo de casa portuguesa, – como se factos de esta ordem dependessem de simples fenómenos de vontade!”.

Para Botelho “Na fixação dos tipos de arquitectura civil há dois elementos fundamentais, actuando permanentemente, na longa sequência dos séculos: são a evolução social e o clima”, definido assim os vectores de que a obra arquitectónica (ou a casa) depende, acrescentando que “Se a arquitectura, como eu creio, é uma arte, não esqueçamos que toda a obra de arte é um documento, é o significado da civilização do seu tempo. O artista, que a criou, obedeceu ao sentimento geral, ao tom, ao ar, ao sabor da época em que viveu. Daí a invariabilidade da sua obra”. Mas acrescenta, distinguindo uma arquitectura de excepção da corrente, que “Os monumentos conservam-se, as casas renovam-se “ e encontrar “um tipo português, é pia ilusão”, acentuada pelo facto de que ”O português, em arquitectura, tem sido sempre tão deploravelmente inesteta como em tudo mais. Importa, copia, e adapta servilmente as imposições do bom gosto e os modelos mais em voga de construção”277.

Deste modo Abel Botelho entende que a casa ou a arquitectura variam conforme a evolução social e o clima bem como de acordo com o espírito do tempo, o “zeitgeist” da filosofia alemã, que interpreta de modo radical, como mais tarde o Movimento Moderno entenderá, defendendo assim uma arquitectura adaptada a tempos fundamentalmente

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Botelho, Abel

A Casa Portuguesa

diferentes dos do passado. Há assim um positivismo em Abel Botelho que o impede de estabelecer pontes entre mundos que considera absolutamente distantes, a ruralidade distante da influência da modernidade do início do século XX e a cidade (o exemplo é Lisboa) aberta a essa influência e ela própria um meio social bem diferente do rural. Há também que assinalar a dificuldade que Abel Botelho mostra no uso da palavra arquitectura que afinal integra na Arte, não tendo um espaço disciplinar próprio. Curiosa é a questão da ornamentação, pois na boa tradição doutrinária do século XIX, a condição artística da Arquitectura seria sobretudo assegurada pelo ornamento, ou pela decoração, conceito mais amplo em John Ruskin que responderia ao não utilitarismo da Arte, visto que a obra arquitectónica é útil (ou utilitária). O uso da palavra tipo parece aproximar-se mais do conceito de modelo e não do conceito de tipo como já foi comentado atrás.

Respondendo a Abel Botelho, um dos directores de A Construcção Moderna, o engenheiro Mello de Mattos (curiosamente o outro director, o arquitecto Rozendo Carvalheira não entrou na polémica) escreveu um artigo aí publicado também em Abril de 1903, onde, sobretudo, relata a substituição de um antigo edifício dos paços do concelho de “certa câmara sertaneja” que tinha “uma fachada sem grande estilização talvez no seu conjunto; mas as arcarias do andar térreo, com a sua escadaria corrida, de poucos degraus, ao longo da frontaria, davam grato abrigo nos dias de sol claro, e não sei porquê a edificação caracterizava bem o fim para que era destinada”. Tendo ido a Lisboa, responsáveis pela câmara quiseram um edifício “em estilo moderno, à moda”. Encomendaram um novo projecto que “tinha sido copiado, no tocante ao estilo, de um que viera nas Nouvelles Annales de la Construction “. Depois consultaram Mello de Mattos que os aconselhou a não construir o projecto por não responder à necessidade de protecção climática como as velhas arcadas nem a uma “característica arquitectónica”. Não fizeram caso dos conselhos do engenheiro e entenderam-nos como “caturreira arqueológica”, construindo o projecto e assim eliminando o local onde a gente da terra se reunia informalmente protegida das intempéries. Mello Mattos, tendo este caso como exemplo, defende que se possa definir, por tentativas, “a fórmula da casa portuguesa”, como seria característico da Arte, mas “Não pode no entanto ser restrita que não dê ensanchas ao arquitecto para demonstrar que nele existe o homem que cultiva uma das artes mais ingratas e onde menos é susceptível de poder provocar-se a emoção estética, aquela onde a geometria e o cálculo têm influência capital”. Deste modo o engenheiro

tem um entendimento da Arquitectura diferente de Abel Botelho e até dos arquitectos, pois nela inclui os vectores do cálculo e da Geometria (Matemática) e certamente outros conforme se pode observar na orientação da revista A Construcção Moderna, bem diferente da sua contemporânea A Architectura Portugueza que se fixava muito mais nas questões estéticas e apenas na apresentação de obras construídas acompanhadas por texto crítico. Mais para o início do artigo, Mello de Mattos considera que não é possível haver uma fórmula “imutável nem restrita e tem que variar não de século para século, mas periodicamente, à medida que as condições de viação, higiénicas, económicas e todas as demais”. Depois alude à influência italiana na predominância da tradição clássica depois da Idade Média, para chamar a atenção para os “trabalhos de Walter Crane e William Morris e tantos outros” que reataram com “a tradição arquitectónica do tempo da rainha Ana “. Assim Mello de Mattos reconhece essa ligação voluntária do movimento Arts & Crafts com os tempos medievais, parecendo pois aí encontrar a via de procura para a Casa Portuguesa. É de assinalar que reconhece Morris, o dono da Red House, mas não o seu arquitecto, Philip Web, e escolhe Walter Crane para dar como exemplo, sendo este um pintor que esteve à frente da Art Workers Guild, fundada por discípulos do arquitecto Norman Shaw, e foi conferencista, mas sempre pouco citado pelos historiadores que se debruçaram sobre esse movimento. É evidente que a questão da Casa Portuguesa assentando numa perspectiva ideológica nacionalista, e sendo Mello de Mattos um seu adepto, o seu discurso tem um forte carácter doutrinário, mas a sua visão da Arquitectura é mais alargada do que a de Botelho, portanto mais próxima do modelo vitruviano. Mello de Mattos parece não distinguir um tipo de espaço da forma em arcadas que associa à tradição278.

Um artigo seguinte, publicado na revista A Construcção Moderna em Julho de 1903 sobre este tema, foi afinal um escrito sobre Raul Lino de José Pessanha, professor de História da Arte na Academia de Belas Artes de Lisboa e conservador na Torre do Tombo. Inicia o seu artigo lembrando a campanha do periódico Novidades para a “intervenção artística nos projectos de construções a erigir nos novos bairros da capital” na qual veio ao de cima a existência de “um tipo tradicional de habitação”. Mas o mais interessante neste escrito é José Pessanha estar convencido de que “importa substituir

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Mello de Mattos

A Casa Portuguesa – outro depoimento

um estudo metódico da questão às divagações literárias, às sínteses audaciosas, às afirmações dogmáticas”, desafiando a “novel Associação dos Arquitectos” a realizar tal estudo “sobre as respostas que colhesse a um questionário referente às antigas habitações, mais ou menos características, de diferentes pontos do país”.

A partir desse estudo, Pessanha delineia um programa em direcção à Casa Portuguesa: “Assim se definiriam vários tipos arquitectónicos, se poderia depois, por um estudo comparativo, determinar a filiação e o grau de originalidade desses tipos, e, por último, se extremariam as particularidades, de aspecto geral, disposição e ornamentação, a aproveitar nas modernas construções, distinguindo-se, como revela, para o efeito dessa adaptação, entre casa de campo e casa urbana, Depois seria necessário descobrir os meios de conquistar para o novo género as simpatias dos arquitectos e do público, porque não se impõem, não se decretam, fórmulas artísticas”. Logo a seguir dá como exemplo Raul Lino que faria “Esse exame das nossas antigas construções; essa obra de apropriação dos velhos tipos arquitectónicos tradicionais às edificações da actualidade; a tradução da fórmula – ainda vaga – casa portuguesa num esquema convergente e nítido da habitação, - tudo isto, que não a simples transplantação, absurda e injustificável, de casas rurais, minhotas ou alentejanas, para a capital e suas cercanias”. Cita em seguida os nomes de William Morris, Walter Crane (outra vez uma referência portuguesa a este pintor um tanto obscuro!) e John Ruskin sob cuja influência se tem constituído “essa tão bela, tão prática e tão característica arquitectura inglesa moderna, pela actualização da arquitectura do tempo da rainha Ana, que, todavia é originalmente continental”. E reflecte sobre a inexistência de “uma acentuação nacional inconfundível” na arte portuguesa, mas reconhecendo alguns “momentos” sobretudo nas velhas “construções rurais”.

José Pessanha dá também exemplos de casos em que esses momentos são reavivados sem ser “à custa da lógica, da higiene e do conforto” e sem renunciar absolutamente às vantagens dos novos materiais”. O primeiro exemplo é a telha produzida nas fábricas do Sr. José Lino, pai de Raul Lino que “reúne à forma e à cor da nossa as vantagens da marselhesa”. O outro exemplo é a adaptação da janela de guilhotina às exigências de higiene contemporâneas com uma simples correcção que os ingleses já usavam: o caixilho superior ser móvel. E termina o artigo referindo-se aos projectos de Raul Lino e Francisco Villaça, casos que exemplificam “como é possível a nacionalização da nossa

arquitectura pela evolução de elementos tradicionais”. Para ilustrar tal apresenta desenhos de alçados de fachadas produzidos por Raul Lino porque o arquitecto tem “dedicado a sua atenção à casa urbana, estudando de preferência as fachadas, como parte mais interessante”. O final do artigo é apoteótico: “Pediria, se para isso tivesse autoridade, o aplauso e o reconhecimento de quantos, nesta fria época de materialismo, ainda folgam de que tudo lhes recorde que vivem na linda e gloriosa terra de Portugal”279.

Deste texto de José Pessanha há que salientar, em primeiro lugar, o desafio que fez à Associação dos Arquitectos Portugueses para realizar um estudo metódico sobre as “antigas habitações” com vista a tirar conclusões que se pudessem “aproveitar nas modernas construções”. Só muito mais tarde, no final da década de 50 do século XX, é que, pela mão do então Sindicato Nacional dos Arquitectos, um grupo de arquitectos essencialmente da geração Moderna cumpriu em parte esta proposta de estudo, mas já sem o objectivo daquele aproveitamento, que foi o Inquérito à Arquitectura Regional

Portuguesa, cujos resultados foram publicados em 1961 com o título Arquitectura Popular em Portugal. José Pessanha solicita afinal uma aproximação racional à questão

da Casa Portuguesa e o uso de métodos de base científica para conhecer a realidade das “antigas habitações”, e isto por parte de um professor de uma escola avessa à teorização e racionalização dos conhecimentos em moldes metódicos, científicos. Aquilo que propõe, a adaptação dos resultados desse estudo para as “modernas construções” não deixa de fazer lembrar Viollet-le-Duc que considerava ser o método fundamental, escrevendo que “É então essencial aplicar ao conhecimento das artes do passado um método rigoroso, e não vejo que se possa melhor fazer que seguir, nesta questão, as quatro regras de Descartes”280. Também a sua perspectiva de como chegar a um estilo próprio do século XIX, partindo da lição do gótico (estilo francês representando a mais racional da arquitecturas) e introduzindo os novos conhecimentos construtivos, nomeadamente o uso do ferro, bem como respondendo escrupulosamente aos programas

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Pessanha, José

Fachadas de estilização tradicionalista – Arquitecto, sr. Raul Lino

In: A Construcção Moderna nº 102, 20 de Julho de 1903 280

Viollet-le-Duc, Eugène-Emmanuel

Entretiens sur l’Architecture

do seu tempo, não deixa de lembrar esta vontade em aproveitar o que de bom vem do passado (o carácter nacional, a exemplaridade racional) com as premissas da contemporaneidade, conforme se pode deduzir do Onzième Entretien do bem conhecido

Entretiens sur l’Architecture (1872-73). Viollet-le Duc era conhecido em Portugal no

princípio do século XX a despeito da sua oposição às Belas-Artes, como o prova, por exemplo, o livro do engenheiro civil Augusto Fuschini, A Arquitectura Religiosa na

Idade-Média (1904). Mas claro que a postura de Viollet-le-Duc é bem distante do

apologético fim do artigo de José Pessanha. Também os britânicos que são referidos no texto estavam distantes do arquitecto francês. Interessa igualmente frisar esta ideia de adaptação/combinação/reutilização do antigo com o contemporâneo que passa constantemente nos textos de Raul Lino, pelo menos até meados do século XX e de outros como Francisco Keil do Amaral, sendo uma linha de estruturação da arquitectura portuguesa em boa parte do século passado, mas com diferentes perspectivas.

Ainda preenchendo o debate sobre a Casa Portuguesa, a revista A Construcção Moderna publicou, entre Agosto de 1905 e Janeiro do ano seguinte, um longo texto em fascículos assinado pelo etnógrafo e arqueólogo Rocha Peixoto que se inicia com exemplos concretos de “tipo ou tipos de habitação nacional”, que são “a expressão final da convergência de motivos independentes, como sejam a paisagem, a cuja influência naturalmente se adapta, os recursos geológicos, os acidentes topográficos, as imposições