1. Les différentes étapes de l'acte de lecture
1.7. Organisation pratique
Fonte: El Clarín (2005)
Assim como Puerto Madero oxigenou de investimentos numa vasta região no sul de Buenos Aires, o Tren de la Costa seguiu o caminho norte com uma proposta semelhante. A sistemática de execução requereu medidas específicas a cada caso, mas ambas as situações se orientaram pela seleção de áreas degradadas para projetos de renovação urbana. A ascensão de novas centralidades urbanas e o obsolescência das estruturas explicam a perda das funções originais do Tren del Bajo, redundando na degradação do imobiliário.
O passivo arquitetônico foi objeto dos projetos de conversão de usos, em que o apelo comercial tornou-se a tônica dominante. Nesse processo, as obras de restauro realçaram as questões de preservação do patrimônio cultural em função do turismo.
Figura 9. Composição – Tren de la Costa Figura 10. Estação San Isidro – Tren de la Costa
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i. Caracterização da região turística de interesse
A Grande Buenos Aires é uma região tipicamente emissora de turistas, já que engloba um terço da população do país e boa parte da atividade produtiva nacional. Estas são, inclusive, as referências históricas do turismo argentino, que apontam Buenos Aires como pólo emissor de turistas para os balneários marítimos em formação no fim do século XIX ou para as estâncias nos pampas bonaerenses.
No cenário internacional, Buenos Aires pode ser considerada uma cidade turística, pois apresenta aspectos culturais únicos e é parte de um circuito internacional de negócios e eventos. Em 2004, as estatísticas oficiais45 da cidade mostravam que 78% dos turistas eram estrangeiros, sendo que os países europeus contribuíram com 30% do fluxo total.
Dada a pequena distância, a logística facilitada e uma relação comercial e cultural intensa entre Buenos Aires e o Montevidéu, a mobilidade regional é caracterizada por visitas de um dia46. Ainda assim, a estrutura urbana sofre impactos econômicos positivos, pois, mesmo sem pernoitar, esses turistas praticam algum tipo de consumo – principalmente com transportes e alimentação. Em 2004, desembarcaram 76.855 passageiros não-residentes na Argentina no Aerparque Jorge Newbery, dos quais 45.761 de origem uruguaia, sendo que, desses, 50% viajavam a negócios e 17% em visita a amigos ou parentes.
Inaugurado em 1949, o Aeroporto Internacional de Ezeiza recebe atualmente a maior parte dos vôos internacionais. Em 2004, desembarcaram 1.508.868 passageiros no aeroporto, sendo que a Europa respondeu pela maior demanda – 409.936 passageiros – o Brasil, isoladamente, por 208.475 passageiros.
Do total de entradas no principal portão de entrada da RMBA – o Aeroporto Internacional de Ezeiza – 56% viajavam em férias e lazer, 17% em visita a amigos e parentes e 23% a negócios. As atividades de ócio na cidade têm características tipicamente de turismo cultural, já que a cidade dispõe de uma ampla oferta cultural, com teatros – na Capital Federal, são 190 (SUBSECRETARÍA DE TURISMO..., 2005b)–, cinemas, casas de espetáculo e circuitos turísticos que mesclam
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As estatísticas de turismo que apresentamos se compõem de dados da Subsecretaría de Turismo do Governo de la Ciudad de Buenos Aires (2005a, 2005b) e da Secretaria de Turismo de la Nación (2006a).
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A Organização Mundial do Turismo (OMT) considera como excursionista o visitante de um dia (same-day visitor), pois não realiza nenhum pernoite na localidade visitada (OMT, 2005).
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patrimônio cultural edificado e imaterial com opções de compras. San Telmo é uma região procurada pelos antiquários, La Boca pelo Caminito, nas proximidades de Puerto Madero, e a Recoleta pela infra-estrutura de entretenimento noturno e compras.
A imagem que resume Buenos Aires para os turistas estrangeiros, via de regra, vincula-se a signos nacionais internacionalmente difundidos – futebol, Maradona, tango, Evita, Borges, Che Guevara, churrasco –, a características urbanas – atrações noturnas, cosmopolitanismo, cultura, arte, charme, beleza, europeidade – e a monumentos de Buenos Aires – Obelisco e Casa Rosada. Notamos, portanto, que os aspectos culturais desempenham papel preponderante na atividade turística local, caracterizando o destino para o turismo cultural.
De todo o acervo cultural portenho, o tango é sem dúvida um dos elementos de maior importância da oferta turística de Buenos Aires. O tango é um fator cultural complexo e carregado de historicidade portenha, já que suas origens estão na zona portuária da Buenos Aires. Savigliano (2005) analisa relação “tango-turismo sexual cinematográfico”, lançando mão de dois filmes: La Lección de Tango, de 1997, e
Tango: No me dejes nunca, de 1998. Dentre os elementos dos filmes que se
vinculam à organização do turismo local, estão o teor essencialmente urbano do tango e a experiência turística como possibilidade de vivenciá-lo. Para a autora,
Buenos Aires desfruta atualmente de um boom turístico internacional, e sem intenção de diminuir a importância de suas múltiplas belezas e atrativos (...), experimentar o tango e seu mundo continua movimentando a imaginação aventureira do viajante. A oportunidade de observar e viver a paixão tanguera em seu lugar de origem figura, sem dúvida, como um motivo predominante para a eleição turística do destino Buenos Aires.
A importância do turismo de negócios, a sua vez, não pode ser diminuída. Por seu perfil, os turistas a negócios apresentam algumas características vantajosas ao desenvolvimento da cadeia produtiva do turismo. Especificamente no caso dos turistas de eventos, estima-se que seus gastos sejam três vezes maiores que de um turista convencional. Ademais, os eventos contribuem para regular a sazonalidade dos destinos, pois, via de regra, as reuniões, congressos, convenções acontecem em período letivo – ao contrário dos períodos de férias.
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Buenos Aires é a cidade mais procurada para eventos internacionais no país: em 2002, 2003 e 2004, sediou mais da metade dos eventos internacionais. O ano de 2004 foi especialmente representativo, pois a cidade abrigou duas reuniões de interesse mundial, recebendo cerca de 10 mil assistentes. Apesar de períodos de diminuição por conta da crise financeira, em 2004 a cidade recebeu cerca de 276 mil pessoas em visitas a eventos, ultrapassando o patamar anterior à crise de 2001.
Excluída a Capital Federal, a RMBA, ainda que seja menos significativa nos atrativos, também apresenta algumas componentes à atividade turística e, principalmente, ao lazer no contexto metropolitano. Nas primeiras décadas do século XX, alguns partidos das zonas norte – Vicente López, San Fernando, Tigre – e sul – Temperly, Banfield, Almirante Brown – da RMBA abrigaram residências secundárias, o que foi favorecido pelo aspecto bucólico de uma região pouco urbanizada. No norte, a presença de vários tributários do Rio Tigre permitiu precocemente práticas de lazer náutico. Os country clubs, herança inglesa dos anos 1930, são a primeira expressão ócio no campo e de “fuga da cidade” por parte dos moradores mais abastados de Buenos Aires (THUILLIER, 2005).
Com a transformação funcional dessas áreas, atualmente os governos dos partidos com face para o Rio da Prata vêm aplicando algum esforço político e financeiro para torná-los atrativos ao turismo e lazer47. No geral, são atrativos de núcleos históricos originais e áreas na zona ribeira, como marinas e opções de atividades ao ar livre.
No que tange às construções ferroviárias, o shopping center da Estação San Isidro é um dos principais atrativos comerciais do partido, pela diversidade de opções de lazer e comércio. No distrito histórico de Olivos, em Vicente López, a Estação Borges foi restaurada e dialoga com o acervo arquitetônico dos primeiros edifícios da administração municipal. No partido de Tigre, as estruturas do Parque de la Costa e do Cassino Trilenium são as mais importantes do empreendimento, recebendo a demanda de turistas transportados pelo Tren de la Costa.
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Em 2000, firmou-se um acordo para a constituição de um consórcio intermunicipal formando a Região Metropolitana Norte. Dentre seus objetivos, está o de “realizar um planejamento regional para impulsionar o desenvolvimento sustentável” nas quatro cidades (MUNICIPALIDADE DE SAN FERNANDO, 2005)
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