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3. NONCOMMUNICABLE DISEASES

3.7 Oral Diseases

Segundo identificação de Demazière e Dubar (1997), face às posturas teórica- epistemológicas na utilização de metodologias compreensivas colocamo-nos perante a postura analítica e reconstrução de sentido, procurando criar um sentido social a partir do desenvolvimento de entrevistas, não tendo sido entendidas como estudo exploratório que complementa outros métodos, mas se tornaram o foco central da análise buscando dar espaço às ‘diferentes racionalidades’ dos atores participantes. De influência weberiana, é comum aos paradigmas etnometodológicos e interaccionistas que Bertaux denomina de ‘etno-sociologia’.

“Apesar do interesse intrínseco de tais descrições monográficas e sociográficas, é preciso passar do particular ao geral, descobrindo no interior do terreno observado, as formas sociais específicas - relações sociais, mecanismos sociais, lógicas de ação, lógicas sociais, processos concorrentes – que seriam suscetíveis de estar presentes numa multitude de contextos similares” (Guerra,2006: 31)

Entendemos ainda como a função analítica destas entrevistas, tal como delineada por Bertaux (1997), o que significa que se intentou partir do contexto particular para o geral, na procura de uma teoria potencialmente válida noutros contextos.

Queremos ressalvar que apesar da estrutura proposta seguir as estruturas pensadas para entrevistas em profundidade, Guerra (2006) sugere que estas estruturas poderão ser usadas noutro tipo de entrevistas, nomeadamente, entrevistas a informadores privilegiados, reportando-se, sobretudo, a entrevistas que se foquem em experiências personalizadas. Importa-nos pensar qualitativamente as narrativas de cada interveniente, dando lugar às suas singularidades e narrativas individuais.

“Seja qual for o método a ensaiar, nas entrevistas compreensivas os sujeitos tomam o estatuto de privilegiados, uma postura muito diferente da dos entrevistadores de pesquisa cartesianos, que são reduzidos à posição de informadores objectivos. “ (Guerra,2006: 18)

4.3.1 Construção do guião da entrevista

O guião segue uma estrutura semiestruturada, estando dividido em duas grandes partes. A parte I está subdividida em cinco grupos temáticos, que partiram da análise dos eixos de problematização propostos por Jeff Hall (2010) que são: a) Identidades Profissionais; b) Desenvolvimento de currículo; c) Desenvolvimento do professor; d) Perspetivas teóricas; e) Práticas reflexivas (Apêndice 3). A parte II subentende uma pergunta aberta sobre a

relevância de 12 conceitos para o ensino dos artista-professores entrevistados, com intuito de recolher mais informação que complemente a parte I e permita triangulação de infomação.

A partir destes eixos definimos as dimensões da entrevista que refletem as principais problemáticas identificadas por nós ao longo deste estudo.

Parte I

1.1 Caracterização de alguns elementos fechados essenciais à pesquisa: idade, disciplinas que leciona; anos de ensino; experiência noutras escolas; 1.2 Formação; 1.3 Títulos/Auto perceção/Autoestima; 1.4 Papel do artista e papel do professor; 1.5 Estatuto/ Imagem do artista; 1.6 Atitudes Comportamentais; 2.1 Influências mútuas; 2.2 Suportes; 2.3 Distribuição temporal; 2.4 Satisfação pessoal; 3.1 Desenvolvimento de currículo; 4.1 Arte como forma de conhecimento e investigação; 5.1 Práticas reflexivas; 5.2 Posição crítica;

Parte II

Pergunta aberta sobre a relevância dos seguintes conceitos para o ensino artístico: Talento,

Técnica, Tradição, Meio/Médium, Imitação, Inovação, Criatividade, Simulação, Atitude Crítica, Desconstrução, Diálogo;

Quadro 6 | Principais eixos presentes no guião da entrevista

4.3.2 Condução das entrevistas

Procurou-se ao longo das entrevistas uma abordagem franca da parte do entrevistador e dos entrevistados, tentando não intervir demasiado ao longo do seu desenvolvimento. Para isso, no início de cada entrevista explicaram-se os objetivos da mesma e os temas abordados. Intentou-se assim estabelecer uma relação de proximidade entre ambas as partes e, ao mesmo tempo, invocar uma atitude reflexiva da parte do entrevistado. Aliás, em muitas ocasiões, alguns entrevistados começaram a dar o seu testemunho ainda antes das perguntas serem colocadas. Este facto obrigou, noutras situações, a redirecionar a entrevista para as temáticas que nos interessava compreender.

Nessa medida, podemos dizer que as entrevistas foram sendo desenvolvidas entre a semidiretividade respeitando um guião semiestruturado que permitiu colocar as perguntas por ordens diferentes, consoante o desenvolvimento discursivo de cada ator. Sempre que se considerou pertinente um conteúdo não previsto ou o testemunho de uma situação não explorada, deixamos abertura para que fosse partilhado, colocando questões para essa situação específica.

Como princípios de ordem ética para com os entrevistados, reforçamos o valor da apresentação dos objetivos da investigação e a “devolução” do material tratado, através do retorno das transcrições a cada entrevistado. Ainda que esta relação se tenha estendido no tempo não-linear desta investigação, pretende-se ainda enviar num futuro próximo as sinopses da aferição das interpretações realizadas. Todavia, queremos aqui notar que apesar de vários autores defenderem a proteção das fontes e não revelar os nomes dos entrevistados (Guerra, 2006; Quivy & Campenhoudt, 1998), dado que o nosso objeto de estudo se situa na compreensão do lugar do artista-professor no ensino de Artes Visuais, e isso implicar uma inter-relação entre a docência e a prática artística, achamos importante manter a identidade real dos autores, para deixar em aberto a oportunidade de conhecer as suas atividades artísticas/criativas/profissionais. À semelhança deste facto, resta ainda lembrar que a seleção do universo em análise teve como variante principal os currículos paralelos de todos os artistas-professores, sendo o reconhecimento público dos mesmos importante para a credibilidade e legitimação desta investigação.

Ao longo da entrevista, tentou-se sempre estabelecer uma relação de empatia, respeito pelo testemunhos, dando espaço mental e temporal às personalidades de cada interveniente, procurando gerir os respetivos ritmos de acordo com o perfil e as disponibilidades de cada um. Este fato terá levado a exposições mais longas do que outras, com períodos de tempo que variaram entre os 30 minutos e os 90 minutos (1h30m).

4.3.3 Gravação, transcrição e realização de sinopses das entrevistas

Pediu-se a todos os entrevistados a autorização da gravação áudio da entrevista, para uma transcrição mais fiel dos discursos e uma análise mais cuidada dos mesmos. Tendo em conta que uma hora de entrevista pode levar entre três até 10 horas de transcrição (Guerra, 2006), este é um processo moroso que consideramos importante partilhar. Alguns autores defendem que a transcrição completa de entrevistas compreensivas não é indispensável,

remetendo-se somente às sinopses das entrevistas. Neste trabalho, todavia, procuramos apresentar a integralidade do que foi partilhado, mantendo-nos o mais fidedignos ao que foi transmitido, para dar oportunidade ao leitor de fazer as suas próprias interpretações e leituras pessoais, seguindo a proposta apresentada por Guerra para a realização das mesmas:

“Numa primeira fase, transcrever (…) o que se entende na audição, deixando espaços em banco nas passagens em que a audição não é clara;

Numa segunda fase, rever a gravação e preencher manualmente as brancas;

Numa terceira fase, redigir um discurso capaz de ser inteligível, com pontuação, supressão de elementos inúteis (…).No entanto, é preciso dar conta que a transcrição do discurso oral simples, sem arranjo, não torna o discurso mais inteligível depois de escrito.” (2003:69)

Depois de todas as transcrições realizadas, preparamos sinopses individuais das entrevistas com os principais resultados recolhidos de cada interveniente (APÊNDICE 4) e sinopses gerais das entrevistas, divididas pelos eixos principais recolhidos, servindo de auxílio à leitura comparativa das entrevistas como um todo (APÊNDICES 5 a 13). Estas sinopses não pretendem substituir o valor de cada entrevista na sua singularidade, razão pela qual optamos por apresentar em anexo as transcrições completas das mesmas (ANEXO I, VOLUME II). O objetivo das sinopses foi proporcionar uma melhor agilização do material recolhido para a análise de conteúdo posterior. Assim, o tratamento e redução do montante de material foi sendo realizado por etapas, facilitando o reconhecimento do corpus de cada entrevista, permitindo aos leitores o acompanhamento da sua lógica interna, e, sobretudo, dando a oportunidade de percecionar resumidamente os principais resultados.

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