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OPERATING RANGE

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Trabalhos linguísticos acerca do FS em PB e em Espanhol são ainda raros, porém alguns pesquisadores como Reis, (2010; 2014); Justino (2011); Silva (2016); realizaram pesquisas importantes sobre o uso do FS em contexto de subordinação em português (REIS, 2010; 2014; JUSTINO, 2011) e espanhol (SILVA, 2016), os quais serão citados nesta seção com o objetivo de corroborar com as hipóteses levantadas nesta pesquisa. Algumas dessas pesquisas diferem teórica e metodologicamente do trabalho ora proposto. Contudo, apesar dessas diferenças, os resultados obtidos por esses pesquisadores se mostram essenciais para entender o emprego de formas verbais com valor de FS em condicionais e temporais, na medida em que analisam fatores morfossintáticos semelhantes aos que estão sendo tratados nesta pesquisa. Tais fatores e os resultados obtidos pelos pesquisadores supracitados serão apresentados nas subseções que seguem.

3.3.1 Reis (2010) e Reis (2014)

Em dissertação de mestrado, Reis (2010) analisou os usos do FS a partir da relação entre subjuntivo e modalidade irrealis nos contextos multiproposicional, proposicional e morfológico considerando dados de fala (VARSUL) coletados na cidade de Florianópolis.

A autora apresentou como principal hipótese a ideia de que a função crucial do FS é auxiliar com a expressão da modalidade irrealis, reforçando valores deônticos bem como epistêmicos nas situações comunicativas vivenciadas pelo falante. Baseada na teoria funcionalista, a autora entende que o FS se une a outros elementos linguísticos de valor semelhante ao de futuro incluso no enunciado, uma vez que há uma correspondência direta entre subjuntivo e futuridade.

Dentro do que corresponde ao interesse de análise dos fatores linguísticos relacionados a esta pesquisa, os resultados obtidos por Reis (2010) demonstraram que em relação ao fator modalidade, em 70% dos dados foi encontrada a modalidade epistêmica e 30% a deôntica. Quanto à posição das orações, a anteposta ocorreu em 80% dos dados analisados. Em relação ao tipo de oração subordinada, a mais recorrente foi a condicional com 73,44% ocorrências, enquanto que as temporais apareceram com 13,49% das construções sintáticas com FS. Por último, a expressão verbal mais recorrente na apódose foi o PI. De acordo com a análise realizada por Reis (2010), o PI foi usado em 65% das orações que possuem o FS na prótase, enquanto o FI 18% das ocorrências.

Em tese de doutorado, Reis (2014) investigou o FS em amostras de fala (VARSUL) como um meio de expressão de categorias funcionais complexas, tempo e modalidade, buscando distribuir o seu domínio funcional a partir desses dois eixos.Nesse trabalho a autora amplia o universo de dados analisados em Reis (2010), uma vez que analisa 72 entrevistas coletadas do Banco de Dados do Varsul nas cidades de Florianópolis, Curitiba e Porto Alegre. O trabalho também está fundamentado no funcionalismo norte-americano. (Givón, 1995; 2009); Bybee, 1985; Bybee et al., 1994 e Fleischman, 1982).

Reis (2014) tem como hipótese central que o FScomo uma forma verbal relacionada à codificação das categorias de tempo futuro e modo/modalidade (não factuais/irrealis), dependendo do uso, pode direcionar-se mais a temporalidade ou a modalidade, uma vez que sofre influência de forças de natureza discursivo-pragmática, semântica e morfossintática, de maneira distinta, mas que, no entanto, se entrecruzam no contexto discursivo. De acordo com a autora, “(...) essa não é uma particularidade do FS, mas um traço comum às formas irrealis, que podem assumir funções e valores diferentes, dependendo do contexto discursivo.” (REIS, 2014 p 155).

Buscando analisar a expressão do tempo e da modalidade nos dados coletados, Reis (2014) elencou alguns fatores de análise relacionados ao FS dos quais serão apresentados aqueles pertinentes a pesquisa ora proposta. Dentre esses fatores estão: tempo do verbo da apódose, tipo de modalidade predominante no enunciado, a posição da prótase em que está o

FS em relação à apódose no período composto, tipo de oração adverbial mais recorrente, verbo com função de FSda prótase.

Os resultados obtidos na pesquisa de Reis (2014), em relação à posição da oração, apontaram que 89% das ocorrências de orações condicionais e 85% das temporais se apresentaram na posição anteposta. Porém, a autora controla vários conectivos e não separa as condicionais introduzidas por se e as temporais introduzidas por quando.

Ainda de acordo com Reis (2014), o tipo de oração mais recorrente nos dados analisados em seu trabalho corresponde à oração condicional. O FS foi empregado nas condicionais em 69% e nas temporais em 17%. Os outros tipos de subordinadas somam 14% do total de dados analisados. As condicionais com o conector se tiveram maior ocorrência com 68,4%, enquanto que as temporais com o conector quando foram empregadas em 8% dos dados. De acordo com a autora, o alto índice de ocorrência de conectivo pode ser atribuído à influência deste na definição do FS como um tempo/modo relacionado à ideia de futuro hipotético e futuro potencial. (REIS, 2014, p. 275). A autora destaca ainda, que “esses resultados estão de acordo com o previsto nas gramáticas normativas que, de modo geral, descrevem as orações adverbiais temporais, condicionais, conformativas, proporcionais, além das adjetivas como os tipos de orações subordinadas onde se emprega o FS em português”. (REIS, 2014, p.275).

Em relação ao fator modalidade, Reis (2014) constatou que a modalidade mais recorrente, no contexto de uso de FS em subordinadas, foi a epistêmica com os valores de possibilidade e probabilidade. Em relação às condicionais, a autora conclui que na maior parte de ocorrências desse tipo de oração (70%) é epistêmica. Esse resultado, de acordo com a autora, “(...) evidencia a força desse conjunto ‘enunciado hipotético e modalidade epistêmica’ na própria expressão do FS”, uma vez que corresponde a metade do total da mostra (REIS, 2014, p.253).

A autora correlacionou os valores de modalidade na proposição no contexto de uso do FS aos tipos de orações. No caso das adverbiais temporais, prevaleceu o valor de certeza epistêmica quando comparado as condicionais. Nestas, o valor de incerteza foi mais recorrente. Esse resultado, segundo ela, ratifica a ideia de que na proposição temporal o emissor do enunciado (no caso de sua pesquisa, o falante) apresenta julgamento de maior certeza diante do dito associado aos usos do FS em orações temporais (REIS, 2014).

Por último, verifica-se que Reis (2010; 2014) não controlou a forma verbal usada na prótase com valor de FS, mas o valor temporal atribuído ao FS. Ou seja, o FS pode ser empregado significando outros tempos além de futuro, tais como, presente, presente relativo,

indeterminação temporal e, em menor proporção, passado e passado relativo (REIS, 2014 p. 222s). O tempo presente (incluindo o presente relativo) teve ocorrência relevante com 13% nos dados analisados, tal como representado no exemplo que segue:

(154) [presente] Quando ele chega em casa cansado do trabalho [...] os filhos também já estão dormindo, ainda mais se FOR o pequeno. (CTB 17) (REIS, 2014 p. 225).

Porém, a maior ocorrência foi do valor de tempo futuro (82%) associado ao FS, como no exemplo:

(150) [futuro] Se alguém BATER, eu vou atender. (POA 07) (REIS, 2014 p. 223). Nesta pesquisa, ao contrário, buscam-se formas verbais que codificam o valor de FS, ou seja, quais formas verbais funcionam como FS em contexto de futuro.

3.3.2 Justino (2011)

Na dissertação de mestrado de Justino (2011), intitulada “A distribuição e a expressão gramatical do futuro do subjuntivo no português de Moçambique”, este pesquisador apresenta dois objetivos: O primeiro é de compreender a distribuição e a expressão gramatical no português de Moçambique (PM). Para tanto, analisa de forma comparativa, dados de construções temporais introduzidas por quando e condicionais introduzidas por se, em amostras de fala e de escrita provenientes de produções de estudantes universitários de Moçambique e de Portugal. O segundo objetivo refere-se à construção de uma sequência didática para ajudar no ensino de gramática. Em função dos objetivos da pesquisa ora apresentada, serão considerados neste estudo os resultados dos testes escritos (teste de produção provocada e juízo de gramaticalidade) analisados por Justino (2011) nos tipos de subordinadas descritas acima, bem como não se fará referência à parte relacionada ao ensino de gramática.

O pesquisador assume uma perspectiva formalista (CHOMSKY, 1995) diferente do funcionalismo adotado nesta pesquisa. Porém, os resultados obtidos por Justino (2011) se tornam relevantes para este trabalho porque descreve e analisa o uso de outras formas verbais com valor de FS em orações condicionais de se e temporais de quando.

Tem por hipóteses norteadoras de sua pesquisa que

a) O FS ocorreria mais em PM em condicionais introduzidas por se, independentemente do valor associado à condicional e do tempo da apódose; b) Semelhantemente aos dados dialetais do português europeu (PE), o PI em PM

ocorreria em condicionais hipotéticas em que, no PE padrão, ocorre o modo subjuntivo.

O resultado obtido mostrou que em relação aos dados analisados em PE, não existe restrição sintática quanto ao emprego, na prótase condicional, do FS ou do PI. De acordo com o pesquisador, ambos os tempos verbais podem ocorrer nos mesmos contextos sintáticos das condicionais analisadas.

Ainda de acordo com os resultados obtidos por Justino (2011), de forma geral, o FS ocorreu em 69,4%; enquanto o PI com valor de FS foi empregado em 25%do total de dados analisados. Demais formas verbais empregadas com valor de FS constam do infinitivo flexionado (5%), do imperfeito (0,3%) e do presente do subjuntivo (0,3%). (JUSTINO, 2011 p. 25)

Nos testes de juízos de gramaticalidade em PE, o PI foi empregado em 80% dos casos. Foram consideradas agramatical ou marginal as mesmas frases com futuro do subjuntivo por cerca de 60% dos sujeitos. Por outro lado, os sujeitos da tarefa de produção recorreram apenas ao FS nas frases consideradas marginais com o PI por cerca de 70% dos informantes.

Em frases em que as leituras factual (ou genérica habitual) e hipotética são igualmente acessíveis, as formas verbais tanto no o FS (60%) como no PI (40%) são aceitas como gramaticais (JUSTINO, 2011 p. 40).

Baseado nos resultados obtidos, Justino (2011) conclui que o FS não é obrigatório, mas sim o tempo escolhido, preferencialmente em 85% dos casos, na tarefa de produção provocada quando as condicionais, tomadas isoladamente, se caracterizam por ser: frases em que as leituras factual e hipotética são facilmente acessíveis; frases em que a leitura factual é pouco acessível (a factualidade depende, em geral, de uma interpretação genérica/habitual).

O autor conclui ainda que o PI é escolhido para codificar o FS com valor genérico universal em condicionais que normalmente bloqueiam a leitura hipotética.

Nos testes de produção provocada, as temporais introduzidas por quando apresentaram formas verbais no FS em 76% dos casos, e no PI em 16% dos casos; o infinitivo flexionado no lugar do futuro do subjuntivo somam 5% dos casos. Tempos como: imperfeito do subjuntivo, o pretérito perfeito do indicativo, e o imperfeito do subjuntivo somam 1% cada um.

Nas temporais foi possível formular generalizações na medida em que foi observado que quando ocorreu o FS na prótase, foi empregado o FI ou o imperativo na apódose. Como monstram os exemplos que seguem: “a. Quando nós virmos o Paulo, diremos o necessário. [21] b. Quando terminares o trabalho, desliga o computador.”(JUSTINO, 2011 p. 43).

Além disso, foi observado que o FS e o PI na prótase podem ocorrer em estruturas temporais com o PI na apódose. Como no exemplo: “Quando estiver/está mau tempo, os barcos não circulam nos Açores.” (JUSTINO, 2011 p. 43).

Portanto, relativamente à distribuição do FS, estes resultados apontam para o uso obrigatório do FS no PE quando ocorre na apódose uma forma verbal no FI ou imperativo.

Em relação aos dados analisados em PM, os resultados obtidos por Justino (2011) mostraram que, no teste de produção escrita provocada, as formas verbais com FS em condicionais introduzidas por se foram as mais empregadas, tendo um total de 58,1% de ocorrências, contra 17,2% do PI. As formas do infinitivo flexionado ocorreram em 19,8%. De acordo com Justino (2011), esse resultado indica que o FS está se especializando em condicionais introduzidas por se no PM. Porém, o pesquisador não especifica, quantitativamente, as condicionais hipotéticas das factuais e genéricas universais abordadas no trabalho.

No tocante aos resultados obtidos nos testes escritos em PM, a pesquisa de Justino (2011) mostrou que nas temporais introduzidas por quando 64,5% dos dados apresentaram verbos no FS, 20,2% no infinitivo e 11,8% no PI. Demais formas verbais (presente, imperfeito do conjuntivo e pretérito do indicativo) tiveram ocorrências residuais. Por último o pesquisador conclui que na prótase com FS, emprega-se na apódose verbo exclusivamente no FI e ou no imperativo.

3.3.3 Silva (2016)

A pesquisa de doutorado de Silva (2016) estuda o estatuto lexical de quando/cuando e das orações introduzidas pelo termo em dados de fala e de escrita do português e do espanhol29 com o objetivo de estabelecer uma tipologia das orações quando/cuando. Para tanto, considera em sua análise aspectos linguísticos relacionados ao estatuto relativizador de quando no que diz respeito à ocorrência do termo em estruturas relativas de núcleo nominal e relativas livres nas duas línguas citadas; a construção do espanhol com quando seguido de sintagma nominal como uma categoria preposicional; a polissemia de quando/cuando, uma vez que este conectivo pode apresentar-se com valores de causa, concessão, condição, dentre outras; o significado bifuncional de quando nas sentenças, nas quais podem acumular mais de

29Silva (2016) utiliza dados do PB. Em relação ao espanhol, a autora diz que os dados da pesquisa não estão relacionados a uma variedade dialetal específica. De acordo com ela, as amostras são dados oriundos de falantes nativos colhidos na literatura ou em gramáticas da língua.

um sentido ditas temporais-condicionais; analisa comparativamente as sentenças temporais com as sentenças narrativas de quando/cuando nas duas línguas citadas30. Dentre todos esses aspectos analisados pela autora, o que corresponde ao interesse de análise desta pesquisa está relacionado aos aspectos morfossintáticos inerentes ao emprego de formas verbais em português e o espanhol que codificam o FS.

Inicialmente é necessário destacar que o trabalho de Silva (2016) difere da fundamentação teórica que norteia esta pesquisa. Contudo, a análise se faz relevante porque a autora discute a diferença no emprego de formas verbais das orações adverbiais temporais de quando/cuando (bem como, rapidamente, nas condicionais de se/si) em português e em espanhol em contexto de futuro.

Em sua tese, Silva (2016) ratifica que o emprego do FS em temporais de quando é vigente no português, enquanto que no espanhol acha-se em desuso, sendo substituído pela forma verbal no PS. Para a autora, a explicação para essa variação de formas verbais entre o português e o espanhol em orações temporais de quando/cuando com valor de futuro pode ser dada a partir do ativamento ou não de certo traço nas categorias funcionais (CHOMSKY, 1995). No caso das línguas em estudo, a hipótese é de que o português e o espanhol envolvem os núcleos funcionais [Tense] e [Mood] pressupostos de base teórica da gramática gerativa (Teoria de Princípios & Parâmetros - CHOMSKY, 1981 e seguintes).

Isso significa que a variação no emprego de formas verbais com valor de FS em contexto de futuro ocorre tanto pelo tempo quanto pelo modo verbal nas condicionais de se/si, posto que em português é empregado na prótase o FS, e em espanhol o PI. Como mostram os exemplos: “a. Se puder FUT SUBJ., sairei FUT. IND; b. Si puedo PRES. IND., saldré FUT. IND”. (SILVA, 2016, p.211).

Já nas temporais de quando/cuando a variação ocorre apenas em relação ao tempo, posto que em português é empregado o futuro e em espanhol o presente, ambos no mesmo modo (subjuntivo).

A respeito da cominação das formas verbais entre prótase e apódose, Silva (2016) diz que essa escolha não ocorre de forma totalmente arbitrária nas construções subordinadas, posto que se a marcação de temporalidade não estiver relacionada entre prótase e apódose a construção oracional pode ser considerada agramatical. Cita como exemplo as construções

30A autora ilustra sua análise com dados comparativos de outras línguas como inglês, francês, italiano e holandês. Contudo, neste trabalho será feito menção apenas as citações referentes aos aspectos relacionados aos dados comparativos entre português e espanhol.

temporais: “a. Farei o jantar quando cheguei em casa; b. Fiz o jantar quando cheguei em casa/; c. Farei/Faço o jantar quando chegar em casa.” (SILVA, 2016, p. 27).

Em (a) a sentença é considerada agramatical uma vez que não há articulação temporal coerente entre as orações do período composto; em (b) e (c) o uso dos tempos e dos modos verbais apresenta uma relação coerente no emprego das propriedades sintáticas e semânticas entre as orações que compõem o período.

A partir do pressuposto de que as orações introduzidas por quando/cuando têm como função prototípica marcar uma relação de tempo, na medida em que esse tipo de oração pode exprimir significados de simultaneidade, posterioridade e anterioridade na prótase em relação à apódose, Silva (2016) conclui que a análise das propriedades sintáticas e semânticas produzidas pelas temporais de quando/cuando na relação com a oração apódose aponta para contrastes morfossintáticos no nível translinguístico, que ocorre somente nas orações temporais de quando/cuando com valor de futuro, uma vez que nas sentenças temporais com valor de passado e presente são empregadas as mesmas formas verbais (tempo e modo) na prótase e na apódose das duas línguas em análise. Como nos exemplos que seguem:

Futuro

a. Julio acordará FUT. IND. [quando o despertador tocar FUT SUBJ.]. (456) b. Juan despertará FUT. IND. [cuando suene PRES. SUBJ. el despertador]. 210 Presente

a. Julio acorda PRES. IND. [quando o despertador toca PRES. IND.]. (457) b. Juan despierta PRES. IND. [cuando suena PRES. IND. el despertador]. Passado

a. Julio acordou PRET. PERF. [quando o despertador tocou PRET. PERF.]. (458) b. Juan despertó PRET. PERF. [cuando sonó PRET. PERF. el despertador] (SILVA, 2016, p. 209).

Com base nos dados expostos e nos pressupostos gerativistas, a autora preconiza que as marcas de temporalidade necessitam estar autorizadas por algum aspecto de ordem sintático-semântica capaz de garantir o uso de determinada forma verbal no período subordinado, para que haja articulação dos eventos envolvendo significados de anterioridade, simultaneidade e posterioridade.

Em síntese, o trabalho de Silva (2016) tem caráter mais qualitativo. De maneira que não foi possível fazer uma comparação quantitativa a respeito dos fatores morfossintáticos concernentes às línguas em analise. Além disso, o trabalho da autora difere, deste ora apresentado, na fundamentação teórica, nos fatores de análise e em parte, também no objeto.

Ao final desta seção vale ressaltar que os trabalhos acerca do FS em português e em espanhol, de uma maneira geral, ainda são raros. No tocante aos apresentados nesta seção, pode-se concluir que os resultados obtidos em cada pesquisa se completam. Porém, se torna difícil fazer uma correlação mais apurada em função de os trabalhos apresentarem distinções relevantes quanto ao aspecto teórico-metodológico aplicados em suas análises.

Contudo, foi possível observar que, de uma maneira geral, os resultados de pesquisa se confirmam, posto que tanto em Reis (2014) como em Justino (2011) prevaleceu o uso do FS em contexto de subordinação nas condicionais e temporais relacionadas ao futuro. Ainda comparando Reis (2010) e Justino (2011), ambos obtiveram resultados com o PI na apódose. Em Reis (2010) e Reis (2014) houve maior ocorrência da modalidade epistêmica e de orações do tipo condicional, bem como da posição anteposta. Demais observações acerca dos resultados obtidos nos trabalhos linguísticos citados nesta seção serão revisitadas na discussão dos dados (capítulo 06).

Em suma, este capítulo apresentou as perspectivas gramaticais acerca do futuro do subjuntivo (seção 3.1), a definição de modalidade (seção 3.2) segundo a teoria funcionalista norte-americana de Givón (1993, 1995, 2001. 2002), bem como apresentou alguns estudos linguísticos acerca do FS (seção 3.3). No próximo capítulo será descrita e analisada a codificação verbal do FS em PB.

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