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HARDWARI! DIVISION
Nas orações condicionais em PB, foram encontrados os valores de possibilidade, certeza e probabilidade relacionados à submodalidade epistêmica, bem como o valor de obrigação relacionado à submodalidade deôntica na proposição condicional iniciada por se.
As amostras foram divididas por tipo de submodalidade (epistêmica e deôntica). Em seguida, foi feita a análise da proposição para identificar quais foram os valores revelados no contexto da proposição.
a) Possibilidade
(PB3b) Se os céus ajudarem, poderão entrar R$ 21,4 bilhões de acertos com devedores de impostos e R$ 18,2 bilhões coletados em leilões de infraestrutura.
Percebe-se que nesse exemplo, o verbo poder no futuro do indicativo empregado na apódose revela a ideia de algo possível, caso a situação posta na prótase aconteça. Por sua vez, a prótase formada com verbo no FS revela uma atitude que se refere a terceiros, na qual o produtor do enunciado não tem qualquer interferência (“se os céus ajudarem”). Dessa
maneira, o produtor do enunciado não se compromete com o dito, logo, a submodalidade é epistêmica com valor de possibilidade.
Neste exemplo, percebe-se ainda que a forma verbal empregada na apódose se constitui uma perífrase verbal composta por verbo auxiliar conjugado no futuro seguido de verbo no infinitivo (poderão entrar). Essa construção é responsável por modalizar a atitude do produtor do enunciado dando ideia de algo possível de se realizar. Sobre essa estratégia linguística, Neves (2011) diz que “Há verbos que se constroem com outros para modalizar os enunciados, especialmente para indicar modalidade epistêmica (ligada ao conhecimento) e deôntica (ligada ao dever).” (NEVES, 2011, p. 62). Essa formação verbal denominada pela autora como operadores gramaticais pode expressar: necessidade epistêmica, possibilidade epistêmica, necessidade deôntica (obrigatoriedade), possibilidade deôntica (permição). No caso do exemplo (PB3b), o verbo poder tem valor de possibilidade epistêmica, uma vez que sugere ser possível à entrada de R$ 21,4 bilhões oriundos de impostos coletados em leilões.
Nas amostras de condicionais analisadas em PB, 24,8% dos dados apresentaram perífrases verbais de infinitivo com verbos dever, poder ter de/que para modalizar o discurso na proposição condicional. O uso dessas formas verbais na apódose, além de alguns outros elementos gramaticais como advérbios e/ou adjetivos na apódose, contribui para revelar a intenção do produtor do enunciado na proposição condicional. Nesse trabalho, no entanto, em razão da necessidade de definir o recorte de pesquisa, não será dado ênfase aos demais operadores gramaticais que colaboram na proposição para realçar a atitude e/ou julgamento do produtor do enunciado sobre o dito.
b) certeza
(PB11) Se tudo correr muito bem, a marcha no rumo de juros civilizados prosseguirá nestes dois anos.
No exemplo (PB11) pode-se observar que na apódose o verbo está na forma simples, no modo indicativo (prosseguirá), revelando que o produtor do enunciando se compromete com o dito na proposição. Percebe-se que não há qualquer outro elemento gramatical (advérbio como possivelmente ou verbo modalizador como poderá/deverá) que possa expressar atitude de menor grau de comprometimento acerca do dito. Logo, o leitor é movido a interpretar o dito como uma indicação de certeza.
c)Probabilidade
(PB15) Mas, se ela tardar e se os juros não forem mais razoáveis, será mais provável que bancos tenham prejuízos e tenham de se capitalizar.
No exemplo (PB15), percebe-se que a intenção do produtor do enunciado é expressar certo grau de probabilidade revelado pelo verbo no futuro do indicativo (será) seguido da expressão “mais provável”. Essa estratégia linguística tem como objetivo fazer o leitor interpretar o dito como algo com grande chance de se realizar no futuro. De maneira que, se a situação posta na protáse (se ela tardare se os juros não forem mais razoáveis) se realizar, a situação na apódose terá grande chance de se concretizar, ou seja, provavelmente os bancos terão prejuízos e terão de se capitalizar.
Em relação à submodalidade deôntica, o valor encontrado nas amostras foi de obrigação:
(PB98) Se o número final for um pouco mais feio e superar 6,5%, o presidente do Banco Central (BC) terá de explicar ao ministro da Fazenda, em carta, por que foi ultrapassado o limite de tolerância.
Segundo Neves (2011), a construção ter de empregada na apódose do exemplo (PB98) denota valor de obrigatoriedade. O emprego dessa formação gramatical revela que o produtor do enunciado expressa a ideia na qual o ministro da Fazenda será obrigado a explicar por meio de carta os motivos pelos quais os limites de tolerância foramultrapassados, caso os números finais superem 6,5%.
Na tabela 06 seguem os valores epistêmicos e deônticos revelados nas construções subordinadas condicionais iniciadas por se.
Tabela 06 - Frequência dos valores epistêmicos e deônticos em condicionais em PB Valor Modalidade Epistêmica Modalidade Deôntica Total
Quantidade Porcentagem Quantidade Porcentagem Quantidad e Porcentagem Certeza 100 100% - - 100 77,52% Possibilidade 20 100% - - 20 15,50% Probabilidade 03 100% - - 03 2,33% Obrigação - - 06 100% 06 4,65% Total epistêmica 123 95,35% 06 4,65% 129
Considerando os dados da tabela 6 em relação aos valores epistêmicos e deônticos, foi possível verificar que o valor epistêmico de certeza teve maior ocorrência (77,52%) no total de amostras analisadas. Esse resultado pode estar associado às características estruturais do gênero editorial, posto que esse gênero busca por meio de elementos gramaticais criar mecanismos argumentativos que possam corroborar para convencer o leitor sobre o conteúdo de sua tese. Para alcançar esse objetivo, emprega na construção do seu discurso operadores gramaticais tais como verbos, advérbios, adjetivos para modalizar o dito na proposição.
Em síntese, relacionando os fatores de análise propostos nesta pesquisa com os resultados obtidos nas amostras analisadas, verificou-se que a forma verbal composta pelo FS na prótase combinado na apódose com o futuro do indicativo ocorreu em maior número (82,95%) nas orações condicionais analisadas em PB. Quanto à posição das orações, observou-se que, nas condicionais, a posição anteposta teve maior ocorrência (74,42%). A análise dos dados mostrou ainda que em relação à modalidade, a maior ocorrência foi da submodalidade epistêmica (95,35%) com valor de certeza (77,52%).