Como foi mencionado anteriormente, para efeito desta análise, a vegetação do município de Salgueiro foi classificada em apenas três níveis de cobertura vegetal: densa, representada na cor azul, a qual foi atribuída o valor 1,5 e que, quanto ao grau de vulnerabilidade, situa-se na classe de moderadamente estável; intermediária, que aparece na cor verde, recebendo o valor 2,0 e grau de vulnerabilidade moderadamente estável/vulnerável;
e rala, com valor 2,5, sendo classificada como moderadamente vulnerável, representada pela cor amarela (Quadro 06).
A Figura 106 mostra a situação da cobertura vegetal para o ano de 1989, que, quanto à densidade da vegetação, apresentavam situações relativamente diferenciadas. Nesta ocasião, observa-se que o distrito de Conceição da Creoulas era o que apresentava melhores condições de cobertura vegetal em relação aos demais, sendo verificada, inclusive, uma área mais central neste distrito na qual havia uma vegetação mais densa, classificada como moderadamente estável (cor azul). Em situação semelhante tinha-se o distrito de Vasques, com o predomínio de vegetação com densidade intermediária, embora que em sua porção norte apresente uma situação em que demonstrava ter uma vegetação mais rala. Os distritos de Salgueiro e Umãs apresentavam uma situação na qual já havia uma disseminação maior de áreas com a vegetação mais rala.
A Figura 107, mostra para o ano de 2002, o quadro em que se encontrava a densidade da cobertura vegetal nesta ocasião. Verifica-se que a imagem de satélite deste ano não cobriu todo o município de Salgueiro, não sendo contemplando o extremo norte do distrito de Vasques. Observando-se a imagem de 1989, bem como a área adjacente desta parte não coberta pela imagem, por ocasião do cruzamento dos planos de informações, está área será considerada como moderadamente vulnerável, ou seja, com uma cobertura vegetal mais rala, recebendo o valor de 2,5, correspondente a moderadamente vulnerável. O que pode ser verificado, com essa imagem mais recente, é que a relação que havia entre os distritos foi de certa forma mantida, com Conceição das Crioulas continuando a ser o distrito que apresenta maiores áreas com cobertura vegetal densa, sendo predominante a vegetação de densidade intermediária. Vasques apresenta uma cobertura vegetal com predominância da densidade intermediária, com exceção do seu extremo norte, onde a vegetação está mais rala. Os distritos de Umãs e Salgueiro são os que apresentam, proporcionalmente, maiores áreas com densidade de cobertura vegetal rala. Neste último ainda, verificam-se algumas áreas com cobertura vegetal densa, principalmente, próximas aos distritos de Conceição das Crioulas e Vasques. Umãs, na escala em que foi representada, praticamente não se percebe áreas com cobertura vegetal densa. Baseado nestas colocações verifica-se que Vasques e Conceição das Crioulas tendem para a estabilidade moderada, enquanto Salgueiro e Umãs situam-se mais para a vulnerabilidade moderada.
O que fica evidente é que, de uma forma geral, em todos os distritos, no período observado, 1989 e 2002, houve uma redução na densidade da cobertura vegetal, fator que
pode contribuir significativamente com o aumento da vulnerabilidade a processos de degradação.
Figura 106 - Vulnerabilidade natural à perda de solo para o tema vegetação, do município de Salgueiro/PE - ano 1989. Elaborada com base em Imagem Landsat do ano de 1989 e Crepani et. al., 2001. Média Grau de Vulnerabilidade Cores 2,5 Moderadamente Vulnerável 2,0 Medianamente Estável / Vulnerável 1,5 Moderadamente Estável
Figura 107 - Vulnerabilidade natural à perda de solo para o tema vegetação, do município de Salgueiro/PE - ano 2002. Elaborada com base em Imagem Landsat do ano de 2002 e Crepani et. al., 2001.
Na escala proposta pelo ZAPE, em todo território do município de Salgueiro a vegetação é hiperxerófila. Entretanto, nas visitas a campo pôde-se observar diferenças na composição e no porte da vegetação, fator que está diretamente relacionado com o solo onde a mesma está situada, evidenciando uma maior profundidade e melhores condições para seu desenvolvimento.
A utilização de grande parte do espaço com a exploração agropecuária, que elimina ou desagrega a cobertura vegetal, na maioria das vezes o que se observa é que a vegetação atual indica o uso atual do solo e não mais o que seria a vegetação natural desta área. (Sanchez, 1991).
Verifica-se que grande parte do município foi desmatada, pois a vegetação, em determinadas áreas é de capoeira - vegetação de área desmatada que está em recuperação - percebendo-se, em algumas áreas, condições mais favoráveis ao restabelecimento da cobertura vegetal do que em outras.
Média Grau de Vulnerabilidade Cores 2,5 Moderadamente Vulnerável 2,0 Medianamente Estável / Vulnerável 1,5 Moderadamente Estável
Portanto, é necessário que ocorra um monitoramento maior de sua distribuição no decorrer dos meses do ano (considerando-se as épocas secas e chuvosas) e ao longo dos anos, para que se possa avaliar a evolução desta situação.
A retirada da vegetação interfere diretamente na mudança rápida da qualidade do horizonte superficial do solo, podendo implicar em alterações na estrutura, fauna do solo, microorganismos, capacidade de infiltração da água no solo, interceptação e amortecimento da velocidade da água da chuva, entre outros aspectos.
Sobre o último aspecto citado, Tricart (1977) afirma que em áreas onde não há interceptação da energia cinética das gotas da chuva pela cobertura vegetal, estas chegam ao solo com velocidade limite, o que significa a maior energia possível, de acordo com o tamanho das gotas, que está diretamente relacionado com a intensidade da precipitação. Ocorrendo o contrário, há dispersão da energia cinética pela cobertura vegetal, favorecendo, desta forma, a infiltração da água da chuva no solo (Tricart, 1977).
O impacto gerado pelas gotas da chuva no solo provocará a destruição dos agregados deste solo, favorecendo, dessa forma, o processo de erosão pluvial. Com a fragmentação dos agregados, as partículas minerais vão-se infiltrando nos poros do solo, carreadas pela água da chuva, fazendo com que estes fiquem obstruídos com o passar do tempo, proporcionando um maior escoamento superficial, favorecendo, conseqüentemente, o processo erosivo. Com o preenchimento dos poros pelas partículas menores, a pedogênese é reduzida, devido à dificuldade de acesso para a água, bem como possibilita uma redução na produtividade vegetal, por criar condições inadequadas ao seu desenvolvimento. Percebe-se, desta forma, a interrelação entre estes dois temas para a proteção do solo.
As Figuras 108 e 109 mostram, a seguir, em uma visão esquemática, a importância da cobertura vegetal para a proteção do solo e do relevo frente a uma maior intensidade pluviométrica.
As Figuras 110 e 111 evidenciam um pouco da relação existente entre solo - relevo - cobertura vegetal. A Figura 110 apresenta uma visão mais ampla onde há o contraste entre a porção a esquerda da foto que possui a vegetação de caatinga recobrindo todo o terreno e, à direita, uma área descoberta que foi plantada, anteriormente, com pastagens. A Figura 111 mostra em detalhe esta segunda porção na qual vem ocorrendo processo erosivo, avançando para a formação de voçorocas. Isto demonstra a fragilidade que determinadas áreas estão
sujeitas devido às características do terreno como composição de solo, topografia, exposição do solo, entre outros fatores, frente ao manejo dispensado ao mesmo.
INTENSIDADE PLUVIOMÉTRICA VEG ETAÇ ÃO SOLO + RELEVO INTENSIDADE PLUVIOMÉTRICA SOLO + RELEVO
Figuras 108 e 109 - Visão esquemática da relação existente entre o impacto gerado no solo e no relevo, devido à intensidade pluviométrica com e sem a proteção oferecida pela cobertura vegetal.
Figuras 110 e 111 - Área acidentada, com formação de voçoroca (Ponto 153 - UTM/SAD 69 - 0482984 - 9121819). Fotos: Victor Uchôa Ferreira da Silva.