Valentine Buck 2 Olivier Desaulnay 3
B. Les perspectives ouvertes par les réflexions actuelles sur la réforme de la Cour de cassation
3. L’apport de la QPC dans les réflexions actuelles de la Cour
De forma geral, são evidentes as diferenças entre a mixobiota corticícola das florestas tropicais e temperadas, especialmente quando são levados em consideração os baixos índices de amostras de gêneros ditos como verdadeiros corticícolas, tais como Echinostelium, Licea e Macbrideola. Segundo Rojas e Stephenson (2008), apesar dos mixomicetos serem cosmopolitas, as informações que se tem até o momento indicam que os padrões de distribuição desses organismos parecem estar relacionados às
diferenças de clima e vegetação, em escala global, e às diferenças ecológicas e particulares de cada habitat. O mesmo autor ainda destaca a influência da latitude para diferenças, não apenas da mixobiota, mas também para outros grupos de organismos. Além disso, as espécies que compõem a mixobiota presente nessas florestas apresentam padrões distintos de distribuição, abundância e riqueza nos microhabitats que ocupam.
Estudos realizados em florestas temperadas, tais como os desenvolvidos por Schnittler et al., (2006) com ramos mortos presentes no dossel de árvores e os de Clayton et al., (2014) com o córtex de forófitas, revelam uma mixobiota mais rica e diversificada que a existente em florestas tropicais, possivelmente relacionada com a alta umidade e condições fenológicas apresentadas pelas florestas tropicais.
Bezerra et al., (2007) exploraram diferentes tipos de substratos em ambiente de Restinga no Rio Grande do Norte e referem maior produtividade dos mixomicetos corticícolas em relação aos foliícolas.Os resultados diferem do que foi apontado por Stephenson et al., (2004), que comentam a visível diferença da mixobiota presente nas folhas (folhedo) em florestas Neotropicais em comparação com a encontrada sobre o córtex de árvores vivas.
Nas três fitofisionomias de floresta foram identificadas 35 espécies
,
presentes nos troncos das 32 forófitas analisadas, evidenciando uma riqueza semelhante a da mixobiota corticícola observada por Everhart e Keller (2008) e Everhart et al., (2009) em Florestas Temperadas (EUA), e mais diverso taxonomicamente quando relacionados a lista levantada por Stephenson et al., (2004) (3,66) em ambientes de floresta tropical úmida no Equador.Como se observa na Fig. 6., os valores das espécies registrados nos períodos de pesquisa é superior à média apresentada pelo método de acumulação de espécies.
O uso de estimadores de riqueza das espécies são comuns em estudos ecológicos e constituem uma das ferramentas mais úteis para comparar, relacionar e caracterizar diferentes áreas, mesmo que as espécies representadas não sejam suficientes para demonstrar a real riqueza dos ambientes em estudo (SONEGO et al., 2007; UGLAND et al., 2003).
Os métodos de estimativa de riqueza empregado neste trabalho apresentaram valores estimados distintos entre si porque consideram diferentes pontos em suas randomizações. O índice Chao (1), por exemplo, estima a riqueza total utilizando o número de espécies representadas por apenas um indivíduo nas amostras, o método Jackknife (1) estima a riqueza total utilizando o número de espécies que ocorrem em apenas uma amostra e o Bootstrap estima a riqueza total utilizando dados de todas as espécies, não se restringindo às raras. Dentre esses estimadores de riqueza o que obteve maior destaque em valores estimados de espécies para todas as amostras foi o Bootstrap (34.60) seguido do Jackknife (34.42). O Chao (1) apresentou as menores estimativas de riqueza (32.24) e esteve mais próximo da riqueza corticícola observada para as áreas estudadas (Fig. 7).
A riqueza expressa pela comunidade corticícola estudada talvez não tenha sido igual ou superior ao dos estimadores porque a coleção conta com algumas espécies representadas por um ou poucos espécimes. Como os índices levam em consideração espécies raros, a curva gerada pelos estimadores (Fig. 7) apresentou expressivos valores estimados para a comunidade corticícola presente nas forófitas estudadas.
Figura 6 - Curva de acúmulo das espécies de mixomicetos corticícolas presentes nas forófitas da REBIO Saltinho, PE Serra Negra e RPPN Brejo do Jenipapo, em Pernambuco.
Figura 7 - Riqueza estimada (índices: Chao, Jackknife e Bootstrap) de mixomicetos corticícolas em 32 forófitas da REBIO Saltinho, PE Serra Negra e RPPN Brejo do Jenipapo, em Pernambuco.
Mesmo apresentando uma riqueza abaixo da indicada pelos estimadores, as espécies corticícolas registradas nas áreas estudadas
englobam representantes de todas as subclasses, ordens e 65% das famílias de mixomicetos e está bem representada, principalmente quando relacionadas com trabalhos realizados em outras áreas e tipos de vegetação do Brasil (BEZERRA, 2007; CAVALCANTI, 1974; SILVA, 2012).
Os dois ambientes analisados na REBIO Saltinho apresentam semelhanças quanto à oferta de luz, umidade e vegetação do tipo Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas, porém as características das forófitas e a disponibilidade dos diferentes fatores microambientais nos períodos de coletas exerceram influência na composição da mixobiota corticícola.
Espécies de Echinosteliaceae (3%), Liceaceae (65%), Stemonitaceae (8%) e Trichiaceae (22%) estiveram presentes nos dois locais, porém representantes das Physaraceae (2%) só foram encontrados no córtex coletado na estação chuvosa. Merece destaque a família Liceaceae, representada pelos gêneros Cribraria e Licea, que apresentou o maior número de espécimes (57) e espécies (08), correspondendo a 65% da mixobiota estudada na Reserva. Trichiaceae foi o segundo grupo em termos de representatividade, destacando-se com 22% dos espécimes obtidos nessas parcelas.
Os gêneros Arcyria, Cribraria, Hemitrichia, Licea, Macbrideola e
Perichaena foram compartilhados entre os cultivos provenientes das forófitas
presentes nas duas parcelas analisadas, o que corresponde a 70% de semelhança entre os grupos de mixomicetos levantados. Ao considerar as espécies presentes nas mesmas forófitas, todavia, foram observadas diferenças quanto às espécies compartilhadas. No primeiro e no segundo período de coletas foram assinaladas 16 e 14 espécies, respectivamente, porém apenas Arcyria cinerea, Cribraria confusa, C. microcarpa, C. violacea,
Licea erecta e Macbrideola martinii estavam presentes nos dois locais,
correspondendo a 40% de similaridade entre as duas comunidades (Tab. 8). A composição da mixobiota corticícola nos dois Brejos de Altitude apresentou semelhanças em nível de família e gênero, as Liceaceae (52%) com maior expressão em termos de espécimes (57) e espécies (09), seguida de Trichiaceae (26%) e Stemonitaceae (17%) (Tab. 14). As famílias
Trichiaceae, Liceaceae e Stemonitaceae, foram compartilhadas entre os brejos, porém as Ceratiomyxaceae (1%), Echinosteliaceae (2%) e Physaraceae (3%) estiveram presentes apenas no ambiente de Floresta Sazonal Semidecidual Montana no brejo de Sanharó.
Dentre as Liceales merece destaque Cribraria violacea, com 92% do total de espécimes relatados para os brejos estudados, além da maior quantidade de esporocarpos produzidos (856), equivalente a 66% dos contabilizados para todas as espécies de mixomicetos assinaladas nos dois ambientes.
Foram levantados para as Trichiaceae 29 espécimes, distribuídos entre os gêneros Arcyria (2 spp), Hemitrichia (3 spp) e Perichaena (3 spp). O gênero
Perichaena destacou-se pela maior quantidade de espécimes e esporocarpos.
O grupo das Stemonitaceae foi representada, nas duas áreas de brejo, pelas espécies Macbrideola martinii e Comatricha pulchaella, sendo a primeira mais expressiva em número de espécimes (18) e esporocarpos (121).
Ceratiomyxaceae, Echinosteliaceae e Physaraceae apresentaram representantes apenas no brejo de altitude do Jenipapo (Floresta Sazonal Semidecidual Montana), onde a última família se destacou pela quantidade de espécies (4), cada uma representada apenas por um espécime, com dois a quatro esporângios cada. Ceratiomyxaceae foi representada por Ceratiomyxa
fruticulosa (um espécime e três esporângios) e Echinosteliaceae por Echinostelium minutum (2 espécimes e 35 esporângios).
O coeficiente de comunidade utilizado para comparar a similaridade entre os gêneros de mixomicetos corticícolas encontrados no ambiente de Floresta Ombrófila Aberta de Terras Altas e Floresta Sazonal Semidecidual Montana indicou que, apesar da diferença de fitofisionomia, a composição das mixobiotas das duas áreas de brejo de altitude são semelhantes (Cc= 62 %) (Tab. 8).
A riqueza de espécies da mixobiota em cada brejo de altitude não difere muito, com 15 espécies na Floresta Floresta Sazonal Semidecidual Montana e 18 espécies na Floresta Ombrófila Aberta de Terras Altas. Todavia, observa-se
diferenças nas suas composições (Cc=42%), pois apenas Cribraria violacea,
Licea erecta, L. pedicelata, L. scyphoides, Macbrideola martinii, Perichaena chrysosperma e P. depressa foram compartilhadas (Tab. 8).
Na Região Nordeste do Brasil, os Brejos de Altitudes são comparados a ilhas de florestas úmidas situadas em ambientes semi-áridos, em altitudes iguais ou superiores a 600 m (COSTA et al., 2014). Mesmo sendo parte da Mata Atlântica, constituem ambientes diversificados, com características microambientais diferenciadas. No presente trabalho, a composição da mixobiota corticícola presente nos dois Brejos de Altitude estudados foi diferente entre si, além de ambas terem apresentado menor riqueza de espécies que a registrada na Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas (Tab. 8).
Em estudo realizado na Costa Rica, Rojas et al., (2008) observaram que com o aumento da altitude houve diminuição na diversidade de mixomicetos, mas concluíram que, de forma geral, as diferenças entre as áreas estudadas não se mostraram significativamente fortes a ponto de estarem ligadas à altitude, e seriam influenciadas pelas ofertas presentes em cada forófita. Nas florestas pesquisadas no presente trabalho obteve-se repostas semelhantes às encontradas por Rojas et al., (2008), com maior riqueza de espécies na floresta de terras baixas.
Tabela 8 - Similaridade na composição das mixobiotas corticícolas da REBIO Saltinho, PE Serra Negra e RPPN Brejo do Jenipapo, em Pernambuco. Números em negrito correspondem ao coeficiente de comunidade (%) dos gêneros e em itálico ao das espécies.
Saltinho ( 1) Saltinho ( 2) Serra Negra Jenipapo
Saltinho (1) *** 70 75 70
Saltinho ( 2) 40 *** 92 70
Serra Negra 38 50 *** 62
Considerando-se o índice de diversidade taxonômica a mixobiota da Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas mostrou-se diversificada (S/G =1,5), com índice semelhante ao encontrado para a Floresta Sazonal Semidecidual Montana (S/G=1,8). O índice encontrado para a Floresta Ombrófilo Aberta de Terras Altas também pode ser considerado elevado (S/G = 2,5).
Embora com maior riqueza de espécies, a diversidade taxonômica dos dois Brejos de Altitude estudados é menor que a encontrada por Costa et al., (2014) na Floresta Ombrófila Aberta do Brejo de Altitude da Mata de Pau-Ferro, na Paraíba (S/G= 1,3) e Bezerra et al., (2008, 2010), na Floresta Estacional Semidecidual do Parque Nacional Serra de Itabaiana, em Sergipe (S/G= 1,2), situadas entre 450 -650 m de altitude.
Um levantamento mais próximo dos padrões seguidos na presente pesquisa foi realizado por Snell e Keller (2003) em Floresta Temperada do Parque Nacional Great Smoky Mountains, nos Estados Unidos. A partir de 418 câmaras úmidas os autores obtiveram 24 gêneros e 84 espécies, o que equivale a uma diversidade taxonômica (S/G= 3,5) mais baixa do que a encontrada na Floresta Ombrófilo Densa de Terras Baixas (S/G =1,5), Floresta Ombrófilo Aberta de Terras Altas (S/G = 2,5) e Floresta Sazonal Semidecidual Montana (S/G=1,8) estudadas no presente trabalho..
3.5 FATORES QUE INFLUENCIAM A COMPOSIÇÃO DA MIXOBIOTA E