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Jean-Louis Mestre 1

Dans le document des décisions de justice : (Page 31-55)

Com a análise dos dados e os resultados obtidos, podemos ampliar o nosso conhecimento acerca dos estudos sobre a culpabilidade materna, além de, também, ao longo do percurso metodológico, desmistificar vestígios ainda existentes de preconceitos de gênero na educação.

Ficou-nos explícito que as mães trabalhadoras exteriorizam a sensação de culpa pela divisão entre trabalho, filhos/as e lar. Conforme Bueno (1998, p. 45) ao afirmar que a culpa experimentada pelas mulheres é um sentimento "[...] que encontra forte relação na cultura e no processo de educação e socialização do indivíduo [...]". Notamos que os discursos dos sujeitos da pesquisa se mostram carregados de preconceitos, pois elas mesmas tratam como “naturais” que a responsabilidade pelos filhos/as seja apenas sua, reproduzindo mais uma vez as práticas sexistas.

Para a mulher, hoje em dia, trabalhar e ser uma profissional bem sucedida é somar responsabilidades e, mais que isso, é enfrentar conflitos no seu cotidiano que geram a culpa, pois ao falhar tentando conciliar seu trabalho, com seu lar e o cuidado com os/as filhos/as, ela é considerada culpada pelo parceiro, pelas crianças, pela família e também se culpa.

A maternidade desejada se torna um momento especial na vida da mulher. Porém, se esta mulher-mãe também tem uma profissão, uma vida profissional fora do lar, esse momento também gera novas preocupações. Logo, os vários papéis desempenhados por essa mulher entram em conflito, obrigando a mulher a conciliá-los, surgindo daí as dúvidas, questionamentos e principalmente a culpa.

Os séculos passaram, a sociedade mudou e houve grandes avanços tecnológicos, mas a mulheres- mães trabalhadoras ainda passam pelos mesmos dilemas de outrora, dividindo-se entre ser uma boa mãe e boa dona de casa e uma mulher independente trabalhando na esfera pública.

Em minha história de vida como mulher, mãe e trabalhadora convivo diariamente com as dificuldades inerentes aos meus estudos, onde me senti culpada por não poder dar a “atenção” necessária a minha filha e poder estar com ela por mais tempo. A partir dos relatos das mulheres mães trabalhadoras da comunidade escolar e também da vivência com minha orientadora que, por sua vez, também é mãe trabalhadora, foi-se construindo um perfil dessas

43 mulheres, o que nos fez perceber/ver como a sociedade impõe essa culpa e como nos autoculpabilizamos.

Sendo assim, se abre para nós um leque de possibilidades para continuação deste trabalho, que, aliás, só foi o início de uma caminhada pelas questões de gênero e culpabilidade materna, pois o que nos impulsiona é o desejo de adentrar a esse mundo de relações binárias e desiguais e provocar um novo olhar sobre as relações de gênero na escola e na sociedade.

Para prosseguir nessa pesquisa, poderíamos futuramente nos aprofundar em outras vivências como a visão dos pais a respeito da culpabilidade paterna, se ela existe; como a vivência e depoimentos das professoras de escolas da elite e também a visão das mães com alto poder aquisitivo é em relação a culpabilidade materna, etc.

Ficou-nos explicito que é necessário que educadores e educadoras revejam suas práticas pedagógicas para não reproduzirem preconceitos e estereótipos de gênero presentes na sociedade e não tenham uma postura de perseguir e excluir as mulheres ou de culpabilizar as mães, pois quando estiver atuando, enquanto educadora não quero culpar a mãe do meu aluno/a pelos problemas que aparecerem, pelo contrário, eu quero compreender suas atitudes e posicionamentos e até chamar a responsabilidade também para os pais dos meus/minhas alunos/as.

É necessário compreendermos, enquanto educadores infantis e seres humanos, que o educar esta presente em todas as atividades desenvolvidas na escola e também é necessário que procuremos ter um bom relacionamento com as famílias de nossos/as alunos/as para que possamos entender os posicionamentos de todos/as e chamar a atenção não só para a participação das mães na vida dos filhos/as, mas também a importância da participação dos pais.

Assim, temos de encarar a escola como um espaço social que fabrica sujeitos e produz identidades diversificadas. Se percebermos e reconhecermos que a educação se dá de forma desigual, reproduzindo estereótipos, com nossa ajuda ou descaso; se nos sentirmos incomodados com essa situação e buscarmos a mudança para interferir na realidade atual, necessitaremos buscar eliminar nas escolas as relações de poder.

As crianças são seres em formação e o principal agente de formação na escola é o docente que necessita estar preparado para adentrar na sala de aula para formar sujeitos

diversificados, de identidades múltiplas, que são fabricadas por meio das diferenças em suas vidas.

É preciso construir diversas estratégias de mudança e conscientização, mudanças didático-pedagógicas, mudanças de postura, mudanças na sua própria subjetividade, assumindo e transformando as identidades em formação, objetivando interferir nas relações sexistas existentes na creche em voga, a fim de construirmos uma educação igualitária e entendermos que a construção social de gênero é histórica e se faz incessantemente e as relações entre homens e mulheres estão sempre se transformando e as identidades de gêneros também.

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REFERÊNCIAS

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49 APÊNDICE A- Questionário para as mães

0 1 - Id a d e : _ _ _ C o r _ _ _ _ _ _ _ _ _ P r o f i s s ã o : _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ E s t a d o c i v i l : ( ) C a s a d a ( ) A m a s i a d a ( ) S o l t e i r a ( ) V i ú v a 0 2 - G r a u d e e s c o l a r i d a d e : ( ) s e m e s c o l a r i d a d e ( ) 1 º In c o m p l e t o ( ) 1 º c o m p l e t o ( ) 2 º i n c o m p l e t o ( ) 2 º c o m p l e t o ( ) 3 º i n c o m p l e t o ( ) 3 º c o m p l e t o 0 3 - É m u l h e r c h e f e d a f a m í l i a : ( ) S i m ( ) N ã o R e n d a f a m i l i a r : _ _ _ _ _ 0 4 - V o c ê t e m a j u d a e m c a s a p a r a c r i a r s e u f i l h o / a ; ( ) s i m ( ) n ã o C a s o s i m , q u e m a j u d a ? ( ) p a r c e i r o ( ) a v ó ( ) i r m ã ( ) f i l h a ( ) o u t r o s / a s D e q u e m ? _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ 0 5 - J á f o i c h a m a d a a t e n ç ã o p e l a s p r o f e s s o r a s / e s p a r a c u m p r i r o s e u p a p e l d e m ã e p a r a c o m s e u / s u a f i l h o / a : ( ) N ã o

( ) S i m 0 6 - J á t e s t e m u n h o u p r o f e s s o r a s / e s r e c l a m a r e m d e o u t r a s m ã e s p o r n ã o t e r e m o s d e v i d o s c u i d a d o s c o m o s f i l h o / a s ? ( ) s i m ( ) n ã o 0 7 - J á t e s t e m u n h o u p r o f e s s o r a s / e s r e c l a m a r e m d o s p a i s p o r n ã o t e r e m o s d e v i d o s c u i d a d o s c o m o s f i l h o / a s? ( ) s i m ( ) n ã o 0 8 - P a r a v o c ê , e x i s t e d i f e r e n ç a n a t a r e f a d e p a i e t a r e f a d e m ã e? ( ) s i m ( ) n ã o 0 9 - C a s o s i m , p a r a v o c ê , o q u e é t a r e f a d e m ã e ? 1 0 - C a s o s i m , p a r a v o c ê , o q u e é t a r e f a d e p a i ?

51 Apêndice B- Questionário para o corpo docente

1 - Id a d e ? 2 - E s t a d o C i v i l? 3 – V o c ê s e c o n s i d e r a d e q u a l c o r ? 3 - G r a u d e e s c o l a r i d a d e ? 4 - O n d e c u r s o u o g r a u s u p e r i o r e e m q u e a n o ? 5 - Q u a l a s u a f o r m a ç ã o e s p e c í f i c a ? ( c u r s o ) 6 - Le c i o n a n a e d u c a ç ã o i n f a n t i l , d e s d e q u a n d o ? 7 - H á q u a n t o t e m p o v o c ê e x e r c e e s t a p r o f i s s ã o ? 8 - E n s i n a e m o u t r a i n s t i t u i ç ã o ? 9 - E m q u e g r a u e s é r i e ? 1 0 - T r a b a l h a q u a n t a s h o r a s s e m a n a i s ?

APÊNDICE C- Entrevista com as mães

1 . V o c ê t ra b al h a os do is ex p edi e nt es?

2 . V o c ê s e s e nt e d isc r im in ad a po r t r aba l h ar fo r a d e c as a e d eix ar s e u s f i l h o s / a s a o s c u i d a d o s d e o u t r a s p e s s o a s? V o c ê é c o b r a d a p o r i s s o ? 3 . V o c ê s e s e nt e c ul pa d a p o r p as s ar m e no s t em po co m s eu/ su a fil ho /a p o r c o n t a d o t r a b a l h o ? 4 . V o c ê p a rti ci p a d a vi d a es c ol a r d e s eu/s u a fi lh o/ a? 5 . V o c ê é co b ra d a n a e s c ol a d e s eu/ su a fi lh o/ a? 6 . Q u al o t em po q u e vo c ê re s e rv a p a r a voc ê me sm a? 7 . Q u al o t em po q u e vo c ê re s e rv a p a r a ser “m ul h er ”? 8 . Q u al o t em po qu e v o c ê r es e rv a pa r a s u a v id a s o ci al (c o m o s/ as f i l h o s / a s ) ( s e m o s / a s f i l h o s / a s ) ?

53 APÊNDICE D- Entrevistas para o corpo docente

1 . P or q u e vo c ê o pto u p or t r ab al h a r no ma gi st é ri o in f an til?

2 . Q u al a im a gem q u e v oc ê t em d o/ da d oc e n te d a ed u c aç ã o in f a nt i l? 3 . V o c ê t e ve p ro f es sor o u a p en a s p ro f e sso r a s d ur a nt e s e us es tu do s n a

i n f â n c i a ?

4 . P or q u ai s m oti vo s v o c ê ex er c e o m a gis t ér io com o p ro fi ssã o? 5 . V o c ê t ra b al h a os do is ex p edi e nt es?

6 . V o c ê p e r ce b e a l gu m tip o d e di sc ri min a ç ã o no s eu c o tid i an o p r o f i s s i o n a l p e l o f a t o d e s e r m u l h e r - t r a b a l h a d o r a ?

7 . P a r a v oc ê , q u ais as f a cil id a d es e di fic u ld a de s q u e a mul h er - mã e - t r a b a l h a d o r a e n c o n t r a a o m a t r i c u l a r u m f i l h o o u f i l h a n a c r e c h e - e s c o l a ? 8 . C om o v o c ê vê a p ar ti c ip a ç ão d o p a i na e d u c a ç ão d e fi lh os e f il h as m a t r i c u l a d o s / a s n a c r e c h e – e s c o l a ? 9 . C om o é su a re l aç ã o c om as m ã es d e s eu s a lu no s e a lu n as? 1 0 . C o m o é s u a r e l a ç ã o c o m o s p a i s d e s e u s a l u n o s e a l u n a s ? 1 1 . C o m o é s u a r e l a ç ã o c o m s e u s a l u n o s e s u a s a l u n a s ? 1 2 . V o c ê é m ã e ? S e r e s p o n d e u q u e s i m : v o c ê s e s e n t e d i s c r i m i n a d a p o r t r a b a l h a r f o r a d e c a s a e d e i x a r s e u s f i l h o s o u f i l h a s a o s c u i d a d o s d e o u t r a s p e s s o a s ? V o c ê é c o b r a d a p o r i s s o ? 1 3 . Q u a l o t e m p o q u e v o c ê r e s e r v a p a r a v o c ê m e s m a ? 1 4 . V o c ê s e s e n t e c u l p a d a p o r p a s s a r m e n o s t e m p o c o m s e u f i l h o / a p o r c o n t a d o t r a b a l h o ? 1 5 . V o c ê p a r t i c i p a d a v i d a e s c o l a r d e s e u f i l h o / a ? 1 6 . V o c ê é c o b r a d a n a e s c o l a d e s e u f i l h o / a ? 1 7 . Q u a l o t e m p o q u e v o c ê r e s e r v a p a r a s u a v i d a s o c i a l ( c o m o s f i l h o s / a s ) ( s e m o s f i l h o s / a s ) ? 1 8 . Q u a l o t e m p o q u e v o c ê r e s e r v a p a r a s e r “ m u l h e r ” ?

APÊNDICE E - F o t o s

Comemoração aos 16 dias de Ativismo por uma cultura de paz

Projeto didático pedagógico aplicado com as crianças sobre a perspectiva de gênero na infância.

55 Projeto didático pedagógico aplicado com as crianças sobre a perspectiva de gênero na infância.

57 T r a b a l h o d e I n i c i a ç ã o C i e n t í f i c o P r e m i a d o n o 3 º C o n g r e s s o d e P ó s - G r a d u a ç ã o e P e s q u i s a - 1 8 ª E n c o n t r o d e I n i c i a ç ã o C i e n t í f i c a .

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