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I NTRODUCTION

Dans le document MÉMOIRE DE FIN D ÉTUDES (Page 17-0)

CHAPITRE I : PRESENTATION DE LA ZONE D’ETUDE

I.1. I NTRODUCTION

Até 1886, além do núcleo da Linha Azevedo Castro, na Colônia Conde D’Eu, formaram-se dois núcleos em Santa Barbara e Santa Tereza, na Colônia Dona Isabel. De acordo com Kozowski (2003, p. 13), o núcleo da Linha Azevedo Castro, Linha José Julio e Terceira seção do Rio das Antas foram os pioneiros da imigração polonesa na Serra Gaúcha. Núcleos localizados em colônias notadamente constituídas de imigrantes Italianos.

Depoimentos de descendentes de imigrantes e autores como Gardolinski (1958), Stawinski (1999), além de documentos da Companhia de Terras e Colonização, ligada ao ministério da Agricultura e Comércio e Obras Públicas, levam a entender que foram os três primeiros núcleos com comunidades homogêneas no Rio Grande do Sul da imigração polonesa, até o ano de 1886. Consta desse período, em 1877, a presença de um pequeno grupo de imigrantes poloneses que se estabeleceram também na Colônia Caxias, na 9° légua. Conforme relatório apresentado na Assembleia Geral Legislativa de Rio de Janeiro, através do Ministro e Secretário dos Negócios da Agricultura e Comércio e Obras Públicas João Lins Vieira Casansão de Sinimbu, em 27 de dezembro de 1878, relata que na colônia Campo dos

Bugres (Caxias) haviam se estabelecido – dentre 2315 italianos, 1007 tiroleses, 206 brasileiros; 202 alemães – 49 polacos. Além de pequeno número de franceses, espanhóis, suíços e ingleses.35

Grupos, como o referido pelo documento, não formaram necessariamente comunidades étnicas com escolas ou sociedades. Ao longo dos primeiros anos, muitos migraram para outros locais com maiores contingentes de imigrantes poloneses assentados. Como cito anteriormente, principalmente na Região da Serra Gaúcha, dentre os imigrantes poloneses, constata-se que foram frequentes as migrações e abandono dos lotes em busca de melhores terras ou a constituição de comunidades mais homogêneas, principalmente para a Região Norte do Rio Grande do Sul.

Essa situação é exemplificada pela colônia de São Marcos, em que, no período de 1890 a 1907, com aproximadamente 600 famílias assentadas inicialmente, poucas se conservaram nos lotes iniciais, e, conforme assegura Stawinski (1999), muitas migraram para as novas terras do Rio do Peixe e Paiol Grande na região de Erechim.

Muitos dos nomes das regiões demarcadas devido a emancipações e renomeações de localidades em diferentes períodos estão mudados, ou se localizam em municípios com outros nomes. Para efeitos dessa pesquisa, foram conservados os nomes comuns à época em que foram estabelecidos os imigrantes poloneses conforme Gardolinski (1958).

Conforme o mapa a seguir, pode-se visualizar as rotas estabelecidas pelos imigrantes poloneses no Estado, com a indicação dos destinos da formação dos núcleos. Podemos observar os caminhos da imigração polonesa pelo Rio Grande do Sul em seus diversos deslocamentos por localidades e municípios. Apesar de inicialmente muitos imigrantes se deslocarem primeiramente pelas regiões da Serra Gaúcha, posteriormente outras rotas foram sendo construídas para diferentes regiões do Estado.

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Relatório de 27/12/1878 apresentado à Assembleia Geral na segunda sessão da décima sétima legislatura, pelo Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, João Lins Vieira Cansansão de Sinimbu. Rio de Janeiro: Imprensa Industrial, 1879.

Figura 3 – Mapa do Rio Grande do Sul com as rotas dos imigrantes poloneses.

Como observado no mapa da página anterior, estão delimitadas as principais rotas da imigração polonesa no Rio Grande Do Sul e seus locais de fluxo e assentamento. A imigração polonesa, por meio da década de 1890, começou a ser dirigida não somente para as Colônias de Cima da Serra. Em fins do séc. XIX e início do séc. XX, novas regiões coloniais foram formadas também com imigrantes poloneses.

Com a ocupação total dos lotes da colônia Conde D’Eu e D. Isabel, os imigrantes poloneses começaram a ser encaminhados a outros núcleos coloniais. Após a fundação da Colônia Alfredo Chaves, segundo o Relatório de Francisco de Barros e Accioli de Vasconcelos de 1887, o qual, na época, era Inspetor Geral da Inspetoria Geral das Terras e Colonização, na pág. 22 do dito Relatório é citada a presença de imigrantes “polacos”. Esses teriam estado entre os 1564 imigrantes que haviam chegado um ano antes da apresentação do referido Relatório, inaugurando a Colônia de Alfredo Chaves. Porém, de acordo com Gardolinski (1958), a imigração em maiores contingentes para essa Colônia se desenvolveu consideravelmente após 1890. Coincidindo com a ampliação da vinda de imigrantes, criaram-se importantes núcleos de imigração polonesa no Estado. Por meio de 1890, novos assentamentos e núcleos coloniais de imigrantes poloneses formaram-se em outras partes do Estado do Rio Grande do Sul. Iniciou-se também a formação de núcleos mais homogêneos com maiores contingentes de imigrantes poloneses.

De acordo com Gardolinski (1958), de forma cronológica, a formação e ocupação estava assim dividida nos períodos com maior número de imigrantes nas áreas coloniais:

1886: Santa Barbara e Santa Tereza – (Bento Gonçalves)

1890-1894: Veranópolis, Nova Virgínia, Nova Bassano, Monte Vêneto, Nova Roma do Sul, Nova Prata, Antônio Prado, São Marcos, Santo Antônio da Patrulha, Casca, Guaporé, Ernesto Alves, Dom Feliciano, Mariana Pimentel, São Jerônimo, Porto Alegre, Rio Grande, Jaguari, Ijuí, Guarani das Missões.

1911-1913: Guarani das Missões e região, Erechim e região. (GARDOLINSKI, 1958, p. 21).

Dessa forma, a imigração polonesa pode ser distribuída em 4 regiões diferentes no Rio Grande do Sul, nas quais se estabeleceram os núcleos

coloniais e posteriormente formaram-se as comunidades escolares. Certamente houve outras localidades menores que também receberam imigrantes poloneses dispersos em pequenos grupos. Porém, tratava-se de indivíduos em número reduzido e, conforme afirmado acima, não necessariamente formaram comunidades.

Para o contexto desta pesquisa, destaco os núcleos com expressivo número de imigrantes que formaram comunidades homogêneas, com significativa manifestação de traços culturais desses imigrantes. O número de imigrantes e a localização dos núcleos de imigração polonesa estavam estabelecidos de acordo com estatísticas apresentadas em autores como Gardolinski (1958), Gluchowski (2005), Stawinski (1999), D’Apremont e Gillonnay (1976) e Klobukowski (1898).

A primeira região de imigração polonesa estava localizada entre o litoral e a serra da região sudeste e compreendia as cidades de Rio Grande, Pelotas, Dom Feliciano, Mariana Pimentel, Camaquã, Barão do Triunfo, Santo Antônio da Patrulha e Porto Alegre.

O segundo grupo compreendia a região da serra gaúcha com os municípios de São Marcos, Antônio Prado, Veranópolis, Santa Tereza, Santa Barbara, Bento Gonçalves, Guaporé, Casca, Nova Prata, Nova Roma do Sul, Vista Alegre do Prata e arredores.

A terceira região, chamada de colônias novas, constituída também de indivíduos que migraram da Região da Serra, estava localizada ao norte do estado, compreendendo o Planalto e o Vale do Uruguai, com as cidades de Erechim, Getúlio Vargas, Gaurama, Carlos Gomes (Nova Polônia), Dourado, Balisa, Marcelino Ramos, Áurea, Lajeado Valeriano, Barão do Cotegipe, Aratiba e Capoeré, dentre outras localidades menores.

A quarta região em que foram formados núcleos com imigrantes poloneses localizou-se nas Missões, denominadas também de colônias novas, Compreendia as cidades de Santo Ângelo, Ijuí, Santa Rosa, Guarani das Missões, Três de Maio, Tucunduva e arredores.

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