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NOTION DE COUPLE ACIDE /BASE 1-Notion d’acide fort

Dans le document AVANT-PROPOS Le SOLEIL (Page 73-77)

No estudo do clima existe um conjunto de incertezas sobre como descrever e interpretar, ou mesmo projetar, o comportamento e evolução futura do sistema climático. O conhecimento limitado da evolução do clima tem implicações na construção de cenários futuros uma vez que não há registos longínquos da evolução da temperatura média global; de fenómenos físicos, químicos, biológicos e geológicos que ocorreram no sistema; nem dos forçamentos internos e externos sobre o sistema climático e outros sistemas que são responsáveis pela variabilidade climática. Além do mais teria de ser possível prever a forma e intensidade dos impactos da ação humana sobre todas estas variáveis. Torna-se, assim, impossível construir ou modelar sistemas

que simulem o sistema climático e o seu comportamento de forma inteiramente fiável (Santos, 2012), o que limita a definição de estratégias e programas de atuação. Existem atualmente modelos climáticos, como os GCM – General Circulation Model – baseados em modelos matemáticos complexos, que têm vindo a ser aperfeiçoados nos últimos anos que tentam aproximar as previsões tanto quanto possível (Fig. 16). Estes modelos têm sido usados pela comunidade científica como base de informação e sensibilização aos stakeholders – interessados, intervenientes e, em especial, decisores políticos (Santos, 2012).

Fig. 16. Modelação da Mudança Global de Temperaturas: para diferetes cenários (linhas); em diferentes períodos (colunas) (Fonte: Meehl et al., 2007)

Apesar dos instrumentos de modelação atualmente usados não conseguirem monitorizar a não linearidade do problema, é preciso focar esforços nas zonas mais afetadas pelas AC, uma vez que o AG e suas implicações não serão uniformes (Henson, 2009). Mas de que forma? Muitas questões têm vindo a ser levantadas, mas sem respostas consensuais.

Qual o valor de CO2 que limita o aumento da temperatura média global aos 2ºC estabelecidos? Este valor não é passível de ser determinado. Só poderia ser previsto pela sensibilidade do sistema climático ao forçamento provocado pelo aumento da concentração dos GEE, que é dado pelos modelos utilizados para simular o comportamento do sistema, o que pelas incoerências já enunciadas, impossibilita uma resposta irrefutável à questão levantada.

Será sustentável a atual dependência dos combustíveis fósseis à escala mundial? É preciso ter em conta que os combustíveis fósseis são um recurso natural não renovável, em escalas de tempo inferiores a milhões de anos; que os gases emitidos na sua queima são o principal responsável pela aceleração das AC; e que ao contrário do facilmente expectável, o facto do petróleo se estar a esgotar poderá no limite agravar o aquecimento global.

O facto dos combustíveis fósseis se esgotarem não irá necessariamente resolver os problemas ambientais: irá sim fazer com que haja uma forte inflação no seu preço, o que poderá contrair as economias e, por esta via, reduzir as emissões relacionadas com o petróleo. Comportamento semelhante poderá acontecer com os mercados do gás natural, mas só daqui a algumas décadas (Henson, 2009).

Parte do CO2 resultante da queima de combustíveis fósseis permanece na atmosfera e intensifica o efeito de estufa natural, provocando as AC. Seria natural pensar que uma redução massiva das suas emissões controlaria o problema, no entanto tal poderá não acontecer uma vez que há estudos que demonstram que se a China e a Índia decidirem utilizar controlos efetivos da poluição para melhorar a qualidade de vida da sua população e baixar a mortalidade prematura que se faz sentir, à semelhança do que o Ocidente e o Japão fizeram, os níveis de poluição irão baixar sim, mas o aumento da temperatura irá ser mais abrupto. A poluição atmosférica por eles gerada, essencialmente pelas suas centrais térmicas a carvão, provoca um forçamento radioativo contrário às emissões de CO2, situação que leva a uma desaceleração temporária do AG (Santos, 2012).

Neste momento as alternativas ao petróleo e gás natural são o carvão, a energia nuclear e as energias renováveis, mas tem-se também ponderado o armazenamento do carbono da atmosfera em subterrâneos, mas não se tem evoluído neste sentido nas últimas décadas (Henson, 2009). Considerando um médio ou curto prazo, apontamos atualmente que é prioritário aumentar a eficiência energética e desenvolver fontes primárias de energias renováveis modernas (como pequenas hídricas, biomassa e biocombustíveis modernos, eólica, solar, geotérmica e oceânica) e utilizar tecnologias como carvão limpo, em particular captura e sequestro de carbono (Santos, 2012).

Mais do que as respostas às necessidades diárias correntes, que facilmente são vistas pelos cidadãos em geral como um contributo para a emissão dos GEE, existem outros campos que têm de ser ponderadas em breve, relacionadas com os transportes aéreos e marítimos, que são um peso significativo nas emissões de GEE (Henson, 2009).

A avaliação dos impactos das AC num dado país ou região deve ser feita de forma integrada para um conjunto de sectores socioeconómicos e sistemas biofísicos tão vasto quanto possível. E com base num sistema coerente de cenários climáticos e socioeconómicos futuros. Só assim será possível uma estimativa, teoricamente fiel mas não irrefutável, dos impactos e sinergias que geram, custos e prejuízos, das medidas de adaptação a implementar mais adequadas e seus custos de execução (Santos, 2012).

No futuro a política do ambiente terá de ser indissociável do funcionamento do sistema político e económico, atravessando todo o tecido social. O desenvolvimento sustentável será o horizonte da totalidade política integrada (Soromenho-Marques, 1998).

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PORTUGAL FACE ÀS AC

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