7. Analyse
7.5 Analyse hypothèse 2
7.5.1 Normes institutionnelles
Atualmente, o Tratamento Antirretroviral (TARV) se estabelece como um mecanismo terapêutico, mas ainda não é completamente efetivo dadas as dificuldades que muitos têm de aderiR ao tratamento que é para a vida toda.
Ao descobrir a sorologia positiva para o HIV/Aids, o indivíduo entra em uma nova etapa que pode ser decisiva para si, na medida em que lhe é exigida uma prática de autocuidado, talvez, anteriormente inexistente. Deste modo, aderir a um tratamento que inclui anti-retrovirais e acompanhamentos médicos perenes nem sempre é bem visto por muitos. A rotina muda e o indivíduo tem que adotar uma forma de vida diferenciada se quiser manter a qualidade de vida. Tal imperativo pode tornar-se um fardo muito intenso para alguns sujeitos.
Lima (2012) enfatiza que “o tema adesão constitui-se uma área de grande importância para a Saúde Pública e um desafio para a educação. Aderir a um tratamento é bem mais do que simplesmente cumprir as ordens prescritas”, (p.57) significa toda a complexidade que esta temática aborda, pois requer toda uma reelaboração de vida.
É importante perceber que o indivíduo tem que ser visto e respeitado em todos os seus aspectos biopsicossociais e não simplesmente ser considerado um mero receptor mecânico de remédios. O indivíduo está vulnerável e imerso em um contexto estigmatizante que torna a adesão ao tratamento algo muito mais complexo do que se imagina.
O Brasil é um país com diferentes culturas, hábitos e formas de ser e agir, e tais particularidades têm que ser observadas na adesão ao tratamento. O indivíduo tem que encontrar um sentido para o mesmo, isto é, o tratamento, tem que ser significativo para ele. Uma forma disto suceder é o modo como a equipe de saúde o trata, indicando que ele não é a doença em si, mas que está vivendo com ela.
Atualmente, as pessoas diagnosticadas com HIV/aids têm acesso gratuito ao Tratamento Antirretroviral (TARV), no entanto, o abandono é constante. Assim, há a necessidade de reflexão sobre esse assunto. Lima (2012) chama a atenção para A importância da adesão, que implica a participação do próprio indivíduo e daqueles que dele cuidam, o meio familiar, os profissionais de saúde e até mesmo dos gestores públicos.
Historicamente, o Brasil ainda se destaca em relação a outros países na questão da adesão aos tratamentos antirretrovirais. O acesso gratuito às medicações foi de suma importância para que a gestão pública pudesse traçar novas estratégias para tornar os tratamentos mais eficazes.
Devido ao abandono constante dos tratamentos com antirretrovirais, as respostas ao combate do HIV/aids se tornam menos eficazes fazendo o governo e o setor da saúde estabelecerem formas que possam aumentar tais respostas. Um desses mecanismos está na própria questão do compromisso do indivíduo portador com sua qualidade de vida.
No entanto, como se falar em adesão satisfatória se os efeitos colaterais das medicações, mudanças de hábitos de vida implicam seriamente nos aspectos psicológicos do indivíduo portador? Aqui, sinalizamos a importante e indispensável participação do psicólogo na equipe de saude como um facilitador da autorreflexão e reavaliação pessoal das estratégias existenciais e da adesão do indivíduo ao tratamento.
O investimento psíquico pode ser muito alto se a pessoa vivendo com HIV/aids quiser ter uma boa qualidade de vida. Essa alta liberação de energia pode provocar sentimentos de desesperança e baixa autoestima levando-se em consideração que a rotina de vida acaba mudando com a utilização de medicamentos em horários específicos. A relação entre psicólogo e usuário pode influenciar também positiva ou negativamente para a adesão ao tratamento. Daí, a necessidade de se repensar esses aspectos, de ordem de saúde pública para que de fato o indivíduo se reconheça capaz e responsável para assumir o compromisso sobre si mesmo.
Seidl et al (2007, p. 2306) consideram que “em HIV/aids, a relação com o usuário deve caracterizar-se por uma postura de acolhimento, para o atendimento de demandas específicas e sua participação no planejamento e decisão acerca do seu próprio tratamento”.
Percebe-se, portanto, que o processo de adesão ao tratamento não é unilateral, algo vindo de um poder superior até chegar ao indivíduo, mas sim, um processo relacional que depende da pessoa para tornar-se efetivo. Além disso, os autores destacam a necessidade de estudos mais efetivos relacionados à adesão,
“A existência de uma política pública de acesso universal à medicação anti-retroviral em nosso país faz com que estudos sobre adesão à TARV sejam de grande relevância, para propiciar melhor compreensão do problema e atuação adequada das equipes profissionais, visando garantir boas condições de saúde e qualidade de vida a pessoas vivendo com HIV/AIDS” (SEIDL, 2007, p. 2313).
Lima (2012) reitera que os Programas de Tratamento Integral ou Plano Individual de Adesão constituem-se como estratégias importantes para adesões mais significativas. De acordo com esta autora, esses programas fazem parte de projetos preconizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que objetivam tratamentos baseados nas realidades individuais, incluindo limites e possibilidades de adesão. Compreende-se O Plano Individual como um compromisso do indivíduo e da própria rede de saúde no estabelecimento de ações efetivas para se chegar numa significativa qualidade de vida.
Na busca da almejada qualidade de vida significativa ao portador do vírus HIV, deve- se levar em consideração também mudanças paradigmáticas na maneira, por exemplo, que muitos profissionais da saúde têm ainda do indivíduo. Uma visão de que este é um “paciente”, ou seja, alguém passivo e sem voz ativa em seu processo de restabelecimento.
Nesse sentido, Lima (2012) pondera que:
“Os profissionais não-médicos têm participação fundamental neste processo de assistência na saúde-doença, desde a revelação diagnóstica ao paciente até a facilitação da adesão. O paradigma médico-centrado, prescritivo, tem sido ampliado e vêm incorporando os conhecimentos específicos dos psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais, educadores, com objetivo de oferecer o melhor tratamento possível ao pacientes.A aids, dada a complexidade de seu tratamento, a longa duração e (até aqui) a impossibilidade de cura, requer estratégias inovadoras, planejadas, avaliadas para que os pacientes infectados pelo HIV tenham adesão” (LIMA, 2012, pp. 23-24).
Não há um padrão específico que indique se a adesão está sendo eficaz ou não. O que se pode destacar são demarcadores que vão desde a ordem biológica, subjetiva até os sociais que contribuem para a parada ou continuidade do tratamento. Assim, dieta, excreção, alimentação (ordem biológica), auto-estima, aceitabilidade da doença (ordem subjetiva),
preconceitos, estigmas, participação social (ordem social) podem ser considerados como alguns desses demarcadores.
O caminho a se trilhar, ainda é longo, contudo, apontamos um percurso com alguns avanço no processo complexo que é viver com HIV/aids em meio as diversas vulnerabilidades e estigmas, lacunas no ambito das políticas publicas e impedimentos de várias ordens para efetivar a adesão ao tatamento da síndrome da Imunodeficuencia adquirida (SIDA).
III. HOMENS QUERENDO FALAR:PROCEDIMENTOS TEÓRICO-