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Os indicadores ácido-base de uma maneira geral são substâncias que auxiliam satisfatoriamente a visualização do término de uma reação química em uma titulação de neutralização.
A escolha de indicadores ácido-base para determinação de ácidos fracos como o ácido acetilsalicílico que reagem com bases fortes é mais limitada, tendo em vista que a zona de viragem do indicador deve ser nítida e esteja próxima do ponto de equivalência da titulação para que os erros no procedimento sejam minimizados (SKOOG, 2014).
Para a determinação do ácido acetilsalicílico a Farmacopeia Brasileira (2010) sugere que seja feita uma titulação de neutralização, tendo em vista que se trata de um ácido que será o analito, com uma solução de hidróxido de sódio e utilize como indicador de referência o vermelho fenol. O presente trabalho além de observar a influência da escolha do indicador na determinação deste ácido, pode servir também como uma ferramenta onde se observará que outros indicadores ácido-base podem ser utilizados na determinação do ácido acetilsalicílico. Assim, como já foi citado anteriormente será utilizado cinco indicadores ácido-base com diferentes faixas de pH para a determinação da concentração do referente ácido e são eles: fenolftaleína,azul de timol,azul de bromotimol, vermelho fenol, timolftaleína. Os volumes de hidróxido de sódio utilizados nas titulações com cada indicador estão relacionados no Quadro 3 a seguir.
Quadro 3: Indicadores ácido-base e volumes Volumes Indicadores ácido-base Volume de titulante(mL) V1 Volume de titulante(mL) V2 Volume de titulante(mL) V3 Volume médio detitulante (Vm) Fenolftaleína 3,4 3,4 3,3 3,4 Azul de Timol 3,5 3,3 3,3 3,4 Azul de Bromotimol 3,6 3,4 3,3 3,4 Vermelho Fenol 3,5 3,4 3,5 3,5 Timolftaleína 3,8 3,9 3,7 3,8 Fonte: Autora, 2016.
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Analisando os dados fornecidos no Quadro 3, bem como dos valores da Tabela 4, pode-se calcular a concentração do ácido acetilsalicílico presente nos comprimidos de AAS infantil. Como mostra o Quadro 3 pode-se notar que os cinco indicadores auxiliaram de forma satisfatória na determinação do ácido acetilsalicílico presente nos comprimidos, pois pode-se observar que a transição de cores mostrada na Tabela 1 para os referidos indicadores estavam condizentes com o esperado. Observa-se que os valores gastos de titulante foram bem próximos, indicando que a execução do procedimento foi realizada de forma correta.
A determinação da quantidade de ácido acetilsalicílico presente nos comprimidos adquiridos utilizando diferentes indicadores ácido-base está relacionada na Tabela5e a quantificação deste ácido nas amostras coletadas para cada titulação está presente na Tabela 6 mostrada a seguir.
Tabela 5: Estatísticas das massas de comprimido de AAS
´ X Geral (mg) sGeral CVGeral (%) %P.A. Geral 185, 4 3,44 1 1,855 53,97 Fonte: Autora, 2016.
Tabela 6: Quantificação de AAS em comprimidos
Indicador Massas das análises (mg) Média das massas das análises (mg) Desvio
Padrão (%)CV encontradaMassa
(mg) Massa encontrada média(mg) Valor teórico de P.A. (mg) Teor (%) Médio(%)Teor Fenolftaleína A1 =100,0 A2 =100,5 A3 =100,0 100,2 0,292 0,291 53, 74 53,74 52,16 53,21 100 53,63 53,63 52,06 53,11 Azul de Timol BB1 2 =100,4=100,1 B3 =100,0 100,2 0,212 0,212 55,33 52,16 52,16 53,22 100 55,22 52,06 52,06 53,11 Azul de Bromotimol C1 =100,1 C2 =100,4 C3 =100,1 100,2 0,173 0,173 56,91 53,74 52,16 54,27 100 56,80 53,63 52,06 54,16
39 Vermelho Fenol D1 =100,2 D2 =100,4 D3 =100,2 100,3 0,122 0,122 55,33 53,74 52,16 53,74 100 55,16 53,58 52,00 53,58 Timolftaleína E1 =100,1 E2 =100,0 E3 =100,0 100,0 0,071 0,071 60,07 61,65 58,49 60,07 100 60,07 61,65 58,49 60,07 Fonte: Autora, 2016.
A Tabela 5 mostra a desfragmentação dos dados explicitados no Quadro 1 da seção 4.5 do presente trabalho. Nela percebe-se a análise estatística referente as massas dos comprimidos pesados e da porcentagem teórica do princípio ativo. Pode ser observado que a média geral das massas dos comprimidos possui um valor bem próximo dos valores individuais indicando certa simetria nos dados. O desvio padrão geral mostra que os valores explicitados estão dentro da média, possibilitando perceber que a dispersão dos dados não está muito grande.
Os dados referentes a Tabela 6 comprovam que os indicadoresutilizados se mostraram úteis na determinaçãoda concentração do ácido acetilsalicílico presente nos comprimidos. Percebe-se que a média da massa dos comprimidos utilizados estão bastante próximas, indicando que os dados possuem certa simetria. Os dados relativos ao desvio padrão mostram que as massas analisadas possuem valores que estão relativamente próximos um do outro e próximos da média, ou seja, a dispersão desses valores não é muito grande.
A Farmacopeia Brasileira (2010) estabelece que a faixa percentual do princípio ativo esteja entre 95% a 105% em comprimidos. O teor de ácido presente nos comprimidos analisados está relacionado na Tabela 7, para tal utilizou-se os dados de massa média geral explicitada na Tabela 5 e a massa média de análise utilizada com cada indicador na Tabela 6.
Tabela 7: Teor de ácido acetilsalicílico
Indicadores ácido- base Teor de AAS (%) Fenolftaleína 98,26 Azul de Timol 98,26 Azul de Bromotimol 100,2 Vermelho Fenol 99,04 Timolftaleína 111,3
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Fonte: Autora, 2016.
Observa-se na Tabela 7 que os valores encontrados a partir das titulações utilizando diferentes indicadores variam de 98,26% a 111,3 %, estando quatro dessas análises dentro do recomendado pela farmacopeia.
No que concerne à influência na escolha do indicador para a determinação deste ácido é notório que quando utilizado a fenolftaleína, azul de timol, azul de bromotimol e o vermelho fenol eles possuem valores de concentração bem próximos, divergindo apenas em algumas unidades de um para o outro e estão dentro do valor estabelecido. No caso da timolftaleína a concentração do ácido está com o valor acima dos demais.Essa variação de valor da timolftaleína aos demais pode ser analisada fazendo uso de testes estatísticos como o Teste Q e o Teste de Grubbs que indicarão se esse dado precisará ou não ser descartado da análise, para tal se faz necessário o uso de algumas ferramentas.
A partir dos Testes Q e de Grubbs, obteve-se os valores da Tabela 8 que são referentes a análise dos valores mencionados anteriormente.
Tabela 8: Teste Q e teste de Grubbs
Teste Q Teste de Grubbs
0,849 1,772
Fonte: Autora, 2016.
Figura 13: Valores críticos para o coeficiente de rejeição, Q*
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Tabela 9: Valores críticos de Grubbs α n 0,10 0,05 0,025 0,01 0,005 3 1,148 1,153 1,155 1,155 1,155 4 1,425 1,463 1,481 1,492 1,496 5 1,602 1,672 1,715 1,749 1,764 6 1,729 1,822 1,887 1,944 1,973 7 1,828 1,938 2,020 2,097 2,139 8 1,909 2,032 2,126 2,221 2,274 9 1,977 2,110 2,215 2,323 2,387 10 2,036 2,176 2,290 2,410 2,482
Fonte: Adaptado de ANDRIOTTI, J.L.S., 2005.
Com base nos valores obtidos naTabela 8 e 9 e na Figura 13 que, no Teste Qobserva-se que o valor referente à análise de dados da porcentagem de princípio ativo para o indicador timolftaleína, que é o dado que apresenta uma maior diferença entre os demais, não deve ser mantido no conjunto de resultados, considerando um nível de confiança de 99%, uma vez que o valor de Q encontrado (0,849) é maior que o valor crítico (0,821). No Teste de Grubbs, observou-se que para um nível de significânciade 0,005 não pode ser considerado um valor aceitável e deve ser retirado do conjunto dos resultados.
Tal fato já evidencia a importância da escolha dos indicadores nas titulações, pois fazendo essa observação para uma seleção adequada desses compostospode- se evitar um desperdício de reagentes considerável e uma análise efetiva.
Cada indicador ácido base tem uma zona de viragem (faixa de transição de pH) específica. Quando se realiza a determinação de certa substância, o analito, pela volumetria de neutralização, tem-se o cuidado de escolher o indicador que possua a faixa de transição o mais próximo possível do ponto de equivalência da titulação.
Quando se faz uso de diferentes indicadores ácido-base, como no presente trabalho, e algumas análises divergem dos valores das demais se pode ter como principal justificativa a faixa de pH de transição do indicador que não é tão próxima ao da titulação. Como no caso do timolftaleína, no qual percebe que seu valor divergiu dos demais, pode ser levado em consideração que dentre os cinco indicadores utilizados ele possui uma faixa de transição de pH maior que os outros e com isso mostrando que o ponto de equivalência do indicador é mais distante do ponto de equivalência da titulação.
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Diante disso, constata-se que a influência na escolha dos indicadores ácido- base na determinação do ácido acetilsalicílico éimportante e se mostrou eficaz, pois optar por indicadores adequados a certa análise é de grande valia porque os erros associados à má escolha do indicador serão minimizados e assim análise e a quantificação será mais eficiente. O estudo da influência desses indicadores na determinação deste ácido propicia observar a gama de possibilidades no que se refere ao uso de outros indicadores ácido-base e mostra também que existem mais opçõesde indicadores que podem ser utilizados na determinação deste ácido.
6 CONCLUSÃO
O presente trabalho objetivou analisar a influência na escolha dos indicadores ácido-base na determinação de ácido acetilsalicílico presente em comprimidos de AAS infantil 100 mg por volumetria de neutralização.
Para alcançar tal objetivo, foram realizadas titulações com cinco indicadores ácido-basediferentes. Os indicadores utilizados foram a fenolftaleína, azul de timol, azul de bromotimol, vermelho de fenol e timolftaleína. Posteriormente a preparação dos indicadores, executou-se as titulações fazendo uso dos mesmos para fins de obtenção do ponto de equivalência. A partir disso, foram realizadosvários cálculos necessários para encontrar a concentração do princípio ativo contido nas amostras dos comprimidos de AAS infantil utilizando a estequiometria da reação para tal finalidade.Os valores de percentuais do princípio ativoencontrado foram de 53,11%, 53,11%, 54,16%, 53,58% e 60,07% para a fenolftaleína, azul de timol, azul de bromotimol, vermelho fenol e timolftaleína respectivamente. Pode-se concluir que quatro dos cinco indicadores utilizados atingiram valores satisfatórios e coerentes com o percentual teórico encontrado e o estabelecido pela Farmacopeia Brasileira.
Contudo, esse estudo também serve como uma nova abordagem no que concerne a escolha de indicadores para a determinação do ácido acetilsalicílico por volumetria de neutralização, pois além de se utilizar o indicador proposto pela Farmacopeia Brasileira notou-se queos demais indicadores ácido-base citadosanteriormente podem ser utilizados na determinação de tal ácido sem acarretar tantos erros de análise obtendo assim resultados coesos noprocedimento.
Para fins de caracterização do princípio ativo do AAS infantil, os testes foram realizados fazendo uso das técnicas de Termogravimetria (TG), Calorimetria
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Exploratória Diferencial (DSC) e Espectroscopia de Infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR). Na análise termogravimétrica foi possível observar a estabilidade do fármaco até certa temperatura, assim como as três perdas de massa características do AAS. No ensaio do DSC foi notado o evento característico do ácido acetilsalicílico, tendo como evento principal a fusão do princípio ativo. No ensaio de FTIR, as bandas características do AAS foram bem observadas e atribuídascom base no conhecimento prévio da estrutura da substância e dados da literatura.
Assim sendo, a volumetria de neutralização, técnica utilizada para atingir os resultados propostos ao presente trabalho, acompanhada da aplicação de cinco diferentes indicadores ácido-base como ferramenta de visualização do término da reação para a determinação da concentração do ácido acetilsalicílico presente em comprimidos, demonstrou ser bastante eficaz para obter a concentração do princípio ativo do fármaco em questão, podendo se observar resultados coerentes e de fácil interpretação.
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