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CHAPITRE II : FAIRE SIENNE L’ÉGLISE D’AILLEURS

2.2 Les CEB : une œuvre transformatrice

2.2.1 La nécessité de changer de mentalité pour contribuer aux CEB

A concepção de homem enquanto objeto fragmentado tem interferência na percepção do enfermeiro de SF quanto à organização quantitativa e qualitativa dos recursos humanos para atuar na perspectiva da integralidade, que é percebida como o atendimento de mais partes possíveis da máquina homem, como podemos observar nos discursos que seguem:

[...] Olha, eu acho que cada especialidade, na sua especialidade. Então realmente ele passa pelo clínico geral, ele passa por uma avaliação e o

próprio médico encaminha. Se for o caso do neuro ele vai encaminhar pro neuro, se for pro psiquiatra ele vai encaminhar pro psiquiatra, se for o caso do psicólogo, ele vai encaminhar para o psicólogo. [...] cada um na sua especialidade, igual o médico da família, o médico da família ele é clínico geral, igual nós temos as referências pra ele encaminhar, cada um na sua área, encaminhando direitinho, sabe? No seu lugarzinho. Rosa.

[...] Eu acho que o essencial é... seria o médico, a enfermeira, uma nutricionista, um dentista, um psicólogo, fonoaudióloga, né. É... Assistente social, eu acho muito importante e também atendimento básico, um pediatra básico que eu falo assim, um atendimento especializado, né. Um pediatra, um ginecologista, um geriatra, que acho de extrema importância, tem muito idoso. [...] eu acho que é... a integralidade seria da equipe toda, é a união da equipe que faria isso. Eu acho que, eu fazendo só a minha parte, ou eu atendendo só aquela demanda do paciente que é da minha especialidade, não. Lógico que a gente vai, eu acho tá direcionando pra esses profissionais que já estão, que fizeram especialização mesmo pra cuidar daquele caso, mas sempre com a integralidade da equipe, porque às vezes uma pessoa é... às vezes, quantas pessoas, às vezes procuram a ginecologista, e a ginecologista percebe que ela tá precisando é de uma psicóloga, que o problema dela, às vezes ela vai na ginecologista pra falar de um problema com o marido, já teve caso assim aqui com a gente. Então eu acho que a ginecologista tem que saber um pouco do trabalho que a psicóloga faz, pra ela entender que o que que aquela paciente tá precisando não é de uma consulta ginecológica, é de uma consulta com o psicólogo. (Quando você fala de uma consulta ginecológica, você fala sobre o que?) Da parte física, a parte da patologia mesmo, cada um sabendo o serviço do outro também aquela integralização da equipe, pra você distinguir não, eu acho que essa pessoa tá precisando é disso, às vezes a pessoa tá com um problema social, precisa de um serviço social, né. Margarida.

[...] Cada um fazendo sua função, cada um é... é... assumindo a sua responsabilidade enquanto profissional, se aquilo é seu é para você assumir, eu acho que, eu acho que é por aí, cada um dentro de sua área. Tulipa.

[...] eu acho assim, que a minha unidade hoje, assim a gente tá bem servido assim, pois tem assim, no caso pediatra, ginecologista, que já fazem parte da atenção básica. Então é mais que o necessário assim, pra equipe do PSF, também eu acho que eventualmente a gente estaria precisando mais de outros profissionais para estar somando (grifo nosso), mas a gente tem outros também, psicólogo e agora a gente vai ter nutrição também, então eu acho assim que... os serviços oferecidos a nível de atenção básica, hoje são suficientes, eu analiso como suficientes. Girassol.

Nessa perspectiva, fragmentada, para que haja integralidade faz-se necessário à atuação de vários profissionais de diversos Núcleos de competência e responsabilidade, onde cada um percebe e atua em uma parte, sobrepondo os saberes, sem articulação, sem troca de informações entre os profissionais. Nesse sentido, em outras palavras diríamos que quanto maior a quantidade e diversidade de profissionais atuantes maior seria a quantidade de partes, contextos percebidos, para que o atendimento da integralidade se consolide.

Campos (2002) aponta que a crescente especialização dos trabalhadores de saúde vem diminuindo a capacidade de resolução de problemas e aumentando a alienação desses trabalhadores em relação ao resultado de suas práticas. Uma vez que cada especialista se encarrega de uma parte da intervenção, ninguém poderia, em tese, ser responsabilizado pelo resultado global do tratamento. Como conseqüência disto, segundo o autor, haveria perda de eficácia, custos crescentes e prolongamento indefinido da linha de atendimento para casos antes resolvidos por um ou dois profissionais. Esse mesmo autor ainda refere que em muitas universidades, em nome de um suposto cuidado integral ao usuário, tem-se-lhe imposto consultar-se com vários profissionais distintos que intervem de maneira excessivamente focal.

Vale lembrar que nessa perspectiva, a integralidade, de acordo com Caccia Bava (1998) se faz presente apenas como a somatória destes fragmentos por conseqüência da realização de serviços estanques e de saberes profissionais específicos, mas isolados e desarticulados entre si. Em outros termos, diríamos que cada especialista vê somente à parte que lhe compete de acordo com sua formação especializada.

Ainda nessa perspectiva da fragmentação observamos que a necessidade do especialista estar presente na SF, segundo alguns discursos, é determinada pelo número de casos existentes e não pela gravidade, raridade do caso.

[...] um geriatra, que acho de extrema importância, tem muito idoso. Margarida.

[...] o serviço social, ele é, ele é importantíssimo, sabe? Tanto quanto o atendimento médico e do enfermeiro. Porque... tem muitos casos assim, mesmo carentes, muito caso, a gente sozinha, principalmente a enfermeira, é muito. Nossa, eu sou muito sobrecarregada nesse serviço, nessa situação. Orquídea.

[...] De acordo com a minha comunidade, eu acho que eu precisaria muito de uma assistente social, acho que é imprescindível, uma assistente social, um psicólogo. [...] psicólogo que a grande maioria dos problemas da população é mais de ordem psicológica. Azaléia.

Nesses discursos podemos perceber além da fragmentação, há uma contradição com a atuação na APS na perspectiva da construção de um sistema integrado, pois as falas revelam que os casos mais comuns da APS devem ser resolvidos por especialista, tendo como definição para a presença deste na organização do serviço o número, a quantidade de casos e não a gravidade.

Starfield (2002) refere que a APS deve oferecer atenção para as diversas condições, exceto as muito incomuns ou raras, que devem ser encaminhadas, porém essa atenção deve ser coordena ou integra pela APS para que seja oferecida em algum outro lugar ou por terceiros. O usuário na APS dá entrada no sistema, freqüentemente com queixas pouco específicas e vagas, nesse sentido o profissional que ali atua tem com principal tarefa elucidar a necessidade, levantar informações que levem a um diagnóstico e a escolha de um manejo mais adequado ao caso.

4.5.3.2 Núcleo e campo de competência e responsabilidade e a relação com a