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MUSICO· ELECTRONIQUES

Dans le document UN OBJECTIF PRÉCIS ... UNE ROUTE SURE (Page 36-41)

Conforme já comentado acima, um dos propósitos para se abordar e trabalhar o multiculturalismo é justamente não pensar em um determinado tipo de música apenas como uma maneira de ensinar um tópico gramatical ou apresentar um vocabulário específico. Por que não usar o Rap como uma for- ma de promover discussões entre os alunos sobre essa cultura musical, por sinal bastante peculiar? Por que não trabalhar a “captação” da mensagem central diluída na densidade dos ver- sos do Rap, em vez de apenas centrar a atenção dos alunos na letra e ou no significado de cada palavra? Por oportuno, faz-se referência às propostas de Ivan Oliose, registradas no Capítulo 1 deste livro, onde ele utiliza o Rap em sala de aula para cons- cientizar o aluno sobre o ritmo da língua.

Não obstante, neste capítulo abre-se um pouco de espaço para se saber mais dessa cultura musical. O Rap não é somente um movimento musical; ele é parte intrínseca de um contexto so- ciocultural muito distinto. O professor pesquisador criativo pode tirar proveitos extraordinários a partir de explicações prévias so- bre o contexto em que esse estilo musical surgiu. Os alunos certa- mente ficarão bastante motivados ao saberem que o Rap é parte da cultura Hip Hop. Mas o que seria essa cultura e que implicações tem o Rap com ela? Eis uma excelente oportunidade (um “prato cheio” de deixar crianças e adolescentes com água na boca) para o educador facilitar o aprendizado de seus alunos e fazer uma breve exposição histórica da diversidade cultural do Hip Hop. Essa diversidade não está restrita apenas à Inteligência Interpessoal, a despeito das interações muito estreitas entre uma coisa e outra. A Competência Interpessoal tem também conexões muito íntimas com os outros dois elementos contidos nessa cultura de rua, tão característica dos tempos pós-modernos. “[...] O Break [é a] dança que representa um dos três elementos do Hip Hop [e os] outros dois são o Rap e o Grafite. O som [...] tem roupas e atitudes pró- prias. A rua é o palco das apresentações. O rádio [...] portátil toca a trilha sonora” (LOTUFO, 2004, p. 43). E essa trilha sonora nada mais e nada menos é senão o Rap. Como se pode perceber, o Rap é muito mais do que apenas um estilo musical: além de sua integra- ção orgânica dentro do Hip Hop, “o som” tem inúmeras implica- ções antropológicas, sociológicas, políticas, étnicas, artísticas, etc.

Se o professor disponibilizar uma seleção de músicas que contemple a diversidade cultural, será muito mais fácil para os alunos, mesmo sem se darem conta disso, retirarem da cabeça a ideia errada de que existe “música boa” – como o Requiem, as Sinfonias Clássicas, o Jazz ou o Blues – versus “música marginali- zada” – como o Rap, o Funk, o Brega ou o Pagode. Cada cultura, cada geração – em qualquer região geográfica e em qualquer tempo –, todos produzem suas músicas típicas, de acordo com o espírito de sua época. As tradições musicais de qualquer povo são o espírito de sua história, são inseparáveis do processo de construção de sua identidade. O professor de línguas também é parte de um grupo social e como tal deve preocupar-se em promover o respeito pelas diferentes manifestações culturais de outros grupos sociais a partir de suas propostas didático -pedagógicas em sala de aula.

Sendo assim, durante a atividade aqui proposta, os concei- tos fundamentais do multiculturalismo devem, portanto, dire- cionar as discussões. O professor pode lançar perguntas estra- tégicas, visando ao levantamento de questões sociais implícitas em diferentes gêneros musicais, como os pontuados acima. Eis algumas sugestões: Somos todos iguais? Gostamos das mesmas mú- sicas? Quais as músicas favoritas de cada um de vocês? Quais as menos atraentes? Por que gostamos de determinadas músicas e não de outras? Que elementos da música mais agradam ou desagradam a vocês: o rit- mo, a melodia, a harmonia, a letra, a voz do(a) cantor(a)? É possível aprendermos a gostar de uma música que não nos agrada inicialmente, depois de conhecermos sua história e compreendermos sua mensagem? Que estratégias poderiam ser utilizadas para nos familiarizarmos com o que existe de “diferente” em outros tipos de música?

Depois de estimular essa troca de ideias iniciais e assaz su- gestivas sobre aspectos diversificados de músicas apresentadas em sala de aula, o professor pode provocar discussões mais pro- fundas, fazendo perguntas, tais como: Por que gostamos de coisas diferentes? Existem pessoas que não gostam de coisas diferentes. Por quê? É importante se gostar das mesmas coisas? O contato com a diversidade pode nos causar algum tipo de problema? Em caso afirmativo, qual e por quê? Deveríamos ser todos iguais? Quais os benefícios da homogeneida- de? E da heterogeneidade? Heterogeneidade exclui homogeneidade ou as

duas são complementares? O que podemos fazer para promover a con- vivência democrática entre diferenças socioculturais? Como estimular o respeito pelo outro? A música contribui para aproximar pessoas de dife- rentes procedências étnicas, socioeconômicas e culturais? De que forma?

Obviamente, esse tipo de atividade não tem como objetivo a coleta de respostas prontas ou preconcebidas ao final de uma aula de tal natureza. O importante não é responder com exa- tidão ou “certeza conceitual” às perguntas acima. Não se tem tal pretensão. Quando colocamos em prática tarefas para de- senvolver a Inteligência Interpessoal, utilizando uma variedade de músicas de diferentes períodos históricos e culturais, temos como missão provocar reflexões, estimular debates acerca de te- mas de interesse dos alunos. Enquanto professores de língua, devemos propiciar o diálogo e a troca de ideias relativas à exis- tência de múltiplas culturas na sociedade contemporânea. Esse tipo de atitude permitirá ao docente desempenhar seu papel de educador autêntico, ou seja, contribuir para a “construção” de consciência e produção coletiva de conhecimento. Essas e ou- tras estratégias voltadas para a promoção de um ensino-apren- dizagem que envolva e privilegie o diálogo certamente atrairão os alunos “faladores”, ou aquele estudante “conversador” du- rante as aulas!

4.5 CONSIDeRaÇõeS FINaIS

Fica-se na expectativa de ter deixado bastante claro o fato de que educadores de língua estrangeira ou nativa podem uti- lizar quaisquer músicas, “simples” ou “complexas”, com letras densas ou não, preferencialmente escolhidas pelos alunos, para se estimular o desenvolvimento das características que são pró- prias da Inteligência Interpessoal, registradas no Quadro 1, no início deste capítulo. Os exemplos das três atividades práticas oferecidas acima são ilustrações que permitirão ao professor ter em mãos alguns caminhos, sugestões ou ferramentas, a partir das quais possa criar suas próprias atividades para auxiliar seus alunos a utilizarem, de modo o mais adequado possível, essa área das Múltiplas Inteligências. Nossas sugestões não são um guia nem fórmulas acabadas a serem seguidas religiosamente.

O conhecimento sobre a Inteligência Interpessoal, além de servir para criar atividades que desenvolvam essa área de inteli- gência em qualquer aluno, independente de seu domínio ou não daquilo que envolva as relações interpessoais, também permite ao professor melhorar sua percepção das outras inteligências da tese de Howard Gardner. Assim, aquilo que foi objetivado no início deste capítulo concretiza-se por meio desta investigação, desenvolvida ao longo de todo o texto, sobre como a Teoria das Múltiplas Inteligências opera quando a pesquisamos e a coloca- mos em prática para obter melhor compreensão e domínio do processo ensino-aprendizagem de línguas.

Para encerrar, transcreve-se a seguir um pensamento muito apropriado de Holt (1964, p. 165, TA), que nos faz refletir, com sa- bedoria, sobre o conceito de inteligência, nos termos seguintes: “O verdadeiro teste de inteligência não é o quanto nós sabemos fazer, mas sim como nós nos comportamos quando não sabemos o que fazer”. Esta é mais uma concepção (aberta, flexível, não rígida/en- gessada) do que um conceito ou definição (terminada, acabada, fe- chada) de que inteligência é algo mensurável e imutável. Essa aber- tura de pensamento nos motiva a quebrar esse velho paradigma, permitindo-nos assim reconhecer e tratar todos os indivíduos in- distintamente, cada um à sua maneira, como pessoas inteligentes. ReFeRêNCIaS

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Música e inteligência

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