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Morphological Associative Memories

An Evolutionary Algorithm Based on Morphological Associative Memories for

4.3 Morphological Associative Memories

“Há momentos na vida em que a questão de saber se alguém pode pensar de um modo diferente de como pensa e sentir de um modo diferente de como sente é indispensável para continuar observando e reflectindo” (Michel Foulcault)

Dando continuidade aos capítulos apresentados, podemos dizer que diante deste panorama complexo, revela-se pertinente o surgimento do modelo dos professores como práticos reflexivos, constituindo-se, deste modo, como o constructo da sua própria concepção de profissão e, consequentemente, das boas práticas.

No meu caso em particular, este modelo acompanhou-me ao longo do presente ano lectivo revelando-se de extrema importância, pois possibilitou-me recolher frutos gratificantes para uma vida futura. De facto, o EP representa uma das etapas de formação do estudante, tendo como principal objectivo a formação do professor profissional, promotor de um ensino de qualidade mas, principalmente, um professor reflexivo que analisa, reflecte e sabe justificar o que faz em consonância com os critérios do profissionalismo docente. (2)

Analisando o quotidiano de qualquer pessoa, vemos que esta reflecte sobre uma infinita variedade de situações sem mesmo dar conta pelo, que a sistematização do pensamento apenas ocorre quando somos confrontados com um problema real para resolver. O ser humano é bombardeado todos os dias com uma quantidade de informação indescritível que o obriga a decidir, “o que fazer”, “como”, “quando” e “porquê”. Porém, uma coisa é pensarmos no

que vestir e comer todas as manhãs e outra é reflectirmos sobre questões éticas que fundamentam a prática profissional do professor de EF.

No que respeita ao meio escolar, o conceito de prática reflexiva surge como um modo possível dos docentes interrogarem as suas práticas de ensino. Como afirma Oliveira & Serrazina (2002), a reflexão fornece oportunidades de voltar atrás e rever acontecimentos e práticas. Uma prática reflexiva confere poder aos professores e proporciona oportunidades para o seu desenvolvimento.

No que diz respeito à formação de professores, a questão da reflexão sobre a prática, tornou-se popular nos Estados Unidos, nos anos oitenta servindo hoje de suporte nos programas de formação de professores (Zeichner & Liston, 1987).

Sendo a docência uma profissão que não se esgota nas suas origens científicas ou mesmo pedagógicas e que exalta as referências pessoais, a formação dos professores deve, então, contribuir para o desenvolvimento de futuros profissionais centrados em hábitos de reflexão e de auto-reflexão essenciais à docência (Nóvoa, 2009).

Dewey (1959) refere que o pensamento reflexivo tem como intuito transformar situações de carácter problemático, embebidas pela dúvida e conflito, em situações claras e coerentes utilizando um exame mental ao assunto. Para ele, o pensamento reflexivo advém não apenas de processos cognitivos, mas é igualmente fruto de crenças e vivências pessoais. Neste sentido, o mesmo autor reclama que é preciso pensar bem, pensar reflexivamente e não nos deixarmos levar pela aparência da palavra ou pelo acto isolado do contexto. O processo reflexivo pode, assim, ser entendido como um vaivém permanente entre o que acontece e a sua compreensão, na procura do significado das experiências vividas, pelo que será a partir das práticas que, progressivamente, se irá obter um maior entendimento das mesmas. Desta nova compreensão resulta um conhecimento mais profundo sobre o significado de ser professor. O professor na sua actividade diária deve, deste modo, procurar reconstruir as suas práticas educativas recorrendo à

reflexão, isto é, questionando, analisando e procurando solucionar os problemas que surgem na realidade em que está inserido. Com esta atitude perante a sua acção, poderá contribuir de forma vincada para o desenvolvimento/aprendizagem dos seus alunos.

Para Zeichner (1993), na obra “A formação reflexiva de professores:

ideias e práticas”, o processo de reflexão requer uma apreciação activa,

persistente e cuidadosa das crenças do professor ou daquilo que pratica, perante os motivos que as justificam e suas respectivas consequências. “A

reflexão não é um conjunto de técnicas que possam ser empacotadas e ensinadas aos professores, não consiste num conjunto de passos ou procedimentos específicos. Ser reflexivo é uma maneira de ser professor.”

Nesta afirmação, o mesmo autor pretende elucidar que o processo de reflexão vai muito além da simples busca de soluções para os problemas.

Ser um profissional reflexivo, traduz-se na capacidade de ver a prática como espaço/momento de reflexão crítica, problematizando a realidade pedagógica, bem como analisando, reflectindo e reelaborando, criativamente, os caminhos da sua acção de modo a resolver os conflitos, construindo e reconstruindo o seu papel no exercício profissional (Brito, 2006). Segundo Alarcão (2003) cit. por Brito (2006), a noção de professor reflexivo verifica-se na concepção de que o ser humano é criativo e não se constitui como um mero reprodutor de ideias e de práticas de outrem. Ora, se o professor é um ser humano criativo e se a capacidade de reflexão só a este está acessível, não deve cingir-se à bagagem que transporta da sua formação académica. Deve melhorar as suas práticas e intervenções pedagógicas com base no quotidiano. Deve ainda procurar novas transcendências, reconhecendo as suas debilidades, sem nunca se satisfazer com aquilo que sabe.

Para acompanhar a evolução científica que se verifica nas Ciências do Desporto e no ensino em EF, é fundamental que o professor reflicta, sobre as suas atitudes e postura perante a progressão. Toda esta reflexão deverá ser realizada em torno da (re)construção da identidade do professor. De facto, o conceito de construção da identidade de professor como profissional reflexivo

tem sido estudado e aceite por vários investigadores tais como Zeichner. A identidade de alguém forma-se com base na sua história. Esta, por sua vez, só é escrita perante actos e comportamentos que vão definindo um ser e o tornam naquilo que ele é. Através da reflexão, o professor (re)cria e (re)configura os seus actos e comportamentos. Dito de outro modo, o professor (re)constrói a sua identidade sempre que reflecte, pelo que só poderá exaltar a sua profissão e ir em busca do exemplar exercício da docência traçando, constantemente, a sua identidade.

3.3. A minha primeira Escola