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Evolutionary AT Optimization

Evolutionary Optimization of Approximating Triangulations for Surface Reconstruction

3.5 Evolutionary AT Optimization

“Ocupo-me, como é óbvio, da formação humana. Pertenço ao número dos que se consagram à edificação do corpo e da alma, dos gestos e sensações, das emoções e reacções, das inquietações e expressões, das atitudes e posturas, das palavras e acções. Porque o acto desportivo constrói e revela o homem por dentro e por fora” (Bento, 2008, p. 54).

Em relação à disciplina de EF a primeira “barbaridade” que me vem ao pensamento é o facto de continuarmos hoje, em pleno século XXI, ouvir as pessoas chamar à nossa disciplina de “ginástica”. Não posso deixar de

dirigi a uma escola do 1º ciclo de Ensino Básico para ir buscar a minha prima. Distraída a falar com os meus botões, de repente, oiço uma das criança dizer: “hoje na aula de ginástica estivemos a jogar Futebol”. Importa aqui salientar que este “ginástica” não se referia à modalidade, propriamente dita, mas sim ao nome atribuído à disciplina pelas crianças. Confesso, que naquele dia senti-me, de certa forma, menosprezada e indignada, pois questionei-me acerca da importância que a sua professora lhe teria conferido no dia da apresentação das diversas disciplinas. Podemos pensar que por se tratar de crianças não sabem o que dizem, mas aos professores ou funcionários, por exemplo, não podemos tolerar este tipo de designação.

Parece que o professor de EF, tal como outros profissionais da educação (música, moral, etc.), ainda permanece numa estreita visão no campo da especialidade.

Segundo Moreira et al. (2004) a nossa condição de hominização impingiu a formulação de um processo de humanização, a partir do momento em que o ser humano passou a ser nomeado por um princípio biofísico e de um princípio psicossociocultural, ambos dependentes entre si. Estes princípios devem estar presentes no ensino da EF e na formação dos professores responsáveis por esta disciplina. Importa, contudo, esclarecer que estes não devem aparecer separados e descontextualizados da realidade.

A nível do curriculum escolar, os debates respeitantes à natureza e ao objectivo primordial da disciplina de EF destacam a competição sentida entre as suas várias perspectivas teóricas e orientações práticas. Observou-se que essas perspectivas apresentavam uma certa tendência para coexistir numa estrutura eclética ou num labirinto de práticas difusas em termos de congruência e seus resultados (Graça & Matos, 1993).

A investigação em EF patenteia um contributo positivo no desenvolvimento físico do aluno na medida em que o esperta para os cuidados com a saúde e promoção de hábitos de higiene fundamentais para viver em sociedade. Promove, ainda, o convívio e o estabelecimento de relações com o outro e com o exercício ao ar livre. O ser humano é, simultaneamente, um ser biológico, psíquico, social, afectivo e racional, sendo esta multiplicidade de

dimensões solicitadas na EF. Esta nossa disciplina, embora apresente uma diversidade de benefícios para a vida do homem, um dos seus objectivos principais será proporcionar um ensino universal, centrado na condição humana.

Relativamente à componente da saúde, sabemos que a falta de vontade em praticar exercício físico demonstrada pelos alunos, emparelhada com a impotência ou possível falha dos pais em colmatar esta lacuna, evidencia uma sociedade fortemente caracterizada pelo sedentarismo. O problema maior reside no facto desta condição acompanhar continuamente o decurso da vida destes indivíduos. A sociedade actual promove o facilitismo a todos os níveis, governando-se pelo seguinte tipo de lema: nada se faz, tudo se compra feito. Face a esta visível e entristecedora unanimidade na ausência da prática extra- escolar dos jovens e adolescentes, em idades decisivas do seu processo de formação, Sallis (1991) cit. por Mota (2004) destaca a importância atribuída ao papel da escola no sentido de incrementar a participação das crianças em actividades físicas.

Neste seguimento, Nahas, Barros, & Bem (2004) reclamam que a educação para um estilo de vida activo desempenha uma das tarefas educacionais fundamentais no ensino da disciplina de EF. Contudo, os mesmos autores mostram-se conscientes e compreensivos confirmando que a EF escolar é, de facto, responsável por uma variedade de objectivos, porém, dispõe de condições estruturais e tempo muito abaixo do ideal para atingi-los.

Bento & Bento (2010) defende como elemento principal a favor da EF no meio escolar, o facto de ser a única disciplina que enfatiza a componente denominada de corporalidade. A EF deixa patente a pertinência que o sistema educativo adquire na intervenção que este tem no fabrico e, consequente modelação da nosso corpo. Para que o homem consiga viver em conformidade com o seu corpo, primeiro tem que, aprender a lidar com o seu corpo, fornecendo-lhe oportunidades suficientes e efectivas de educação e formação.

Para o professor de EF é fundamental que estabeleça na sua aula uma forte relação entre a aprendizagem e a qualidade de vida. Para além dos

valores sustentados pela pluralidade de aprendizagem possíveis no contexto de aula, nomeadamente, a aprendizagem afectiva (prazer, amizade, ódio), a aprendizagem cognitiva (lógica, compreensão) e a aprendizagem relacional (cooperação, competição), no caso do docente de EF a todas estas aprendizagens deve somar-se a aprendizagem da motricidade (capacidades condicionais e coordenativas).

É de consenso universal, que a disciplina de EF promove o desenvolvimento de diversas capacidades, quer no domínio cognitivo, quer no domínio motor e social. Betti (1991) refere que “ao lado de seu valor biológico,

capaz de desenvolver integralmente o organismo, corrigir as “constituições franzinas”, revigorar energias orgânicas e prevenir enfermidades, a Educação Física era compreendida como uma “escola de elevado alcance educativo”, por despertar hábitos e qualidades morais, como tenacidade, persistência, independência, espírito de disciplina, concórdia e solidariedade”.

Na mesma linha de pensamento, Moreira et al. (2004) defendem que a EF, enquanto disciplina curricular, não deve servir para a construção de

animais esplêndidos. Deve antes fazer com que o homem se identifique como

ser humano pertencente a uma sociedade e numa relação estreita de interacção com o meio ambiente promovida a partir do conhecimento e da prática de actividades físicas.

Temos vindo a sustentar que o profissional da EF tem como função lidar com o corpo dos seus discentes. Porém, é pertinente ressaltar que este não se limita a observar o movimento do outro, mas sim, na maioria das vezes ele próprio é solicitado a demonstrar como se executa determinado movimento e exemplificar o que deve ser feito para alcançar determinado objectivo. Neste sentido, a uma boa capacidade de exemplificação/demonstração revelar-se-á, certamente, enriquecedora na evolução dos alunos. Seguindo esta linha de pensamento, Moreira et al., (2004), referem que, ao professor de EF está associada a capacidade de lidar com um ser humano corpóreo que procura a busca pela sua superação, revelando-se fulcral que o docente esteja consciente da complexidade associada à sua profissão. Os mesmos autores afirmam que a EF, “quer no sentido de uma área de conhecimento, quer no

sentido de uma disciplina curricular implantada no interior de vários graus de escolarização, e até mesmo como uma prática de actividade física, é fundada de princípios e valores que estão presentes na teoria da complexidade”.

Por esta razão a sua formação deverá reger-se pelos moldes de uma ciência complexa, rigorosa, contextualizada, mas, sobretudo, não estruturada em dogmatismos estéreis, antes numa prática reflexiva.