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Monitoring Network Operation with Observer

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Monitoring and Testing DECnet Performance

11.2 Monitoring Network Operation with Observer

Com o intuito de verificar se os alunos, sujeitos da pesquisa, realizavam algum tipo de prática musical, perguntamos a cada um deles: “Você toca algum instrumento musical ou canta?”, oferecendo as alternativas “sim” ou “não” como respostas. Entendendo a importância da influência familiar nas práticas musicais, também perguntamos: “Você possui algum membro da família que toca instrumento musical ou canta?”, oferecendo novamente as alternativas “sim” ou “não” como respostas. O resumo das respostas é apresentado a seguir, na tabela 3.

TABELA 3: Variáveis relacionadas às práticas musicais dos alunos

VARIÁVEIS CATEGORIAS FREQUÊNCIA %

TOCAM INSTRUMENTO MUSICAL

Sim 86 36,9

Não 143 61,4

Não responderam 4 1,7

TOTAL 233 100,0

FAMILIARES QUE TOCAM INSTRUMENTOS MUSICAIS Sim 156 67,0 Não 76 32,6 Não responderam 1 0,4 TOTAL 233 100,0 Fonte: O autor, 2015.

A maioria dos alunos participantes da pesquisa (61,4%) declarou não tocar instrumentos musicais ou cantar. Esse é um dado importante para o estudo das RS de música, considerando que a prática musical é um dos caminhos (talvez o mais importante) para a apropriação do significado musical. Entendemos que os adolescentes que tocam instrumentos musicais, cantam, ou que realizam atividades musicais práticas têm uma representação mais consistente de música e, até mesmo, da importância da aula de música na escola, como será retomado adiante.

Realizando um cruzamento de informações com auxílio do software SPSS, podemos afirmar que apenas 37,8% dos alunos de escolas públicas e 35,7% dos alunos de escolas particulares afirmaram tocar instrumentos musicais ou cantar. Em uma pesquisa com alunos de mesmo nível escolar, Sebben (2009) constatou que a atividade “tocar” foi mencionada por 12,3% dos alunos de escolas públicas e por 28,8% dos alunos de escolas particulares; a atividade “compor” foi mencionada por 5,9% dos alunos de escolas públicas e por 7,7% dos alunos escolas particulares; e a atividade “cantar” foi mencionada por 40,1% dos alunos de escolas públicas e por 46,2% dos alunos de escolas particulares.

Nesse contexto, Sebben (2009) concluiu que as práticas musicais são mais presentes no universo dos alunos de escolas particulares, em especial a prática de “tocar”, pois apresentou uma diferença mais significativa em relação às escolas públicas. Para ele, essa cultura é decorrente do capital cultural que é desenvolvido mais cedo nas escolas particulares. Os alunos dessas escolas, portanto, “se familiarizam com os bens culturais mais precocemente, procurando atividades musicais mais elaboradas, como o tocar e o compor”. (SEBBEN, 2009, p. 89). Somado a isso, o autor considera que o acesso a instrumentos musicais e a aulas de instrumento, devido ao maior poder aquisitivo dos pais dos alunos de escolas particulares, é um diferencial que contribui para a prática instrumental entre os alunos dessas escolas.

Nossa pesquisa aponta uma condição de maior equilíbrio nas práticas de tocar ou cantar entre alunos de escolas públicas (37,8%) e particulares (35,7%). Esse resultado mostra- se interessante na medida em que percebemos uma tendência de equiparação entre as práticas musicais de tocar ou cantar entre os alunos desses dois tipos de escolas, bem como a ligeira vantagem dessas práticas pelos alunos de escolas públicas, já que os alunos de escolas particulares teoricamente deveriam ser a maioria, pois têm maior poder aquisitivo para comprar instrumentos e pagar por aulas particulares.

Na tentativa de explicar esse resultado, podemos enumerar alguns outros fatores que podem contribuir para a efetivação do equilíbrio nas práticas musicais: 1 – as escolas particulares geralmente oferecem mais oportunidades de práticas musicais instrumentais e vocais para seus alunos; 2 – os alunos de escolas públicas apresentam um maior interesse por música; 3 – os alunos de escolas particulares apresentam menor aceitação pela música como atividade relevante, por estarem geralmente envolvidos em outras atividades que, teoricamente, podem garantir um futuro melhor (como aulas de línguas, informática, etc.). Essas questões serão discutidas com mais profundidade nas seções seguintes deste trabalho.

A partir de um novo cruzamento de informações realizado com auxílio do software SPSS, constatou-se que 41,1% dos alunos e 33,0% das alunas afirmaram tocar instrumentos musicais ou cantar. Esse dado também é relevante para o levantamento das RS de música, uma vez que a prática de tocar um instrumento musical ou cantar parece ser mais inerente aos adolescentes do sexo masculino.

Referindo-se às crianças, Subtil (2005) aponta uma diferenciação entre meninos e meninas nas suas práticas musicais. Para ela, as meninas estão mais disponíveis para as atividades de canto e de dança, sendo que esta última é uma “representação alimentada pela própria mídia” (p. 71). Assim, as diferenças das práticas musicais entre os gêneros podem ser percebidas

nos movimentos corporais diferenciados, meninos mais hard – bater na carteira, ritmar com os pés e com as mãos e usar objetos; meninas mais soft – dança e requebros; nos desenhos coloridos e floridos das meninas, enquanto os meninos retratam cantores, palcos e instrumentos musicais. (SUBTIL, 2005, p. 71).

A representação da música pelo sexo masculino é alimentada, desde a infância, por elementos relacionados ao “tocar”, como cantores, bandas e instrumentos musicais. Tais elementos são transmitidos, sobretudo, pela mídia, e ajudam a entender a preferência dos adolescentes do sexo masculino por tocar instrumentos ou cantar, ao contrário das adolescentes do sexo feminino, que parecem ter uma visão de música mais ligada ao

“desvelamento, sem pudor, de sentimentos e emoções” (SUBTIL, 2005, p. 71), como será verificado na continuidade deste trabalho.

Apesar do grande percentual de sujeitos pesquisados que declararam não tocar instrumento musical ou cantar (61,4%), verificamos que 67,0% dos alunos afirmaram possuir familiares que realizam tais práticas. Assim, constatamos que o contato com as práticas musicais (tocar instrumentos musicais ou cantar) ocorre, indiretamente, por meio dos familiares, possibilitando aos adolescentes ouvir e conhecer um pouco as características físicas e sonoras de diversos instrumentos.

No caso de resposta positiva para familiares que praticam música, pedimos aos alunos que mencionassem quais seriam esses familiares. Após uma análise do conteúdo de todas as respostas dadas, estabelecemos uma divisão nas seguintes classes, seguindo critérios de proximidade familiar: 1 – apenas o próprio aluno; 2 – pais e irmãos; 3 – tios, avós, primos e sobrinhos; 4 – namorado(a), cunhado(a), sogro(a), padrinho/madrinha; 5 – diversos. As estatísticas concernentes à distribuição das classes foram obtidas com auxílio do software SPSS, e são apresentadas na tabela 4.

TABELA 4: Familiares que tocam instrumentos musicais ou cantam

CATEGORIAS FREQUÊNCIA %

Não têm, não responderam 78 33,5

Apenas o próprio aluno 3 1,3

Pais e irmãos 35 15,0

Tios, avós, primos e sobrinhos 80 34,3

Namorado(a), cunhado(a) sogro(a), padrinho/madrinha 3 1,3

Diversos 34 14,6

TOTAL 233 100,0

Fonte: O autor, 2015.

Cerca de um terço dos alunos (33,5%) afirmou que não tem parentes que tocam instrumentos musicais ou cantam. Já a grande maioria dos alunos mencionou que tem parentes que tocam instrumentos musicais ou cantam, divididos em diversos graus de parentesco, com destaque para pais e irmãos (15,0%), e para tios, avós, primos e sobrinhos (34,3%), o que dá a entender que a prática musical, de maneira direta ou indireta, faz parte da vida desses alunos em sua convivência familiar.

A partir da soma de todas as parcelas que apontam para algum tipo de familiar que toca instrumento musical ou canta, podemos perceber que cerca de dois terços dos alunos investigados recebem algum tipo de influência musical por meio de suas famílias, fato de grande interesse para este estudo, pois tal influência contribui significativamente para a constituição das RS aqui investigadas (música, estilos musicais e aula de música).

De acordo com Jodelet (2001, p. 22), as representações sociais “associam o pertencimento social dos indivíduos às implicações afetivas e normativas, às interiorizações das experiências, das práticas, dos modelos de conduta e de pensamento, socialmente inculcados ou transmitidos pela comunicação social, que aí estão ligados”. No caso das práticas musicais, essas representações são constituídas, além de outras esferas, no âmbito familiar.

Outra conclusão importante a partir dessa verificação é que os alunos já possuem uma série de vivências e experiências musicais anteriores à escola, muitas vezes advindas de suas próprias práticas musicais ou das práticas de seus familiares, e não são, portanto, tabula rasa em se tratando de conhecimento musical. Esse conhecimento apenas não é sistematizado, caracterizando-se como um conhecimento que deriva das práticas e hábitos dos adolescentes, e não do estudo formal.

Pensando no âmbito escolar, o conhecimento delineado (GREEN, 2012) de música deve ser tomado como referência para o ensino da música, ao invés de ser ignorado pelos professores. As práticas musicais realizadas pelos adolescentes fora da sala de aula e as experiências familiares com música são importantes na medida em que ajudam na compreensão desses adolescentes enquanto participantes ativos na construção de seu próprio conhecimento musical.

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