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2.3 Principe de l’accordabilité en fréquence

2.3.1 Modulation acousto-optique en double passage

No dia 8 de agosto trouxemos, para estudar com Dulce, um texto que havíamos construído denominado de: A consciência histórica na atividade humana e no aprendizado da história o qual se encontra neste capítulo.

Iniciamos, dizendo do que trata o texto e, em seguida, acrescentamos:

Da Paz: – Pensei na realização desse estudo em dois momentos de discussão: um, realizado antes da leitura do texto e, o outro, após essa leitura... Temos um texto pequeno para a leitura.

A partícipe, folheando-o disse rindo:

Dulce: – É pequeno, desse tamanho?! Estou igual aos alunos.... [Risos nossos].

Da Paz: – Se é assim! Penso que o texto não é cansativo para lermos! [Risos nossos].

Havendo concordância da professora, quanto ao modo de discutir, passamos a lhe apresentar as seguintes questões:

- O que você entende por consciência? - O que entende por consciência histórica?

- Como entende o desenvolvimento da consciência histórica do aluno no aprendizado da interpretação de textos de história?

Como a docente, na primeira etapa dos Ciclos de Estudos Reflexivos, não revelou o que gostaria de estudar/aprofundar sobre consciência, consideramos procedente que nos dissesse como entendia a consciência.

Após a apresentação dos questionamentos (acima explicitados), dissemos a partícipe que ela iria tentar nos dizer seu entendimento e que, após a leitura do texto, poderia retornar às suas respostas podendo aprimorá-las ou mantê-las.

A partícipe leu, atentamente, as questões e foi respondendo:

Dulce: – Ah! Não sei não! Consciência é o conhecimento?! É o conhecimento adquirido... Alguma coisa que você tem como verdade [...]. E a consciência histórica é ter um entendimento de um fato histórico de uma época, de uma era. Ter consciência do que aconteceu naquele período, naquela época. Sei não se é isso!” [silêncio].

Da Paz: – Esse primeiro momento é assim mesmo! É para vermos e para você refletir sobre o que entende.

Nesse momento, não intervimos, considerando o que Dulce expôs, na expectativa de que, após a leitura, ela discutisse sobre o que nos dissera. Mesmo demonstrando dúvida, a docente expressou o que entendia por consciência e por consciência histórica. A primeira tratava do conhecimento adquirido; algo que temos como verdade. Embora não possamos definir a consciência como conhecimento, entendemos que ela tem um estreito elo com conhecimento, pois o modo como conhecemos e compreendemos o mundo é algo que se reporta à nossa consciência.

O processo de apropriação de conhecimentos, de um saber e de um saber-fazer, contribui para gerar, nos educandos, um sentido consciente, num elevado grau, quanto à realidade elaborada pela humanidade na sua dimensão teórica e prática. Assim,

[...] as significações dos fenômenos da realidade pode se operar no homem somente por intermédio das significações ‘elaboradas’ apreendidas a partir do externo, assim como conhecimentos, conceitos e pontos de vista que o homem obtém mediante a comunicação, dentro das distintas formas de comunicação individual e em massa. (LEONTIEV, 1983, p. 126-127, tradução nossa).

A respeito de consciência histórica, a partícipe disse se tratar do entendimento de um fato histórico de uma época. E complementa que é também ter consciência do que aconteceu nessa época. Nesse entendimento, há um distanciamento das construções teóricas sobre essa temática, pois, na perspectiva de Rüsen (2001, p. 78), a consciência histórica “[...] não é algo que os homens podem ter ou não – ela é algo universalmente humano, dada necessariamente junto com a intencionalidade da vida prática dos homens [...]”. Concordamos, em parte, com o autor porque a questão não é ter ou não ter consciência é ser ou não ser consciente, considerando a consciência como um processo psíquico.

Refletindo sobre o desenvolvimento da consciência histórica no ensino de História, cabe-nos afirmar que esse ensino poderá ajudar o aluno a superar incertezas ou lacunas ligadas ao conhecimento, ao compreender a constituição de sentido da experiência histórica e humana no tempo.

Dando sequência às questões, procuramos saber como a docente entendia o desenvolvimento da consciência histórica do aluno, no aprendizado da interpretação de textos de história. E esta foi a resposta que obtivemos:

Dulce: – Bom, aí é através da leitura, tentar ampliar o conhecimento, conhecer, descobrir o tema em estudo, por exemplo... Então, esse desenvolvimento da consciência histórica ele vai acontecer no dia a dia, no contato com a leitura da história, ficar por dentro dos fatos...

A partícipe entende que o desenvolvimento dessa consciência pelo aluno ocorre no cotidiano, no contato com a leitura da história, na ampliação do conhecimento e no saber sobre os fatos. Tal ideia vai ao encontro do que nos diz Rüsen (2010a, p. 36) quando discute a consciência histórica como uma forma de consciência humana que está relacionada com a vida24 prática (diária) do homem; dizendo respeito a uma categoria que tem relação, não somente, com o aprendizado e o ensino de História, mas que “[...] cobre todas as formas de pensamento histórico [...].”

A docente nos demonstrou, citando um exemplo, que, pela leitura, o aluno amplia o seu conhecimento e descobre o tema em estudo; e pelo contato com a leitura da história, ele passa a conhecer os fatos.

24 A expressão “vida” é designada pelo autor (2001) mais do que o processo biológico, mas também, no sentido amplo, de um processo social.

Considerando o exposto, apreendemos que esse desenvolvimento ocorre de forma processual na vida diária do indivíduo – embora a professora não tenha usado o termo processo – e que essa consciência vai sofrendo transformações.

Concluído esse diálogo inicial, procedemos a uma leitura silenciosa para que a docente fosse refletindo sobre o que havia dito.

Concluída essa modalidade de leitura, ela expressou:

Dulce: – Diante da leitura que eu fiz e da compreensão que eu tive, acho que me aproximei. Porque aqui vai dizer que a consciência, ela depende dos fenômenos da vida, da prática do dia a dia, do cotidiano [...]. A consciência e a consciência histórica vão se formar na prática da vida em sociedade.

A docente teceu esse comentário se reportando à perspectiva do materialismo histórico-dialético para o qual a consciência nasce de condições sociais e históricas concretas e ao pensamento de Rüsen (2001), devido à consciência histórica servir como elemento de orientação-chave, que flui através dos fenômenos da vida prática. Observando o que a docente expôs, na sua fala anterior – sobre o desenvolvimento da consciência acontecer no dia a dia – e vendo o que está pontuado nessa última quanto à consciência e a consciência histórica se formarem na vida em sociedade, podemos constatar que ela percebe um elo entre a sua compreensão e o que apregoam esses aportes teóricos.

Complementando a discussão, dissemos:

Da Paz: – Na perspectiva da Teoria da Atividade, a consciência é um processo que se desenvolve na interação com o todo social dinâmico, em cuja dinamicidade o ser humano se constrói como indivíduo [silêncio]. Teria algo a mais que gostaria de acrescentar?

Dulce: – Eu gostaria de destacar o que diz aqui: para termos consciência da história é preciso que ela seja indiciada em algo existente e visível sobre o passado.

Da Paz: – E o que você está entendendo por esse algo existente e visível sobre o passado?

Dulce: – Por exemplo: estudar sobre a chegada dos portugueses ao Brasil não é uma coisa visível. Assim... Porque não vimos... Mas, é uma coisa que existiu e está visível nos livros.

Os acontecimentos do passado estão visíveis em fontes. Nesse sentido, Dulce citou os livros. Aqui, percebemos um desafio que é dar significado ao passado considerando o acontecer da consciência histórica num processo de aprendizagem.

No intuito de que ela refletisse mais sobre o seu pensamento, expresso antes da leitura do texto, acerca de como entendia o desenvolvimento da consciência histórica do aluno na interpretação de textos de história, falamos-lhe:

Da Paz: – Então, o aluno pode desenvolver sua consciência histórica interpretando textos de história?!

Dulce: – É possível. Como ele vai adquirir?! É procurando entender, buscando resposta, dentro do texto, para os questionamentos. É assim, que ele vai construir a sua consciência histórica. E se não for assim, como é que vai ser?! O professor vai mediar, mas não vai fazer com que esse aluno construa essa consciência se ele não quiser, se ele não buscar, não se esforçar para isso. O professor pode mediar a construção da consciência histórica do educando, mas que é este que a constrói.

Nessa construção, a partícipe acrescentou à sua ideia anterior: a busca de respostas, dentro do texto, para os questionamentos. Algo relevante, se consideramos que é desejável que os professores levem os alunos a pensar questões desafiantes e formular questionamentos, a serem feitos a fontes diversas, no intuito de ajudá-los a atingir níveis mais elevados de pensamento.

O que Dulce expressa, acima, pode se constituir em elementos geradores de modos de realização da interpretação de textos de história com uma atenção voltada, também, para o desenvolvimento da consciência histórica crítica do educando. Entretanto, houve uma limitação na ideia da docente quanto às respostas (às questões) estarem somente dentro do texto (no momento ela se referia ao texto escrito).

Apreendemos que o questionamento ajuda a fazer com que a experiência do passado se torne relevante para o aluno compreender o presente, as permanências e estabilidades na mudança do seu mundo e de si, só que entendemos a importância de colocarmos questões, também para além do que o texto pode ter pretendido abordar.

Nossa atuação nesses diálogos, em parte com a reflexão crítica, diz-nos que, ao propiciarmos à professora refletir, além do que havia verbalizado, inicialmente, criamos condições para que ampliasse sua ideia compartilhando significados. Esse processo cognitivo envolveu ideias interconectadas na busca de contemplar os conhecimentos subjacentes dessa partícipe. Entretanto, para que pudesse haver uma negociação de sentido e sua expansão com

relação às concepções de consciência e consciência histórica da professora (numa relação com a teoria em estudo), poderíamos ter lhe dirigido perguntas em vez de dizermos o que era consciência na perspectiva da Teoria da Atividade. Como não fizemos assim, nesse momento tivemos uma reflexão técnica.

Para finalizar o nosso estudo, dirigimo-nos a Dulce dizendo:

Da Paz: – Como se aproxima a hora de finalizarmos o nosso encontro, aproveito para lhe agradecer por ter concordado com a realização desse momento de formação, nesse dia em que comemora o seu aniversário.

As reflexões, advindas da fundamentação teórica, que tivemos nos nossos encontros foram fundamentais para embasar as construções dos planos de aulas e a partícipe desenvolver as aulas no 8o ano, como veremos adiante.