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Halliday e Matthiessen (2014) afirmam, com base nos exemplos anteriores, que o complexo oracional é realizado grafologicamente como um período (na sua evolução no decorrer de séculos), ou seja, como uma unidade na linguagem escrita. O período é maior unidade de pontuação na escala de nível grafológica e tem evoluído no sistema escrito para representar o complexo oracional como o domínio mais extensivo da estrutura gramatical. Os autores usam o termo período para indicar somente essa unidade de pontuação grafológica de nível mais alto.

Assim, na análise de um texto escrito, cada período pode ser tratado como um complexo oracional, tendo o período simples (constituído de uma oração) como caso limite. Os autores afirmam ainda, tendo em vista os padrões de sequências tonais que caracterizam os complexos oracionais no inglês falado, que, com o texto falado, somos capazes de usar a gramática para definir e delimitar os complexos oracionais, mantendo-os o mais próximo possível das frases da linguagem escrita.

O Quadro 11 mostra a localização do complexo oracional e do período em relação a outras unidades e complexos de unidades no sistema linguístico como um todo.

Quadro 11– Unidades de nível através dos estratos

Semântica Léxico-

gramática

Grafologia Fonologia

texto –

parágrafo (retórico) –

sequência complexo oracional período grupos tônicos [em

sequência tônica ou

concordância] mensagem/proposição

(proposta)/figura

Oração subperíodo grupo tônico

elemento grupo/sintagma – –

palavra palavra ortográfica –

morfema – –

Fonte: (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2014, p. 436, tradução nossa).

Halliday e Matthiessen (2014) revelam que, em algumas descrições sistêmicas e tagmêmicas, o período é posto como uma unidade gramatical acima do nível da oração e que os períodos constituem-se de orações do mesmo modo que as orações constituem-se de grupos/sintagmas e os grupos, por sua vez, consistem em palavras25. Embora os grupos sejam complexos de palavras, eles não podem ser

considerados plenamente como complexos. Os grupos têm desenvolvido as suas próprias estruturas de constituintes multivariáveis em configurações funcionais como o Dêitico + Numerativo + Epíteto + Classificador + Entidade do grupo nominal em Inglês. Os seus elementos são: 1) distintos em função, 2) realizados por classes distintas, e 3) mais ou menos fixos na sequência. Uma configuração desse tipo é representada como uma estrutura multivariável. Segundo os autores, considerar o grupo simplesmente como um “complexo de palavras” não dá conta de todos esses vários aspectos de seu significado. É por essa razão que o grupo é reconhecido como um nível distinto na gramática.

Ao questionarem se o complexo oracional precisa ser interpretado como uma unidade em um nível (um “período”) análogo ao grupo, os autores acreditam que a resposta seja não, pois a natureza essencial de um complexo oracional é realçada quando tratado como um complexo estruturado de forma univariável e não como uma unidade estruturada de forma multivariável, conforme já nos referimos anteriormente. No complexo oracional, há uma tendência bem maior de qualquer

25 Aqui os autores salientam a importância de manter a distinção terminológica entre grupo e sintagma, que é

perdida se um grupo nominal é referido como um “sintagma nominal”. Embora tanto o grupo quanto o sintagma sejam ambos constituintes de nível intermediário, eles chegaram até aí a partir de diferentes propósitos: um grupo é uma palavra ampliada, enquanto o sintagma é uma oração encolhida. Nos termos de Bloomfield (1933, p. 194-195), os grupos são construções endocêntricas, ao passo que os sintagmas são construções exocêntricas.

oração ter o potencial para funcionar com qualquer valor em um complexo multicausal, ou seja, as relações entre as orações em um complexo oracional são geralmente mais como as de uma sequência de substantivos como o pessoal do escritório de passagens de trem, que poderia ser explicado como um complexo de palavras (univariável), ao contrário de essas duas locomotivas velhas, que não poderia assim ser explicado. Pode-se pressupor, portanto, que a noção de “complexo oracional” possibilita explicar integralmente a combinação gramatical das orações (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2014).

Os autores pontuam que há sintagmas que aparentemente precisariam ser interpretados como uma estrutura de período multivariável, envolvendo Adjuntos modais ou textuais ou elementos Vocativos como Tema:

||| Porém <<após o resultado de muitos estudos serem publicados, >> houve uma mudança na teoria totalmente inaceitável. |||

||| Curiosamente, <<<assim que eu deixei a minha pequena cidade || e explorei o mundo através do exército >>> eu percebi || que realmente gosto de aprender, || e eu era bom nisso, |||

||| Larry, Larry, Larry, << quando você está diante do público >> você não faz nada. |||

Para os autores, porém, todos esses exemplos podem ser analisados como combinações de orações hipotáticas, nas quais a oração dependente (indicada pelos parênteses angulares duplos e triplos nos exemplos) está inserida no interior da oração principal após o Tema interpessoal e/ou textual e antes do Tema tópico (destacados em negrito): oração principal << oração dependente >> – mais especificamente, oração principal [Tema interpessoal + textual] << oração dependente>> oração principal [Tema tópico ^ Rema]26. A motivação por detrás de tais sequências que incluem orações dependentes é, portanto, textual: a oração principal é fortemente contextualizada, primeiramente pelo seu próprio Tema interpessoal e/ou textual, e, depois, no domínio do complexo oracional, pela oração dependente que a qualifica, e, finalmente, pelo seu próprio Tema tópico27.

26 Os elementos das três metafunções da linguagem (experiencial, interpessoal e textual) podem estar em

posição temática. O tema tópico é aquele que realiza uma função da estrutura da transitividade da oração (FUZER; CABRAL, 2014).

27 Conforme acentuam Halliday e Matthiessen (2014), tais orações inseridas, ou combinações de orações,

portanto, “interrompem” a estrutura da oração principal da qual são dependentes; e elas podem, de fato, até mesmo interromper elementos dentro dela, se tais interrupções forem textualmente motivadas. Por exemplo,

Finalizada, portanto, a abordagem acerca do complexo oracional em relação com a formação de grupos e o período, passamos agora a discorrer sobre os tipos de relações entre as orações que compõem o complexo oracional.

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