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Mod´ elisation hydraulique coupl´ ee avec un mod` ele hydrologique

1.3 Propagation des crues et apports lat´ eraux : approches existantes et marges de progr` es

1.3.3 Mod´ elisation hydraulique coupl´ ee avec un mod` ele hydrologique

Se concluirmos que a matéria é eterna, infinita e ilimitada, devemos buscar a sua fundamentação na categoria de movimento. O movimento apresenta-se como forma da existência da própria matéria. Não podemos pensar a matéria sem a categoria de movimento, fato que se realiza dentro das categorias de espaço e tempo. O movimento é atributo da própria matéria.

O movimento é fato concreto e real que experimentamos todos os dias quando observamos a matéria no mundo que nos rodeia. Podemos falar de mudanças qualitativas da matéria porque toda matéria possui o movimento como princípio de existência em si mesma.

Engels (1955) escreve sobre o movimento da seguinte forma:

El movimiento, en el sentido más amplio de la palabra, concebido como modo de existencia de la materia, como atributo inherente a ella, comprende todos los cambios y procesos que se operan en el universo, desde el simple cambio de lugar hasta el pensamiento. (ENGELS, F., 1955, p.44).

O movimento expressa uma relação dialética com a matéria, inseparável dela mesma. Como ele se constitui na forma eterna da existência da matéria, indicamos que esse movimento não se reduz a um simples deslocamento mecanicista, de uma mudança de lugar para outro lugar, mas, o movimento indica essa mudança interior e exterior da própria matéria como categoria inerente a própria matéria na sua transformação. O movimento se caracteriza em dar vida à própria matéria. E dar vida significa que a

matéria está em constante devir, transformação. O movimento em si explica a transformação da própria matéria para si. Isto equivale a afirmar que o movimento em si da matéria se traduz num sentido de modificação. A modificação que acontece na matéria é resultado do movimento que lhe é inerente. Constatamos no cotidiano esta modificação constante da própria matéria. O ser humano está determinado pelo movimento em constante modificação, interna e externa, inter ou intrapsicologicamente.

Só podemos falar da modificação ou transformação da matéria quando ela é compreendida como objetiva e concreta, isto dá um significado muito grande para afirmar que a matéria tem uma modificação qualitativa e não só quantitativa. Como a matéria está em uma mudança perpétua, podemos afirmar que ela só tende a modificar- se qualitativamente. Se a matéria fosse inerte ou subjetiva, dependendo apenas da nossa consciência, só restaria dizer que ela seria uma expressão quantitativa. Estaríamos afirmando que a matéria seria perene, imutável e como tal sofreria mudanças qualitativas.

Mas, falamos até aqui do movimento como universal e como forma de modificação da matéria. Porém é necessária uma diferenciação sobre a questão do repouso e o equilíbrio que verificamos na matéria.

Konstantinov (1959) expressa o seguinte sobre estas questões:

La materia solamente no puede existir como materia en movimiento, lo cual no excluye que puedan darse estados de reposo y equilibrio en la incesante corriente universal de cambios materiales. Sin embargo, el reposo y el equilibrio son relativos; solamente se dan, primero, con relación a determinados objetos singulares, no con respecto a la materia en general, y, segundo, con referencia a una forma particular del movimiento, no con respecto a todas las formas propias de un objeto dado. […] El hecho de que los objetos materiales puedan hallarse en relativo reposo y equilibrio influye considerablemente en el desarrollo de la naturaleza. (KONSTANTINOV, 1959, p.128-129).

O que significa tudo isto? Experimentamos na mesma realidade cotidiana exemplos do repouso relativo e equilíbrio que possui a matéria como forma de seu próprio desenvolvimento. Repouso e equilíbrio da matéria não significam que ela seja um ente sem movimento, inerte, sem transformação e modificação. Quando os materialistas dialéticos escrevem sobre estes estados da matéria, estão indicando que a matéria continua tendo movimento, porque a matéria só existe num estado de total movimento.

Os estados de repouso e equilíbrio da matéria indicam as qualidades inerentes a cada tipo de matéria, indica à estabilidade dos processos, a conservação do movimento inerente aos corpos, a relativa permanência das formas de movimento existentes em determinadas condições vitais do ser humano, ou da matéria.

O estado de repouso e equilíbrio é atemporal? Repouso e equilíbrio não só são relativos, senão temporais. Isto significa que a matéria sofre modificações qualitativas ao longo da sua existência temporal. Repouso e equilíbrio são formas dialéticas de modificação e transformação da própria matéria, que acontece em distintas condições. Esta compreensão da matéria com movimento, repouso e equilíbrio será fundamental para compreender nos estudos de Vigotsky conceitos como zona de desenvolvimento proximal e as funções psíquicas superiores.

O caráter eterno e imutável do movimento junto com o processo relativo de repouso e equilíbrio da matéria indica a natureza contraditória interna da própria matéria. É este caráter contraditório que faz com que haja modificação e transformação da matéria no seu sentido mais qualitativo.

Se escrevermos sobre o movimento como forma da existência do material, temos que analisar o conceito de tempo e espaço. Ambas as categorias são fundamentais para situar e compreender a modificação e transformação da matéria em processos qualitativos.

Konstantinov (1959) afirma o seguinte sobre essas categorias:

En conclusión: el espacio es una forma objetiva y real de la existencia de la materia en movimiento. Su concepto expresa la coexistencia de las cosas, su alejamiento mutuo, su extensión y, por último, el orden en que se hallan situadas unas con respecto a otras. […] Así pues, el tiempo es una forma objetiva y real de la existencia de la materia en movimiento. En ella se expresa el desenvolvimiento sucesivo de los procesos materiales, el estado de separación entre sus diferentes partes y, finalmente, la duración y desarrollo de esos procesos. (KONSTANTINOV, 1959, p.136-137).

Isto significa que o espaço é uma categoria real e concreta onde a matéria em si entra em processos de grandes transformações porque o movimento lhe é inerente. O tempo, por sua vez, indica a existência da matéria em movimento.

É importante destacar estes conceitos de espaço e tempo porque configurarão a Teoria Histórico-Cultural de Vigotsky. Só podemos entender a teoria deste autor,

compreendendo que espaço e tempo são categorias reais e concretas onde acontece o desenvolvimento humano por meio das atividades mediadoras.

Agora, passaremos à análise das leis que regem o materialismo histórico- dialético.