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Comparaison entre les mod` eles coupl´ es simplifi´ es et le mod` ele de r´ ef´ erence

7.2 Simplifications de la composante pluie-d´ ebit du mod` ele coupl´ e

7.2.2 Comparaison entre les mod` eles coupl´ es simplifi´ es et le mod` ele de r´ ef´ erence

Vygotski (1993) criticava teoricamente as posturas psicológicas que se fundamentavam em análises descritivas, as quais se colocavam contrárias às análises explicativas. As pesquisas, analisadas pelo autor, que fundamentavam suas análises em apenas descrever o problema não chegavam à raiz da questão. Assim, descreviam a manifestação externa do objeto, ou seja, as particularidades da relação sujeito-objeto da

perspectiva de reação-estímulo. Analisavam o fenômeno externamente, embora os resultados fossem apresentados como se tivessem atingido a raiz do próprio fenômeno.

Esta análise descritiva tinha muita fundamentação fenomenológica e na Psicologia, na época de Vigotsky, analisar as funções psíquicas superiores do ser humano neste método, levava a perder a solução do problema na sua própria origem.

Para Vygotski (1996) a descrição do objeto por si só não é suficiente, é necessário ir além estabelecendo as relações que constituem a base de determinado fenômeno.

Vygotski (1996) faz a seguinte observação sobre a análise descritiva:

Hemos visto que en la vieja psicología el concepto de análisis coincidía de hecho con el concepto de descripción y era contrario a la tarea de explicar los fenómenos. Sin embargo, la verdadera misión del análisis en cualquier ciencia es justamente la de revelar o poner de manifiesto las relaciones y nexos dinámico-causales que constituyen la base de todo fenómeno que se estudia y no sólo su descripción desde el punto de vista fenoménico (VYGOTSKI, 1996, p. 101).

Para Vygotski (1996) a análise descritiva não tinha em conta o dinamismo- causal do processo da análise do próprio objeto. E neste sentido, essa análise descritiva só apresentava como resultado verdadeiro aquilo que foi analisado superficialmente.

Apenas descrever o objeto não nos permite indagar sobre o verdadeiro problema que está subjacente a ele. Por exemplo, dizer que o problema de aprendizagem é só um problema que encontramos na criança é apresentar o resultado parcial de uma análise sobre um problema tão grave. Daí que a descrição do fato não garante ter chegado ao ápice do problema referido. No primeiro momento a descrição é positiva, mas, concluir a análise pela descrição resulta ser bastante parcialista.

Por isso Vygotski (1996) se posiciona a favor da análise explicativa. Conforme o autor: "explicar significa estabelecer uma conexão entre vários fatos ou vários grupos de fatos, explicar é referir uma série de fenômenos a outra..." (VYGOTSKI 1996, p. 216). Essa é a questão principal da análise explicativa, chegar a estabelecer conexões entre todos os fatos que compõem o objeto estudado, explicar a relação dialética que acontece entre o objeto estudado e a realidade que o compõe histórica e culturalmente.

Esta análise nos mostra que não podemos separar o objeto em si das formas históricas da formação do desenvolvimento.

Quando aborda a questão das análises descritivas e explicativas, ele inclui nesse tratamento analítico as análises fenotípicas e genotípicas.

Para Vygotski (1996) estes tipos de enfoques careciam de toda possibilidade de explicação dos fenômenos; só podiam realizar uma descrição do mesmo.

Wertsch (1988) sintetiza desta maneira estas duas análises observadas e criticadas por Vygotski (1993), desta forma:

“Siguiendo a Lewin, podemos utilizar [la]18 distinción entre las

perspectivas fenotípicas [descriptivas] y genotípicas [explicativas] en psicología. Por un estudio evolutivo de un problema determinado entiendo el descubrimiento de su génesis, de sus bases dinámicas causales. Por fenotípico entiendo el análisis que empieza por las características y manifestaciones actuales del objeto. Es posible brindar multitud de ejemplos dentro de la psicología donde se han cometido errores graves como resultado de haber confundido estos puntos de vista” ( WERTSCH, J., 1988, p.35).

Se não fosse pela análise genética, não teríamos a maneira de como diferenciar essas suas correntes biológicas. Elas limitavam muito a descrição como a explicação dos fenômenos. A descrição pelas características fenotípicas resultou ser muito mecanicista e classificatória. O resultado da análise só mostrava o que era exterior ao objeto. Ou seja, esta não analisava o objeto até a sua gênese. Da mesma forma, a análise genotípica só informava sobre questão interna do objeto, ou seja, a análise dava um resultado netamente biologicista.

O trabalho de pesquisa de Vygotski (1993) mostra esta grande confusão que acontecia na relação entre os aspectos fenotípicos e os genotípicos da análise. Ele apresenta um exemplo sobre a confusão analítica das duas teorias:

La ballena, por ejemplo, vista externamente se parece más a los peces que a los mamíferos, no obstante por su naturaleza biológica tiene mayor afinidad con una vaca o con un reno que con un sollo o un tiburón. (Vygotski, 1996, p. 103).

As duas formas de análise estão pautadas na observação e na simples experiência do cotidiano. E isto não é fazer ciência. Por isso, Marx (s/d., A ideologia

Alemã) alertava: “Si la forma de manifestarse y las esencias de las cosas coincidieran directamente, sobraría toda ciencia (MARX, apud, VYGOTSKI, 1996, p.103).

Fica claro que os dados internos geralmente são diferentes aos dados externos e vice-versa. Frente a esta semelhança mecanicista e empírica, ele propõe a análise microgenética, único método que consegue “descubrir tras la semejanza exterior las diferencias internas” (VYGOTSKI, 1996, p.104).

Pelo método microgenético, o pesquisador consegue ir além do que fenotípica e genotipicamente aparece no dado como resultado da análise. O dado analisado está carregado por condições históricas e sociais e não dá para desnaturalizar os fenômenos a partir de um olhar que não enfoca a historicidade e a complexidade das relações que o constituíram. Vygotski (1996) afirma categoricamente o seguinte:

[...] constitui um grave erro pensar que a ciência só pode estudar o que nos mostra a experiência direta... Os estudos baseados na análise de vestígios de influências, em métodos de interpretação e reconstrução, na crítica e na indagação do significado foram tão úteis quanto os baseados no método da observação "empírica" direta (VYGOTSKI, 1996, p. 277).

Então, a relação entre a descrição da aparência e a explicação da essência fica notoriamente a descoberta.

Luria (1992), que trabalhou com Vigotski e também combate a idéia de uma psicologia meramente descritiva, fenomenológica, relaciona intimamente a observação com a descrição detalhada e sistemática com a dedução e a explicação:

As observações simples têm suas limitações. Podem levar a uma descrição de eventos imediatamente aparentes que seduza os observadores a realizarem pseudo-explicações baseadas em seu próprio entendimento fenomenológico. Este tipo de erro coloca em perigo o papel essencial da análise cientifica. Mas só é perigoso quando a descrição fenomenológica é superficial e incompleta. A observação verdadeiramente cientifica evita estes perigos. A observação cientifica não é pura descrição de fatos separados. Sua meta principal é visualizar um evento a partir do maior numero possível de perspectivas. O olho da ciência não sonda uma "coisa", um evento isolado de outras coisas ou eventos. Seu verdadeiro objeto e ver e entender a maneira pela qual a coisa ou objeto se relaciona a outras coisas e objetos (LURIA, 1992, p. 182).

O pesquisador não deve isolar os fatos internos e externos. Deve buscar a relação dialética entre as categorias internas e externas do objeto. Por isso a análise microgenética trabalha dialeticamente com os dados internos e externos, porque é o verdadeiro caminho para descobrir a verdade que está detrás da aparência do objeto. Ou seja, devemos ter cuidado com o problema, porque muitas vezes os processos que aparentemente são idênticos podem ter origens diferentes, e aqueles objetos que apresentam processos aparentemente diferentes, desiguais, podem ter a mesma origem. Nesta forma de erro, já apresentamos o exemplo de Vygotski (1996) sobre a baleia. Mas, no caso do ensino e da aprendizagem escolar devemos ter muito cuidado contra certas interpretações reducionistas centradas, exclusivamente, nos aspectos diretamente observáveis e mensuráveis da própria atividade do aluno, na medida em que duas ou mais atividades ou processos mentais aparentemente iguais podem ter origens diferentes e, dois ou mais processos aparentemente diferentes podem ter origens iguais ou semelhantes.

Importante ter em conta esta análise porque responderia a nossa questão de pesquisa. No cotidiano escolar é comum e frequente estas formas de análise que fazem sobre certos alunos e; há erros nos diagnósticos e o aluno é encaminhado para tratamentos psicológicos, porque na realidade, o problema não foi analisado na própria raiz.

3.2.3 Análise dos comportamentos aparentemente “fossilizados” por meio da