Chapitre 2: Synthèse bibliographique
III. Cinétiques de dissolution de l’oxyde de nickel
III.2 Modélisation des phénomènes de complexation de surface
Como observado, a partir da Independência do Brasil, a colonização passou a compor a pauta da Política Imperial. Ainda na década de 1820, o Governo Imperial passou a incentivar a implantação de núcleos de colonos europeus, preferencialmente nas províncias ao Sul. Alguns autores argumentam que a escolha pelos povos germânicos esteve ligada ao fato da Imperatriz, Dona Leopoldina, ser austríaca, o que facilitava as negociações com os governos desses países. No entanto, a imigração alemã, se considerado os números de entradas por país de origem, foi inferior a de italianos, espanhóis, portugueses e japoneses (Tabela 1). ―No total, chegaram ao Brasil, pouco mais de 235 mil imigrantes alemães, muitos assentados como colonos através de projetos patrocinados pelo Estado ou por companhias particulares‖ (SEYFERTH, 1994).
As motivações dos alemães emigrarem, muitas delas, estavam presentes nas condições de vida encontradas no país de origem, a Alemanha: o predomínio da pobreza, principalmente no ambiente rural; perseguições religiosas; sistema agrícola arcaico e marcado pelo sistema feudal; alto índice de natalidade entre os camponeses; falta de emprego; crises decorrentes das más colheitas, entre outras.
Olhando o conjunto da situação alemã no século XIX, pelo menos até 1871, temos vários pequenos Estados conturbados por uma série contínua de revoluções e guerras, com uma estrutura econômica mais ou menos instável. Nesse contexto os camponeses formam a maior parte dos grupos de emigrantes, juntamente com contingentes do Lumpenproletariat e liberais fugidos das revoluções de 1830 e 1848. Segundo estimativas não muito precisas, cerca de
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cinco milhões de alemães deixaram sua terra de origem durante o século XIX forçados pela precariedade político-econômica (SEYFERTH, 1974:27).
Coadunando crise política e econômica na Alemanha, com a intensa propaganda feita pelas Companhias de Colonização, os colonos alemães vislumbraram a possibilidade de recomeçar uma nova vida nas Américas. A possibilidade de se iniciar uma nova vida, em um país recém-independente, como o Brasil, foi o principal atrativo para a chegada dos alemães ao Brasil, que por sua vez, não possuíam, em sua maioria, o propósito de retornar a pátria mãe (SEYFERTH, 1994).
Portanto, a imigração alemã, desde o início, esteve vinculada ao processo de colonização, baseado na pequena propriedade e implantado por iniciativa do Estado, desde 1818.
Os imigrantes dessa origem foram dirigidos, preferencialmente, para colônias agrícolas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná e, num certo período, também para o Espírito Santo, na década de 1870. Houve assentamentos de alemães em outros estados – Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia –, mas em geral, foram experiências efêmeras, não se constituindo como fluxo imigratório (SEYFERTH, 1994:11).
A primeira Província a fundar uma colônia alemã foi a da Bahia, em 1818, sem muito sucesso e rapidamente abandonada. O fracasso do referido empreendimento teria se dado pelo fato da Região Norte ser imprópria para a colonização de europeus, muito devido ao clima. Essa foi uma das razões utilizada para justificar a opção pela Região Sul para se desenvolver tal empreendimento. Outra questão recaía para a imagem escravista e as experiências mal sucedidas com a utilização de colonos nos latifúndios de São Paulo, além das pequenas propriedades não interessarem aos grandes fazendeiros de São Paulo ou do Nordeste, que vislumbravam a expansão territorial. Como já exposto, a preocupação em se povoar a Região Sul era proeminente para o Governo Imperial e, possivelmente, seja o fator determinante para a escolha.
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Conforme Renzo Grosselli (2007:140), as primeiras experiências imperiais de colonização com imigrantes germânicos, que obtiveram algum sucesso, foram: Nova Friburgo, em 1818, na Província do Rio de Janeiro; São Leopoldo, em 1824, Três Forquilhas, em 1818, e Torres, em 1826, as três últimas no Rio Grande do Sul; São Pedro de Alcântara, em 1828, na Província de Santa Catarina; Rio Negro, em 1828, no Paraná; e Santo Amaro, em 1829, na Província de São Paulo. Cabe ressaltar, que o mesmo autor denota a importância das colônias alemãs na Região Sul e, posteriormente, no Espírito Santo, como exemplos mais fundamentados de ocupação e formação de núcleos populacionais e culturais da descendência germânica no Brasil.
Assim sendo, o marco das colônias alemãs no Brasil, seria a fundação da Colônia de São Leopoldo, em 25 de julho de 1824, no Rio Grande do Sul.7 Na década de 1820, outras colônias se estabeleceram em Santa Catarina e no Paraná, no entanto, a Revolução Farropilha cessou o processo de formação de novos núcleos, sendo o mesmo reiniciado na década de 1840, no Rio Grande do Sul e, na década de 1950, em Santa Catarina, foi fundada a colônia de Blumenau.8
A característica mais peculiar dessa imigração é ter-se concentrado em poucas regiões, em alguns casos formando colônias etnicamente homogêneas, que depois seriam vistas com suspeita
7 O primeiro grupo de colonos alemães que aportou na Região Sul, em 1824, recrutados pelo Major
Jorge Antonio Schaffer e encaminhados para o atual município de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Os colonos tiveram que construir suas próprias casas, receberam sementes para a plantação e gado para o sustento. De início, São Leopoldo não se desenvolveu. Porém, com a chegada de novos imigrantes, a colônia cresceu. Disponível em: www.projetoimigrantes.com.br.
8 Colônias antigas como Novo Hamburgo, estabelecida pouco tempo depois de São Leopoldo,
serviram de apoio para a criação de colônias mais novas, como Estrela (1853), Lajeado (1853) e Teutônia (1868). Outras colônias, só foram criadas tempos depois, como Ijuí (1890), Sobradinho (1901) e Erechim (1908). Essas últimas colônias já não eram exclusivamente alemãs, pois agregavam imigrantes de outras nacionalidades. Entre 1818 e 1849, a média de entrada de alemães por década era de 6.983 e, entre 1850 e 1909, o número era de 15 mil alemães por década. Disponível em: www.projetoimigrantes.com.br.
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pelos brasileiros. Por outro lado, os próprios alemães não constituíam um quadro homogêneo, ao contrário, a clivagem religiosa entre evangélico-luteranos e católicos sempre existiu e algumas identidades religiosas regionais podem ser percebidas como significativas do processo de colonização (SEYFERTH, 1994:13).
Assim, ao contrário da visão corrente no Brasil, predominante até hoje, os germânicos tinham procedência de diversos locais da Alemanha que durante a maior parte do período em que ocorreram as imigrações, se tratava de uma nação fragmentada que viria a se unificar apenas em 1871. Colonos provenientes da Áustria e da Polônia também se incluem entre os povos germânicos que emigraram para o Brasil. Destarte, o colono traz em sua bagagem toda a carga cultural adquirida em sua terra de origem, e pretende transpor para a colônia, além de sua família e trabalho, também sua cultura. Portanto, as características regionais como hábitos, costumes, religião e língua, seguiram para as recém-criadas colônias, juntamente com seus colonos: prussianos, pomeranos, austríacos, suíços, renanos, bávaros, entre outros.
Possivelmente, a falta de identidade e o desapego com a terra, tenham sido aspectos determinantes para os deslocamentos internos dos colonos, que preferiam estabelecer suas famílias próximas de outras que mantinham traços culturais idênticos. Giralda Seyferth (1974), ao tratar da situação do colono alemão na Região Sul do Brasil, ressalta que, durante o século XIX, as colônias de imigrantes germânicos se localizaram em áreas de florestas, longe das grandes propriedades luso-brasileiras dedicadas a criação extensiva de gado. Para a autora:
Estes imigrantes, portanto, ficaram separados dos luso-brasileiros e suas atividades não afetaram em nada as áreas latifundiárias. As regiões colonizadas por alemães se caracterizaram principalmente pelo regime de pequenas propriedades policultoras e pelo fato de permanecerem relativamente isoladas, gozando de uma certa autonomia e realizando um comércio em pequena escala, não especializado, dominado por alguns comerciantes proprietários de pequenas lojas nos principais centros coloniais (SEYFERTH, 1974:29).
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O contexto apresentado para as colônias alemãs do Sul do país, em muito contribui para a análise da Colônia alemã de Santa Isabel, estabelecida no Espírito Santo, objeto principal da presente Dissertação. Seguindo o mesmo sistema, na maior parte do território capixaba, prevaleceu o sistema de colonização de terras devolutas, em núcleos ―fechados‖, com a constituição de pequenas propriedades familiares. Conflitos, crises e revoltas ocorreram, muitas vezes motivados pela fixação em uma mesma colônia de diversas identidades germânicas, limite que o colono não estava disposto a superar com a vinda para o Brasil.