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O Radar-R é uma avaliação diagnóstica de resiliência potencial cujo objetivo é mapear as coordenadas do território conceptual da Marinha, com vista à captação da resiliência potencial convertidos em ecos de proto-resiliência.

4.3.1 Princípios orientadores ao desenvolvimento do protótipo

Partindo do princípio segundo o qual a escolha de uma ação determina um resultado, a coerência das escolhas assumidas, ao longo das várias fases de desenvolvimento do protótipo, foram pautadas por um modelo de coerência traduzido pelas provas de adequabilidade, de exequibilidade e de aceitabilidade preconizadas por Ribeiro (1998) no âmbito de uma teoria geral de estratégia.

Este autor, que elaborou o processo estratégico da Marinha Portuguesa, sugere que um processo bem- sucedido depende da escolha adequada de modalidades de ação, de modo a garantir a execução, o acompanhamento e, eventualmente, a revisão de um processo estratégico.

No âmbito do presente trabalho de investigação, estes conceitos foram aplicados, na sua expressão mais básica, ao processo de decisão de conceptualização e de desenvolvimento da elaboração do protótipo. Estas provas são as seguintes:

A prova da adequabilidade de uma modalidade de ação refere a lógica em que se baseia o

desenvolvimento do protótipo e a forma como cria uma vantagem face a outras metodologias, num ambiente em que a imprevisibilidade requer ferramentas simples e flexíveis.

Prova de adequação: a lógica que norteou o desenvolvimento do Radar-R está relacionada com o

momento excecional e irrepetível da ocorrência de um choque de natureza orçamental em Portugal.  A exequibilidade está associada à modalidade de ação relacionada com a disponibilidade

dos recursos e das capacidades necessárias à concretização operacional do protótipo, assim como à identificação das lacunas que necessitam ser colmatadas, de forma a garantir o sucesso da sua execução.

Exequibilidade: no processo de desenvolvimento do Radar-R, a exequibilidade do instrumento foi

garantida, através do reconhecimento dos recursos e das capacidades necessárias, e do contexto recetivo do local onde a investigação estava a decorrer.

A aceitabilidade assenta em três requisitos determinantes: a consistência entre os objetivos

da investigação e os critérios científicos de um trabalho articulado e robusto; a atratividade dos resultados traduzidos em benefícios científicos e organizacionais; e o tipo e a relevância dos riscos decorrentes de um trabalho de investigação ocorrido em tempo real. De acordo com este autor, uma modalidade de ação aceitável implica a capacidade de adquirir, manter e explorar uma ação, de acordo com o princípio da liberdade, em função de um período de tempo adequado, minimizando as vulnerabilidades e interferências dos contrários garantidos critérios de segurança, explorar as condições do meio para viabilizar os objetivos prioritários fixados, garantir um cronograma que permita assegurar e gerir o tempo disponível.

Aceitabilidade: (1) a consistência do desenvolvimento do Radar-R está salvaguardada na ligação

entre os objetivos do trabalho e o esforço em manter critérios científicos, nomeadamente ao nível da criação de novo conhecimento; (2) a atratividade da criação de um instrumento inovador com benefícios científicos e organizacionais orientados para resultados¸ que se traduzem em benefícios científicos e organizacionais; (3) considerou-se a relevância dos riscos aceitáveis tendo em conta a coerência e a utilidade dos instrumentos como promotores de resiliência.

4.3.2 Breve introdução à técnica da prototipagem rápida

A prototipagem rápida é uma técnica que tem por objetivo a criação de um protótipo que permita construir rapidamente, com elevado nível de detalhe e rigor, um modelo que facilite a simulação de um determinado produto numa escala real (Macedo, 2011). O termo protótipo é uma palavra derivada do grego (protótipos, -ou), composta por “protos “que significa “primeiro” e “typos“ que significa “tipo”, isto é, um protótipo é um modelo construído para simular a aparência e a funcionalidade de um produto em desenvolvimento, através de testes aplicados a utilizadores (falta fonte da

etimologia). No âmbito da prototipagem rápida existem inúmeros estudos que têm demonstrado a utilização desta técnica nos mais alargados campos da tecnologia, da indústria, da engenharia, da arquitetura e da saúde, no sentido de transformarem rapidamente ideias criativas em produtos finais portadores de novos paradigmas (Queijo & Rocha 2008).

No âmbito da prototipagem rápida, a prototipagem em papel é a técnica mais simples que permite o desenvolvimento de protótipos enquanto representação tangível de uma ideia que, por sua vez, permite refletir os requisitos e as decisões necessárias a ter em conta para um melhor desenvolvimento de produtos. Muito utilizada como ferramenta de desenvolvimento de projetos de modelos, a prototipagem em papel permite um conjunto de benefícios referidos por vários autores (Preece, Rogers & Sharp, 2002; Nielsen, 2003, Gomes, n.d).

 Exige recursos materiais e financeiros mínimos, material de escritório (folha, marcadores coloridos, etc.);

 As ideias podem ser testadas sem grandes riscos;

 A utilização de um protótipo na fase inicial de um projeto permite depurar as funcionalidades do modelo de modo a visualizar como será o produto final;

 Nos primeiros estágios do processo de desenvolvimento, permite identificar e, antecipadamente, corrigir os erros e as modificações inerentes a um processo em construção;  Oferece rapidez de execução;

 Avalia um modelo através de testes com utilizadores;  Explora facilmente diferentes ideias;

 Permite testar os limites do modelo.

O material utilizado consistiu em folhas brancas A3 e A4, marcadores coloridos e cubo de post-it. Tal como é referido na literatura (Nielsen, 2012), a técnica não requer qualquer habilidade específica; todavia, o modelo, inicialmente feito à mão, foi aprimorado através do programa Corel DRAW X579.

Refira-se que, apesar da prototipagem em papel ser considerada uma técnica de execução rápida, a conceção e o design do modelo teve uma duração de cerca de cinco meses até à configuração final.

4.3.3 Modelo metodológico para o desenvolvimento do protótipo Radar-R

Para o desenvolvimento do protótipo, foi elaborado um modelo totalmente inovador, que respondia aos critérios mais adaptados às condições do ambiente. Com base noutros modelos estudados, identificou-se que processos muito rígidos e muito exaustivos provocariam muito atrito no contexto de turbulência em que decorria a investigação.

Apresentamos a seguir as quatro etapas do processo de desenvolvimento do protótipo (Fig. 4.1).

Fonte: elaborado pela investigadora, 2011

Figura 4.1 - Etapas do processo de elaboração do protótipo

O modelo conceptual elaborado é composto por um conjunto de quatro fases:

a) 1ª Fase: identificar uma necessidade

O protótipo foi desenvolvido com o objetivo de identificar ecos de proto-resiliência no sistema.

b) 2ª Fase: projetar e construir o protótipo

O protótipo foi projetado e construído a partir de uma conceção teórica de um radar tradicional e do cruzamento com a Avaliação de Resiliência Organizacional (CRP) e os paradigmas de transformação de Ribeiro (1998) vertidos na Estratégia Naval da Marinha

Portuguesa. CICLO DE DESENVOLVIMENTO DO PROTÓTIPO: RADAR-R Identificar a Necessidade Projetar/ Construir Aplicar a utilizadores reais Avaliar benefícios

c) 3ª Fase: aplicar a utilizadores reais

O protótipo foi aplicado/testado nos setores funcionais e operacionais da Marinha.

d) 4ª Fase: avaliar benéficos

O protótipo foi submetido a um pequeno inquérito de modo a identificar os seus benefícios juntos dos utilizadores reais.

4.4 Desenvolvimento do protótipo – o Radar-R