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Arithmétique d’intervalles et supercouverture

Conceptualmente, o diagrama do Radar-R (Fig. 4.2) foi concebido a partir de algumas dimensões de resiliência da avaliação de resiliência organizacional, desenvolvida pelo CRP (Robert, et al, 2009) e pelo conceito de paradigmas de transformação desenvolvido por Ribeiro (1998), vertidos na imagem simplificada de um Radio Detetion and Ranging (RADAR), um dispositivo concebido para localizar a posição, a orientação e a intensidade de objetos a longa distância através de ondas eletromagnéticas emitidas por objetos (Darricau & Blanchard, 2003).

O Radar-R é constituído por um diagrama (Fig. 4.2) cuja configuração é um radar e uma grelha de perguntas/respostas, que funciona como uma antena de captação de ecos de proto-resiliência.

4.4.2 Estrutura do Radar-R

O Radar-R é um diagrama que representa um radar convencional, composto por dois eixos perpendiculares que se intercetam em três círculos, concêntricos na origem do referencial (Fig. 4.1). Os dois eixos representam os quatro alicerces funcionais de uma estrutura organizacional resiliente. Estes alicerces correspondem a quatro fatores de proteção, designados por dimensões de resiliência, que têm como função garantir a segurança funcional e a sustentabilidade de uma organização.

Planeamento Resiliente

Fonte: elaborada pela investigadora como o apoio gráfico do EMA Figura 4.2 – Diagrama do Radar da Resiliência (Radar-R)

As quatro dimensões que passamos a descrever são as seguintes: (a) o conhecimento situacional (awareness); (b) o reconhecimento de falhas80; (c) a antecipação de consequências, (d) o planeamento

resiliente.

a) O conhecimento situacional é considerado uma dimensão da resiliência. Esta dimensão permite garantir a informação indispensável para gerir a dimensão de interface, do ambiente interno e externo, da organização onde as decisões são tomadas no sentido de produzir mudança. A nível interno, o conhecimento da situação pode ser produzido através de mecanismos de monitorização, de estudos, de avaliações e de outros instrumentos que permitam aos decisores terem conhecimento do estado da organização, em termos gerais, e do estado do produto operacional, em termos particulares. A nível externo, o conhecimento

80 Atualmente, pontos críticos ou, em alguns casos, pontos a melhorar, dependendo da sensibilidade do sistema. Antecipação de consequências Reconhecimento de falhas Conhecimento Situacional Planeamento resiliente

pode ser produzido por sistemas de informação que vão dotar a organização da informação necessária para se adaptar às mudanças impulsionadas pelo ambiente externo.

b) O reconhecimento de falhas é a segunda dimensão da resiliência. Esta dimensão permite identificar a capacidade de uma organização enfrentar, de forma construtiva e realista, as vulnerabilidades causadas pelas circunstâncias adversas que podem recair sobre o produto operacional, gerando consequências sobre os destinatários. Partindo do princípio que podemos somente atuar sobre o que se reconhece, esta dimensão desempenha um papel fundamental na possibilidade de criar novas respostas adaptativas alinhadas com a realidade interna e externa. Além disso, é a partir do reconhecimento das falhas que a organização pode definir os estados de funcionamento, a partir de um estado de referência: o estado normal, estado degradado ou estado de falha. Refere-se ainda que o reconhecimento da falha é uma forma de lidar com os pontos cegos que impedem à organização de promover soluções inovadoras.

c) A antecipação de consequências é a terceira dimensão da resiliência. Decorrente da qualidade e objetividade do reconhecimento anterior, a antecipação remete para a proatividade da organização na prevenção das consequências de modo a atenuar, reduzir/ mitigar ou, ainda, anular os riscos provocados pelo impacto de um choque. Por conseguinte, refere um conjunto de medidas de proteção que possam prevenir mudanças mais drásticas no ambiente interno e externo, que poderiam provocar maiores perturbações na organização. A antecipação remete implicitamente para a noção de tempo, nomeadamente a necessidade de estabelecer prazos e margens de atuação para a organização responder às solicitações da sua missão.

d) O planeamento resiliente é a quarta dimensão da resiliência. Esta dimensão é um processo desenvolvido no tempo (médio ou longo prazo) que integra um conjunto de orientações estratégicas, de objetivos, de programas de ação, mas também de inovação e de criatividade, que permitem garantir novas soluções de modo a assegurar a segurança funcional e a sustentabilidade da organização no seu processo evolutivo. Embora se reconheça que, em qualquer etapa da organização, a visão estratégica da liderança seja um elemento fundamental, numa época de incerteza e de imprevisibilidade a visão estratégica ganha contornos singulares na missão de conduzir a organização para processos de mudança e de adaptação às novas realidades.

Os círculos do diagrama do Radar-R foram associados a um conjunto de informação sobreposta que passamos a descrever.

Cada círculo corresponde a um elemento sistémico:  Fluxo de entradas (círculo pequeno);  Sistema (círculo médio);

 Fluxo de saída (círculo grande).

Cada círculo corresponde simultaneamente a três dos quatro paradigmas de transformação preconizados por Ribeiro (2008) e que apoiam o processo evolutivo da adaptação das capacidades da Marinha, e que foram distribuídos em níveis paradigmáticos:

 O fluxo de entrada está associado ao nível genético;  O processo do sistema está associado ao nível estrutural;  O fluxo de saída está associado ao nível operacional.

Cada nível paradigmático corresponde, por sua vez, a um tema estratégico, designado na documentação oficial da marinha por “Marinha Equilibrada”, “Marinha Otimizada” e “Marinha de Duplo-Uso”.

Considerou-se que, através dos temas estratégicos, a Marinha tende a desenvolver três propriedades estruturais81 de resiliência, designadamente:

 O equilíbrio;  A otimização;  A flexibilidade82.

Consideramos que estas propriedades conferem à organização um estado de maleabilidade, capaz de se adaptar às adversidades no horizonte temporal de 20 anos.

Foi identificado na Estratégia Naval (2011) que os paradigmas de transformação, que representam o processo de adaptação das capacidades da Marinha, correspondiam aos elementos sistémicos de uma organização a longo prazo.

 Fluxo de entrada/Paradigma Genético;  Sistema/ Paradigma Estrutural;

 Fluxo de saída/Paradigma Operacional.

Tendo por base o trabalho conceptual desenvolvido por Ribeiro (1998) e que foi implementado na Marinha, consideramos as seguintes propriedades de resiliência que permitem acionar os paradigmas de transformação garantindo assim a sustentabilidade do sistema.

81 A marinha desenvolve outro tipo de propriedades, que não foram exploradas neste trabalho. 82 Na diretiva de política naval, a flexibilidade corresponde à Marinha de Duplo-Uso.