1.2 Modularité structurelle des graphes
1.2.1 Modèles de complexité
É muito importante para os pianistas conhecer o funcionamento dos músculos que movem os dedos e os braços e das camadas de músculos das costas, para compreenderem em que consiste um movimento organizado e adequado.
Para cada movimento numa articulação, um músculo que liga os dois ossos unidos por essa articulação e envolvidos nesse movimento contrai-se, exercendo força e puxando esses ossos numa única direção, dobrando a articulação. Para o movimento contrário, existe um músculo oposto, que dobra a articulação e puxa os mesmos ossos na direção oposta.
O nosso sentido cinestésico informa-nos da nossa posição e movimento. Os recetores deste sentido estão na grande maioria nas articulações e tecido conjuntivo, muito poucos estão nos músculos. Assim, normalmente não estamos conscientes da cadeia causal do movimento ou posição, neurónios e músculos que realizam o movimento.
As camadas de músculos das costas são três (ver figura 13.): a profunda liga vértebras próximas ou adjacentes e costelas; a intermédia liga vértebras distantes umas das outras, costelas e pélvis; a superficial liga escápula, clavícula, úmero, alguns músculos ligam mais do que uma destas partes dos braços. As duas camadas mais interiores de músculos são posturais. Já a camada superficial, tendo a função de mover os braços, apesar de ser um conjunto de músculos localizados nas costas, em termos de funcionalidade são músculos dos braços: trapézio, grande dorsal, romboides (maior, menor), levantador da escápula. Quando uma pessoa vai ao ginásio e muscula as costas, fá-lo exercitando os braços. O mesmo sucede com os músculos do peito, movem os braços apesar de estarem situados no peito.
37 Se uma articulação permite vários movimentos diferentes, muitos músculos serão necessários para os executar. O ombro, sendo excecionalmente móvel, requer muitos músculos para mover o úmero de todas as maneiras que lhe são possíveis. Os músculos que movem o úmero cruzam a articulação glenoumeral até às costas ou ao peito. Outros músculos das costas e peito movem clavícula e escápula. Maus hábitos posturais como puxar os ombros para trás e o peito para a frente envolvem o uso de músculos da camada superficial, que não é responsável pelo equilíbrio postural. Não é de admirar, então, que causem dores nas costas, ombros e braços, muito comuns entre pianistas. Esta tensão impossibilita o movimento totalmente livre dos braços na performance.
Inúmeros movimentos ocorrem graças a músculos nas costas e peito enquanto tocamos piano, por exemplo quando o cotovelo se aproxima ou afasta das teclas, ou se move lateralmente. Se estes músculos estão rígidos ou esticados, o movimento não é tão livre como deveria ser. Como apontado antes, temos consciência do movimento, mas não dos músculos que o causam. Sendo os músculos da camada superficial das costas responsáveis pelo movimento dos braços e muito importantes para tocar piano, é muito fácil e frequente os pianistas criarem hábitos de tensão nas costas sem se aperceberem. Quando aprendemos a sentar e estar de pé em balanço e incluímos toda a estrutura dos braços no nosso mapa corporal, podemos desenvolver novos hábitos de movimento livre e sem dor ao piano.
A maioria dos músculos que movem os dedos, metacarpos e falanges, estão no antebraço e não na mão. Não há músculos à volta das falanges, apenas pequenos músculos interosseos (ou “entre os ossos”) entre os metacarpos, que atravessam as articulações MCF e são responsáveis pela maior parte do movimento nestas articulações. Os músculos do antebraço encontram-se do lado ventral (da palma) se forem flexores (responsáveis pela flexão da mão) ou do lado dorsal (oposto) se forem extensores (esticam os dedos ou levantam a mão). Para não haver co- contracção13, o grupo de músculos opostos aos requeridos têm de permanecer relaxados, de
forma a permitir um movimento fácil. Excessiva co-contracção dificulta o movimento e pode conduzir a uma lesão. Os músculos no antebraço estão ligados aos dedos através de tendões, que passam por cima do pulso até chegarem aos dedos, e que se movem para a frente e para trás consoante a contração dos músculos. Mover os dedos com as mãos em posições extremas coloca maior tensão sobre os tendões e diminui a energia do movimento.
A curva natural dos dedos quando os braços estão pendurados ao longo do corpo e completamente descontraídos é a posição neutra na qual nenhum músculo contrai para curvar
38
ou esticar os dedos. Alguns pianistas curvam ainda mais os dedos nas articulações entre falanges, o que se for crónico potencia lesões. Para levantar os dedos, músculos extensores do lado dorsal do antebraço contraem, e para se curvar os dedos, músculos flexores do lado ventral do antebraço contraem. Ao serem músculos opostos, se o pianista levantar os dedos curvando- os mais do que a sua curva natural estará a criar uma co-contracção. Insistir em tocar mantendo os dedos mais curvados causa co-contracções, tensão excessiva e encurtamento dos tendões através pulso, e faz com que o pulso se comporte como uma dobradiça e não como uma estrutura flexível.
Os dedos devem sempre regressar à sua curva natural. A ausência de libertação é que é perigosa. Alguns pianistas lesionam-se por manterem em flexão e/ou abdução dedos que não estão a tocar.
O desvio ulnar é uma posição benigna e sem tensão se a orientação for pelo mindinho. Alguns pianistas colocam a mão em desvio ulnar para tocar oitavas com o 4º ou o 3º dedos, ou para colocar o polegar nas teclas pretas. Desde que seja bem orientado, não é perigoso.
O movimento de rotação é realizado pela camada mais interior de músculos do antebraço, a camada superficial deve estar livre. No entanto, se o pianista organizar o movimento orientando-se pelo polegar, na tentativa de estabilizar o rádio usa os músculos mais superficiais, criando tensão nesta área e dificultando o movimento dos dedos.
A orientação pelo polegar dá a sensação de que o 4º e 5º dedos são fracos, mas estes não são mais fracos se receberem o apoio dos devidos movimentos do braço para compensar a diferença de tamanho. Para isso é necessária descontração na articulação glenoumeral.
A correção do mapa corporal tem de ser feita prestando atenção à organização dos movimentos nas tarefas do dia-a-dia. Não é feita exclusivamente ao instrumento.
A estrutura e organização dos braços é muito complexa. A suspensão da clavícula e da escápula (por consequência, de todo o braço) depende de vários fatores interrelacionados: a forma dos ossos, a combinação do tecido conjuntivo e padrões posturais involuntários que apoiam ou impulsionam movimentos voluntários. Estes padrões continuam a ser estudados por cientistas e nós, não os podendo estudar experimentalmente, podemos estudá-los experienciando-os, encontrando o balanço e utilidade da clavícula e da escápula que nos permitem sentir impulsionados e fluidos no tórax, melhorando a qualidade da nossa performance. (Mark, 2003)
39