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Modèle général de propagation de pertinence

2.3 Propagation de pertinence

2.3.2 Modèle général de propagation de pertinence

Questionários devolvidos 17

Estado civil Maioria casada com filhos

Autodeclaração 8 - brancas

4 - negras 5 - pardas

Formação acadêmica Todas são pedagogas. 15 tem pós- graduação. 2 têm duas graduações. Tempo de serviço na SEEDF Entre seis meses e 25 anos

Tempo de serviço na escola Entre seis meses e 18 anos

Professoras efetivas 12

Cursos na Eape sobre a temática racial 02

A equipe docente é composta por professoras entre os 24 e 57 anos. A maioria é casada e tem filhos. Dos 25 questionários entregues, apenas 17 retornaram. Quando perguntamos sobre o pertencimento racial das professoras, oito declararam-se brancas, quatro negras e cinco pardas.

Das 17 devoluções de questionários que tivemos, todas são formadas em Pedagogia, quinze delas com pós-graduação e duas têm duas graduações. O tempo de serviço na SEEDF varia de seis meses a 25 anos, e na escola, de seis meses a 18 anos. Apenas 12 das 17 são efetivas, as demais são contratos temporários. Quando perguntadas sobre a realização de algum curso na Eape voltado para a questão racial, apenas duas professoras disseram ter feito. Um desses cursos foi a “Cor da Cultura” e o outro foi sobre o 20 de novembro.

Sobre o conhecimento acerca do conteúdo da LDB sobre a valorização da cultura afro-brasileira e africana, apenas uma respondeu não conhecer o conteúdo. As demais todas o sabiam. E a maioria tomou conhecimento após trabalhar nessa escola.

Sobre a pergunta referente à apresentação da escola sobre a temática de valorização da cultura afro-brasileira e africana aos(às) professores(as) e funcionários(as), todos responderam que essa exposição e discussão são realizadas nas coletivas de quarta-feira, na semana pedagógica que acontece no início do ano e no decorrer do ano. Sobre como a escola tem trabalhado, a resposta foi unânime: durante todo o ano por meio do projeto. E sobre a forma como a escola trabalha o projeto foi dito que é com ações integradas durante o ano e atividades coletivas. Duas professoras responderam que realizam atividades individuais. Infelizmente, com o tempo limitado da pesquisa não foi possível perceber o porquê da contradição nas falas.

Sobre a participação dos atores sociais (pais, mães, responsáveis, funcionários, servidores, coordenação, professoras e direção), a maioria respondeu que todos participam, uma professora respondeu que o trabalho acontece apenas com a equipe pedagógica e com as professoras, e outra colocou na participação do projeto apenas a direção e os(as) professores(as).

Sobre a prática pedagógica, perguntamos como as professoras procuram conhecer a temática. As opções eram as seguintes: a) estudos fora do tempo de trabalho; b) estudos durante a coordenação pedagógica; c) estudo com material entregue pela equipe pedagógica; d) troca de informações com as colegas. Nove disseram todas as formas, duas disseram estudo por fora do trabalho e troca de informações, uma disse estudo por fora e outra disse estudo durante a coordenação.

Sobre a forma como as aulas são preparadas, as opções eram as seguintes: a) a partir de conhecimentos e estudos prévios; b) individualmente, sem trocar informações com colegas; c) coletivamente nos espaços de coordenação pedagógica; d) não se prepara ou estuda antes. Dez pessoas disseram partir de conhecimentos prévios e coletivos no espaço de coordenação, outras três disseram preparar apenas no coletivo, espaços de coordenação, e quatro não se colocaram.

Sobre os meios de informação aos quais têm acesso para pesquisar sobre a temática, todas descreveram que utilizam todos e uma não respondeu. As opções foram as seguintes: a) jornais/revistas; b) internet; c) livros; d) amigos; e) equipe pedagógica da escola; e f) coletivas de quarta-feira.

Sobre a forma como realizam o trabalho em sala de aula, duas não responderam, e as demais disseram utilizar praticamente todas as opções descritas no questionário, com exceção das professoras da educação infantil, que retiraram os trabalhos escritos. As opções foram as seguintes: a) por meio de jogos; b) literatura; c) brincadeiras; d) trabalhos escritos; e) conteúdos; f) trabalhos manuais; e g) vídeos.

Nesse questionário, fizemos ainda três questões abertas sobre as atividades desenvolvidas, o retorno do trabalho desenvolvido e também sobre o trabalho na escola.

Em relação à primeira questão, as respostas estiveram voltadas para a forma como as professoras trabalham, no caso com estudos relacionados à cultura africana, redações. Nas aulas de geografia, sempre fazem a relação do continente africano com o Brasil e trabalham no sentido de ajudarem as crianças a compreender as diferenças entre países e continentes e a forma como os(as) negros(as) vieram para o Brasil, discussões sobre preconceito, aceitação do outro, valores, leitura de livros que abordem a temática, filmes, leitura, interpretação de texto, reconto e ilustração de provérbios africanos.

Durante três anos também trabalharam com confecções de máscaras africanas, tambores, pintura e confecções de instrumentos africanos, bandeiras dos países estudados.

As professoras também já trabalharam com gráfico das raças, realizado de sala em sala e depois feito um da escola inteira. Também trabalham histórias infantis que retratem a temática e seus recontos por meio de desenhos, confecção de materiais relacionados a história; dicionário africano, e que cada letra do alfabeto é introduzida com a temática; histórias contadas e dramatizadas, ensaios com música, biografia de personalidades negras.

Sensibilizamos as crianças através de histórias, valorizamos as diferenças em sala de aula, trabalhamos o continente africano, o país da turma. Conhecimentos gerais sobre esse país, personalidades negras, curiosidades, contribuições da cultura negra africana no Brasil. (Entrevista realizada com professora, em 27 de novembro de 2012)

Sobre o retorno do trabalho que elas desenvolvem, foi possível inferir que a autoestima dos(as) alunos(as), o respeito aos colegas, o conhecimento da cultura negra, tudo isso as crianças carregam consigo. As crianças aprendem rápido, melhora o comportamento entre os(as) alunos(as) e também os comentários positivos contra qualquer tipo de preconceito que se ouve das crianças.

Há um fortalecimento e um orgulho da identidade dos alunos(as) negros(as), que se sentem mais motivados(as) e prestam mais atenção nas aulas, principalmente, as direcionadas ao tema. Eles aprenderam a perceber as diferenças e conviver com elas.

Para algumas professoras, essa é uma semente que já começa a brotar. As crianças negras e pardas ficam orgulhosas de sua cor e os outros também ficam eufóricos, o respeito acontece e as crianças compreendem que são diferentes, mas iguais em direitos e deveres.

As crianças conseguem ter uma visão ampla do continente africano, história, personalidades, alimentos, jogos, coisas boas e ruins que fazem parte da história dos negros, tudo em forma de dinâmica, interdisciplinar. As professoras dizem que é um trabalho maravilhoso pelo fato de toda a escola participar e também por não perceberem mais com tanta frequência como antes conflitos referentes à raça e observarem os(as) alunos(as) negros(as) a se valorizarem.

Sobre a forma como elas veem o trabalho, as respostas foram as seguintes: o trabalho é de extrema importância para a formação dos(as) alunos(as) e está presente

durante todo o ano. Ele envolve a família e consegue, de alguma maneira, leva-los à reflexão e à mudança de atitude. Também disseram que o trabalho ajuda alunos e alunas a superarem preconceitos.

Uma das professoras disse que está perdendo um pouco o sentido, principalmente no encerramento, há uma preocupação enorme com as apresentações e painéis, e neste, nem sempre é valorizado o trabalho dos(as) estudantes e sim, as habilidades da professora. A escola também tem muitos gastos que poderiam ser repensados. Para ela, os painéis e as apresentações no encerramento não revelam o trabalho que é realizado durante o ano em sala de aula, uma pena. Isso, de forma geral, demonstra muita euforia com o encerramento.

Bom, o trabalho da escola também é o meu trabalho, pois buscamos trabalhar no coletivo. É muito bom, estamos crescendo e temos muito a crescer. (Entrevista realizada com professora, em 27 de novembro de 2012)