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I.0.1 Mill inclassable : querelles d'étiquettes et conflits d'interprétation

Dans le document John Stuart Mill, libéral utopique (Page 41-62)

A compreensão do processo de formação do pensamento dos professores pode se dar também a partir da autobiografia de formação. Muitos comportamentos presentes na prática docente são frutos das suas vivências, das suas aprendizagens ao longo do seu processo de formação pessoal e profissional. O professor é o centro do seu próprio processo de formação. Para Souza (2005 p. 64):

Tornar-se professor é um exercício, uma aprendizagem experencial e formativa inscrita na visão positiva que os sujeitos têm sobre si, sobre suas memórias de escolarização e na superação e acolhimento dos modelos formativos que viveram em seus percursos de escolarização.

Nessa direção, a autobiografia profissional tem se tornado um recurso valioso para os processos investigativos. Pensando assim, consideramo-la um instrumento da mais alta importância para compreendermos o pensamento e a ação das professoras no contexto dessa pesquisa, uma vez que é nosso objetivo verificarmos como a história de vida pessoal e profissional influencia e interfere na atividade atual.

Acreditamos que cada sujeito possui potencialidades e características que são peculiares, de modo que a trajetória pessoal escolar e profissional e as questões formativas precisam ser vistas a partir dessas potencialidades e características. Somos o que aprendemos a ser, somos o que construímos ao longo da nossa vida. Entretanto, é necessário rever, reconstruir, ressignificar todas as nossas aprendizagens, tendo a autobiografia como a base para que isso aconteça. Lopes (2008 p. 15) diz que:

Os escritos autobiográficos possibilitam uma visão heterogênea da trama dos processos formativos e nos ajudam a repensar o processo de escolarização e as ações educativas a partir de diferentes olhares e experiências. Diversos sujeitos se cruzam nessas memórias fazendo com que sejam reconhecidas a pluralidade do mundo e suas reconstruções.

Segundo Bosi (1995, p.55),

Na maior parte das vezes, lembrar não é reviver, mas repensar, com imagens e ideias de hoje, as experiências do passado. A memória não é sonho, é trabalho. [...] A lembrança é uma imagem construída pelos materiais que estão agora a nossa disposição, no conjunto de representações que povoam nossa consciência atual.

Com essas ideias, consideramos que repensando as nossas ações a partir das lembranças, das imagens construídas, a partir das nossas experiências, poderemos reconstruir essa ação e ter um conhecimento muito mais elaborado e voltado para o aluno com quem atuamos no contexto atual. Com essa intenção é que foram realizadas essas autobiografias.

A expectativa é de que tiraremos das autobiografias informações importantes que farão com que compreendamos como a nossa formação tem contribuído para o desenvolvimento do nosso pensamento e a implicação disso nos resultados obtidos pelo aluno com quem trabalhamos, que é diretamente influenciado pelas nossas lembranças, experiências e pelo sentido que damos às coisas e à vida.

Dessa forma, fazendo um resgate da vida pessoal e da formação profissional, haveria a possibilidade de uma compreensão do que somos e como somos formados. A nossa prática de certa forma retrata a história que vivemos, daí a importância, nesse estudo, dos relatos autobiográficos.

Para a construção da autobiografia utilizamos os dados sugeridos por Rego, (2003):

1) Dados biográficos: Época e local de nascimento, grau de escolaridade, estado civil, formação escolar, característica de sua vida profissional (função, jornada de trabalho, tempo de serviço), hábitos de leitura (frequência, preferência e volume de leitura).

2) Lembranças da vida escolar: Estilo pedagógico da escola onde estudamos, tipo de disciplina adotada, recursos materiais, professores mais marcantes, atividades escolares que despertavam maior interesse, as características que apresentávamos como aluno, tipo de socialização propiciada pela escola, a relação estabelecida com a escola (se gostávamos de ir à escola), o que mais gostávamos, o que não gostávamos da escola,

dificuldades enfrentadas, as principais mudanças ocorridas ao longo da escolarização, o que era bom o que não era (explicitando por que), momento histórico do país durante a nossa formação, quais as influências desse contexto no ambiente escolar e na nossa forma de encarar as diversas situações, tipo de engajamento político.

3) As marcas da escolarização: A importância da escola para a constituição da nossa singularidade a partir das aprendizagens, possibilitadas pelos aspectos cognitivo, afetivo e social, a pertinência e aplicabilidade das competências desenvolvidas pela escola, as influências da escola para a formação como leitor autônomo e crítico, as principais marcas e eventuais deficiências na formação, o modo como se insere socialmente e exerce a cidadania, o papel e impacto da escolarização na vida profissional, e necessidades formativas atuais.

A autobiografia foi uma forma de mediar o nosso processo de reflexão, ao mesmo tempo em que possibilitou um maior conhecimento da nossa formação e do seu papel na forma como pensamos. “Histórias podem ser um excelente terreno de análise se não ignorarmos todos os aspectos inerentes à sua recolha e apresentação” (GALVÃO, 1995, p. 330). Podemos através disso, ouvir e entender a forma como agimos e reagimos frente ao modo de pensar e de ser professor. As lembranças da escola, da vivência em família, não fazem parte somente do mundo infantil, mas encontram-se vivas nas histórias de vida de muitas professoras.

Para Liberali (1997, p. 60), a autobiografia tem como objetivo:

[...] promover uma reflexão crítica através de uma retomada do percurso de formação profissional [...]. O foco específico deste instrumento [...] é a reconstituição consciente dos aspectos da identidade profissional, que se inicia no início da vida escolar, de quando o futuro professor ainda é aluno, e começa a construir suas representações sobre a função docente através da prática de seus professores [...]”.

Diz ainda essa autora: “É através da escritura da autobiografia e discussões dali decorrentes que se pretende que o professor-aluno melhor compreenda como chegou a ser o professor atual”.

Em função de um longo processo histórico, em que sempre ouviram muitas coisas sobre si mesmas e muito pouco sobre o poder instituído que os modelaram, poucas vezes os professores voltam a refletir sobre seu processo formativo. Nesse sentido, buscando instituir um novo sentido à realidade que se apresenta, estabelecemos um diálogo com as professoras envolvidas nessa pesquisa no intuito de construir uma aproximação das nossas histórias de vida, com o nosso desenvolvimento profissional.

Nessa perspectiva, fomos convocados a recordar nossa vida familiar e escolar, como também as práticas docentes que impunham ou não o desejo de sermos, incluindo aí os mitos e crenças que ainda povoam as nossas lembranças e as nossas práticas pedagógicas.

Admitimos que trabalhar com a autobiografia possibilita ao professor compreender o processo formativo vivido e por que age de determinada maneira, quais as causas e consequências dessa forma de agir, além de dar condições para que crie novas estratégias sempre a partir de investigação e reflexão. “[...] é também um processo de interação com o outro, e nessa medida ajuda-nos a compreender qual o papel de cada um de nós na vida dos outros” (GALVÃO, 1995 p. 343).

Para fazer a autobiografia profissional optamos por um texto escrito. Essa opção se referendou em Liberali e na afirmação de Ferreira (2006) de que este possibilita “[...] assegurar a chance de modificar a relação com nosso próprio texto após a reflexão coletiva”. Assim, cada partícipe, a partir do roteiro de Rego, elaborou no mês de abril de 2008, no tempo e no espaço disponível, a sua autobiografia, que depois foi lida e modificada conforme os interesses e as lembranças de cada um.

Dans le document John Stuart Mill, libéral utopique (Page 41-62)