O audiovisual paraibano para além das suas obras, é parte de uma série de eventos e marcos que podemos considerá-los dentro do campo da cidadania política e comunicativa, provocadas por ações de mobilização por parte da classe audiovisual ao longo dos anos, objetivando não somente uma sustentabilidade econômica para o setor, mas também reivindicando um direcionamento nas políticas públicas em consonância com uma produção simbólica alinhada com a identidade cultural.
Entidades de classe, organizações não-governamentais, fóruns permanentes de discussão são algumas das estratégias de mobilização de categoria e se configuram enquanto redes de solidariedade entre indivíduos que partilham uma atividade comum, mesmo que dissonantes quanto a questões ideológicas e distintos nas suas camadas sociais, faixa etária, formação profissional, gênero, cor e vínculo com o audiovisual.
Estas ações operam por instâncias presenciais e/ou virtuais (CANUTO, 2014), demonstram o dinamismo contido nestas redes de articulação que, em seu objetivo final,
promovem uma cidadania comunicativa, partindo de uma cidadania política e do exercício dos direitos sociais de uma comunidade.
É de responsabilidade dos próprios interessados e poderia ser chamado de estratégia do ponto de vista da demanda. Isto significa organização e atuação efetivas da sociedade, em que o exercício real da cidadania exija e impulsione a presença dos poderes públicos como resposta a questões concretas e que não são de ordem exclusiva da área cultural. Somente através dessa militância poder-se-á “dar nome” – no sentido mesmo de dar existência organizada – a necessidades e desejos advindos do próprio cotidiano dos indivíduos, balizando a presença dos poderes públicos. (BOTELHO 2001, p. 74)
Em um movimento que se construiu ao longo de duas décadas, as estratégias de propagação, fomento e desenvolvimento do audiovisual na Paraíba partiram de diversos atores sociais ao longo do tempo, que se entrecruzaram e atuam em diversas frentes. O uso das redes sociais digitais potencializa estas articulações diante de um cenário favorável para o exercício da cidadania política e comunicativa por parte de grupos contra-hegemônicos, como nos atesta Jiani Bonin e Valdir Morigi (2019, p. 228), “la expansión de las nuevas tecnologías de comunicación, su progresiva apropiación por sectores sociales subalternos y la, consecuente apertura de posibilidades para la construcción de una contra-hegemonía por el mundo”.
No capítulo anterior, descrevemos as ações construídas no campo da formação, produção e difusão, através das produtoras, projetos de formação, cineclubes, mostras e festivais. Estas ações dialogam com as estratégias políticas engendradas por entidades e organizações que operam “frentes de combate” por políticas de desenvolvimento econômico, cultural e social do cinema na Paraíba, com atuações em caráter reivindicativo, propositivo e deliberativo.
a) ABD/PB
A ABD-PB é uma entidade de classe sediada em João Pessoa, capital do estado da Paraíba, que tem como seu principal objetivo apoiar a realização e produção audiovisual em vários suportes, principalmente ao curta-metragem e ao documentário. Com três linhas de atuação: Apoio à Difusão; Apoio à Formação e Apoio à Realização Independente, a entidade foi uma das principais protagonistas na participação do campo
da sociedade civil frente a formulações das políticas públicas para o segmento audiovisual na Paraíba no início dos anos 2000.
Contando com um espaço cedido no Teatro Lima Penante, onde realizara mostras, cursos, palestras, oficinas e abriga um dos Pontos de Cultura do Programa de Cultura do Programa Cultura Viva (MinC) – a Urbe Audiovisual, a ABD-PB pode se organizar e encampar movimentos no sentido de articular a comunidade do audiovisual no estado e fazer frente ao diálogo com o poder público nas questões relacionadas ao cinema e à cultura paraibana.
A URBE desenvolve, desde março de 2005, ações de formação, através de oficinas básicas, de especialização e cursos livres, visando a disseminação do fazer audiovisual (ABD-PB, 2012). Dentre estas ações, cabe destacarmos a importância da confecção de uma coletânea de cinco DVD’s com os principais títulos da cinematografia paraibana dos anos 60 até os anos 2000 – intituladas de Cinema Adentro60, sendo distribuídas e exibidas em cineclubes, bibliotecas, pontos de cultura, espaços culturais e repassada para realizadores com o intuito de promover, formar e fazer ser reconhecido o cinema local, em que pese sua relevância na difusão de obras aclamadas e reconhecidas pelo país afora, mas pouco difundidas dentro do próprio estado.
Podemos considerar esta ação de difusão e circulação de suma importância para o processo de interiorização do audiovisual no estado, uma vez que o uso da coletânea em oficinais e projetos de formação permitiu não somente um processo de amadurecimento crítico e apreensão das estéticas, técnicas e narrativas por parte dos egressos, mas também possibilitou um processo de afirmação de identidade paraibana através do audiovisual, ligando as gerações dos ciclos anteriores com estas novas gerações, fazendo-as entender toda a trajetória do cinema da Paraíba e seus processos para além da arte.
Além da coletânea cinema adentro, a ABD-PB também elaborou as coletâneas “A Máquina Virou”, de temática homoafetivas, e Assacine I e II, em parceira com cineclube Tin Tin, buscando promover o audiovisual paraibano e evidenciando a heterogeneidade da produção local. Estas ações de difusão acabaram por inspirar a confecção de outras coletâneas por parte do governo estadual (através da Funesc), com títulos da cinematografia recente do estado, seguindo a mesma lógica de difusão.
Sua atuação midiática se utiliza de um website e de um microblog twitter para divulgar informações relativas ao audiovisual paraibano, nacional e internacional, acerca de editais, programação de exibição, convocatórias, divulgação da produção independente local, além de emitir opiniões sobre as políticas públicas do audiovisual nas esferas local e nacional. A ABD-PB é detentora de uma lista de discussão, composta por afiliados e não sócios que possuem algum vínculo com o audiovisual, e visa, por meio deste dispositivo, uma articulação de estratégia interna e externa, além de debates e comunicados oficiais, bem como a interlocução com pautas relativa à área em âmbito nacional.
Atualmente a ABD-PB se encontra desativada, tendo seus membros originários envolvidos em outras frentes, tanto institucionais quanto de mobilização política. Ao longo dos anos, dificuldades de articulação e gestão acabaram por minar a atuação da entidade, perdendo espaço para movimentos espontâneos de mobilização não- institucionais, que se organizam através das redes, como o Fórum do Audiovisual Paraibano.
b) Moinho de Cinema da Paraíba
O Moinho de Cinema da Paraíba é uma organização não-governamental, sediada em Campina Grande, no Agreste paraibano, composta por treze membros, que teve por objetivo o fomento, apoio, disseminação e distribuição da produção cinematográfica da Paraíba. Enquanto agente político, a entidade encampou as jornadas de luta para a reabertura do Cineteatro São José. Em conjunto com a ABD-PB e do Fórum do Audiovisual, compuseram o movimento “A Paraíba Precisa ser Assistida – Movimento pelo Audiovisual Paraibano”, em 2011, promovendo debates, rodadas de conversação com o poder público detentor do espaço (o governo estadual), e durante as obras, atuando no papel fiscalizador.
Porém, a atuação do coletivo não estava restrita à seara política, mas também as atividades de formação e difusão. Dentre estas atividades, destacamos o curso de formação de atores para cinema e vídeo, em parceria com a UEPB, que funcionou entre os anos de 2009 e 2013, e surgia frente à uma demanda existente no setor. Embora a Paraíba fosse conhecida como um verdadeiro celeiro de artistas que se consagraram
através do cinema e TV (a exemplo de Marcélia Cartaxo, Zé Dummont, Zezita Matos, Soia Lira, Nanego Lira, Mayana Neiva, Everaldo Pontes, Fernando Teixeira, Luis Carlos Vasconcelos, Luci Pereira, Arly Arnaud, Buda Lira, dentre tantos outros), havia a necessidade de aprimorar a nova geração de atores em relação às técnicas de atuação para o cinema digital, sobretudo no interior do estado. O curso formou mais de 200 pessoas no período em que esteve ativo, prestando serviço não somente a atores da região de Campina Grande, mas de todo o estado.
Com o êxito do curso de formação de atores, a parceria entre o Moinho de Cinema e a UEPB também gerou o curso de formação em produção audiovisual, em 2010. Com turmas semestrais, o curso consistia em módulos técnicos e criativos, partindo de argumentos submetidos pelos participantes (aos moldes do Jabre – Laboratório de Roteiro), alguns eram escolhidos pela sua viabilidade de execução, e de modo colaborativo, com uma ajuda de custo da universidade – que fornecia os equipamentos e serviços de logística – eram executados em grupo, e finalizados em parceria com a própria universidade ou com produtoras a exemplo da Quebra Panela e Pigmento Cinematográfico. Ao todo, foram produzidos cerca de 20 curtas, entre documentário e ficção, a alguns desses títulos tiveram uma boa projeção, a exemplo de Concreto (2011), de Jaime Guimarães; Platô! (2012), de Kleyton Canuto; Quando eu Crescer (2012), de Emmanuel Dias; Hoje tem Espetáculo (2011), de Leandro Alves; De Ciências e Afetos (2012), de Cássia Lobão.
Além destas ações, o Moinho de Cinema também foi parceiro em produções campinenses, a exemplo de Depois da Curva (2009), de Helton Paulino; os curtas de Carlos Mosca, Maria de Kalú (2011) e Metade (2014); e Amanda e Monick (2008), de André da Costa Pinto.
A ONG também funcionou como mediadora nas relações frente ao governo do estado na formulação de parcerias, a exemplo do festival de da cidade Patos, o Cinema com Farinha. Além disso, organizava o cineclube itinerante Projeto Moído, proposta de difusão do audiovisual paraibano em outros espaços de cultura como bares e galerias, e que mesclava as obras consagradas do Cinema Adentro da ABD-PB e a nova geração de realizadores, aproximando o público da cinematografia paraibana.
No campo da comunicação, o Moinho utilizava o twitter para transmitir informações, compartilhar conteúdo relativo à comunidade do audiovisual, bem como
para fazer chamadas e comunicados de atos e eventos de mobilização relativos a demandas de necessidade dos movimentos em geral. Assim como a ABD-PB, o Moinho passa por um momento de inatividade desde 2015.
c) Movimento pelo Cinema Paraibano/ Fórum do Audiovisual
Criado em 2011, em caráter de fórum, o grupo emana a partir das discussões e mobilização para a reativação do Cine São José, antigo cinema abandonado, localizado em Campina Grande, que está em posse do governo estadual. Pela primeira vez, na “era das redes sociais”, iniciou-se um movimento da área da cultura em caráter online e de difusão para fora do grupo, envolvendo diversas entidades de toda Paraíba, seja na figura pessoal dos seus representantes, seja na forma institucionalizada.
Em seu manifesto de abertura, objetivava a revitalização como uma saída para o audiovisual paraibano que se encontrava fora das salas de cinema no estado. Provocado inicialmente pela própria classe, logo a chegada de outros atores transformou a iniciativa em algo sem dono e sim com causa. E seu endereçamento à Secretaria de Cultura do Estado (SECULT/PB) denunciava uma postura reivindicativa não apenas pelo Cine São José em si, mas como toda uma reformulação da forma de se pensar no fazer cultural e da forma como a iniciativa pública olha para o cinema, conforme seu texto inicial deixa explícito:
É imperativo que o poder público fomente o audiovisual com editais regulares e verbas à altura do expressivo movimento de produção e exibição de audiovisual que grassa por todo o Estado! [...] “Reforma” é a palavra central neste movimento. Não apenas uma reforma que devolva ao Cine São José a beleza e atividade de outrora, mas principalmente a reforma da maneira de pensar cinema neste estado. Cinema, assim como qualquer outra arte, necessita de público, o qual por sua vez também é ávido por consumi-la. Precisa-se, neste momento, transformar em grito os sussurros de uma cultura da miséria evidenciada por parte das autoridades responsáveis. [...] Nosso cinema precisa ser exibido. E o Cine São José clama sua chance de voltar a ser algo mais que entulhos. A Paraíba precisa ser assistida hoje (MOVIMENTO PELO CINEMA PARAIBANO, 2011).
O movimento, que havia realizado uma sessão de cinema em 16 mm no mês de abril (junto com a ABD-PB e o Moinho de Cinema da Paraíba), época de sua pré-forma
– podemos dizer assim –, fez-se mostrar de fato para a sociedade na VI edição do Festival Comunicurtas, também em 2011, quando seu manifesto foi lido para todos os presentes na solenidade de premiação, assinado e encaminhado para a Secult/PB, iniciando um embate que, a partir do calendário dos festivais, podemos chamar de etapas da luta, na qual cada uma delas exigiu táticas e estratégias de persuasão diferenciadas conforme o contexto.
Figura 18: Logotipo do Movimento pelo Cinema Paraibano
Fonte: SILVA; SANTOS, 2016
A articulação se seguiu via redes sociais, em princípio o Facebook (atualmente com 3.331 membros) e mais recente no aplicativo Whattsapp (153 participantes), onde concentra realizadores do todo o estado. Suas pautas vão desde do acompanhamento, mobilização, reivindicação e articulação de políticas públicas para o segmento no estado, assim como debates sobre a conjuntura audiovisual em nível nacional e divulgação de editais, eventos e o envolvimento de realizadores locais no cenário.
O movimento usou as vias do ‘ritual’ das ações coletivas para se fazer ouvir e ser reconhecido. Houve manifestações com ocupações (Cine São José), cartas de repúdio (Fest Aruanda 2013), rodadas de diálogo, participação em conselhos de cultura,
documentos de reivindicações, boicotes (Festival de Areia, promovido pelo governo estadual), entre outras táticas (CANUTO, 2014).
Mas também o movimento soube avançar na luta de acordo com sua dinâmica, usando suas ferramentas de trabalho e se articulando dentro do seu campo de atuação, ao se manifestar para a sociedade nos fóruns, durante os festivais, fazendo com que parte do povo paraibano conhecesse e reconhecesse o audiovisual produzido no estado, bem como oportunizou um encontro do olhar de um cinema paraibano diante do seu povo, fazendo- o se enxergar, buscando um reconhecimento, potencializando a construção de uma identidade cultural.
Sua dinâmica de conversação é aberta em termos de proposituras e levantamento de pautas, e sua única restrição se dá na não participação de gestores de instituições públicas nas esferas estadual e municipal – mesmo que seja um articulador partindo do movimento, como forma de salvaguardar a autonomia de organização do fórum na formulação de reivindicações e bandeiras de luta. Como atestamos em outro momento:
As relações do movimento mediadas pelas redes sociais têm contribuído muito para conjuntura atual, aproximou sujeitos que antes se encontraram distantes ou desconhecidos, aprofundou o debate próximo da instantaneidade, possibilitou interligar uma cadeia complexa de indivíduos de partilham suas experiências locais em grupo, buscando reconhecer-se, se afirmar, dividir o sentimento de fazer audiovisual em um estado pobre da nação com pouco incentivo e muita vontade. Um movimento não se ergue sem sentimentos próprios e uma identidade coletiva dentro de uma causa em comum, é desse sentimento que parte a solidariedade essencial para se engendrar numa luta. (CANUTO, 2014, p. 97)
A operação do fórum não se dá apenas no plano virtual, mas também com a participação em eventos ligados ao audiovisual, em reuniões com as instituições públicas ou promovendo rodas de diálogo (figura 19) com transmissão em streaming, aberta a toda a rede. Embora não se configure de modo institucional no plano burocrático, desempenha funções deixadas pela ABD-PB, e representa a classe audiovisual paraibana nas conversações com entidades públicas como Secult-PB, FUNJOPE, além de integrar os conselhos do NPD-PB, conselho estadual de cultura e conselho municipal de cultura da cidade de João Pessoa.
FIGURA 19: Chamada de reunião do Fórum do Audiovisual Paraibano
Fonte: Facebook/Movimento pelo Audiovisual Paraibano
d) Fóruns presenciais de realizadores paraibanos
Observando os festivais de cinema na Paraíba, a mobilização do segmento recorrentemente fora um ponto de destaque e parte do processo de composição do audiovisual paraibano que assume um viés dialógico, permitindo encontros que fluem para a coletividade e que resultam em ações reivindicativas. Encontros entre realizadores com objetivo de discutir a conjuntura da cadeia produtiva é um hábito inerente e necessário para o desenvolvimento e auto reconhecimento da cinematografia de um território.
Por meio de um exercício coletivo, realizadores se mobilizam e traçam panoramas em que identificam potencialidades e fragilidades de sua área de atuação, apontando caminhos para uma consolidação do fazer cinematográfico, organizando-se em ações políticas frente ao poder público, criando sua própria institucionalidade, e a partir disto, encaminham suas demandas para uma arena de diálogo frente aos poderes que regem o campo da formulação de políticas públicas.
O respaldo positivo da “Carta de Coremas”61, em 2011, fez com que cada festival de cinema no estado promovesse um encontro de realizadores, de modo rotativo, atualizando as demandas estaduais e intercambiando experiências em âmbito municipal. Assim, todos os festivais da Paraíba, de certo modo, se encontram conectados através desta atividade, que também reúne integrantes dos Fóruns de Audiovisual e demarca o papel político do audiovisual paraibano na articulação de sua categoria em consonância com as demandas da sociedade civil organizada.
e) Outras comunidades virtuais do audiovisual paraibano
Compreendendo a complexidade dos sujeitos que atuam dentro do audiovisual paraibano, o Fórum do Audiovisual Paraibano acabou por gerar outras frentes de diálogo dentro audiovisual, seguindo uma tendência à fragmentação e respeitando sua multiplicidade de atores, a centralidade de Fórum acaba por se ramificar em diversas comunidades menores, que irão tratar de questões plurais que estão no meio audiovisual no estado.
Aqui nos cabe fazer descrições de algumas iniciativas que buscam atuar de forma conjunta com o Fórum do Audiovisual Paraibano, mas focadas em questões próprias. Compreendendo as múltiplas coletividades do pertencimento sócio-territorial contida num grupo social, este tende a fragmentar-se, sendo multifocal e puntiforme (GIMÉNEZ, 1999), abarcando demandas tanto territoriais quanto específicas à gêneros, temáticas ou pautas específicas.
Enquanto demanda territorial, temos a Frente de Interiorização do Audiovisual Paraibano, composta por realizadores residentes fora da capital e que surge, em 2019, com o propósito de trazer à tona da esfera pública as demandas da classe específica do interior do estado. Como a capital João Pessoa possui um mecanismo próprio de fomento para o audiovisual (Edital Walfredo Rodriguez) e o governo estadual negligenciou os seus mecanismos, o interior do estado acabou por sofrer uma redução no número de produções, festivais e mostras, que sem financiamento e/ou parcerias, não tiveram como se manter, além de gerar um atraso ou estagnação nas ações contínuas de formação.
Tendo um grupo no aplicativo Whattsapp como espaço de mediação interna, a Frente conta com cerca de 30 membros, e usa a agenda de eventos interioranos para promover rodas de diálogo com o objetivo de organizar suas demandas e fortalecer a frente coletiva. E entre suas principais reivindicações estão a ocupação efetiva dos espaços de cinema do inteiror (Cine São José, em Campina Grande e o Teatro Iracles Pires, em Cajazeiras); apoio sistemático e financiamento de festivais, mostras e cineclubes do interior do estado; editais de produção cinematográfica que busquem atender de maneira proporcional todas as mesorregiões do estado; o uso do cinema paraibano na rede estadual de ensino como ferramenta de estimulo e promoção da identidade cultural paraibana.
Dentre os grupos de gênero, temos em destaque a União das Mulheres do Audiovisual Paraibano (UMA-PB), coletivo que surge como espaço criado pelas mulheres que atuam no cinema paraibano. Reunindo diretoras, produtoras, atrizes, técnicas e demais profissionais da área, a UMA emerge da necessidade da equidade de gênero dentro do audiovisual paraibano, que assim como a maioria dos campos de atuação profissional do país, é composto majoritariamente por homens62. O grupo possui uma página na rede social Facebook63, e se articula no pelo aplicativo Whattsapp, num grupo composto por 72 realizadoras.
Segundo Kalyne Almeida, uma de suas fundadoras, a UMA “vem para que o debate surja entre nós, seja deliberado entre nós e, só assim, comuniquemos para os demais do Fórum”64. Dentre as atividades realizadas pela UMA estão os diálogos on-line, debates presenciais e posicionamentos sobre os editais públicos, principalmente para gerar clausulas inclusivas (mulheres, trans e etc), além de participação de algumas mesas de debates (onde qualquer mulher que está na Uma pode participar). Também serve de