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Meurtre au couteau

Dans le document 6. Au milieu des bois (Page 64-67)

O uso e a dependência de álcool e outras drogas por ado- lescentes vêm aumentando nos últimos anos, trazendo desdo- bramentos nos diversos níveis de sua vida, como consequências orgânicas, comportamentais, nas relações com a família e na estrutura de desenvolvimento da sua personalidade. Segundo pesquisas já realizadas em todo o mundo, as bebidas alcoólicas são as substâncias psicoativas mais utilizadas por adolescen-

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A adolescência e o consumo de drogas: uma rede informal de saberes e práticas

tes, apontando que o consumo do álcool e de outras substâncias psicoativas está relacionado a riscos e danos de grande magni- tude social: exposição a situações de violência como acidentes de trânsito, conflitos interpessoais e familiares, traumatismos, homicídios, suicídios, envolvimento com o tráfico e outras ativi- dades delituosas (MINAYO; DESLANDES, 1998; PONCE et al., 2008; PONCE; LEYTON, 2008; REIS; FIGLIE; LARANJEIRA, 2006; ZILBERMAN; BLUME, 2005), práticas sexuais despro- tegidas, compartilhamento de seringas e agulhas e exposição a infecções de transmissão sexual e parenteral, a exemplo do HIV, hepatites B e C, HTLV e sífilis (BASTOS; BERTONI; HA- CKER, 2008; CARDOSO; MALBERGIER; FIGUEIREDO, 2008); comorbidades ou agravamento de condições clínicas e psiqui- átricas (ALVES; KESSLER; RATTO, 2004; SILVEIRA; JORGE, 1999); intoxicação aguda por uso de drogas (overdose), uso abusivo e dependência, entre outros.

Em relação ao álcool, admite-se que o seu consumo cons- titua importante causa de adoecimento, mortalidade precoce e incapacidade, sendo apontado como fator determinante de mais de 10% do total dos problemas de saúde do país (MELO- NI; LARANJEIRA, 2004). Além disso, o álcool é uma das subs- tâncias psicoativas mais precocemente consumidas pelos jo- vens e, de acordo com a literatura internacional, a dependência das drogas é o problema de saúde mental mais prevalente entre adolescentes, com os transtornos decorrentes do consumo de álcool em primeiro lugar (PECHANSKY; SZOBOT; SCIVOLET- TO, 2004).

No Brasil, o consumo de bebidas alcoólicas é legalmente proibido às pessoas com menos de 18 anos de idade, porém, são poucos os mecanismos utilizados para efetivamente dificultar a compra e o consumo de álcool por adolescentes. Ademais, iniciar tal consumo precocemente pode influenciar problemas

futuros com o álcool. De acordo com o “I Levantamento Nacional sobre os padrões de consumo de álcool na população brasileira”, realizado entre novembro de 2005 e abril de 2006, os adoles- centes estão iniciando o consumo de álcool cada vez mais cedo. Uma das conclusões deste estudo é que o fenômeno do beber precoce e regularmente está mais frequente entre os jovens. De acordo com as informações coletadas a partir de outros levan- tamentos, verifica-se que

Até o momento, foram realizados cinco levantamentos mais amplos com essa população. Os resultados do últi- mo levantamento, do ano de 2004, mostram um uso na vida de álcool (definido como qualquer consumo em qual- quer momento da vida) de 65% para todos os estudantes, com 41% das crianças da faixa etária de 10-12 anos já tendo experimentado bebidas alcoólicas ao menos 1 vez na vida. O consumo freqüente de bebidas alcoólicas (defi- nido como 6 ou mais vezes no último mês) aumentou nos quatro primeiros levantamentos e foi de cerca de 11% em 2004. Além disso, o uso pesado (definido como 20 vezes ou mais no último mês) foi de quase 7% [...], o que é uma razão para preocupação. Entre todas as substâncias psi- cotrópicas avaliadas no levantamento, o álcool apresen- tou a menor média de início do consumo, pouco mais de 12 anos de idade. (LARANJEIRA et al., 2007, p. 8)

Acerca da intensidade do consumo de álcool entre todos os adolescentes da amostra (não apenas os bebedores), o referi- do estudo mostra que 13% do total dos adolescentes (17% para os meninos) apresenta padrão intenso de consumo de álcool; outros 10% dos adolescentes consomem bebidas alcoólicas ao menos uma vez no mês e, potencialmente, em quantidades ar- riscadas. Aponta-se uma tendência de diferença entre o consu- mo de meninos e meninas, mas esta diferença não chega a ser estatisticamente significante.

Com relação ao uso prejudicial e à dependência de subs- tâncias psicoativas, destaca-se, também, o “II Levantamento

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Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil”, rea- lizado pelo CEBRID, no ano de 2005, nos 108 municípios bra- sileiros com mais de 200 mil habitantes. A comparação entre os levantamentos de 2001 e 2005 revelam um aumento no uso de 7 das 9 drogas mais usadas no país. A dependência de dro- gas como o álcool, o tabaco e a maconha também aumentou, porém, é considerado um aumento “não estatisticamente signi- ficante”, levando-se em conta também o aumento da população (CARLINI et al., 2007).

De acordo com os dados referentes ao uso e à depen- dência de álcool e outras drogas por adolescentes no Brasil constantes nos mencionados levantamentos, entre os adoles- centes de 12 a 17 anos, o uso na vida de álcool atingiu o índice de 54,3% e os problemas relacionados ao consumo de álcool foram relatados por 5,7% dos entrevistados nesta faixa etária.

Tanto no que se refere ao uso e à dependência do álco- ol, constata-se um aumento significativo entre adolescentes do sexo feminino, sendo que a taxa de dependência para este gru- po populacional quase duplicou. Em relação aos adolescentes do sexo masculino, a taxa relativa ao uso se manteve pratica- mente estável e observou-se um aumento da dependência des- ta droga entre estes adolescentes. No que concerne ao tabaco, a diminuição no uso desta substância foi mais significativa entre adolescentes do sexo feminino, havendo um pequeno aumento no uso por parte dos adolescentes do sexo masculino. Quanto à dependência desta droga, houve aumento insignificante entre os adolescentes do sexo masculino e quase a mesma taxa para adolescentes do sexo feminino. No que se refere às outras dro- gas, em relação ao uso na vida, registra-se o aumento no uso da maconha, sendo que este aumento ocorreu por parte dos adolescentes do sexo masculino. Assim, resta claro o aumento

no consumo de drogas lícitas e ilícitas entre adolescentes de ambos os sexos.

A prevalência de dependência de álcool, em adolescentes de 12 a 17 anos, teve aumento de 5,2% para 7,0%. Ademais, há maiores índices de dependência de tabaco, assim como do uso na vida de maconha e estimulantes. Neste caso, vale ob- servar que esta situação pode ser agravada quando ocorre a comorbidade psiquiátrica relacionada ao uso de drogas nessa faixa etária.

POLÍTICA DE SAÚDE E DISPOSITIVOS PARA A ATENÇÃO INTEGRAL AOS

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