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4. Particulate matter fluxes in a Mediterranean mountain forest: inter-specific

4.2. Methodology

Alfredo Modesto (Genezio de Barros), Amadeu (também conhecido como Nono e interpretado por José Augusto Branco) e Isidoro (Jackson Costa) são personagens cuja classificação foi mais difícil de ser encontrada, já que entre as categorias que emergiram, a princípio, para nossa análise, a que mais se aproximava deles era a de "fofoqueiros", por gostarem de opinar sobre os assuntos correntes e por estarem muito presentes em um dos ambientes em que circulam os comentários sobre a vida alheia em Paraíso, o bar de Bertoni. Contudo, ocorreu-nos que classificando-os nesta categoria não estaríamos sendo fieis a suas personalidades, pois não se tratam de personagens realmente fofoqueiros. Aliás, eles demonstram intolerância com os comentários gratuitos e maldosos sobre a vida alheia. Então, pensando em como classificá-los, encontramos sua característica comum: os três costumam

criticar outros personagens no sentido de tentar mudar suas atitudes, de orientá-los com respeito a vários assuntos. Assim, os classificamos como conselheiros ou opinadores.

Na maior parte das vezes, as opiniões dos três personagens ganham cunho construtivo ou positivo. A única exceção é quando Amadeu, conhecido pela população jovem de Paraíso como Nono por ser um homem idoso de origem italiana que gosta de dar conselhos, encarna uma espécie de "velho rabugento" ao criticar as músicas tocadas na rádio local, já que ele prefere uma "canzoneta napolitana". Mas, em quase todas as suas aparições, ainda que de forma crítica, ele, com algumas palavras em italiano e um forte sotaque, aconselha os frequentadores do bar de seu filho Bertoni, principalmente no que se refere aos relacionamentos amorosos, lembrando de como as coisas eram mais simples nos tempos em que ele era jovem. Um aspecto interessante é que, apesar do apelido, Amadeu não é avô de nenhum personagem, sendo chamado de Nono devido à maneira como é visto pelos jovens da cidade que, muitas vezes aparecem em cena lhe fazendo perguntas e comparando suas histórias de amor com as vividas por ele no passado.

O Nono está presente na maior parte das cenas em que imperam a fofoca e as críticas políticas no bar de Bertoni. Ele adora tomar seu vinho e se intrometer nas conversas dos clientes, sendo muitas vezes impedido pelo filho de fazer as duas coisas. Ele ganha maior destaque quando, a partir de meados da trama, se apaixona por Zuleika, a quem ele chama de "mia Zuzu", por ela lembrar sua esposa falecida. Segue-se, então, a briga entre ele e o filho, que quer interná-lo em um asilo devido às suas intenções de colocar a casa onde moram no nome de sua amada. Acontece que Zuleika não corresponde e não aceita ser cortejada pelo simpático velhinho, apesar de Bertoni considerá-la um mulher "aventureira" e interesseira. O Nono passa a ter momentos de tristeza devido à intolerância do filho e ao desprezo de Zuleika. Este é o único conflito relacionado a Amadeu, podendo ele ser considerado, na maior parte da trama, um personagem secundário plano caricatural, já que ocupa uma posição de

"vovô intrometido" no contexto geral da telenovela, e esta característica é levada ao extremo, funcionando como fator humorístico. Por outro lado, além do conflito amoroso, Nono possui um núcleo familiar centrado em Bertoni e conta muitas histórias a respeito de sua vida passada ao lado da esposa e dos outros filhos, o que o torna um personagem redondo. O Nono é, assim, a materialização de uma simplicidade interiorana relacionada ao passado, enquanto os jovens com quem ele convive representam o presente dividido entre o moderno e o tradicional.

Já Alfredo Modesto é um jornalista aposentado que, a princípio, parece ser somente mais um frequentador do bar do Bertoni. No entanto, mesmo sendo um personagem secundário, ele se revela muito importante para o desenvolvimento da trama. É ele quem interfere nas conversas do bar quando Vadinho tenta distorcer fatos relacionados à prefeitura para prejudicar a imagem de Norberto. Alfredo, neste sentido, passa a ser uma espécie de líder intelectual dos frequentadores do bar, e um conselheiro, alguém que mostra os fatos de maneira mais objetiva e transparente, orientando seus amigos sobre assuntos políticos e pessoais. Ele passa a comandar um programa de comentários políticos na rádio local, com o objetivo de informar a população tida como totalmente alheia a este assunto. Fica clara, em certos momento, uma postura de defesa do prefeito Norberto, porém, diante do contexto das discussões propostas por ele, compreende-se que Alfredo busca, na verdade, a justiça.

Mais tarde Alfredo se torna uma espécie de rival de Norberto, passando a ser assessor de Aurora quando ela decide assumir-se candidata à prefeitura de Paraíso (capítulo 100), aproximando-se e apaixonando-se por ela. A princípio há uma postura firme da primeira dama no que diz respeito à fidelidade conjugal, mas ela gosta das investidas de Alfredo, já que o marido prioriza a política em detrimento do casamento. Não fica claro se, ao fim da trama, antes de morrer, Aurora e Alfredo chegam a ter um relacionamento, mas vale lembrar aqui o envolvimento com a primeira dama para destacar o único momento da trama em que

Alfredo se torna um personagem mais complexo, com o conflito moral de querer conquistar uma mulher que, apesar de divorciada, acredita na insolubilidade do casamento, tudo isso dentro de uma cultura bastante tradicionalista. Ao que tudo indica, sua retidão de caráter o faz respeitar o pensamento da primeira dama, e ele se mantém coerente até o fim da narrativa, sem surpreender o público.

De maneira geral, podemos considerar Alfredo como um personagem secundário plano tipificado: ele é um homem honesto, frequentador do bar do Bertoni, politicamente bem informado, que tenta orientar outros personagens cuja existência parece girar em torno da vida alheia e da alienação. Sua função na narrativa se resume a esta. A única referência a seu passado é a de que ele é um jornalista aposentado, sua família não é mostrada, tampouco o lugar onde vive. Enfim, ele funciona como uma espécie de opositor dos fofoqueiros da cidade. Situação parecida acontece com Isidoro, o primo ajuizado de Geraldo Valfrido. Este é o típico personagem que podemos chamar de "escada", ou seja, ele existe em função de outro personagem, para realçar suas características e atitudes. Neste caso, Isidoro é o homem sensato que cuida das fazendas do primo enquanto ele bebe, joga sinuca e faz de tudo para conquistar Maria Rosa. Isidoro tenta impedir o primo de apostar dinheiro no jogo e de beber excessivamente quando a filha do prefeito o despreza, além de se preocupar com a administração das fazendas, com as quais Geraldo não parece se importar.

Também é Isidoro quem tenta evitar que Geraldo entre em brigas ou discussões e quem o leva para casa depois de seus porres no bar de Bertoni, alertando-o sobre seus erros, apesar de o primo quase nunca ouvi-lo e muitas vezes tratá-lo como um empregado. Quando Geraldo compra parte da rádio local, é Isidoro quem ele coloca para operar os equipamentos. Enfim, fica claro que o personagem existe em função do primo fazendeiro inconsequente. Como é típico nos desfechos de telenovelas, como recompensa por seu esforço e sua retidão, Isidoro ganha uma namorada, Jacira, uma das moças fofoqueiras da cidade. Contudo, pela sua

trajetória em toda a telenovela, Isidoro é um personagem secundário, plano tipificado: o homem equilibrado que tenta impedir os excessos do primo, sem características mais detalhadas, sem conflitos, uma casa, um passado ou uma família que não seja Geraldo.

Como sabemos, o principal ambiente em que se passam as cenas dos três personagens que se enquadram na categoria de conselheiros é o bar de Bertoni. O Nono por ser o fundador do bar e permanecer ali durante todo o dia com o filho, Alfredo Modesto por ser um aposentado que busca aconselhar seus pares frequentadores do local, e Isidoro por acompanhar o primo tentando impedi-lo de levar uma vida inconsequente em função do amor a princípio não correspondido por Maria Rosa. Como veremos, o bar é também o local onde costumam se reunir os fofoqueiros da cidade, ou seja, um ambiente de exposição de ideias, de discussões, de debate, o que o torna ideal para o que Almeida (1988) chama de merchandising de valores, já que há sempre a colocação de opiniões e sempre um personagem sensato que as reforça ou refuta, dependendo das intenções do autor.

A função de conselheiros pressupõe a existência de outros personagens que vivem conflitos, que se sentem confusos e que não sabem qual atitude tomar ou tomam atitudes incabíveis ou impensadas. Os conselheiros possuem uma retidão em seus pensamentos e atitudes que mostram aos telespectadores uma estabilidade, ou seja, eles não surpreendem ao longo da trama, estão ali unicamente para cumprir uma função específica que os liga a outros personagens mais complexos, a função de pessoas sensatas, que sabem o que fazer quando as outras não sabem. Por este motivo Alfredo e Isidoro são personagens planos tipificados, enquanto o Nono, apesar de ter seus conflitos e ser classificado como um personagem redondo, também apresenta, em muitas cenas da primeira fase da trama, características de personagem plano.

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