6.3 R´ esultats
6.3.4 Mesure de la vitesse moyenne d’advection
Do resultado da análise de dados e respetiva triangulação surgiram cinco categorias predominantes: os espaços preferidos, os espaços preteridos, o que gostariam de mudar, o apreço pelo JI e as brincadeiras livres e/ou trabalhos orientados.
Na primeira categoria, concluiu-se que os espaços favoritos das crianças para o grupo, se cingem à Sala Lilás e ao refeitório, sendo estas escolhas justificadas pela criança onze (C11) com “sala dos cinco anos, porque tem muitas coisas fixes que posso brincar”; e pela criança oito (C8) com “refeitório, porque dá para fazer duas coisas: comer e brincar.”
Para os EE e a equipa educativa, os espaços favoritos das crianças são segundo o pai da criança quatro (P4) “a zona de entrada do infantário, o palco e o terraço cá fora”, e de acordo com a Educadora são “o cantinho da casa, dos bonecos, o cantinho do cabeleireiro, dos jogos e dos baloiços no parque, que adoram, mas só podem ir quando o tempo o permite”.
61 Na segunda categoria os espaços que apresentam maior desagrado são o dormitório e a Sala de Apoio, sendo estas escolhas justificadas pela criança dois (C2) com “porque têm camas e tenho que dormir” e pela criança quatro (C4) com “porque passamos muito tempo a dormir.” Em relação à sala de apoio a justificação pela criança dez (C10) “porque não brinco”, e pela criança um (C1) “a sala dos jogos porque é escura.” Nesta categoria não foram identificados quaisquer espaços por parte dos EE e da equipa educativa.
Na terceira categoria, após o tratamento de dados, concluiu-se que o espaço que as crianças queriam mudar era o dormitório. Esta escolha foi justificada pela criança três (C3) com “o dormitório teria que ter uma cama que tem umas escadas para subir, um cobertor novo e uma almofada nova com um ursinho que tem um chapéu” e pela criança seis (C6) com “que o dormitório deveria ter uma cama nova dentro de um castelo, com um comando e uma televisão e almofada de princesa nova.” Nesta categoria também não foram identificados quaisquer espaços por parte dos EE e da equipa educativa.
Relativamente à quarta categoria do apreço pelo JI, os dados recolhidos e posteriormente analisados revelam um consenso por parte de todos os participantes do estudo. Tanto as crianças como os EE, Educadora e Auxiliar de Ação Educativa expressaram dileção pela Instituição. A criança onze (C11) refere que a escola “é fixe, engraçada e gosto de brincar nela”; o EE da criança nove (P9) diz que “ele sente que estes cinco anos que cuidaram no JI foram muito bons para ele, conheceu colegas e fez amizades”, para a Educadora cooperante “as crianças gostam do JI, acham bonito e grande. Alguns quando ficam em casa por algum motivo, pedem aos pais que querem vir para a escola. Gostam dos amigos e gostam das pessoas que estão com eles e principalmente, o que eu acho que é mais importante, das coisas que fazem na escola. Gostam também da alimentação, dizem que é boa, o grupo diz muitas vezes que a nossa escola é a melhor. É muito fixe.”
No que se refere à quinta categoria do brincar e o trabalho orientado, os dados permitiram averiguar que com exceção da Educadora, que não fez qualquer referência à categoria, os restantes participantes do estudo consideram-se satisfeitos,
62 tal como expressa a criança dois (C2) “brincar com os meus amigos” ou a criança onze (C11) “faço desenhos, pinturas e trabalhos fixes”. Os EE também manifestam a mesma opinião, no caso do EE da criança nove (P9) o filho “gosta mais quando vai brincar com os colegas e andar de baloiço” ou o EE da criança sete (P7) menciona que o filho gosta da sala de aula porque existem “atividades orientadas pela Educadora, coisas novas que aprende e do bosque porque há brincadeira ao ar livre e o escorrega”. A Auxiliar de Ação Educativa salienta que as crianças “gostam do espaço ao ar livre, do bosque, mas adoram brincar ao faz de conta, na casinha e no cabeleireiro. Gostam de mandar na casinha.”
Este estudo exploratório permitiu compreender o contributo da comunidade educativa no processo educativo, com particular enfoque nas crianças, uma vez que são elas os “atores principais” do mesmo. De igual forma, permitiu verificar o importante envolvimento dos EE e da equipa educativa, que contribui grandemente para o sucesso das crianças.
Desta forma, ao realizar-se o estudo exploratório, verificou-se que o grupo em estudo revela conhecer a Instituição e os espaços que a constituem, conseguindo identificar as áreas de predileção. Cada criança manifestou a sua opinião e apresentou sugestões, justificando cada um delas.
Ao confrontarem-se os dados recolhidos a partir das atividades desenvolvidas (passeio pela Instituição, entrevistas, registos gráficos, mapas, “Manta Mágica”) percecionou-se que, de todas as categorias resultantes do estudo exploratório, as mais relevantes foram os espaços preferidos, os preteridos e o que gostariam de mudar, uma vez que foram nestas categorias que se registaram diferentes perspetivas por parte dos diferentes intervenientes no estudo exploratório.
Assim sendo, na maioria das situações, a equiparação dos dados revelou que os EE e a equipa educativa apresentam perspetivas diferentes das crianças, pois referem como espaço de eleição o espaço exterior enquanto as crianças fazem referência à Sala Lilás e ao refeitório.
63 No que diz respeito às categorias associadas aos espaços preteridos e à necessidade de alteração dos mesmos, os adultos não manifestaram qualquer opinião, ao passo que as crianças gostariam de mudar o espaço do dormitório, por o considerarem pouco acolhedor e não se identificarem com o mesmo, aspeto comprovado pela referência à necessidade de tornar o espaço físico mais apelativo e agradável.
De acordo com os EE, estes valorizam o ambiente e a equipa educativa, especificando a satisfação das crianças ao frequentar o JI. É importante salientar repetidamente a importância do envolvimento dos EE na educação dos seus educandos, tendo em conta a opinião e participação. Como se pôde constatar os EE nem sempre reconheceram as preferências das crianças, principalmente nos casos de insatisfação e modificação dos espaços. E o mesmo caso reflete-se na equipa educativa que demonstrou algumas discrepâncias ao confrontar-se os dados do grupo, no entanto tendo sempre presente as necessidades, vontades e desejos das crianças.
Através deste estudo exploratório com recurso à abordagem mosaico constatou-se a relevância de analisar com atenção, ponderar as ideias e propostas de cada uma das crianças. Ao nível profissional este estudo exploratório comprovou a importância de escutar e “dar voz” às crianças, tendo em conta não só os espaços do JI, mas todo o meio envolvente de cada uma das crianças, relacionando e incluindo também as sugestões dos EE.
65 CONSIDERAÇÕES FINAIS
67
Sejam quais forem os resultados, com êxito ou não, o importante é que no fim cada um possa dizer:- Fiz o que pude!
Pasteur Com o culminar deste processo de formação, considerou-se relevante refletir sobre as experiências, o percurso desenvolvido, bem como as competências profissionais adquiridas ao longo dos estágios realizados.
A prática educativa supervisionada permitiu acompanhar dois grupos distintos de crianças, creche e jardim-de-infância, que contribuíram para um enriquecimento de conhecimentos enquanto profissional. O contacto diário com as perspetivas de duas Educadoras, de cada um dos grupos, contribuíram para esse mesmo enriquecimento. Em ambos, observou-se o comportamento, o empenho, a dedicação e o trabalho demonstrados por cada uma, resumindo-se numa relação de proximidade para com as crianças. O “educador deve, por isso, ser uma figura afetuosa para que a criança se sinta desejada e acarinhada no seio da instituição a que se encontra. (…) Se este for um relacionamento frio e pouco afetuoso não é possível a criação de um ambiente favorável à aprendizagem”(Esteves, 2005, cit. por Lopes, 2012, p.9). Essa mesma relação remete para as estratégias utilizadas para o desenvolvimento das competências de cada uma das crianças.
A par das práticas realizadas foi fundamental observar e escutar o grupo, a escuta deve ser um processo constante no dia-a-dia das creches e dos JI em que o educador procura conhecer as crianças, reconhecendo os seus próprios interesses, as suas motivações, os seus saberes, os seus desejos, as suas relações, as suas intenções e os seus modos de vida (Oliveira-Formosinho, Kishimoto & Pinazza, 2007). Num primeiro contexto de estágio (berçário), a observação e escuta atenta do grupo permitiu reconhecer as necessidades e intenções das crianças. Para este grupo, e apesar da faixa etária se tornar uma condicionante na realização das tarefas propostas, este estágio contribui principalmente para a importância da relação entre adulto-criança tendo sempre em conta o bem-estar e desenvolvimento das competências desta última. De acordo com Portugal (s/d) o que as crianças necessitam é “atenção às suas necessidades físicas e psicológicas; uma relação com
68 alguém em quem confiem; um ambiente seguro, saudável e adequado ao desenvolvimento; oportunidades para interagirem com outras crianças; liberdade para explorarem utilizando todos os sentidos” ( p.89).
Num segundo contexto de prática (JI), as competências anteriormente adquiridas completaram-se ao realizar o estágio formativo com o grupo de crianças de cinco anos. Neste, tal como no contexto anterior, foi necessário a observação atenta do grupo, não só para a integração no mesmo mas também para reconhecer as necessidades, dificuldades, competências e interesses demonstrados por cada uma das crianças. Esta escuta e observação foi essencial para a interação com o grupo como posteriormente para a implementação das primeiras intervenções, e para o Projeto realizado, tendo como base as próprias ideias das crianças. Para Hohmann & POst (2003)
“educadores e crianças partilham muitos tipos de interacção. Mesmo que os educadores sejam os membros sénior mais experientes destas interacções, procuram estruturar a sua ligação com bebés e crianças pequenas como uma forma de parceria. O que significa envidar todos os esforços para criar um sentimento de controlo partilhado de molde a que as crianças se sintam livres para levarem a cabo as suas próprias ideias, bem como experimentarem e adaptarem as ideias dos outros às suas próprias necessidades.” (p.73)
O estágio nestas duas realidades diferenciadas permitiu a aquisição de novos conhecimentos, de atitudes e de experiências vivenciadas, em parte, porque determinadas perspetivas foram alteradas e reforçadas aquando o estágio em creche e JI. Tais como, a implementação de atividades com crianças de berçário é possível, ao contrário da dificuldade pré-estabelecida em criar tarefas para esta faixa etária, a importância do envolvimento dos EE na comunidade educativa e a influência fulcral do meio exterior para as crianças.
Esta segunda referência acerca do envolvimento dos EE na comunidade educativa é referenciada ao longo do relatório, constando também numa das experiências-chave, isto porque, durante o percurso realizado nos estágios a
69 participação e cooperação entre os EE e a Instituição tornou-se visível e crucial tal como anteriormente mencionado.
No que diz respeito aos espaços exteriores, a sua importância também foi realçada nos dois meios educativos pois o “brincar no exterior traz enormes benefícios para o desenvolvimento da criança, desde as habilidades motoras até às habilidades sociais. Brincar no exterior ajuda a criar conexões positivas com a natureza. As crianças beneficiam a nível físico, emocional, mental e espiritual, ao mesmo tempo que brincar no exterior promove o amor e o respeito pela natureza, o que fomenta um espírito ecológico, consciência da cidadania” (Erickson & Ernest, 2011, p.9). O espaço exterior deveria ser “um prolongamento do espaço interior, onde as mesmas situações de aprendizagem têm um lugar ao ar livre, permite uma grande diversidade e oportunidades educativas, pela utilização de um espaço com outras características e potencialidades” (cit. por Fernandes, 2010, p.8), ou seja, deveria, de igual forma, dar-se a mesma importância ao meio exterior, pelas possibilidades educativas que este pode conter.
Outro aspeto relevante obtido do estágio em JI foi a realização do estudo exploratório com recurso à abordagem mosaico. Este permitiu enquanto futura profissional compreender as necessidades e interesses das crianças ao questionar e perceber as ideias destas acerca da Instituição que frequentam todos os dias. O próprio estudo exploratório remete-nos a “dar voz” às crianças sendo estes os participantes ativos não só no que concerne aos espaços do JI mas também, noutros momentos diferenciados. Como por exemplo, ao realizar-se uma visita, a um jardim, deixar que sejam as crianças utilizem variados métodos tais como fotografias e subsequentemente a construção de mapas ou de dramatizações.
Após o estágio em contextos tão distintos, tornou-se fundamental compreender as competências adquiridas desde o início até ao final da formação profissional. Contudo, trata-se de um processo evolutivo que prossegue ao longo da carreira profissional. No final deste percurso, enquanto futuro Educador de Infância é necessário garantir e contribuir para que as crianças se tornem mais tarde seres
70 autónomos, responsáveis, curiosos, críticos, capazes de tomar diversas decisões em diferentes contextos, que aprendam a viver cada dia como um só.
71 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Referências Normativas Decreto-Lei 319/91 Decreto- Lei nº3/2008
79 APÊNDICES
81 Apêndice nº1 – Carta Informativa/Autorização aos EE
Excelentíssimos Pais e Encarregados de Educação/Tutores Legais
Nós estagiárias da ESEC (Escola Superior de Educação de Coimbra), alunas de Mestrado em Educação Pré-Escolar, iremos implementar um projeto com recurso à Abordagem Mosaico, tendo como principal objetivo reconhecer a perspetiva das crianças sobre o jardim-de-infância.
Por isso, solicitámos a vossa autorização para que o(a) seu (sua) educando(a) participe num trabalho de investigação, que será realizado no âmbito do Relatório Final do Mestrado em Educação Pré-Escolar. Pretendemos assim, que as crianças se expressem livremente, mostrando os seus verdadeiros interesses.
No final, será elaborado um “Tapete Mágico” do qual culminará no produto final do projeto, reunindo todas as informações recolhidas pelas crianças, Encarregados de Educação e Educadora.
No seguimento do trabalho, pedimos também a vossa colaboração, na realização de uma entrevista.
Comprometemo-nos a não divulgar as informações recolhidas, sem ser por motivos académicos.
Agradecemos desde já a vossa compreensão e participação. As estagiárias:
_______________________________e________________________________
__________________________ Encarregado(a) de Educação/Tutores Legais de __________________________declaro que autorizo que o(a) meu (minha) educando (a) participe num trabalho de investigação.
_____________________________________________ (Assinatura do (a) Encarregado (a) de Educação/ Tutor Legal)
82 Apêndice nº2
Quatro nº1
Grupo Sexo Idade Gatinha/Não
Gatinha
Posição Sentado (Com/sem apoio)
Criança 1 Feminino 7 Meses Não gatinha Sem apoio
Criança 2 Feminino 6 Meses Gatinha Sem apoio
Criança 3 Feminino 9 Meses Gatinha Sem apoio
Criança 4 Masculino 9 Meses Não gatinha Sem apoio
Criança 5 Masculino 9 Meses Gatinha Sem apoio