14:36:57 ~ jiru .. :( - enviei-te um mail interessante 14:37:03 s - vou ver 14:39:03 s - eu tb quero um emprego desses!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 14:39:10 ~ jiru .. :( - eu tb [00:12:40] :(*.*.[S@nDr: yah eu vi-te [00:12:41] :(*.*.[S@nDr: lolol
[00:12:50] Ðj d1zZy » F: lool.. eras tu axim kom uma saia tipu.. verde tropa?
[00:13:05] :(*.*.[S@nDr: yah era
5.3 – LÍNGUA DE/EM/NA ESPECIALIDADE
Como nos explicou o Sr. Professor Doutor Célio Conceição durante o Seminário de Linguística Portuguesa leccionado na parte curricular deste Mestrado, todos nós usamos determinadas palavras na nossa vida diária, que só fazem sentido num determinado contexto e ditas a determinados interlocutores, pois elas veiculam «conceitos que remetem para significados específicos de uma determinada área»213. São os chamados termos, que integram o «conjunto de recursos linguísticos de uma determinada língua, usados no âmbito de um domínio de saber ou de uma esfera de actividade», ou seja, a língua de/em/na especialidade.
No caso desta forma específica de comunicação, atrever-me-ia a dizer que suspeito existirem ou poderem vir a existir termos e que isso vai sendo notório, nomeadamente pelo facto de já surgirem dicionários específicos para ela214. No entanto, esta é uma afirmação que resulta somente de uma observação empírica e não de um estudo sistemático, que não houve tempo de realizar para este trabalho (que, aliás, não pretendia aprofundar demasiado esta temática). Todavia, essa observação permite afirmar que palavras como “viajar”, “clicar”, “navegar”, “sítio”, “blogue”, “gifmania”, “hipertexto”, “emoticom”, “smiley”, “página”, “sítio”, “ícone”, “botão”, “interface”, entre muitas outras, fazem parte do vocabulário que cada vez mais tem de ser dominado por quem usa um computador e que têm, naturalmente, um significado muito próprio
213Estou a citar o Sr. Professor Doutor Manuel Célio Conceição, quando, na aula de 29/05/2004 do Seminário de
Linguística Portuguesa, nos explicou o que eram termos e quais as particularidades da língua de/em/na especialidade.
214Como aqueles que foram mencionados na Bibliografia, compilados por Joviana Benedito. Mas existem outros,
nomeadamente em sítios na Internet (basta fazer uma pequena pesquisa num motor de busca para nos depararmos com alguns exemplos, ainda que não com a qualidade ou sistematização dos compilados por esta autora). Para além disso, diversos autores de outras línguas têm feito trabalhos semelhantes ao desenvolvido por Joviana Benedito, como é o caso de obras publicadas pela Editora Inglesa Michael O’Mara (por exemplo: 2003, Ltle Bk of Txt Msgs e Ltle Bk
nos domínios de saber relacionados com esta área (por exemplo, “viajar” significará entrar na Internet e percorrer os diferentes sítios que aí existem, andar de “página” em “página” de hipertexto). A palavra “teclar” já poderá estar ligada, também, ao uso do telemóvel e representa uma outra característica importante, julgo eu, no que diz respeito a estas novas formas de comunicar: o aparecimento de neologismos (palavras novas) e estrangeirismos (palavras importadas de outras línguas)215. Este aspecto reflecte a capacidade que as línguas têm de se adaptarem e de continuarem vivas, a sua dinâmica, tal como defende SEGERSTAD (2002)em toda a sua obra. Celeste ARAÚJO (2003), num
artigo escrito no jornal Público216, dizia:
Todos os especialistas partem da mesma ideia: a língua é um organismo vivo, em constante movimento. "É porque muda que a língua funciona", diz Paulo Osório, professor da Universidade da Covilhã. "Uma língua fechada, sem contacto, é uma língua local e regional e por isso vulnerável", diz Fernando Gonçalves, tradutor e professor na Universidade de Coimbra. "Entrar a fundo numa língua implica sempre sair dela", continua Gonçalves, explicando que os estrangeirismos vindos do francês (como dossiê), castelhano (como ampulheta), ou árabe (alguidar), enriqueceram o português. "O que muda actualmente é que as diferenças fonéticas e da estrutura gramatical entre o português e o inglês tornam o processo visível", diz Ivo Castro.
Também não é de deixar de lado a questão dos regionalismos e da intertextualidade. As expressões que revelam variações geográficas da língua também surgem neste novo tipo de comunicação. Vejamos o exemplo da introdução e simplificação do regionalismo algarvio “Que jeito”:
T: (L)A: parece me k o A anda apaixonado? (trad.: Parece-me que o A anda apaixonado?)
T: (L)A: lol (trad.: Laughing out loud; Rir às gargalhadas.) T: (L)A: lol
A_S: lool (trad.:.Rir também.) A_S: kjeites (trad.: Que jeito!)
215 Muitas expressões usadas pelos utilizadores do SMS, Chats e MSN são directamente importadas de idiomas
estrangeiros, quase todas elas provenientes do Inglês, como é o caso de NP – no problem, não há problema; ppl –
people, as pessoas, os indivíduos; okay – estar de acordo; mail – endereço; site – sítio. J. Benedito diz a propósito (2003d: 16): «A partir dos vocábulos de referência há uma imensa lista de formação de palavras, frases e expressões que são de uso comum dos internautas (…) Para além dos neologismos, em grande parte, na língua de origem, como os vocábulos cracker, hacker, nerd, geek, etc., há ainda o jargão próprio do meio e os hábitos linguísticos dos seus utilizadores.»
216A
RAÚJO, Celeste, 2003, "Sandwich" Ou Sandes? Não É Essa a Questão, Domingo, 11 de Maio de 2003, Lisboa:
Marcas intertextuais217 também estão constantemente presentes. Atente-se em mais um exemplo:
T: (L)A: então cm foi o teste de kimica? (trad.: Então, como foi o teste de Química?) (i)A_S: lol (trad.: Laughing out loud; Rir às gargalhadas.)
(i)A_S: foi fácil (trad.: Foi fácil …)
(i)A_S: por acaso n é mto difícil (trad.: … Por acaso, não é muito difícil …)
(i)A_S: penso eu de que (trad.: “Penso eu de que” – referência clara a uma expressão utilizada no programa televisivo Contra Informação e atribuída à personagem/boneco que caricaturiza o Presidente do Futebol Clube do Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa.)
Esta será uma área de investigação em que, de futuro, se poderá apostar, observando e reunindo corpus de análise extensos, que permitam identificar de forma sistemática e metodologicamente correcta os novos termos, para que os mesmos sejam compilados e entendidos correctamente por todos os falantes do português e, em particular, pelos utilizadores destes media.
217Maria Alzira S
EIXO (1977:16), tal como já foi referido no Capitulo onde se abordaram as questões relacionadas com a metodologia empregue neste trabalho, define Intertextualidade como uma forma de, conscientemente e ao nível das mais diversas manifestações sociais, introduzir/absorver «textos anteriores», ou seja, é o conjunto de relações que um texto pode estabelecer com outros. Júlia Kristeva falava num “mosaico de citações”, em que os textos a que acedemos são transformados/ enformados por outros previamente lidos pelo seu Autor e pelo contexto social em que o mesmo se encaixa. São, também, trabalhados por nós, que temos a liberdade de seguir um caminho
6 – Uso destes Códigos