5.8 Etude de stabilit´ e lin´ eaire
5.8.2 Mesure de la longueur d’onde initiale : comparaison air et eau
A poesia é uma forma de energia. O poema é um campo dessa energia – intensamente concentrada e irradiante. O poema: um corpo que pulsa. Um feixe de ondas, um campo de vibrações. O poema: energia rítmica, emocional, imagística, semântica. Energia que se manifesta na linguagem e como linguagem, mas que não é apenas verbal: enraízam-se as pulsações na matéria cósmica e da vida em geral, singularmente na humana. O mistério existencial e sagrado da palavra. A força mágica da linguagem-criação. Natureza e cultura: revelação que se constrói, trabalho que se ilumina.”
(Severino, 2002, p. 20)
Como já fora referido, a palavra poema tem origem em poieín (fazer) e, assim como poiesis significa “ato de criação”, poieín representa a materialização dessa criação (Aguiar e Silva, 1990).
De acordo com Moisés (2012, p. 105), há “uma aliança entre a categoria abstrata ou semiabstrata (a poesia) e a categoria formal (o poema), de modo que ao compor um poema, o criador de arte literária estaria cônscio de, por meio dele, exprimir poesia. Reciprocamente, quando aspirasse a vazar em palavras o ‘sentimento do mundo’ que o habita, buscaria a forma do poema”.
Associar-se a palavra poema ao formato do texto em versos, como já se viu, é comum. Seria essa a forma pela qual o poeta expressaria sua arte, o sentimento do mundo que carrega dentro de si (Paz, 1982). Mais do que isso, entretanto, para Moisés (1967, p. 34), poema é o conjunto harmônico que expressa a poesia “em seu conteúdo e em seu intrínseco ritmo” [...] “sendo que [...] (o poema) não é a sua representação formal, gráfica, é, sim, a
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soma de signos mediante os quais o poeta procura comunicar-se”. Dessa forma, poesia e poema também são indissociáveis.
Amora (1973, p. 75) reafirma essa indissociabilidade ao apresentar convincentemente a distinção que faz entre poesia e poema. Para o autor,
“[...] poesia é o ‘estado emotivo’ ou ‘lírico’ do poeta, no momento da criação do poema; o ‘estado lírico’ reviverá na alma do leitor se este lograr transformar o poema em poesia. Poema é a fixação material da poesia, é a decantação formal do ‘estado lírico’; são as palavras, os versos e as estrofes, que se dizem e que se escrevem, e assim fixam e transmitem o ‘estado lírico’ do poeta”.
O poema, para Jolibert (1994, p. 161), é visto apenas como um texto em versos que se coloca em “espaço particular”, “das alíneas, sublinhadas ou não por maiúsculas”, “dos espaços em branco (ao redor do texto) e entre os versos ou blocos de versos – ou ainda, na poesia contemporânea, dentro dos versos”, com “um título [...] e um nome de autor, geralmente enquadrando o corpo do texto, que é, na maioria das vezes, curto o suficiente para figurar em apenas uma página”.
Pode-se, no entanto, encontrar o poema não só em versos, mas também em prosa: se o texto for apresentado “de modo descontínuo, formando linhas cortadas regularmente, (estas) recebem o nome de versos” (Moisés, 1967, p. 36-37); se as linhas forem contínuas, organizadas em parágrafos, pode-se considerá-lo um poema em prosa ou prosa poética, porque, apesar da falta de elementos característicos da forma poética, como os versos, as estrofes, as rimas, as palavras carregadas de simbologia, sonoridade e ritmo mantêm as características do texto poético.
Os linguistas do século XX, com destaque aos formalistas russos, entre eles Jakobson, de acordo com Moisés (2012, p. 101), desenvolveram “um conceito de poesia em que o privilégio é decididamente concedido à forma”. Para Moisés, Jakobson (1971), em seu estudo, apresenta um conceito limitado à versificação que se revela na afirmação de que “a medida de sequências é um recurso que, fora da função poética, não encontra aplicação na linguagem [...]”, e mais à frente, ainda sem esclarecer muito mais: “o verso de fato ultrapassa os limites da poesia; todavia, ele sempre implica função poética” (apud Moisés, 2012, p. 104). De acordo com Moisés, o linguista não consegue, em sua obra, aprofundar o conceito de poesia ou “poeticidade”, pois sua especial atenção voltou-se apenas à função que a linguagem desempenha nos seus diferentes contextos.
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Para Aguiar e Silva (1990, p. 45), entretanto, “A função poética reduz o significado da mensagem”, pois para Jakobson, “a construção da mensagem poética é regida por processos de ‘equivalência’, ou seja, por relações de semelhança, o que faz com que repita uma estrutura semelhante do som, da sintaxe, da morfologia e entre outros”. O que se distancia desse modelo, de acordo com Jakobson, deixa de constituir-se como função poética ou “poeticidade”, como afirma Moisés (2012). Segundo Aguiar e Silva (1990, p. 46), a teoria de Jakobson apresenta um equívoco ao “conceber a literatura como um subsistema dependente do sistema linguístico”, onde “a função poética é uma das funções da linguagem e a poética é uma das subdisciplinas da linguística” – uma concepção inaceitável, segundo este autor.
Segundo Jolibert (1994, p. 203), entretanto, a importância de Jakobson fixa-se exatamente na distinção que faz entre as funções predominantes nos diversos tipos de texto, uma vez que o autor
“evidencia [...] que a função poética da linguagem é claramente diferente:
- da função emotiva ou expressiva (portanto, não é em primeiro lugar a expressão de sentimentos ou emoções, como poderiam levar a pensar [...] certas heranças românticas);
- da função referencial (portanto, não é primeiramente um texto que conta bem, que descreve bem algo que se entende bem com algumas rimas a mais)”.
Ao definir os elementos da comunicação: emissor-receptor-mensagem-canal- código, Jakobson centra a função poética na mensagem, isto é, a mensagem constituída por seus elementos linguísticos, suas imagens, suas relações de som e sentido.
Ao centrar a função poética na mensagem, Jakobson abre a perspectiva de que tanto o emissor quanto o receptor adquiram status de sujeito da comunicação, de acordo com a teoria da recepção de Jauss, Iser, Eco, entre outros, uma vez que a mensagem deixa de ser exclusiva do sujeito que a criou quando passa a ser (re)construída e transformada por muitos outros que dela se apropriam e que assumem, então, esse mesmo status.
Nos estudos realizados percebe-se, entretanto, na maioria dos autores, a preocupação com a análise da poesia em suas duas dimensões, conteúdo e forma, como elementos intrínsecos e indissociáveis.
Assim, ousa-se afirmar que a poesia, primeiro e ainda no nível do pensamento, é criação, que se corporifica através da linguagem expressa no texto poético, predominantemente, por palavras polissêmicas, metafóricas, “estranhas” (Aristóteles), que,
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associadas ao ritmo, aproximam-se da música e buscam representar o mundo (interior e exterior), através de seus elementos constitutivos: a representação, a intuição e os sentimentos, em seu código-mensagem, e que apenas se concretiza no processo triádico- dialógico: autor>poesia<leitor – “trouxeste a chave?”