No âmbito do estudo de caso, são possíveis variadas técnicas de recolha de dados (como revisto no ponto 3.1 em “Desenho do estudo”), próprias da investigação. Para este projeto, foram utilizadas as entrevistas e a análise de vídeos como ferramentas qualitativas de análise de dados e escala visual analógica como ferramenta quantitativa (traduzida em gráfico) como ferramenta quantitativa, de obtenção de dados. A utilização destas diferentes ferramentas de análise constitui formas de obtenção de dados de
diferentes tipos, os quais proporcionam a possibilidade de cruzamento de informação, como já designado por “triangulação” (Coutinho e Chaves, 2002).
Os vários métodos de recolha de informações são escolhidos de acordo com a tarefa a ser cumprida (Coutinho e Chaves, 2002). Assim sendo, são utilizadas múltiplas fontes de dados por permitir, por um lado, assegurar as diferentes perspectivas dos participantes no estudo e por outro considerar um conjunto mais diversificado de tópicos de análise e em simultâneo permite corroborar o mesmo fenómeno (Coutinho e Chaves, 2002).
A utilização dos dados visuais tem uma importância crescente na investigação qualitativa (Flick e Parreira, 2005). O autor aponta várias razões para usar dados visuais em conjugação com dados verbais: 1)”o investigador deseja ir além da linguagem falada e do relatório acerca das ações, para chegar a estas e analisá-las tais quais ocorrem naturalmente; 2) certas formas de observação funcionam sem ser preciso o investigador ter qualquer intervenção no terreno e 3) a possibilidade de obter informações por meio de observação participante e pela intervenção no terreno, observando a seguir as consequências resultantes” (Flick e Parreira, 2005, p.161).
No que respeita à gravação em vídeo de todos os momentos letivos, estas gravações permitem a análise posterior, para reflexão crítica bem como posterior avaliação vocal preceptiva. A utilização de dados visuais contribui, assim, para refinar a observação como método geral (Flick and Parreira 2005).
final, ficando registadas, inclusivé, todas as considerações iniciais e finais. Por considerações iniciais, entenda-se, a primeira parte da aula, na qual o aluno descreve a sua semana de trabalho e de estudo, apontando logo, questões que tenham suscitado dificuldade, dúvida ou curiosidade. A fase inicial da aula é de extrema importância, pois é o momento em que o aluno fornece também feedback do trabalho realizado na aula anterior, e a sua reflexão do trabalho realizado. Nos momentos finais, o professor tende a realizar uma síntese do trabalho realizado, apontado objetivos para a sessão seguinte, definindo tarefas a realizar durante a semana de estudo. Assim, procedeu-se à gravação,
sem interrupções, de todas as sessões, desde o momento em que o aluno chegava à sala, até ao momento em que a abandonava.
A gravação em vídeo permitiu registo de imagens e de áudio, o que permitia a revisão do comportamento do aluno, bem como a realização posterior de uma avaliação percetiva da sua voz, avaliando questões técnicas como o tipo de fonação, exploração de ressonâncias, ataque vocal, dicção do texto, interpretação e expressão. Para além de questões auditivas, aspetos como a expressão corporal bem como a postura, também são analisados neste registo (anexo D).
Parreira (2005) sugere ainda que as observações dos dados visuais sejam complementadas com entrevistas adicionais, uma vez que as observações assentam em interações e atos pelo que “a perspectiva dos participantes é muitas vezes estabelecida com base em entrevistas adicionais”(Flick e Parreira, 2005, p.162). Assim, neste estudo, são realizadas duas entrevistas ao aluno, para triangulação de dados (como referido no ponto 3.1 “Desenho do Estudo”).
As gravações em vídeo, de cada aula, foram visionadas a posteriori tendo implicações na planificação da aula seguinte. Por conseguinte, a planificação da aula seguinte, foi realizada em função do visionamento da aula anterior, constituindo um ciclo de espirais reflexivas.
Dezin (2002) citado por Flick (2005) refere que “não há método específico de análise de dados fílmicos (Flick e Parreira, 2005, p.163). Neste sentido o autor, defende a adequação do método ao assunto.
Neste estudo, para análise dos vídeos, foram considerados quatro passos propostos por Denzin (1989) citado por Flick (2005) sobre a análise de filmes:1) o registo é encarado como um todo, registando-se impressões perguntas e significados dignos de nota 2)formulam-se questões de investigação a explorar com base no material, anotando cenas-chave (minutagem) 2) são feitas microanálises estruturadas de cada sequência, conduzindo a descrições pormenorizadas 4) a busca de padrões amplia-se a todo o registo a fim de encontrar resposta para as questões de investigação (Flick e Parreira, 2005).
Os dados obtidos são então triangulados com os resultados das entrevistas e dos questionários das EVA (escalas visuais analógicas).
Para a análise destas gravações foi utilizada uma tabela (anexo D) na qual se registavam as ocorrências em função do tempo de aula decorrido sendo a análise baseada nos parâmetros: a) tempo decorrido; b) tarefa realizada; c) comportamentos relevantes; d) Ferramenta utilizada; e) número de repetições; f) palavras-chave (feedback verbal do professor; g) expressões relevantes (ao aluno); h) observações; i) comentários à análise. Min. Tarefa realizada Comportamentos relevantes Ferramenta utilizada Nº de repetições Palavras-chave (feedback verbal do professor) Expressões relevantes (do aluno) Observações Comentários à análise
Tabela 2 - Parâmetros de análise das gravações, em vídeo, das aulas.
Os parâmetros utilizados procuram analisar o impacto das ferramentas de ensino no comportamento do aluno e do professor, no contexto de ensino-aprendizagem de canto.
Neste sentido, o método de análise, tem por objetivo descrever “comportamentos relevantes”, quer da parte do aluno ou do professor, em função das “tarefas realizadas”. No que respeita aos “comportamentos relevantes”, este parâmetro define melhor a tarefa realizada, com enquadramento técnico do comportamento do aluno e do professor, no âmbito da técnica vocal.
O “número de repetições” vem na sequência da “ferramenta utilizada”, para uma observação direta da consequência da utilização de determinada ferramenta na execução da tarefa atendendo ao “número de repetições” necessárias para atingir o objetivo do exercício, isto é, a sua adequada execução.
A avaliação do “feedback verbal do professor” torna-se importante para compreender de que forma o seu comportamento muda, bem como o uso da verbalidade para atingir os objetivos técnicos pressupostos. Neste sentido, o registo das “expressões relevantes do aluno” permitem analisar e compreender o impacto que as ferramentas de ensino em análise têm no aluno, do ponto de vista da sua compreensão do exercício, do tempo que demora conseguir executar a tarefa pedida, compreendendo o seu enquadramento face às novas tecnologias apresentadas e a sua resposta face ao feedback verbal do professor. Deste modo, avaliando também a qualidade da comunicação entre professor e aluno, e o impacto que as novas tecnologias têm nesta comunicação.