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Os reflexos sociais da globalização são também observados na comunicação. As tendências sociológicas de revitalização do local e do comunitário, como forma de reação ao processo de globalização, também são válidas para os processos comunicacionais. Assim, enquanto as comunicações ganhavam dimensões globais, paradoxalmente, observava-se um maior interesse, por parte da população, pela informação de proximidade. Da mesma forma, as corporações midiáticas tendem a regionalizar sua produção, abrindo alguns espaços na programação nacional.

Na perspectiva de López Gárcia (2002, p. 200),

os media de proximidade encontram-se numa encruzilhada que exige uma revisão das suas estratégias tanto empresariais como informativas se querem conquistar o futuro. [...] Enquanto avança a globalização ou se multiplicam as redes que facilitam a intercomunicação em tempo real, o valor social da informação de proximidade também aumenta.

Esse movimento sociomidiático pode ser observado nos diversos segmentos da comunicação de proximidade, seja ela local ou regional: desde emissoras de rádio local e/ou regional, jornais locais em cidades do interior do Estado, emissoras afiliadas das grandes redes de televisão, jornais de bairro das capitais, sites com informações locais e outros.

A mídia local é caracterizada por operar na perspectiva comercial, como corporações ou pequenas empresas, em uma lógica de rentabilidade econômica. Nesse sentido, reproduzem a lógica da grande mídia no que tange à gestão, aos jogos de interesse e às estratégias de captação de recursos (PERUZZO, 2006, p. 151), mas tendem a veicular um conteúdo relacionado às especificidades locais, além de informações nacionais e internacionais. Trata-se de uma tendência que também vem sendo apontada por pesquisadores como López Garcia (2000, p. 112), para quem

Neste novo contexto, muitos dados apontam que para se ter êxito no hiper- setor da comunicação precisa-se combinar adequadamente os aspectos macro e micro. [...] Isto quer dizer que a mídia local, sem abandonar sua atenção à informação de proximidade e aos traços de identidade, deverão implantar novas alianças tanto com mídias tradicionais quanto com as novas mídias. E, sobretudo, terão que aproveitar as possibilidades de produzir bens e serviços que ofereçam tecnologias atuais, especialmente mediante a internet, para manter a identidade em uma sociedade global.

Outras tendências principais da mídia local, apontadas por autores como Peruzzo (2006), López Garcia (2000; 2002) e Camponez (2002) são: veicular uma programação baseada em informações internacionais, nacionais e locais; os comprometimentos político-

econômicos tornam-se mais evidentes; como opera na lógica de rentabilidade econômica, tem o lucro como objetivo principal; utilizar-se de algumas estratégias da mídia comunitária, como forma de promover a credibilidade, visando a êxitos mercadológicos; a gestão e o planejamento ficam sob o comando da cúpula organizacional.

Pode-se, então, dizer que informação local é aquela que “cobre a vida de um bairro urbano ou de uma associação bem determinada e aquela que cobre as cidades de menor dimensão, cantões, comunas e aldeias do interior do país, em suma, tudo o que está claramente localizado do ponto de vista geográfico ou sociológico” (GRITTI apud CAMPONEZ, 2002, p. 109).

Seguindo este raciocínio, encontramos em Ringlet (apud CAMPONEZ, 2002, p. 101) uma classificação da mídia local: a) verdadeiro local; b) semilocal; c) local comprometido ou engajado; d) falso local. O “verdadeiro local” é o local esmiuçado, detalhado; possui uma política editorial preocupada com a ocupação do terreno. Pode possuir uma tendência mais sensacionalista ou popular, caracterizada pela forma como recorre aos efeitos gráficos, à paginação, e, quanto ao conteúdo, tende a destacar informações de serviços, fait-divers. Apresenta títulos pequenos e, apesar de um abundante recurso às fotos, são os textos que preenchem parte significativa do jornal. O “semilocal” seria um local hesitante, incerto. O jornal obedece à lógica comercial, de busca de públicos mais diversificados, do que a uma verdadeira vocação local/regional. Podem ser jornais dirigidos a um público nacional, onde a informação local é reduzida em comparação ao restante do conteúdo, como periódicos que criam cadernos ou seções para a informação local/regional. Por “local comprometido” ou “engajado” compreende a imprensa partidária ou sindical, alternativa, centrada na discussão de temas sobre a realidade econômica e social, sem interesse em um alinhamento político- partidário. Finalmente, “o falso local” está mais preocupado em vender a sua manchete do que propriamente com o seu local.

Em suma, a mídia local é aquela que opera na ótica mercadológica e sua vocação local está intimamente ligada ao compromisso – à intencionalidade e à intensidade deste – do veículo em dar voz às especificidades da localidade em que se insere.

A estratégia de implantação de um meio de comunicação que opere em nível local deve levar em conta: o espaço geográfico de implantação, de produção e apreensão dos acontecimentos, o espaço da difusão, os conteúdos partilhados, a informação disponível e a seleção do(s) público(s) (CAMPONEZ, 2002, p. 108). Além disso, a viabilidade da implantação dessa mídia depende das condições de captação de recursos publicitários e da capacidade de se trabalhar com a informação de proximidade como um negócio lucrativo.

Tanto a mídia local como a regional se instalam em localidades estrategicamente escolhidas para ali construírem um bloco geoestratégico, exercendo suas relações com as instâncias de poder político, social, econômico e cultural – públicos, anunciantes e outras instituições.

Há, como se pode notar, diferenças fundamentais entre a mídia local e a comunitária. As distinções estão nas suas finalidades, nas estratégias de sustentabilidade e de gestão, no processo de produção, nos conteúdos etc. A mídia comunitária possui interesse no desenvolvimento social e disso decorrem suas características. Já a mídia local, se vale de uma programação mais localizada, se inserindo em pequenas regiões, com interesses comerciais. É claro que prestam alguns serviços para a população local, mas possui motivação e finalidades diferentes, em essência, da comunitária.

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