Os resultados encontrados para a porcentagem de dias de incêndios florestal em cada classe do risco de fogo são apresentados na Tabela 3.
Tabela 3 – Valores em porcentagem do número total de dias com ocorrência de incêndios florestais para cada classe do risco de fogo, para cada subzona
classes de RF porcentagem dentro da classe (%)
Subzona 1 Subzona 2 Subzona 3
Mínimo 15,05 18,88 31,63 Baixo 13,79 11,43 6,49 Médio 15,88 16,01 14,91 Alto 12,57 12,25 13,64 Crítico 42,71 41,43 33,33 Fonte: o autor.
Observa-se que para a subzona 1 o menor valor foi para a classe alta com 12,57% dos dias que ocorreram incêndios florestais, para as subzonas 2 e 3 o menor valor aconteceu para a classe baixo com 11,43% e 6,49%, respectivamente, dos diasque ocorreram incêndios florestais. Para ambas subzonas a maior quantidade de dias encontrados foi na classe crítico com 42,71%, 41,43% e 33,33%, respectivamente, subzonas 1, 2 e 3.
Ao analisarmos em acertos e erros, pode-se agrupar as classes em dois grupos. O grupo erro seria o somatório das classes mínimo e baixo, pois, não se espera a ocorrência de um incêndio em estas classes e o grupo acerto seria o somatório das classes médio, alto e crítico, as quais traduzem em um maior risco, ou seja, maior chance de se ter a ocorrência de um incêndio florestal.
Para o grupo erro, as três subzonas obtiveram resultados similares, sendo que para a subzona 1 o grupo erro apresentou um total de 28,84% do total das ocorrências de incêndios florestais, a subzona 2 obteve 30,31% de erros. Já para a subzona 3 o erro foi maior com 38,12%. Em relação ao grupo acerto, consequentemente, obteve valores acima dos 60%, como pode ser visto para as subzonas 1, 2 e 3, com71,16%; 69,69% e 61,88%, respectivamente.
113 Nas Figuras1, 2 e 3, são apresentados os números de dias de ocorrência de incêndio em relação as classes de risco de fogo.
Figura 1 – Gráfico da porcentagem do número total de dias com ocorrência de incêndios florestais para cada classe do risco de fogo, para a subzona 1.
Fonte: ao autor.
Figura 2 – Gráfico da porcentagem do número total de dias com ocorrência de incêndios florestais para cada classe do risco de fogo, para a subzona 2.
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Figura 3 – Gráfico da porcentagem do número total de dias com ocorrência de incêndios florestais para cada classe do risco de fogo, para a subzona 3.
Fonte: o autor.
Com a visualização das Figuras1, 2 e 3 é possível constatar uma relação crescente dos dias que ocorreram incêndios florestais e as classes de risco. O que pode ser confirmado com as equações lineares ajustadas para a linha de tendência, as quais são positivas. Não obstante, os valores de R² são baixos, como pode ser visto nas subzonas 1,2 e 3, com 0,45; 0,35 e 0,02, respectivamente.
Sismanoglu e Setzer (2014) relatam que para a região sudeste, no período compreendido entre janeiro de 2012 e junho de 2014 o nível crítico de risco de fogo oscilou entre 50% e 70% para as datas que ocorreram focos de calor, valores distintos ao presente estudo, onde obteve-se uma variação de 24% à 86%, e uma média de 60%.
Ao efetuar a análise da variação do risco de incêndio, Sismanoglu e Setzer (2014), baseando-se na sobreposição das classes médio, alto e crítica, os autores encontraram que o risco de fogo acumulado apresentou uma variação entre 80% e 95%, nos meses com maior ocorrência de focos de calor para o período analisado. O presente estudo teve como média na sobreposição dessas classes um valor médio igual a 54% para a época 1 de ocorrência, e de 73 % para a época 2, abaixo do relatado pelos autores supracitados, entretanto, como é uma média, não é possível fazer uma correlação direta.
115 Cada subzona da área de estudo possui duas épocas de ocorrência de incêndios florestais distintas, sendo elas: para a subzona 1 (época 1: dezembro a março, e época 2: agosto a outubro), para a subzona 2 (época 1: janeiro a março, e época 2: agosto a outubro) e já para a subzona 3 (época 1: janeiro e fevereiro, e época 2: agosto a outubro), para melhor entender o comportamento do risco de fogo em cada época de ocorrência, realizou-se a média em relação aos meses analisados, conforme pode ser visualizado na Tabela 4.
Tabela 4 – Valor médio do risco de fogo (RF) em relação aos meses do ano para as subzonas 1, 2 e 3
meses do ano valor médio do RF
Subzona 1 Subzona 2 Subzona 3
janeiro 0,60 0,50 0,40 fevereiro 0,75 0,57 0,49 março 0,77 0,68 0,40 abril 0,50 0,72 0,47 maio 0,68 0,81 0,66 junho 0,65 0,76 0,71 julho 0,77 0,71 0,61 agosto 0,86 0,85 0,81 setembro 0,86 0,82 0,68 outubro 0,56 0,65 0,52 novembro 0,45 0,33 0,17 dezembro 0,24 0,38 0,31 Fonte: o autor.
Como pode ser observado o maior valor encontrado para a subzona 1 foi para o mês de agosto e setembro, pertencente à época 2, com um valor médio de 0,86 e para a época 1 foi obtido a maior média para o mês de março com 0,77. Ao analisarmos as médias das épocas 1 e 2, temos 0,59 e 0,76, respectivamente, o que permite afirmar que o risco de fogo possui um melhor acerto para a época 2 de ocorrência de incêndios florestais na subzona 1. Vale ressaltar que as média 0,56 e 0,73 estão acima do valor limite para definição do risco de ocorrência ou não de incêndios florestais, definido no presente estudo como grupo de acerto.
Para a subzona 2, têm-se que os meses com valores médios do risco de fogo mais elevado para as épocas 1 e 2 de ocorrência de incêndios florestais são também, os meses de março e agosto com 0,61 e 0,84, respectivamente. Ao realizar
116 a análise das médias do valor de risco de fogo dentro das épocas 1 e 2 obteve-se os valores 0,58 e 0,77, respectivamente.
Já para a subzona 3, destaca-se a média dos valores de RF nas épocas 1 e 2 de ocorrência de incêndios florestais, com valores de RF médio iguais a 0,45 e 0,67, respectivamente.Como observado para a subzona 1, para a subzona 2 e agora para a subzona 3, ambas possuem comportamento similar, sendo a época 2 commaior previsibilidade e acerto em relação à ocorrência de incêndios florestais.
Outra questão relevante para a análise empreendida é a média muito baixa para o mês de dezembro na subzona 1, com o valor médio de RF igual 0,24, e para o mês de novembro para as subzonas 2 e 3, com valores de RF iguais a 0,33 e 0,17, respectivamente. Tal fato pode ser explicado pela deficiência hídrica nesses meses, uma vez que a deficiência hídrica é nula ou extremamente baixa por consequência do acúmulo da precipitação dos meses anteriores, impactando diretamente sobre o cálculo do RF.
Com a análise da Figura 3 é possível verificar a variação do valor médio do risco de fogo e do número médio de ocorrências de incêndios florestais em relação aos meses do anopara a subzona 1.
Figura 3 – Gráfico da variação do valor médio do risco de fogo (RF) e do número de ocorrências de incêndios florestais em relação aos meses do ano, para a subzona 1
117 Nota-se que não há uma relação direta entre o comportamento, o número de ocorrência e o valor médio do risco de fogo, entretanto, excetuando-se os meses de novembro e dezembro, têm-se uma média superior ao valor 0,5. A Figura 4 apresenta a variação do valor médio do risco de fogo e do número de ocorrências de incêndios florestais em relação aos meses do ano, para a subzona 2.
Figura 4 – Gráfico da variação do valor médio do risco de fogo (RF) e do número de ocorrências de incêndios florestais em relação aos meses do ano, para a subzona 2
Fonte: o autor.
Como observado para a subzona 1, também não há um comportamento direto entre número de ocorrências e valor médio do risco de fogo para a subzona 2. Excetuando-se também os meses de novembro e dezembro, os demais meses apresentam médias do risco de fogo superiores a 0,50. É possível visualizar também que nos meses entre as épocas 1 e 2 de ocorrência de incêndio, abril a maio, o valor médio do risco de fogo é elevado, superior a 0,75, ou seja, o risco de fogo responde de forma eficaz também nos meses que não se há uma elevada ocorrência de incêndios.
O mês de novembro é o mês com o menor valor médio de risco de fogo com 0,33, para a subzona 2. Este fato poderia estar relacionado com a maior quantidade de precipitação (dados do capítulo 2 da presente tese), uma vez que, conforme relatado pelos criadores do índice, o princípio do risco de fogo é o de que quanto mais dias seguidos sem chuva, maior a probabilidade de um incêndio, associado ao fato de que o mês de novembro é o que possui a maior média pluviométrica da subzona 2. Indo ao encontro do que foi dito, o mês de agosto, com a maior média do
118 risco de fogo com 0,85, é o mês que apresenta uma das menores precipitações para a subzona 2.
A Figura 5 apresenta a variação do valor médio do risco de fogo e do número de ocorrências de incêndios florestais em relação aos meses do ano, para a subzona 3.
Figura 5 – Gráfico da variação do valor médio do risco de fogo (RF) e do número de ocorrências de incêndios florestais em relação aos meses do ano, para a subzona 3.
Fonte: o autor.
Como pode ser visualizado na figura anterior, também não há uma relação direta entre número médio de ocorrências e valores médios de RF. Contudo, ressalta-se que os meses fora das épocas de ocorrência possuem um valor médio de RF de 0,48, ou seja,acima da média encontrada na época 1, com 0,45. Assim como já destacado ao longo deste trabalho, essa variação vem da fórmula de como é calculado o RF, e sua relação com os dias que não ocorrem precipitações na região.
Contudo, ressalta-se que a análise das médias do risco de fogo mensais contrapondo-se as precipitações médias acumuladas não é direta, ou seja, há médias elevadas em meses com precipitações também elevadas. Acredita-se que para uma maior e melhor correlação deve-se incluir o fator tamanho da área do incêndio e as causas da ocorrência, uma vez que, não se têm dados para a realização de tal análise no presente estudo.
119 Não foi possível verificar a porcentagem de sucesso, ou seja, a porcentagem de acerto do RF, uma vez que, não existia os dados de valores diários (somente os dados das datas que ocorreram incêndios). Tendo tal questão em consideração, destaca-se a necessidade de trabalhos futuros sobre o tema.