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(732) MARWA TRADING SARL SIDI OTHMANE BLOC 22 N 69

Dans le document I. DEMANDES D'ENREGISTREMENT DE MARQUE (Page 105-108)

Nomes como Yves Congar, Karl Rahner, Hans Küng, Edward Schillebeeckx são via de regra citados quando se faz referência não apenas à história da Concilium, mas também à teologia contemporânea. Eles, entre outros, delimitaram os contornos da revista, dela participando efetivamente não apenas como idealizadores, mas também como membros dos Comitês de Direção e dos Comitês responsáveis pelas mais diversas disciplinas. Em conseqüência, pode-se inferir que moldaram muito da sua identidade. E relembrando que as relações da revista com Roma foram relações de distanciamento, observar as suas posturas teológicas pode ter muito a dizer sobre isso. E, ao que parece, a “transgressão” é uma expressão que une tais teólogos.

Yves Congar (1904-1995), teólogo dominicano francês, tem sido citado, por exemplo, por ter questionado pontos que dizem respeito à necessidade de reforma da Igreja, ao papel dos leigos na instituição e sobre o ecumenismo. Devido a isso sofreu, por diversas vezes, a pressão dos organismos que na Igreja zelam pela ortodoxia. As pressões que sofreu foram exercidas não só pelo Vaticano, mas também pelos superiores da sua ordem. Sobre o ecumenismo, Yves Congar escreveu, em 1937, a obra “Cristãos desunidos. Princípios de ecumenismo” (“Les Chrétiens desunis”), sendo chamado a Roma, em 1947, devido a algumas de suas afirmações. Em 1950, escreveu “Verdadeira e falsa reforma na Igreja”, que teve grande repercussão. Porém, quando a edição em italiano estava para ser preparada foi proibida, bem como as traduções em outras línguas. A partir de 1952, teve que submeter ao Vaticano todos os escritos que desejasse publicar, o que levou muitos a se admirarem por ele ter conseguido publicar, em 1953, “Jalons pour una théologie du laicat” (“Marcos para uma teologia do laicado”, em tradução livre), que preconizava uma revolução na forma de entender a identidade e a

missão dos leigos. Interessante perceber que, mesmo com esses eventos, o papa João XXIII, em 1958, ao convocar o Concílio Vaticano II, convidou o teólogo para ser consultor e, depois, perito conciliar. Este teólogo acabou por tornar-se um dos mais influentes no Vaticano II, em especial no que dizia respeito a questões do laicado, da eclesiologia e do ecumenismo.329

Yves Congar é também citado no artigo “As fogueiras da Inquisição semeiam o terror”, que faz referência ao pregador italiano Jerônimo Savonarola (1452-1498), perseguido e queimado vivo pela Inquisição. No final do referido texto, transcrito por ocasião do 400º aniversário da morte de Giordano Bruno, ele é mencionado como um dos teólogos perseguidos por João Paulo II, um papa que, como afirma o artigo, em pleno século XX barrou “toda e qualquer dissidência no sistema de ensino e produção teológica” (grifo do autor), em nome da defesa da “ortodoxia católica”, ameaçada “pelos desafios da modernidade”.330 Também, nas mais atuais críticas a ele dirigidas, percebe-

se que sua postura não raras vezes caminhou na contramão da ortodoxia católica. É o que demonstra, por exemplo, um texto de autoria de Marcelo Fedeli (membro da “Associação Cultural Montfort”, entidade civil de orientação católica que busca, entre outras, a difusão do ensinamento tradicional da Igreja), que o critica por ter feito um “desvalado elogio” a Lutero, a quem considerou, para revolta de Fedeli, “um dos maiores gênios religiosos de toda a história”, comparando-o e o colocando acima de Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino. Conforme o autor da crítica, Yves Congar havia ignorado “toda virulência da doutrina luterana” em prol do “decantado ecumenismo” e de sua “doutrina reformista”.331

329 YVES Congar, apóstolo da paciência. Disponível em:

<http://www.agencia.ecclesia.pt/pub/14/noticia.asp?jornalid=14&noticiaid=23664>. Acesso em: 14 set. 2005.

330 Interessante ver que, apesar das perseguições sofridas, Yves Congar foi nomeado cardeal por João

Paulo II, em 1994, um ano antes de sua morte. Idem.

331 FIDELI, Marcelo. “Anotações ‘esquecidas’ II: Padre Congar e Lutero”. Disponível em:

<http://www.montfort.org.br/index.php?

secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=padrecongar&lang=bra>. Acesso em: 04 abr. 2006. Um artigo publicado na home page da “Associação Cultural Montfort” a define como “[...] uma entidade civil de orientação católica que tem como finalidade, entre outras, a difusão do ensinamento tradicional da Igreja e da cultura desenvolvida pela civilização cristã ocidental”. A entidade, fundada em 1985, e presidida pelo Prof. Orlando Fedeli, doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP), afirma combater especialmente o modernismo e o liberalismo. Na página dedicada à história da Associação, há uma notícia da visita feita por Orlando Fedeli ao papa João Paulo II, quando o entregou uma placa-símbolo das 150 mil assinaturas obtidas, no Brasil, em prol do seu Manifesto pela Vida, onde fala “contra o uso de células tronco embrionárias, em defesa da lei natural e da doutrina católica”, afirmando o “direito à vida de todo ser humano, desde o primeiro instante de sua concepção”. Disponível em: <http://www.montfort.org.br>. Acesso em: 4 abr. 2006

Outro teólogo e sacerdote, Karl Rahner (1904-1984), também um dos idealizadores/fundadores da Concilium, é citado como um dos principais assessores teológicos do Concílio Vaticano II, além de ter publicado uma vasta obra, que inclui as "Investigações Teológicas", editada em 14 volumes.332 De acordo com o teólogo

português Anselmo Borges, Karl Rahner deixou escapar um dia, durante uma aula, uma observação: o fato da Igreja Católica obrigar os fiéis a confessar os “pecados graves e mortais”, enquanto ele não via nenhum bispo, padre ou superior religioso, ministro ou professor católico que tenha se confessado “do pecado grave e, frequentemente, mortal, da ignorância culpada, da incompetência fatal, da inteligência irresponsavelmente menorizada”. Segundo Karl Rahner, através da citação feita por Borges, nas Igrejas havia “pouco apelo à razão, à reflexão crítica, à pergunta”, como se “a fé não tivesse de conviver com a inteligência, com a dúvida e com a pergunta”.333

Outro sacerdote que fala sobre Karl Rahner é Frei Bento Domingues, teólogo dominicano português, que demonstra a forma como este teólogo lidava com os dogmas e posições do magistério eclesiástico no tocante a questões que levavam muitos católicos militantes a abandonarem a Igreja. Dentre as citações de Karl Rahner realizadas por Bento Domingues, destaco:

Uma identificação última com a essência fundamental da Igreja não significa, de modo nenhum, que estejamos de acordo com todas e cada uma das coisas que se fazem na Igreja. Nem com tudo o que a hierarquia ou o Papa realizam, nem mesmo com todas e cada uma das coisas que o ensino oficial da Igreja apresenta334.

Em outra referência que faz sobre Karl Rahner alude à ordenação das mulheres, entre outras questões:

As coisas são diferentes quando se trata deste ou daquele ensino mantido pelo magistério como oficial, apresentado como vinculante,

332KARL Rahner. Disponível em: <http://amaivos.uol.com.br/templates/amaivos/noticia/noticia.asp?

cod_noticia=853&cod_canal=36>. Acesso em: 05 out. 2005. Ver também: TEIXEIRA, Faustino. Karl

Rahner e as religiões. Disponível em: <http://empaz.org/dudu/imprimir/du_rahner_print.htm>. Acesso

em: 04 abr. 2006.

333 BORGES, Anselmo. Em Vilnius o Cristo pensador. Disponível em:

<http://dn.sapo.pt/2006/03/19/opiniao/em_vilnius_o_cristo_pensador.html>. Acesso em 04 abr. 2006

334 RAHNER, Karl. Apud DOMINGUES, Bento. Como lidar com os dogmas católicos. Disponível em:

<http://www.triplov.com/espirito/frei_bento/dogmas.htm>. Acesso em: 04 abr. 2006. Publicado em Lisboa, em 16 jan. 2005.

mesmo que não tenha sido 'definido'. Julgo que, por exemplo, nem a argumentação básica nem a autoridade de ensino da Igreja a que, de facto, se recorre oferecem um fundamento convincente e obrigatório para aceitar a discutida doutrina de Paulo VI na 'Humanas Vitae'. O mesmo se diga acerca da declaração feita pela Congregação da Doutrina da Fé que pretende excluir, por princípio, a ordenação de mulheres, como algo a aplicar em todos os tempos e culturas335

Em um artigo que aborda a doutrina católica sobre aborto e contracepção, este teólogo foi citado por defender a idéia de “hominização tardia”. Ele afirmou, em seu livro “Dokumente der Paulusgesellschaft”, publicado em 1962, que

[...] não se pode interpretar, através das definições dogmáticas da igreja, que assumir que o conceptum humano (alma e corpo) ocorre somente durante o curso de desenvolvimento do embrião seja contrário a fé. Nenhum teólogo pode pretender provar que a interrupção de uma gravidez, ou seja a realização do aborto, seria em toda e qualquer circunstância o assassinato de um ser humano.336

Por sua vez, Edward Schillebeeckx (1914-) é apontado como “uma das figuras mais altas do pensamento cristão atual”, um “teólogo da fenomenologia e da hermenêutica da fé cristã”. Entrou para a ordem dos dominicanos em 1934. Participou no Concílio Vaticano II, de forma muito ativa, como conselheiro teológico do episcopado holandês.337 É conhecido também por abordar questões relativas à ordenação

de mulheres e ao celibato sacerdotal. Assim como os teólogos antes citados, acabou silenciado por ataques à doutrina do Vaticano. Assim como Karl Rahner, é criticado devido ao fato de rejeitar a doutrina da transubstanciação338, argumentando que, em sua

definição, no Vaticano II, foram utilizadas noções filosóficas medievais, e, portanto, obsoletas.339

335 Idem

336 MAGUIRE, Daniel C. A Doutrina Católica Moderada sobre Contracepção e Aborto. Disponível

em: <http://www.religiousconsultation.org/doutrina_moderada_Brazil_Portuguese.htm>. Acesso em: 04 abr. 2006.

337DOMINGUES, Frei Bento. Disponível em: <http://.triplov.com/espirito/fre_bento/ritualidades.htm>.

Acesso em: 04 abr. 2006. Frei Bento Domingues é um teólogo dominicano português.

338 Termo utilizado pela Igreja Católica para explicar a mudança da substância do pão e do vinho, que

passam a ser corpo e sangue de Cristo no ato da consagração. TRANSUBSTANCIAÇÃO. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Transubstancia%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em 20 ago. 2006

339 DUGGAN, G. H. O colapso na Igreja do Ocidente. 1600-2000. Disponível em:

<http://www.montfort.org.br/index.php?

O teólogo Hans Küng (1928-), outro fundador da Concilium, é também descrito como um importante teólogo católico, sendo considerado um dos críticos mais severos da infalibilidade papal e da doutrina papal com relação ao celibato, à ordenação de mulheres e ao ecumenismo. Em 18 de janeiro de 1970, centenário da declaração da infalibilidade papal no Concílio Vaticano I, publicou o livro “Infallible? An Inquiry”, no qual esmiuçou e rejeitou o caráter infalível de qualquer decisão papal e da cúria. Foi chamado a Roma, em 1971, para justificar as suas idéias, quando então respondeu que só iria se pudesse ver todo o seu processo e escolher seus próprios advogados. A congregação recusou seu pedido. Ele também foi punido por afirmar que a ressurreição não podia ser um acontecimento histórico, que a virgindade de Maria era uma lenda, que não se devia identificar Jesus com Deus e que Jesus nunca se intitulou Messias. Em 1979, publicou, nos principais jornais do mundo, o artigo “Um ano de João Paulo II”, onde apontou o reacionarismo do papa ao aceitar só nominalmente o Concílio Vaticano II, quando, na verdade, fortaleceu a centralização curial, impôs o culto à personalidade, endossou a exclusão das mulheres do sacerdócio e a permanência do celibato. Em 18 de dezembro de 1979, o papa João Paulo II declarou que Hans Küng, através de seus escritos, afastou-se da “verdade integral da fé católica” e, portanto, não poderia mais ser considerado um teólogo católico, nem atuar como tal no papel de professor. Depois desta proibição, foi nomeado professor de Teologia Ecumênica de Tübigen, Alemanha, onde pôde desenvolver seus estudos sobre ecumenismo, em particular com relação ao Luteranismo. Também é citado, assim como Yves Congar, Karl Rahner e Edward Schillebeeckx, por ter tido um papel fundamental no Concílio Vaticano II, sendo nomeado consultor teológico pelo Papa João XXIII, ajudando na redação das conclusões deste evento.340

Um fato interessante na biografia deste teólogo foi o encontro entre ele e o atual papa Bento XVI, ocorrido em setembro de 2005 e noticiado na home page da Rádio Vaticano. Conforme dá conta a notícia, publicada em 26 de setembro de 2005, o encontro ocorreu num “clima amigável”, sendo que ambos concordaram que, no

também: ENCYCLOPEDIA of World Biography on Edward Schillebeeckx. Disponível em: <http://www.bookrags.com/biography/edward-schillebeeckx>. Acesso em: 02 mar. 2007.

340 HANS küng. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Hans_K%C3%BCng>. Acesso em: 10 out.

2005; <http://demolaychapeco.vilabol.uol.com.br/inquisicao.html>. Acesso em: 01 de out 2005. Ver

também: CARVALHO, Olavo de. O anúncio da Paixão. Disponível em:

<http://www.olavodecarvalho.org/semana/050402globo.htm>. Acesso em: 04 abr. 2006. Este artigo foi publicado no jornal O Globo, em 2 de abril de 2005

contexto do encontro, “não faria sentido entrar numa disputa relativamente às questões doutrinais persistentes” entre aquele teólogo e o Magistério da Igreja. Os temas da conversa entre Hans Küng e o papa foram “a questão da ética mundial ( Weltethos ) e o diálogo da razão das ciências naturais com a razão da fé cristã”.341

Pelo que se depreende até então, os principais nomes da Concilium são citados costumeiramente - tantos pelos que os criticam quanto pelos que assumem diante deles uma postura favorável – devido às posturas “transgressoras” que assumiram, questinando não raras vezes pontos considerados intocáveis para a oficialidade da Igreja, como a infabilidade papal, a virgindade de Maria, contracepção, aborto, ordenação feminina, entre outras. Isso de certa forma justifica a postura do Vaticano com relação à revista, cujos idealizadores eram considerados “apóstatas e hereges pertinazes, cismáticos e outros de antemão condenados, e ainda humanistas”, conforme anúncio, em 1964, do “número pirata” de um fascículo experimental que foi publicado em Roma, como já relatei anteriormente.342 Se este é o perfil da maioria dos teólogos

que ali publicou não dá para afirmar, embora haja dois exemplos que desejo citar: os teólogos Cassiano Floristán e Leonardo Boff, ambos também membros de Comitês tanto de Direção como de Consulta de disciplinas.

Leonardo Boff, ao que tudo indica, teve uma participação ativa na Concilium desde o início. Inclusive, de acordo com suas próprias informações, durante o período de ditadura no Brasil ele não foi preso devido a sua participação na revista. Segundo ele, por seu envolvimento com a revista, a sua prisão teria uma repercussão mundial, chamando muita atenção para o fato.343 Além de fazer parte da Direção da revista, o

teólogo publicou diversos artigos em suas páginas. E, assim como os demais companheiros teólogos anteriormente mencionados, tem um percurso marcado por relações de conflito com o Vaticano. Devido às suas teses ligadas à Teologia da Libertação, expostas no livro "Igreja: Carisma e Poder", foi submetido, em 1984, a um processo pela Sagrada Congregação para a Defesa da Fé, ex-Santo Ofício.344

Vale lembrar que tanto seu livro quanto a penalização que recebeu do Vaticano

341 ENCONTRO de Bento XVI com o teólogo Hans Küng. Disponível em:

<http://www.oecumene.radiovaticana.org/por/Articolo.asp?c=50130>. Acesso em: 04 abr. 2006.

342 BOOGAARD, Antoine von den. Carta do Presidente da Fundação. Trad. Petrus Johanes van Col.

Concilium, Revista Internacional de Teologia, Petrópolis, nº 227, 1990/1, p. 11.

343 BOFF, Leonardo. Entrevista informal, via telefone, ocorrida em 07 abr. 2006, no horário de 17:30 às

18:30.

foram expressos em matéria, em 1984, da revista feminista brasileira Mulherio, que citou como um dos fatores deflagradores da penalização o capítulo IV do livro acima referido. No capítulo intitulado “A questão da violação dos direitos humanos dentro da Igreja”, afirmou que as mulheres compunham metade do número de fiéis e que as religiosas somavam dez vezes mais do que os religiosos; mesmo assim elas eram consideradas pelo Vaticano “juridicamente incapazes” para quase todas as funções da Igreja. Além disso, contestou a negação da ordenação das mulheres e seus argumentos de “ordem biológica”345.

Leonardo Boff foi condenado, em 1985, a um ano de “silêncio obsequioso”, sendo deposto de todas as suas funções editoriais e de magistério no campo religioso. Em função da pressão mundial sobre o Vaticano, a pena foi suspensa em 1986, quando ele pôde retomar algumas de suas atividades. Em 1992, ameaçado novamente com uma segunda punição pelas autoridades de Roma, renunciou às suas atividades de sacerdote.346 É considerado, juntamente com Karl Rahner, como “militante

antipapista”347, além de ser citado pelo jornalista Dermi Azevedo como um dos

condenados por Joseph Ratzinger. Da lista de “condenados” constam também o nome da teóloga Ivone Gebara, dos teólogos Gustavo Gutiérrez, Hans Küng, Yves Congar, Edward Schillebeeckx e Bernhard Häring.348 Lembrando que Gustavo Gutiérrez e

Leonardo Boff são expoentes da Teologia da Libertação, sendo que Gutiérrez, já em 1973, fazia parte do grupo de conselheiros da Concilium, e, ao menos durante um período, participou do seu Comitê de Direção.

O teólogo espanhol Casiano Floristán, acima mencionado, e que fazia parte da Direção da revista já em 1972, recentemente, em 04 de abril de 2006, foi citado, juntamente com Leonardo Boff, Hans Küng, Ana Maria Bidegain, Rosemary R. Ruether, Maria Pilar Aquino, e outros (as) tantos(as) teólogos(as) da América Latina, Europa e Estados Unidos, pela “Associação Cultural Montfort.”, que veiculou on line um artigo intitulado “Revolta, cisma e heresia: reações contra a Dominus Iesus”. Este artigo critica veementemente as posições assumidas por alguns teólogos e teólogas com

345CASTILHO, Inês. Padres de saia. Mulherio, São Paulo, ano IV, nº 18., set./out. 1984, p. 10. 346 Disponível em: <http://www.leonardoboff.com>. Acesso em: 12 dez. 2005.

347AZEVEDO, Reinaldo. A herança do pastor. Disponível em:

<http://www.primeiraleitura.com.br/auto/index.php?setcookie=small&edicao=2018>. Acesso em abr. 2006

348 AZEVEDO, Dermi. A lista de condenados por Ratzinger. Disponível em:

relação à Declaração do Santo Ofício, Dominus Iesus, ratificada e confirmada pelo papa João Paulo II, em 06 de agosto de 2000. A referida Declaração, publicada pelo então cardeal Joseph Ratzinger, presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, dentre algumas das “dez verdades de fé”, proclama que a Igreja Católica é a única a ser fundada por Cristo, sendo que as demais comunidades eclesiais não poderiam ser consideradas “Igrejas em sentido próprio”. O nome de Casiano Floristán aparece dentre aqueles que apoiaram uma nota lançada pela “Asociación de Teólogos Juan XXIII”, nota esta intitulada “Ante la Declaración Vaticana ‘Dominus Iesus’” e que aborda as repercussões negativas da Declaração do Vaticano no campo do ecumenismo e do diálogo inter-religioso.349

Juntamente com Leonardo Boff e outros teólogos, Casiano Floristán também foi citado em uma nota, publicada no dia 16 de abril de 2003, como líder de um grupo de teólogos “dissidentes” que elaboraram o “Novo Dicionário Pastoral”, considerado pela Conferência Episcopal Espanhola como polêmico, de observações doutrinais “especialmente graves”, já que apresentava “os mistérios centrais da Fé [...] despojados do seu conteúdo dogmático, esvaziados do seu sentido católico, incapazes de configurar a vida cristã".350 Uma notícia publicada em 05 de dezembro de 2005 dá conta de que

Floristán e outros teólogos faziam parte de um grupo que se pronunciou contra a beatificação de João Paulo II, por eles acusado “de reprimir os teólogos da teologia da libertação e de ter sido tolerante com os regimes militares na América Latina”.351

Enfim, alguns outros exemplos poderiam ser expostos. Contudo, creio que os já destacados fornecem um panorama geral do perfil de alguns teólogos que participaram da Concilium. Mas isso não pode ser afirmado apenas com relação aos teólogos. Muitas

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