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(732) CANDY CRASH SARL

Dans le document I. DEMANDES D'ENREGISTREMENT DE MARQUE (Page 108-116)

Além de terem conquistado legitimidade na Concilium, um espaço no qual a teologia feminista alcançou um estatuto que a colocou em pé de igualdade com as disciplinas teológicas tradicionais, as teólogas feministas, leigas ou religiosas, contribuíram, a meu ver, para dar formato à identidade desta revista. Durante onze anos, ou seja, de 1985 até 1996, elas foram vozes atuantes na revista, consolidando o seu trabalho de reivindicação dos direitos das mulheres não apenas no espaço eclesiástico, mas também no espaço social mais amplo, entrelaçando diversas questões teológicas com os debates do movimento feminista. E, é bom frisar, as mulheres não estiveram ali presentes apenas a partir desse momento. Mesmo que tenham sido minoria, elas se fizeram ouvir e participaram do periódico desde período bem anterior, inclusive fazendo parte do Comitê de Direção e dos Comitês criados especificamente para cada uma das diversas disciplinas teológicas, mesmo sendo numericamente inferiores aos teólogos.

Só para exemplificar, o nome da teóloga Elisabeth Schüssler Fiorenza surgiu na revista já no ano 1976; um ano depois constava como conselheira do fascículo “Direito Canônico” e, em 1979, passou a ser apresentada como membro do Comitê de Direção, onde permaneceu até o ano 2004. Ela foi autora de praticamente todos os Editoriais dos fascículos “Teologia Feminista”. Teólogas como Mary Collins, Anne Carr passaram a fazer parte da Direção na década de 1980 e a presença de outras tantas aumentou com a chegada dos anos 1990. Isso corrobora algumas informações de Leonardo Boff, segundo o qual a Concilium sempre esteve aberta a novas tendências, dando espaço, por exemplo, aos teólogos asiáticos, africanos e latino-americanos. Conforme afirma, as teólogas feministas, ou mesmo as que não se autodenominavam feministas, também foram convocadas para serem membros da revista, como, por exemplo, Elisabeth S. Fiorenza, que, como indica, dentre outras funções, analisava os artigos a serem

publicados para que não contivessem uma linguagem sexista.352 Ou seja, assim como a

revista convocou os “homens de ciência” para que dela fizessem parte, também as “mulheres de ciência” (termo citado aqui por mim, já que não vi em momento nenhum tal referência) foram agregadas neste espaço. Na impossibilidade de fazer referência a todas, tomo como exemplo, os nomes de Elisabeth S. Fiorenza, Rosemary Radford Ruether, Catharina Halkes, Mary Hunt, Elizabeth A. Johnson, Ida Raming, Elizabeth Carrol, entre muitas outras. Entre as latino-americanas figuram o nome das brasileiras Ivone Gebara e Maria Clara Lucchetti Bingemer, as das teólogas mexicanas Elsa Tamez (metodista) e Maria Pilar Aquino.

A exemplo da história de vida de alguns dos principais teólogos da Concilium, exposta de maneira resumida anteriormente, tais mulheres possuem uma bibliografia rica no que concerne à sua posição de teólogas, com um considerável número de publicações de obras e artigos em revistas, com envolvimentos em diversos movimentos e organizações tanto no interior da Igreja como fora dela (e em posição de questionamento a ela), levando adiante suas lutas em prol de um outro olhar sobre a relação mulheres/Igreja institucional, fundando movimentos, revistas especializadas. Enfim, situam-se em um patamar social e eclesial que, guardadas as suas especificidades, também as colocam num patamar que lhes permite um discurso de autoridade, ocupando uma posição, eu diria, privilegiada, posição esta que, conseqüentemente, forneceu-lhes o capital simbólico necessário para que adentrassem na Concilium e ali conquistassem um campo. Vale lembrar que o peso dos sujeitos que transitam pelo campo é fator importante a determinar o peso do campo.353

A situação social e eclesial destas mulheres pode ser visualizada na parte final de cada número dos fascículos dos quais participaram revista, onde se encontram as “Notas Biográficas” de cada autora ou autor. Apenas para ilustrar, penso que seria importante referir-me a alguns dados sobre estas teólogas, lembrando que estes dizem respeito ao que foi divulgado pela revista, no período pesquisado, ou em citações feitas em outros artigos da revista, assim como em escritos mais recentes. Destaco também que as informações apresentadas não dão conta de todo seu percurso teológico, ilustrando apenas alguns de seus aspectos.

352 BOFF, Leonardo. Entrevista informal, via telefone, ocorrida em 07 abr. 2006, no horário de 17:30 às

18:30.

A teóloga Catharina Halkes, por exemplo, na década de 1980 e de 1990, era catedrática-emérita da Faculdade de Teologia de Nimega (Holanda), onde estava encarregada da pesquisa e do ensino relativos ao feminismo e cristianismo, sendo autora de diversos artigos, bem como co-autora em obras coletivas, além de ser co-fundadora da revista teológico-feminista Mara. Em uma obra datada de 1985, esta teóloga afirma que o feminismo deveria ser um compromisso tanto de homens quanto de mulheres, ressaltando a necessidade de que os homens renunciassem ao poder, ao mesmo tempo em que as mulheres deveriam renunciar ao não-poder, no intuito de que fosse constituída uma sociedade inclusiva e igualitária.354 Esta teóloga é citada por Elisabeth

Fiorenza355, no fascículo inaugural sobre teologia feminista, como sendo a principal

teóloga feminista católica da Europa. De acordo com Elizabeth Fiorenza, por ocasião de uma visita do papa João Paulo II à Holanda, Catharina Halkes foi proibida de lhe dirigir a palavra, o que para mim é um demonstrativo do “incômodo” que mulheres como ela, com suas afirmações e reivindicações, representavam para o magistério da Igreja.

Já Elisabeth Fiorenza, antes mencionada, é citada nas Notas Biográficas, também referentes aos anos 1980 e 1990, como sendo professora de teologia na Universidade Notre Dame, Indiana (EUA), redatora-fundadora do Journal of Feminist Studies in Religion, ativista do Movimento de Libertação da Mulher na Igreja e nos Círculos Acadêmicos, além de ter publicado diversas obras, dentre as quais uma das principais referências da teologia feminista, “In memory of her. A feminist theological reconstruction of christian origins” (1983). Juntamente com Mary Hunt e o teólogo René Van Eyden, é autora de uma das cartilhas publicadas pela organização Católicas pelo Direito de Decidir (CDD356), “Olhares Feministas sobre a Igreja Católica”, 354 HALKES, Catharina. Gott hat nicht nur starke Söhne: Grundzüge einer feministschen Theologie.

Gütersloh: Gerd Mohn, 1985. Apud. LIMA, Marilúcia Fernandes. Casa Suzana Wesley: uma abordagem histórica do Abrigo para Meninas – 1994 a 2003, a partir da categoria de gênero. Dissertação (Mestrado em Teologia) - Instituto Ecumênico de Pós-graduação em Teologia. Escola Superior de Teologia. São

Leopoldo-RS, 2006, p. 18. Disponível em:

<http://www.est.edu.br/biblioteca/btd/Textos/Mestre/lima_mf_tm144.pdf>. Acesso em: 05 abr. 2007

355 FIORENZA, Elisabeth S. Quebrando o silêncio: a mulher se torna visível. Trad. Gentil Avelino Titton.

Concilium, Revista Internacional de Teologia, Petrópolis, nº 202, 1985/6, p. 8

356O CDD/BR é uma organização não-governamental feminista, de caráter ecumênico, formada por

pessoas católicas que buscam justiça social e mudanças nos padrões culturais e religiosos vigentes em nossa sociedade. Também visa promover os direitos das mulheres, especialmente os direitos sexuais e reprodutivos, lutando pela igualdade nas relações de gênero tanto na sociedade como no interior das religiões, particularmente na Igreja Católica. O CDD divulga o pensamento religioso progressista em favor da autonomia das mulheres, reconhecendo sua autoridade moral e sua capacidade ética de tomar decisões sobre todos os campos de suas vidas. Esta entidade, no ano de 1993, passou a realizar suas atividades no Brasil e, desde então, tem atuado em articulação com a rede latino-americana (Católicas por

publicado no ano de 2001.357

Mary Hunt é co-fundadora e co-diretora da Women's Alliance for Theology, Ethics and Ritual (WATER), em Silver Spring, Maryland, Estados Unidos.358 Participa

dos movimentos de mulheres da Igreja Católica, colabora e escreve sobre teologia e ética. É co-editora, juntamente com Patricia Beattie Jung e Radhika Balakrishnan, de “Good Sex: Feminist Perspectives from the World’s Religions” e autora de “Fierce Tenderness: A Feminist Theology of Friendship”. Também faz parte da “Society for Christian Ethics e da American Academy of Religion”. Assumidamente lésbica, defende a inclusão do lesbianismo na reflexão teológica, reivindicando que seja dada atenção a alguns assuntos, como, por exemplo, a expressão sexual lésbica. Segundo afirmou em entrevista mais recente, a maioria das teologias católicas sobre homossexualidade é baseada na experiência, na anatomia e no agenciamento masculino. Ou seja, não há, pelo menos virtualmente, nenhuma referência específica à expressão sexual lésbica na teologia.359

Outra teóloga a posicionar-se em prol de um outro olhar sobre a homossexualidade é a religiosa Jeannine Gramick, que busca uma maior aproximação entre gays, lésbicas e a Igreja Católica. A religiosa e o padre Robert Nugent fundaram, em 1977, a associação “New Ways Ministry”, visando, a título de resumo, lutar em prol

el Derecho a Decidir) e com o Catholics for a Free Choice (CFFC), com sede nos Estados Unidos. No Brasil, articula-se especialmente com as entidades/pessoas do campo feminista e o movimento de mulheres, bem como com universidades, setores progressistas da Igreja Católica e outras ONGs ligadas

aos movimentos sociais. Ver: QUEM Somos. Disponível em:

<http://www.catolicasonline.org.br/institucional/quemsomos.asp>. Acesso em: 28 mar. 2005.

357EYDEN, René Van; FIORENZA, Elisabeth S.; HUNT, Mary (Orgs). Olhares feministas sobre a

Igreja Católica. São Paulo: Católicas pelo Direito de Decidir, 2001. (Cadernos nº 9).

358Essa informação foi exposta nas notas biográficas da Concilium e também pode ser encontrada na home

page da WATER, na qual podem ser acessados artigos, entrevistas, publicações, além de links para diversos centros e organizações relacionados a questões sobre mulheres e Igreja, como a Women's Ordination Conference (WOC), Women's Justice Coalition, Women-Church Convergence (W-CC), Catholics For a Free Choice (CFFC) entre outros. A WATER possui um arquivo com diversos materiais produzidos ao longo de sua existência tendo como tema a teologia feminista e tópicos relacionados. Este arquivo encontra-se na Sophia Smith Collection (da Smith College, Massachussets), que cataloga vários tipos de materiais (fotos, manuscritos, livros, periódicos), ou seja, fontes primárias, sobre a história das mulheres. Contudo, o acesso a eles é parcialmente restrito, dependendo do contato prévio com a Sophia Smith Collection. Ver: WOMEN'S Alliance for theology, Ethics and Ritual. Disponível em <http://www.his.com/~mhunt/>. Acesso em 25 ago. 2007; SOPHIA Smith Collection. Women's history manuscripts at Smith College. Disponível em: <http://www.smith.edu/libraries/libs/ssc/orgstz.html>. Acesso em: 25 ago. 2007.

359 ENTREVISTA com Mary Hunt: a noção de sexo entre iguais é uma contribuição lésbica ao

pensamento ocidental. Disponível em: <http://www.unisinos.br/ihuonline/index.php? option=com_tema_capa&Itemid=23&task=detalhe&id=76>. Acesso em: 20 mar. 2007

da justiça para gays e lésbicas, reconciliando-os com as comunidades civis e cristãs.360

Em 1999, a Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano, através do então cardeal Joseph Ratzinger, condenou ambos a cessarem suas atividades no movimento de homossexuais católicos. Isso foi realizado através de uma notificação, publicada em 31 de maio, que dizia que os religiosos não deveriam mais ocupar-se com a pastoral dos homossexuais, não podendo ser eleitos, por tempo indeterminado, para ocupar cargos em suas ordens religiosas. Conforme o documento a eles endereçado, a sanção foi resultado “das opiniões ambíguas defendidas pelos religiosos - autores de dois livros sobre catolicismo e homossexualidade”, acrescentando ainda que determinadas declarações por eles feitas eram incompatíveis com os ensinamentos da Igreja e que “a divulgação desses erros por meio de suas publicações e de suas atividades estava preocupando os bispos dos Estados Unidos”. Jeannine Gramick desafiou a determinação do Vaticano e de sua congregação, as Irmãs da Escola de Nossa Senhora, continuando a exercer sua defesa em prol dos homossexuais.361

Recentemente, Jeannine Gramick veio ao Brasil e participou do “Festival Mix Brasil 2005”, fazendo parte da mesa-redonda “Homossexualidade e Igreja Católica”. No mesmo período, conforme noticiou o jornal Folha de São Paulo, a religiosa participou do 13º Festival de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual, sendo ela mesma personagem do documentário "Jornada da Fé", de Barbara Rick, que mostra sua peregrinação ao Vaticano para a divulgação de um livro sobre o tema. Uma outra observação: apesar de Jeannine Gramick e o padre Robert Nugent terem se afastado da “New Ways Ministry”, esta organização continua atuante e também, há pouco tempo, em março de 2007, organizou uma missa em um Simpósio Nacional sobre Catolicismo e Homossexualismo, missa que teve sua realização proibida pelo arcebispo de St. Paul e Minneapolis (Estados Unidos), Dom Harry Joseph Flynn, fato esse anunciado pela Rádio Vaticano.362

360Ver: HUNT, Mary. Eradicating the sin of the heterosexism. REVER, Revista de Estudos da

Religião, Ano 5, nº 2, 2005, p. 58-70. Disponível em: <http://www.pucsp.br/rv2_2005/t_hunt.htm>. Acesso em: 25 abr. 2006.

361UMA Trajetória contra o preconceito (1999-2000). Disponível em:

<http://www.estoufelizassim.hpg.ig.com.br/cronologia3.html>. Acesso em: 15 jan. 2007; FREIRA desobediente é declarada “modelo” pelos homossexuais. Disponível em: <http://www.montfort.org.br/imprensa/igreja20010504_1.html>. Acesso em: 15 jan. 2007

362 FESTIVAL 2005. Homossexualidade e Igreja Católica. Disponível em:

<http://mixbrasil.uol.com.br/festival/2005/freira1/freira.shtm>. Acesso em: 15 jan. 2007; IRMÃ quer aproximar gay e lésbica da Igreja. Disponível em: <http://www.gtpos.org.br/index.asp? Fuseaction=Informacoes&ParentId=385#anc291105>. Acesso em: 15 jan. 2007; NEW ways Ministry.

Rosemary R. Ruether, por sua vez, é considerada uma das representantes mais importantes da teologia feminista americana, promovendo uma reinterpretação feminista da idéia cristã de Deus. Nas notas da Concilium é referenciada como doutora em teologia e professora de teologia histórica na Universidade de Howard, Washington, além de ser autora de diversos artigos e livros, dentre os quais “Religion and Sexism: images of women in the jewish and christian tradition”, da qual foi organizadora.

E os exemplos poderiam se multiplicar. Levando-se em conta que o acesso ao saber teológico - e a posições de destaque neste universo – não era facultado às mulheres até um período bem recente (o que é denunciado, por exemplo, em um artigo de Elisabeth Fiorenza363, de 1985, quando afirma que na Igreja ainda predominava a

máxima “que as mulheres se calem na Igreja”) as bibliografias das teólogas acima referidas, e também de outras que não estão sendo ora citadas, demonstram um percurso de lutas e enfrentamentos contra o caráter excludente da teologia tradicional, além do seu lugar de destaque no universo teológico, o que acabou por torná-las portadoras de um “discurso autorizado”.

Saliento que, além de teólogas e religiosas de diversas confissões, a revista congregou mulheres de diferentes áreas de conhecimento, como jornalistas, escritoras, sociólogas, historiadoras, psiquiatras, antropólogas etc. Também é interessante dizer que alguns homens transitaram, mesmo que esporadicamente, por este campo, ainda que não se autodenominassem “feministas”. Eles publicaram tanto nos fascículos especificamente dedicados à teologia feminista, como em outros números que tratavam de assuntos relacionados. Dentre eles, podem ser citados Leonardo Boff, Gregory Baum, Hermann Häring, René van Eyden etc.

Assim como alguns dos teólogos participantes da Concilium apresentam um perfil de contestação ao magistério católico, sendo caracterizados muitas vezes como transgressores, o mesmo pode ser pensado com relação a essas mulheres. Terem conquistado um lugar, um campo em uma instituição predominantemente masculina - mesmo a despeito de esbarrarem no não-reconhecimento e na não-valorização por parte de setores da hierarquia de suas igrejas -, abrindo caminhos para uma elaboração

Disponível em: <http://mysite.verizon.net/~vze43yrc/index.html>. Acesso em: 19 jun. 2007; ARCEBISPO americano proíbe missa em simpósio sobre catolicismo e homossexualismo. Disponível em: <http://www.oecumene.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=125269>. Acesso em: 28 jul. 2007

363 FIORENZA, Elisabeth S. Quebrando o silêncio: a mulher se torna visível. Trad. Gentil Avelino Titton.

teológica que se situa em oposição à teologia tradicional, conquistando espaços em universidades etc, tudo isso lhes conferiu também um perfil “transgressor”. Algumas chegaram mesmo a sofrer represálias por suas posições.

Lembrando o que já foi dito, as teólogas Ivone Gebara e Rosemary R. Ruether foram referenciadas por suas relações de conflito com algumas posturas do Vaticano. Por exemplo, Ivone Gebara, considerada como uma das grandes teólogas da atualidade, foi citada mais recentemente como “uma das vítimas do cardeal Ratzinger”, fazendo parte de sua “lista de condenados”364. Devido aos seus posicionamentos a favor de uma

maior participação das mulheres na Igreja e à necessidade desta instituição empreender uma maior compreensão sobre o aborto, foi sentenciada a um ano de “reeducação”, ou seja, a “refazer seus estudos superiores”, depois de um processo no qual ela sequer pôde se defender, o que foi feito por um intermediário.365 Por sua vez, as teólogas Rosemary

R. Ruether e Maria Pilar Aquino foram severamente criticadas devido suas posições contrárias com relação à Declaração do Santo Ofício, Dominus Iesus, publicada, em 2000, pelo então cardeal Joseph Ratzinger, dentre cujas afirmações está a de que a Igreja Católica seria a única a ser fundada por Cristo.366

Sobre a inserção das mulheres nas páginas da Concilium, tanto como autoras ou como tema de reflexão, observa-se que isso foi ocorrendo aos poucos. O “rosto feminino” da revista já se torna visível no ano de 1970 – portanto, cinco anos após o

364 AZEVEDO, Dermi. A lista de condenados por Ratzinger. Disponível em:

<http://www.voltairenet.org/article124909.html>. Acesso em: 04 abr. 2006.

365 ALVAREZ, Carmelo. Joseph Ratzinger, na rota de São Bento? Disponível em:

<http://www.alcnoticias.org/articulo.asp?artCode=3263&lanCode=3>. Acesso em: 02 abr. 2007. Nota veiculada pela Agência Latino-americana e Caribenha de Comunicação (ALC) e datada de maio de 2005.

Ver também: CANADA Direto. Disponível em:

<http://www.rcinet.ca/rci/po/emissions/archives/archivesDetails_1427_29042005.shtml>. Acesso em 02 abr. 2007. Nota publicada, em abril de 2005, na Rádio Canadá Internacional (RCI), por ocasião da visita da teóloga a Montreal. Ver: Revista Veja, de 06 de dezembro de 1993, ocasião em que a teóloga afirmou que o Evangelho não faz nenhuma referência ao aborto. A dogmática relativa a esse assunto foi, segundo ela, produzida ao longo dos séculos por “homens celibatários e distantes da dura realidade de um mundo repleto de pobreza e injustiças sociais”. Ainda de acordo com Ivone Gebara, que foi levada a refletir o aborto em função de seu convívio com mulheres pobres e carentes de Camaragibe (Recife), a mãe tem direito sobre a vida que carrega no útero, sendo que o feto não tem vontade própria. Ver: CARVALHO, Maristela Moreira de. Corpos femininos em debate: discurso religioso sobre aborto na imprensa de Florianópolis, uma história de controle e normatização (1960-1990). Monografia (Conclusão de Curso) - Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de História, Florianópolis, 1999. Ver também: PEDRO, Joana Maria (Org). Práticas proibidas: práticas costumeiras de aborto e infanticídio no século XX. Florianópolis: Cidade Futura, 2003. Ver também: ABORTO não é pecado. Enfoque feminista, São Paulo, ano III, nº 6, dez. 1993, p. 17-18

366 DUGGAN, G. H. O colapso da Igreja no Ocidente. 1960-2000. Disponível em:

<http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=revolta&lang=bra>. Acesso em: 04 abr. 2006.

surgimento do seu primeiro número –, o que ocorre com a publicação, no fascículo “Liturgia”, de um artigo, de autoria da teóloga italiana Adriana Zarri, intitulado “A oração da mulher e a liturgia feita pelo homem”367. E embora as discussões em torno das

mulheres, suas relações com a teologia, o feminismo e a Igreja estejam colocadas de forma mais aprofundada nos capítulos a seguir, gostaria de dar relevo ao caráter amplo – e porque não dizer “ousado” – das colocações desta teóloga, cujo artigo buscou abordar os valores femininos presentes na liturgia. Adriana Zarri denuncia a liturgia realizada apenas por homens. Mais: além disso, “Ao menos no Ocidente, por homens solteiros e

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