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Mapping levels of palliative care development: a global update

João  Velho  inicia  a  sua  investigação  acerca  da  semiótica,  questionando‐se  se  existirá  uma  linguagem  específica  de  motion  graphics  design.  Refere  que,  para  responder  a  essa  questão,  os  conhecimentos  adquiridos  por  grandes  autores  como  Ferdinand  de  Saussure  ou  Charles  S.  Peirce  são  manifestamente  insuficientes para perceber toda a dinâmica linguística dos motion graphics. Velho acaba por basear‐se nos  estudos  de  Lúcia  Santaella,  professora  da  PUC‐SP  e  autora  do  livro  “Matrizes  da  Linguagem  e  do  Pensamento – Sonora Visual Verbal”, para descrever as perspe

“Segundo o próprio Saussure, a Semiologia deve ser entendida como uma ciência mais vasta ‘que teria por  objecto  o  estudo  dos  sistemas  de  signos  da  vida  social’  (…)  da  qual  a  Linguística  representa  apenas  uma  parte.  Peirce  amplia  as  fronteiras  da  questão  ao  definir  o  signo  como  ‘abstractamente  dentro  de  um  espectro lógico e epistemológico geral que não toma o signo linguístico nem como ponto de partida nem  como  ponto  de  chegada’(…),  e  a  Semiótica  como ‘a  ciência  que  tem  por  objecto  de  investigação  todas  as  linguagens  possíveis’.  (Velho,  2008:  p.102)  Essas  linguagens  possíveis,  são  definidas  por  Santaella  como  todos os fenómenos de cultura e qualquer actividade ou prática social, porque são feitas tendo por base  sistemas  de  produção  de  linguagem  e  sentido.  Tendo  em  conta  esse  contexto,  Velho  considera  o  motion  graphics  como  produção  cultural,  passível  de  ser  explorada  e  sob  três  matrizes  básicas  de  linguagem:  a  matriz  verbal,  visual  e  sonora.  Apoia

linguísticos é benéfica e natural: “(…) no campo da comunicação, chega um momento em que a divergência  entre os meios torna‐se improdutiva, limitativa e beligerante, deixando claro, pelo menos aos sectores de  vanguarda, que a melhor alternativa pode estar na convergência” (Machado, 2007: p.64).  

Machado  metaforiza  as  artes  e  os  meios  de  comunicação  como  círculos  com  núcleo  próprio,  divergentes  entre si. No entanto, como a realidade cultural não é demarcável nem estática, a convergência verifica‐se  na intersecção dos contornos desses círculos. Essa área de intersecção é ampliada por obras revolucionárias  que misturam núcleos anteriormente autónomos. Como consequência, os círculos começam a confundir‐se  quando  as  intersecções  verificam‐se  não  só  nos  contornos  dos  círculos,  mas  a  um  nível  mais  profundo,  entre núcleos, dando azo à ruptura e a confusão dos círculos. O resultado desta miscigenação é o próspero  e inovador hibridismo. “O cinema expandido, ou melhor, o conceito unificador do audiovisual, que inclui a  televisão e o vídeo numa mesma forma de expressão baseada na imagem em movimento, seria um exemplo  que rompe ‘com as formas e as práticas fossilizadas pelo abuso da repetição e busca soluções inovadoras  para  reafirmar  a  sua  modernidade’”  (Velho,  2008:  p.105).  Para  Machado,  este  conceito  de  multimédia  –  múltiplos  medias  ‐  já  não  pode  ser  visto  como  algo  separado,  mas  como  um  produto  único  e  simbiótico,  fazendo uma análise bastante pertinente no contexto dos motion graphics:  

As  fronteiras  formais  e  materiais  entre  suportes  e  linguagens  são  agora  muito  ténues.  As  imagens  são  compostas por fontes diversas: “parte é fotografia, parte é desenho, parte é vídeo, parte é texto produzido  em geradores de caracteres e parte é modelo matemático gerado em computador.” (Machado, 2007: p.69).  Essa  multiplicidade  acaba  por  deturpar  também  ela,  a  definição  primária  do  que  é  um  plano:  “O  próprio  conceito  de  ‘plano’,  importado  do  cinema  tradicional,  revela‐se  inadequado  para  descrever  o  processo  organizativo das imagens, pois em geral, há uma infinidade de ‘planos’ dentro de cada tela, encavalados, 

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origens  diferentes  acabam  por  modelar  o  seu  ca   híbrido,  definido  pela  constante  migração  entre  naturezas pictóricas, digitais e electrónicas.  

omo  consequência,  essa  maior  complexidade  dos  media  exige  do  receptor  um  maior  número  de  culdades perceptivas. “Uma vez que agora os novos processos imagéticos despejam seu fluxo de imagens   sons de forma simultânea, isso exige, da parte do receptor, reflexos rápidos para captar todas (ou parte  e elho considera que apesar dos motion graphics poderem ser trabalhados “apenas com signos imagéticos  de variadas espécies, sem o uso de signos audíveis ou verbais”, como linguagem global só existem se todas  componentes estiverem presentes e se mesclarem.  

No  livro  “Matrizes  da  Linguagem  e  Pensamento:  Sonora  Visual  Verbal”,  Santaella  aponta  estes  três  elementos  como  as  três  principais  matrizes  linguísticas.  Velho  faz  o  paralelismo  com  os  motion  graphics, 

manipulados,  aí  passamos  a  ter  um  tipo  de  cruzamento  de  linguagem  visual‐verbal  no  objeto‐movimento, uma situação típica do que tem sido chamado de vídeopoesia, infopoesia etc.” (Velho,  2008: p.120). 

‐se  portanto  uma  fusão  entre  essas  três  matrizes  fundamentais,  no  entanto  essa  mescla  salvaguarda  a  individualidade  e  a  sua  autonomia  semiótica  de  cada  um  dos  elementos  ostos,  recortados  uns  dentro  dos  outros.”  (Machado,  2007:  p.  69‐70).  O  autor  considera  que  essas

rácter C fa e delas), as conexões formuladas, numa velocidade que pode mesmo parecer estonteante a um ‘leitor’ mais  conservador, não familiarizado com as formas expressivas da contemporan idade” (Machado, 2007: p. 75‐ 76).” (Velho, 2008: p.106).  V estas  argumentando que o hibridismo criado pelo cruzamento destas três matrizes, se verifica internamente nos  objectos‐movimento  que  constituem  a  composição‐movimento.  Como  tal,  o  autor  defende  que  a  sua  amplitude  linguística  vai  muito  além  da  obtida  pela  experiência  cinematográfica  ou  televisiva.  O  autor  clarifica  a  ideia  com  o  exemplo  de  um  ecrã  com  tipografia  estática  versus  tipografia  em  movimento.  No  primeiro  regista‐se  uma  “linguagem  verbal  pura”.  Na  tipografia  em  movimento,  há  uma  panóplia  de  modificações  e  manipulações  possíveis,  justapondo  os  contornos  entre  a  linguagem  visual  e  verbal:  “Se  manipulamos o texto com movimentos ou outras formas de transformação, ou se o misturamos com outros  elementos  visuais 

Em  motion  graphics,  verifica

integrantes da composição: “De qualquer forma, temos então dois aspectos fundamentais de hibridismo no  motion graphics, bem marcados. Um mais geral, em que a lógica das três matrizes se funde numa lógica  global de linguagem, e outro em que as modalidades e submodalidades de linguagens das três matrizes e 

integrados na composição‐movimento, mas ainda com certa autonomia semiótica e identidade própria em  relação ao todo verbo‐visual‐sonoro.” (Velho, 2008: p.120). 

Em  jeito  de  derradeira  resposta  à  pergunta  inicialmente  formulada  ‐  se  os  motion  graphics  terão  uma  linguagem própria ‐ Velho admite que possivelmente não terão uma linguagem específica, mas são antes  um “mix de linguagens exclusivo”. O autor argumenta que esse é um  dos motivos para que tenha ganho  espaço  e  função  na  programação  televisiva  e  nas  produções  de  Hollywood.  Machado  faz  um  reparo  interessante acerca do uso dos motion graphics na sétima arte. Argumenta que o cinema actual peca pelo  não  envolvimento  contínuo  da  linguagem  visual  vanguardista,  registada  nas  sequências  de  abertura  e  créditos  finais:  “Mas  a  verdade  é  que  o  cinema,  em  razão  da  sua  insistência  na  vocação  realista,  jamais  conseguiu assimilar essas inovações gráficas e plásticas às suas próprias estruturas figurativa e narrativa e  essa  é  a  razão  porque,  depois  de  três  ou  quatro  minutos  de  estonteante  modernidade,  por  ocasião  dos  créditos de apresentação, os filmes retornam monotonamente a modelos dramatúrgicos e pictóricos típicos  do século XIX” (Machado, 2000: p. 198). 

   

4.

 

I

MPLEMENTAÇÃO PRÁTICA

 

 

No seguimento do enquadramento teórico anteriormente apresentado no capítulo 3, o presente capítulo  compreende descrição do processo de desenvolvimento e implementação da aplicação prática de Motion  graphics  ao  documentário  utilizado  como  objecto  de  exercício.  O  documentário,  previamente  editado  e  tendo  como  resultado  uma  primeira  versão  do  mesmo,  havia  sido  realizado  e  editado  pelo  realizador  caboverdiano  Paulo  Cabral,  motivado  pela  vontade  de  compreender  e  retratar,  de  alguma  forma,  o  fenómeno de imigração registado no Bairro da Cova da Moura, Amadora – Portugal. Este Bairro situado nos  subúrbios  de  Lisboa  é,  na  sua  maioria,  habitado  por  pessoas  de  origem  Caboverdiana  e  respectivas  segundas  e  terceiras  gerações.  Muitas  destas  novas  gerações,  balançam  entre  a  identidade  portuguesa  e  caboverdiana.  O  objectivo  do  realizador  passou  por  retratar  a  realidade  dentro  do  bairro,  procurando  perceber  os  pontos  positivos  e  negativos  de  se  viver  no  seu  interior.  Ao  perceber  e  retratar  várias  actividades que  surgem no quotidiano  do  local, procurou  entender  se a  identidade da  Cova  da  Moura  se  aproxima mais de Portugal ou de Cabo Verde. O título sugerido para o documentário dificilmente poderia  ser mais directo: “Cova da Moura: Portugal ou Cabo Verde?”. 

Neste capítulo, a descrição da experiência prática realizada será dividida em duas grandes fases: A fase de  Edição do Documentário e a de Implementação Prática dos Motion graphics.  

4.1. EDIÇÃO DO DOCUMENTÁRIO 

A  componente  mais  prática  deste  trabalho  iniciou‐se  com  a  revisão  e  alteração  do  trabalho  de  edição  já  realizada  sobre  o  documentário  do  Paulo  Cabral.  Para  esse  trabalho  foi  facultada  um  exemplar  do  da  primeira edição do documentário e a totalidade do material em bruto, gravado num total de seis cassetes  miniDV  Premium  com  duração  de  60  minutos  cada.  O  autor  das  imagens  foi  o  realizador  caboverdiano  Paulo Cabral que procedeu à sua captura através de uma câmara comprada nos Estados Unidos. Este facto  levou a que, desde logo, surgisse como desafio técnico a necesidade de ultrapassar a diferença de sistemas  de  televisão  analógicos  presentes  no  continente  Norte‐Americano  e  Europeu  –  o  sistema  NTSC  (National  Television  System  Committee)  e  PAL  (Phase  Alternating  Line)  respectivamente.  A  título  de  curiosidade  apresenta‐se a figura 57 que ilustra a dispersão geográfica dos vários sistemas de televisão analógica. 

 

‐ FIGURA 57 ESQUEMA REPRESENTATIVO DA DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DO SISTEMA PAL E NTSC. FONTE: HTTP://EN.WIKIPEDIA.ORG/WIKI/FILE:PAL

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