SECTION 1 - RECONNAîTRE L’EXISTENCE ET L’AMPLEUR DES ACTES
C. De quelle ampleur parle-t-on ?
2. Des chiffres peu nombreux
DAS CRIANÇAS ENQUANTO APRENDIZES?
De acordo com Sánchez e Escribano (1999), intervir, no que diz respeito ao autoconceito significa apenas, trabalhar de forma explícita no desenvolvimento de uma visão mais positiva sobre si mesmo. E isto deve ser realizado continuamente. Para os autores, citados acima, o objetivo central da educação seria o desenvolvimento pleno da pessoa e, para
alcançar tal objetivo, uma das colunas básicas da educação é, sem dúvida, a imagem que temos sobre nós mesmos e o valor que damos a tal imagem.
Uma pergunta pertinente pode surgir; como intervir? O que fazer, por exemplo, o professor ao perceber que a criança tem um conceito negativo sobre si mesma? Uma crítica que, em geral, é feita aos profissionais da avaliação se refere ao fato de que, muitas vezes, eles se limitam apenas a medir, avaliar, diagnosticar, mas não intervêm ou elaboram propostas para sua intervenção.
Sánchez e Escribano (1999) propõem um modelo para a melhoria do autoconceito, modelo este baseado numa concepção de desenvolvimento da auto-estima como pode-se observar no Programa de Prevenção de Dependência de Drogas DISCOVER: Aprendendo a Viver. Este programa é originário dos Estados Unidos.
O modelo é composto por quatro fases. Primeiramente trabalha-se o processo de identidade, ou melhor, tenta-se conduzir a criança à descoberta de si mesma, pois é difícil que as crianças com baixo nível de auto-estima tenham um conhecimento explícito de si mesmas.
Depois dessa fase de identidade, a criança adquire um sentido de si mesma e já consegue auto-explorar-se mais profundamente, daí surge a segunda etapa que corresponde à fase das qualidades positivas/negativas. A finalidade desta etapa consiste em tornar as crianças mais conscientes acerca das qualidades que lhes pertencem, tanto positivas quanto negativas.
A etapa seguinte é denominada fase de alimentação. Nesta etapa, após terem conhecido melhor a si mesmas, as crianças passam a analisar seu relacionamento com os outros. Aqui a criança deve aprender a alimentar sua auto-estima sozinha ou com a ajuda das outras pessoas.
A última fase, a da manutenção, deve ajudar as crianças a manter a auto-estima ao longo do tempo, uma vez que a auto-estima é um processo de avaliação e existem aspectos pessoais que vão se modificando na medida em que amadurecem.
Acerca do autoconceito infantil e das propostas para o seu adequado desenvolvimento, Sánchez e Escribano (1999) destacam alguns princípios importantes. Primeiramente afirmam: “É possível modificar o autoconceito e os pais e professores têm um papel muito importante nesta modificação” (p.29). De acordo com Elexpuru (1989 apud ROAZZI; NUNES, 2000), os professores desempenham uma função importante no desenvolvimento do autoconceito dos alunos e podem trabalhar em seu aprimoramento em sala de aula sem ter que modificar o meio. Da mesma forma, é muito importante, segundo a mesma autora, o papel dos pais para a melhoria do autoconceito. Neste sentido, afirma Machargo (1991): “Para o aluno, o professor e o ambiente escolar formam um todo contínuo com os pais e o ambiente familiar; neste todo ocorrem experiências essenciais que determinam o autoconceito” (p.74).
Um outro aspecto destacado por Sánchez e Escribano (1999) parte do ponto de que se é certo que os adultos podem contribuir para o desenvolvimento de um autoconceito positivo, também é certo que podem criar nas crianças sentimentos pobres sobre si mesmas. Alguns autores, como por exemplo, Kostelnik, Stein e Whiren (1988 apud SÁNCHEZ; ESCRIBANO, 1999) salientam a grande importância do que eles chamam de “ambiente verbal”, ou seja, ressalta a importância de ouvirmos e falarmos de forma adequada com as crianças. A partir da forma com se desenvolve esse “ambiente verbal” pode-se criar, para a criança, um ambiente negativo ou um ambiente positivo. Num ambiente negativo, os adultos não mostram nenhum interesse pelas atividades das crianças por estarem, quase sempre, com pressa ou ocupados. A presença dos pais é indispensável para a criança e a ausência deles pode fazer com que ela interprete esta atitude como um indício real de falta de interesse. Ainda, os adultos não escutam as crianças com atenção, respondem de forma inadequada, não
mantêm o contato visual ao falar com elas. Os adultos tratam as crianças de forma descortês, mantendo com elas relações impacientes. Ainda num ambiente negativo, os professores usam rótulos para descrever as crianças, chamam e dão as ordens de forma agressiva.
Por outro lado, um ambiente positivo seria aquele em que os adultos usam palavras que demonstram afeto pelas crianças, demonstrando um interesse verdadeiro por elas e por suas atividades. Os adultos mantêm um contato visual com as crianças, olham para elas quando elas falam, ou seja, prestam atenção às crianças. Eles escutam o que as crianças dizem, falam a elas com cortesia e elaboram situações que possibilitem à criança expressar-se informalmente. Argumentam Sánchez e Escribano: “A criação de um ambiente negativo ou positivo pode agir como incentivo ou inibição, respectivamente, para o desenvolvimento adequado do autoconceito” (p. 32).
Os autores acima citados ressaltam que não é tarefa fácil modificar o autoconceito, antes, trata-se de um processo lento e que leva um longo período de tempo. Não se pode esperar mudanças rápidas, pois, no início, o autoconceito varia de forma lenta e não muito perceptível.
Para Sánchez e Escribano (1999), o melhor que se tem a fazer no sentido de melhorar o autoconceito seria procurar mudar as crenças centrais do sujeito do que tentar modificar os aspectos superficiais. Segundo os mesmos, para melhorar, o autoconceito infantil, por exemplo, é preciso que as crianças tenham muitas experiências positivas de todos os tipos e em todos os níveis. Chamar a criança pelo nome, dizer que seu corte de cabelo ficou bem, atitudes como estas, frente às crianças, ajudam a desenvolver um sentimento de autovalor.
Para finalizar, Sánchez e Escribano (1999) defendem que, para o desenvolvimento adequado do autoconceito, é fundamental que as outras pessoas saibam dos êxitos grandes ou pequenos que o sujeito obteve, uma vez que todos gostamos que os outros reconheçam nossos atos o que, conseqüentemente, provoca um sentimento de autovalor acompanhado de uma
percepção muito positiva sobre si mesmo.No que se refere ao processo educativo, pode-se concluir, dentre outras coisas, que os professores devem saber reconhecer e reforçar todo êxito alcançado por seus alunos, para que assim ocorra uma estruturação adequada, do autoconceito deles.