A classificação por fase de desenvolvimento, com base no CCC, para o período estudado, evidenciou que a maioria dos animais registrados, oitenta e cinco por cento, foram considerados juvenis (Figura 11).
Figura 11 - Classificação por fase de desenvolvimento das espécies de
tartarugas marinhas encalhadas na Bacia Potiguar entre Janeiro/2011 a Dezembro/2015 0 2 4 6 8 10 12 14 16 20-]40 40-]60 60-]80 Fr e q u ê n ci a ab solut a Classes de Comprimento (cm) Fêmea Macho 1% 85% 14%
33 4.4. Descrição macroscópica das gônadas femininas e masculinas
Nas tartarugas marinhas registradas, o sexo foi determinado a partir da análise macroscópica das gônadas. Foi possível fazer a descrição das características morfológicas gonadais de indivíduos das espécies: Chelonia mydas, Eretmochelys imbricata e Caretta
caretta.
Em relação às fêmeas evidenciou-se três estágios de maturação (Tabela 6) (Figura 12).
Tabela 6 - Estágios reprodutivos em fêmeas de Chelonia mydas, Eretmochelys imbricata e Caretta
caretta, encalhadas na Bacia Potiguar, entre os anos de 2011 e 2015.
Estágio Maturação Descrição macroscópica das gônadas de fêmeas Imaturo ou Pré-pubescente Coloração rosada, pouca irrigação, tamanho pequeno
em comprimento e textura granulosa.
Pubescente Coloração avermelhada, forma irregular, maior volume e aspecto mais granuloso que o estágio anterior.
Maduro Presença de ovócitos em grande quantidade, de coloração amarelada, ocupando grande porção da cavidade abdominal do corpo do indivíduo.
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Figura 12 - Estágios de maturação gonadal para fêmeas de Chelonia mydas, Eretmochelys imbricata
e Caretta caretta. A) e B) Pré-pubescente C) Pubescente D) Maduro. Seta indicando as gônadas em A e B.
A análise macroscópica para machos de tartarugas marinhas permitiu evidenciar três estágios de maturação (Tabela 7) (Figura 13).
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Tabela 7 - Estágios reprodutivos em machos de Chelonia mydas, Eretmochelys imbricata e Caretta
caretta, encalhadas na Bacia Potiguar, entre os anos de 2011 e 2015.
Estágio Maturação Descrição macroscópica gônadas de machos Pré-pubescente Gônadas com aspectos leitoso, textura lisa e pouca irrigação.
Pubescente Gônadas com coloração avermelhada, forma alongada, mais irrigação e ocupando maior volume na cavidade celomática do que no estágio anterior.
Maduro Gônadas com maior tamanho, quando comparada ao estágio anterior, intensa irrigação, forma alongada e bem aderidas a parede abdominal.
Figura 13 - Estágios de maturação gonadal para machos de Chelonia mydas, Eretmochelys
imbricata e Caretta caretta. A) e B) Pré-pubescente B) Pubescente C) Maduro. Setas indicando as gônadas.
36 4.5. Descrição microscópica das gônadas
Foram analisadas microscopicamente 86 amostras de tecido gonadal, sendo 58 identificados como fêmeas e 28 como machos, pertencentes as espécies Chelonia mydas,
Eretmochelys imbricata e Caretta caretta (Tabela 4).
Tabela 8 - Dados de CCC mínimo e máximo de fêmeas e machos, por espécie, que tiveram suas
gônadas analisadas microscopicamente.
Espécie Sexo Frequência CCC mín (cm) CCC máx (cm)
C. mydas Fêmeas 53 29 107 Machos 25 27 114 E. imbricata Fêmeas 3 31 79 Machos 3 32 36 C. caretta Fêmeas 2 70 104 Machos 0 - -
As análises microscópicas feitas permitiram a identificação e confirmação sexual, além da classificação em fases de desenvolvimento, com base na presença e nas características das células germinativas.
4.5.1. Fêmeas
Para a análise microscópica de fêmeas de Chelonia mydas, Eretmochelys imbricata e
Caretta caretta, verificou-se que as lâminas de ovários pré-pubescentes apresentaram
folículos pequenos, com citoplasma homogêneo, sem estroma expandido e sem material de reserva (Figura 14A).
Ovários pubescentes foram caracterizados pela presença de folículos pré vitelogênicos, com citoplasma aumentado contendo algumas vesículas iniciais, indicando a produção de material de reserva e podendo caracterizar-se como vitelogênese inicial (Figura 14B e C).
Nos ovários maduros foram encontrados folículos com maior diâmetro do que nos estágios anteriores, contendo plaquetas de vitelo, folículos vitelogênicos e folículos em diferentes fases de desenvolvimento (Figura 14D).
Vale ressaltar que nos ovários de fêmeas pubescentes também são encontrados alguns ovócitos homogêneos e nos ovários maduros foram observados também tanto ovócitos
37 homogêneos quanto ovócitos previtelogenicos, isso indica haver diferentes fases de desenvolvimento dos ovócitos dentro da mesma gônada (Figura 14 C e D).
Figura 14 - Cortes histológicos de ovários. A) Pré-pubescente (C. mydas; 42 cm de CCC) B) Detalhe
para a presença inicial de vesículas em fêmea pubescente (Barras 0,1 mm) C) Pubescente (C. mydas; 62,1 cm de CCC); D) Madura (C. mydas; 107 cm de CCC). N indicando núcleo, H: Folículos homogêneos P: folículos pré vitelogênicos vc: vesículas iniciais e V: folículos vitelogênicos. Coloração de Hematoxilina e Eosina (H.E.) Barras 200 µm.
4.5.2. Machos
Os indivíduos machos de Chelonia mydas e Eretmochelys imbricata caracterizados como pré-pubescentes, predominante na amostra, apresentaram túbulos seminíferos com pequeno diâmetro, epitélio seminífero constituído predominantemente por células de Sertoli e algumas espermatogônias formando usualmente poucas camadas, sendo visualizadas células de Leydig no tecido intersticial (Figura 15A).
Nos testículos pubescentes identificou-se a expansão dos túbulos, em relação ao estágio anterior, foi possível observar espermatogônias, espermatócitos primários, espermátides, células de Sertoli, formando assim várias camadas de células no epitélio
38 germinativo. No tecido intersticial observou-se a presença de vasos sanguíneos e células de Leydig (Figura 15B).
Para o estágio maduro, verificou-se como característica principal a presença de espermatozoides no lúmen dos túbulos seminíferos. Apresentou ainda túbulos com maiores diâmetros e multilaminares, quando comparados aos estágios anteriormente descritos (Figura 15C e D).
Figura 15 - Cortes histológicos de testículos. A) Pré-pubescente (C. mydas; 32,3 cm de CCC) (Barra
100 µm) B) Pubescente (C. mydas; 93 cm de CCC) (Barra 20 µm) C) Maduro (C. mydas; 105 cm de CCC (Barra 20 µm) D) Vaso sanguíneo entre os túbulos seminíferos do macho maduro. (Barra 20 µm). T indicando túbulos seminíferos S: células de Sertoli, Ta: túnica albugínea, L: Célula de Leydig, V: vasos sanguíneos, Eg: espermatogônias, Ec: Espermatócitos primários, Ed: Espermátides, Z: Espermatozoides, H: Hemácias. H.E.
Verificou-se que o ducto do epidídimo de C. mydas apresenta na região da cabeça um epitélio com formato de cuboide a prismático, contendo núcleos de aspectos arredondados e lúmen com diâmetro pequeno, se comparados às demais regiões, além de pouca concentração de espermatozoides (Figura 16A).
39 Na região do corpo e da cauda houve um aumento gradativo no diâmetro dos túbulos epididimários e no tamanho do lúmen, bem como células de aspectos prismáticos com núcleos mais alongados e maior densidade de espermatozoides no lúmen se comparada a região da cabeça. Observou-se a presença de fibras musculares ao redor dos ductos em distribuição crescente nas regiões do corpo e cauda (Figura 16B e C).
Em uma lâmina de indivíduo adulto da espécie C. mydas foi possível descrever a presença de ductos eferentes na região da cauda do epidídimo (Figura 17A). Os ductos eferentes apresentaram epitélio cuboide com núcleos arredondados, fibras musculares ao redor e lúmen estreito com presença de espermatozoides (Figura 17B). Verificou-se que os ductos epididimários da região da cauda do macho adulto apresentou lúmen com diâmetros maiores com grande volume de espermatozoides. Descreve-se também a presença de epitélio cuboide e muitas fibras musculares ao redor (Figura 17C).
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Figura 16 - Corte histológico de epidídimo de macho de C. mydas pubescente A) Região da Cabeça B) Corpo C) Cauda. D indicando os ductos epididimários, Z: espermatozoide, M: Fibras musculares