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Esta dissertação teve a seguinte questão norteadora: “Os parâmetros físico-químicos e os metais traços dosados em água e sedimentos da bacia hidrográfica do Rio Doce estão relacionados às rochas e solos que compõe o substrato rochoso da área ou a outros fatores?”. Ela foi respondida, mostrando que a química dos elementos estudados está relacionada ao clima e substrato geológico da região.

O Capítulo 1 mostrou que as águas são classificadas como cloretadas sódicas, semelhante as águas do aquífero Barreiras. Os diagramas de Stiff e Radiais mostraram que as características das águas do alto curso estão relacionadas ao substrato rochoso da área ocupada. As razões iônicas reforçam isso, pois apontam para uma relação das águas com litotipos ricos em silicatos magnesianos, rochas graníticas ou cristalinas, como as da Suíte Intrusiva Dona Inês que cortam a região. Também, o diagrama de Gibbs mostra similaridades entre as águas amostradas e outras regiões semiáridas e áridas estudadas no Brasil e no Mundo, predominando o mecanismo da evaporação como controlador da química das águas.

O Capítulo 2 mostrou que, diante das normativas governamentais, as águas amostradas se mostraram não adequadas para os usos principais das comunidades residentes, que seria o consumo humano e animal ou a irrigação. As amostras de água de menor qualidade estão no alto curso do Rio do Mudo (M17, M18 e M32), sendo recomendado o não uso. Quanto a presença de metais, mesmo as amostras citadas como melhores (M22, M35, M36 e M49) apresentam contaminação por ferro, cobre e chumbo, inviabilizando o consumo. Além da contaminação por metal há amostras que também apresentaram contaminação por nitrato (M22, M35 e M49), assinalando cautela quanto ao seu uso. Considerando o USSL para saber a viabilidade do uso para irrigação só uma apresenta qualidade boa (M35); algumas amostras (M22, M36, M42 e M49) apresentaram qualidade satisfatória para serem utilizadas em solos bem drenados e tomando algumas precauções, o que não é a realidade da região. As amostras M22, M35, M36, M42 e M49, mesmo apresentando em alguns pontos qualidade satisfatória para consumo, recomenda-se a utilização prioritariamente para irrigação e dessedentação animal. Para os metais traço, as amostras mais problemáticas foram as M17, M18 e M32. Essas e as demais amostras excederam o proposto pelas normativas governamentais para os elementos Cd, Ni e Pb, mostrando que o uso dessas águas deve ser evitado, a fim de que os usuários não desenvolvam doenças ligadas a ingestão ou exposição a esses elementos. O zoneamento esquemático proposto mostrou a existência de duas áreas, uma relacionada ao alto curso e outra

ao médio curso da bacia. A zona de águas superficiais de melhor qualidade, está relacionada ao médio curso da bacia hidrográfica.

O Capítulo 3 mostrou que os sedimentos de fundo dos corpos hídricos amostrados podem ser classificados predominantemente como arenosos com baixo conteúdo de matéria orgânica, sendo de caráter mineral. Essas características apontam para uma menor fixação de elementos contaminantes, como os metais, aos sedimentos, devido a menor área superficial específica de partículas mais grosseiras. Isso torna os contaminantes mais disponíveis à coluna d’água. A química dos sedimentos do rio do Mudo aponta para uma relação genética destes com as rochas aflorantes na região, sendo as partículas formadas tanto pela desagregação física como pela dissolução e precipitação química. Os sedimentos do rio Guajiru apresentam maior empobrecimento em seus elementos maiores e menores (exceto para o SiO2) quando

comparados aos do rio do Mudo, o que pode estar relacionado ao fato de se tratar de rochas sedimentares em comparação com as rochas ígneas da Suíte Intrusiva Dona Inês que ocorrem no alto curso do rio do Mudo. Os teores dos metais observados nos sedimentos não foram acima nem condizentes com os observados em rochas similares às da área de estudo. Isso indica que o baixo grau de contaminação pode estar relacionado a fontes antrópicas e geogênicas. A característica arenosa dos sedimentos diminui a capacidade de retenção desses elementos nos sedimentos.

Diante do exposto, em relação aos objetivos específicos da pesquisa, resume-se que: a classificação hidroquímica das águas foi realizada no Capitulo 1; a avaliação quanto a potabilidade e definição de possíveis usos, com base em regulamentações, foi obtida no Capítulo 2; a caracterização dos sedimentos dos reservatórios hídricos foi feita no Capítulo 3; em todos os artigos procurou-se relacionar a presença dos elementos traços nas águas e sedimentos com o substrato ou atividades antrópicas.

Então, a pesquisa esclarece que a qualidade das águas represadas por longos períodos de estiagem se deteriora devido a condições climáticas e de evaporação. Mesmo a composição química da água estando relacionada em grande parte com o substrato rochoso da região, ou seja, é de origem geogênica, outra parte é reflexo da pouca renovação e aumento da interação com o substrato devido a questões climáticas. Mesmo a composição das águas sendo reflexo de fenômenos naturais, a sua qualidade não é indicada para o uso das populações que residem próximo aos corpos hídricos. A porção a oeste da bacia hidrográfica, que apresenta características de semiaridez, apresenta água de menor qualidade.

Para outros estudos relacionados a essa pesquisa, ou para o prosseguimento dela, recomenda-se amostragens de água e sedimento nos mesmos pontos em período de estiagem e

chuvoso, para comparação da influência das chuvas na composição química. A caracterização mineralógica, química e petrográfica das rochas aflorantes nas áreas de coleta contribuiria para esclarecer a relação existente entre as águas e sedimentos dos reservatórios e as rochas da região. Essa caracterização também pode gerar valores de backgrounds geoquímicos para a região. E, por fim, avaliar a destinação e uso que as comunidades estão dando as águas desses reservatórios versus possíveis doenças que estão acometendo a população.

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