DEUXIÈME PARTIE SYNTHÈSE BIBLIOGRAPHIQUE
II. 3.2 3D par approche terrestre
II.3.2.3 Méthodes d’observation de l’érosion in situ
As famílias foram resgatando, revendo, reescrevendo suas histórias. Reavaliando o valor das coisas e refazendo as prioridades, o que estas famílias buscaram então foi o diálogo.
Família I:
Mãe: [...] Então eu acho que, que isso é importante.[...] De dizer que tá tudo legal, não, eu tirei de letra. Não, eu falei e você não gostou, mas eu soube compreender. A gente precisa disso, um diálogo mesmo. (2ª sessão)
Terapeuta: O quê que a gente quer para o nosso futuro? Filha: Diálogo!
Mãe: Que bonito! (5ª sessão) Família II:
Pai: [...] Eu acho que a hora de passar a mão na cabeça, tudo bem, é uma hora difícil de falar. Eu acho que tem que ser dessa forma. Para a gente procurar um caminho. Porque a gente não vai encontrar, se a gente não chegar nesse, nesse instante. A gente tem que ficar correndo atrás da situação.
Filha: Ficar nessa sinceridade.
Pai: Então eu acho que [...] Na hora de passar a mão na cabeça, tem que passar. Na hora de ser rígido, tem que falar também. (6ª sessão) Mãe: {...}Ele melhorou muito, depois que ele começou a tomar essa atitude de antes conversar. Então, eu acho que os dois estão superbem. (8ª sessão)
Entre as condutas ligadas ao medo e às perdas, encontramos o Silêncio, inexpressivo, inibitório e autocensurado. Fomos notando que durante o decorrer das sessões
fomos tendo um aumento nos diálogos dentro das famílias. Na família I, nas primeiras sessões quase não se conseguia escutar a voz da filha, que ficou por muito tempo calada ou monossilábica. A partir da terceira sessão começa a se colocar mais e termina no último encontro descrevendo o que vivenciou durante o processo, com toda a sua emoção. É ela que pede mais diálogo e a família dialoga entre si. Na família II também ocorreu este fenômeno. O filho fala, mas sempre na referência de que o pai não o deixa livre, sente-se preso. Mesmo o pai só tendo participado uma única vez das sessões, parece que se tornou mais aberto para o diálogo. O comentário ao final é o quanto estão trocando mais idéias. Colocaram um fim ao silêncio. As famílias se reencontraram:
Família I:
Mãe: Eu coloquei, a terapia, como reconstrução familiar. (5ª sessão). Família II:
Filha: A gente tem que, de repente também [...] Dar um pouco de crédito para as coisas que ele fala. Porque muitas vezes a gente fica nessa: “Aí, eu não agüento mais. Mais uma lição de moral, mais um...” Sabe? Não, vamos enfiar alguma coisa boa na nossa vida com o quê ele tá falando, sabe? Vamos tentar trabalhar aquilo que altera, sei lá, alguma coisa para a gente. Vamos transformar em alguma coisa construtiva (7ª sessão).
Minuchin (1982) e Moreno (1991), colocaram a importância de se observar em ações “aqui e agora” as relações familiares, a qualidade das fronteiras. Quando se reconheceu a área de disfunção nestas famílias, pode-se criar um novo sistema por meio da interação terapeuta-família. O terapeuta pode, junto, com as famílias, ajudá-las a restaurar o processo interacional e construir padrões comunicacionais positivos. A terapia propiciou o questionamento do padrão estrutural familiar, proporcionando papéis intercambiáveis, transformando as relações familiares. O fato de experimentarem posições relacionais diferentes permitiu aos membros do sistema saírem de um script, no qual cada um possuía um papel definido, para este script da rede de relações.
Família I:
Filha: Ajudou. [...] A esconder os segredos. [filha ri] Não, eu tô brincando. É...
Pai: Não, eu acho que foi bom. Deu para aprender um, um limite. Não querer ser dono, né? Que na hora a gente quer...
Mãe: A gente quer não, a gente age.
Pai: Age como, né? E deu para dar uma, uma clareada nesse tipo de coisa. Enxergar de uma outra maneira, né? Muito mais fácil [...] Respeitar o limite, lógico de até aonde pode ir.
Filha: Olha eu também, eu vou falar uma coisinha. [mãe ri] Não tem essa não, você tem que me respeitar, da mesma forma que eu tenho que te respeitar. (8ª sessão).
Mãe: Não é sério. Eu acho assim: Eu acho que para a gente estava muito difícil. Porque a gente não sabia o que era da adolescência, o que era... O quê eu resolvia no tapa, e o que eu resolvia na conversa, ou o que eu precisava ajuda. Estava nesse pé. E eu acho que ajudou bastante. É lógico que a gente não, não se demitiu ainda, porque eu acho que falta muito para a gente ainda avançar aí. Mas eu acho que deu para clarear muito, principalmente essa coisa do limite. Quer dizer, tem que ter limite. (8ª sessão).
Família II:
Mãe: Eu estou me sentido bem. Deu para dar uma...Uma relaxada aí. Cada um falar o que sente, né? Precisava disso, né?
Filha: É, eu estou me sentindo aliviada. E ao mesmo tempo, é confiante que, de repente a gente possa conseguir mudar a situação.
Mãe: Certamente! Mas isso não é movimento de uma pessoa só. (6ª sessão).
Filho: Mas para mim foi, foi bastante produtivo, eu acho, viu? [...] Bastante produtivo, porque tinha muita coisa que antes não falava. [...] Ou sei lá, não era tão explícito. Aí... Eu acho que me fez focar outras coisas. [...] Daí, deixar de lado outras. Com certeza mudou algumas coisas. (7ª sessão).
Mãe: Para mim foi ótimo! Eu achei que foi muito bom. Mudou bastante, principalmente quando ele veio aqui. Sabe, a gente se abriu mais. (8ª sessão).
Os padrões interpessoais, interacionais são explorados pela ação. Somos “terapeutas das relações”, disse Moreno (1991). O sociodrama familiar sistêmico procurou possibilitar às famílias se auto-definirem de modo tal que faça sentido para todos os seus membros. Os
dados obtidos, por diversas técnicas como perguntas circulares e reflexivas, dramatizações, as narrativas, ajudaram as pessoas a se verem mais claramente em e na relação com os demais (grifo da autora).
O que ficou para estas famílias ao final do trabalho foi à possibilidade de se verem com outros olhares:
Família I:
Mãe: Eu acho que eu senti muito mais resultado aqui. Mesmo para... Quer dizer, eu não estava tratando do meu problema específico antes, né? E sim do seqüestro. Mas fez mais efeito em toda a minha vida, em toda a minha, a minha maneira de ser. A gente tratando de um outro problema que não tinha nada a ver, do que todas as terapias que eu fiz para, para chegar alguma coisa e não chegava a nada. Aí eu dizia: “Eu não vou mais”.
Pai: Ela está elogiando as suas atitudes profissionais. (8ª sessão). Terapeuta: [...] Mas esse trabalho todo só foi possível, por causa de uma situação muito difícil que foi o seqüestro. Como é que ficou para vocês após esse tempo da nossa conversa, essa questão do seqüestro? Pai: Olha, eu nem venho aqui pensando nisso. Sinceramente. No problema do seqüestro. (8ª sessão)
Família II:
Filho: Eu só me arrependo um pouco, do meu pai ter vindo uma vez só. [...] Não, não é arrepender.
Mãe: Você queria que ele viesse mais, né?
Filho: Não usei a palavra certa. Porque eu acho que ele devia ter vindo mais.
Mãe: Eu acho que se ele viesse mais, para ele teria sido melhor. Pai: Eu acho que ele devia ter vindo mais.
Mãe: Eu acho que se ele viesse mais, para ele também ia ser bom. [...] Que foi bom uma vez. Eu achei que ele mudou bastante. Que ele precisava de uma pessoa que, que falasse mais que ele. Que não fosse mais baixo que ele. Que fosse mais alto. E mais vezes. Mas eu vou tentar levar ele para a gente fazer lá em I. (8ª sessão).
Filho: É. Depois que eu vim aqui,[...] eu vi que ela não pega, não analisa alguns pontos assim, que a gente consegue ver aqui.[...}
Mãe:[...] Eu venho aqui, das vezes que eu venho aqui, eu saio realizada. Eu saio, que parece que eu me abro, eu falo tudo, sabe?[...] Filho: É. Eu acho que tem que achar os porquês das coisas e saber discutir.
Mãe: Sim.
Filho: Chegar no ponto, entendeu?[...] “Por quê que você tá bravo?” Então, eu acho que isso também é válido.[...]
Mãe: Parece que tinha medo de, de, de falar comigo, de chegar nos pontos fracos meus, e tal. E você não. Parece que você, você fica ouvindo e você fala tudo o quê tá aqui guardado. Você entendeu? É uma coisa bonita, né? Eu acho que é um dom muito bom que você tem. Deus te ajude que continue assim. (8ª sessão).
Quando terminamos o número de sessões programadas, a família I deixou por escrito o que foi para eles este período. Transcreverei para que assim como eles possamos terminar este trabalho:
Pai: Eu, José, cheguei aqui com muitas duvidas e graças a esta santa terapia, hoje me sinto muito mais confiante e preparado para outros problemas que vierem. Obrigado.
Filha: Sem dúvida melhora muito, pois aprendemos a lidar com muitas situações. Uma coisa horrível que nos trouxe aqui mais que hoje está sendo maravilhoso.
Mãe: Gostaria de dizer-lhe que hoje, graças a Deus e a você, estou me sentindo muito mais leve e segura das “rédeas da minha vida”. Pensei em cuidar da minha filha e fomos premiados com o seu trabalho que veio cuidar de uma família inteira. Sinto meus passos mais seguros, uma leveza na alma e um desacelerar que muito me incomodava!