Chapitre II Imagerie endoscopique panoramique multispectrale : détection,
II.2 Représentation panoramique automatique : recalage et mosaïquage d’images 44
II.2.3 Travaux réalisés et résultats obtenus
II.2.3.1 Méthode de recalage d’images utilisant l’information mutuelle 46
Assim como a Sociolingüística, acredita-se que a Sociolingüística Interacional possa trazer grandes colaborações para este trabalho. A Sociolingüística Interacional abre caminhos para que haja uma investigação mais apurada quanto aos usos da língua. Através dela pode- se decifrar as entrelinhas do discurso e da interação social que permeiam qualquer encontro face a face. A Sociolingüística Interacional vem atender às necessidades do meio acadêmico brasileiro e abrir espaço para a realização de pesquisas cada vez mais produtivas no âmbito da linguagem. Suas contribuições acerca da interação face a face são de grande valia para este trabalho, pois elas trazem um novo olhar para as diversas formas de comunicação que ocorrem
em sala de aula. A interação é um processo que envolve minimamente duas pessoas que se revezam na condição de falante e de ouvinte.
Estudos significativos realizados por Philips (1972; 1974), Golffman (1972), Gumpers (1982) ressaltam a importância da Sociolingüística Interacional no âmbito da linguagem, especificamente no que se refere à interação face a face (RIBEIRO & GARCEZ, 1998). A pesquisa realizada por Philips (1972; 1974) destaca a importância da participação do ouvinte na construção da conversação e na interação face a face. Tal pesquisa foi constituída a partir de três objetivos: considerar o papel do ouvinte na interação face a face; mostrar como o modo verbal e o modo não-verbal de ordenação da fala se integram em um único sistema de organização da interação e, finalmente, explorar o que é invariável nesses domínios (RIBEIRO & GARCEZ, 1998). Philips (1972; 1974) destaca ainda a relevância da ratificação da fala como uma necessidade para que haja a continuação da comunicação. Golffman (1972) também destaca a necessidade de lingüistas, sociolingüistas, antropólogos e sociólogos realizarem pesquisas que contemplem a interação face a face (RIBEIRO & GARCEZ, 1998).
Golffman (1972) acrescenta que o estudo da língua e da sociedade deva acontecer por meio de estudos que partam do uso da fala em contextos sociais específicos. Pesquisas desenvolvidas por Gumpers (1982), além de abordar a questão da interação, confere especial atenção ao contexto em que essa interação acontece. O autor parte do princípio de que uma elocução pode ser entendida de maneiras variadas e que essas interpretações levam em consideração o momento da interação (RIBEIRO & GARCEZ, 1998). Quando a interação acontece, há uma relação direta entre esses dois participantes de forma que um dá espaço para que o outro também possa falar, havendo, dessa forma, uma constante troca de papéis entre falantes e ouvintes (SILVA in DINO PRETI, 2002). Nas situações de interação face a face existe uma co-produção do texto, pois os interlocutores empenham-se conjuntamente. Além dessa cooperação mútua, os interlocutores co-negociam, co-argumentam, de maneira que não há como analisar separadamente o que foi dito por um e o que foi dito por outro. (MARCUSCHI 1986, apud KOCH, 2005).
Cazden (1991) também realizou estudos abordando a linguagem escolar. A autora, relata que antes de se tornar professora universitária, ministrou aulas durante uma década (1940-1950) no ensino primário. Após treze anos lecionando em uma universidade, Cazden percebeu que era chegado o momento de voltar a dar aulas a crianças e tentar aplicar algumas idéias e teorias nessas classes. A autora confere especial atenção à relação professor-aluno e dá ênfase à interação em sala de aula.
No contexto de sala de aula, professor e aluno ocupam papéis específicos, hierarquicamente diferentes. Tal diferença baseia-se na visão tradicional dos papéis sociais desempenhados pelo professor e pelo aluno. Dentro dessa lógica educacional, o professor é aquele que sabe e está na escola para transmitir o seu saber àqueles que não o possuem.
Segundo Moita Lopes (in Cox & Assis Peterson, 2001, p. 165), “esses padrões correspondem ao que tipicamente entende-se como caracterizado pela cultura escolar: os alunos estão intencionalmente limitados aos papéis que os professores lhes permitem desempenhar”. Dessa forma, o aluno é visto como um receptáculo, ou seja, alguém que ainda está na escola para receber do professor o conhecimento por ele detido. BOURDIEU (1983:160-161 apud SILVA, in PRETI, 2002) defende que:
a língua não é somente um instrumento de comunicação ou mesmo de conhecimento, mas um instrumento de poder. Não procuramos somente ser compreendidos, mas também obedecidos, acreditados, respeitados reconhecidos. Daí a definição completa da competência como direito à palavra, isto é, a linguagem legítima como linguagem autorizada, como linguagem de autoridade. (p. 185-186)
A partir dessa colocação, observa-se que a linguagem assume papéis distintos dentro da sociedade e, conseqüentemente dentro da escola. Ela pode tanto ser usada para estabelecer a comunicação quanto para impor regras e valores.
Quando o professor e o aluno interagem, o discurso de sala de aula deixa de ser unilateral e passa a ser bilateral. Trata-se de um discurso em que aluno e professor são sujeitos de um conhecimento que parte da co-negociação para a estruturação do discurso. Essa visão de discurso educacional “tira” a supremacia e a superioridade do professor, faz com que o aluno deixe de ter um papel passivo em sala de aula e passe a ser ativo nesse processo. Nesse sentido, não há um detentor do saber, mas sim uma troca de saberes que ocorre na ratificação das idéias do aluno, a partir da participação democrática do professor. (SILVA 2002, in DINO PRETI, 2002)
Acredita-se que essas interações, quando bem definidas e bem organizadas, dentro do contexto educacional, possam ser muito úteis para o desenvolvimento tanto lingüístico- comunicativo do educando quanto para que haja uma maior democratização do ensino de língua materna. Cajal (in Cox & Assis Peterson, 2001) afirma que :
A troca vivida no estar-junto escolar representa para o aluno a possibilidade de aprendizagem permanente e diversificada. Para o professor, uma possibilidade de conhecer mais de perto os interesses e capacidades das crianças e de orientar suas ações tendo por base esses conhecimentos. (p. 157)
Dessa forma, compreende-se que os postulados da Sociolingüística Interacional foram contribuições fundamentais para este trabalho, uma vez que os conceitos desenvolvidos por esses autores estabeleceram uma íntima relação com o tema estudado.