9.1 M ETHODES D ’ ANALYSE ET D ’ EVALUATION DES IMPACTS
9.1.2 Méthode d’évaluation des impacts
Tudo leva a crer que Deus existe, pois ainda que a idéia da substância esteja em mim, pelo próprio fato de ser uma substância, não teria a idéia de uma que fosse infinita, por ser finito, se ela não tivesse sido colocada em mim por alguma outra que fosse verdadeiramente infinita. Há mais realidade na substância infinita do que na substância finita, e tenho em mim a noção do infinito anteriormente a noção do finito, pois como seria possível que eu pudesse
conhecer que duvido e que desejo, que me falta algo e que sou inteiramente perfeito, se não tivesse em mim nenhuma idéia de um Ser mais perfeito que eu.45
Para Descartes, a idéia que representa o infinito é a idéia de Deus, pois o infinito é o predicado de todos os predicados de Deus. Como diria “Tenho na mente a noção de Deus como um ser que possui todos os predicados em grau infinito, e o responsável por existir em mim tal idéia, só pode ser o próprio Deus”.
Deus não é apenas causa de sua própria idéia, mas de todas as idéias enquanto realidades objetivas finitas e do próprio ser pensante. Para Descartes, um ser finito não se conserva por si mesmo na existência, para que persista em seu ser, deve ser recriado a cada instante pela mesma causa infinita que o criou, atuando de modo a mantê-los seres finitos na existência.46
Como poderia dizer que me falta algo ou até mesmo duvidar de certas coisas se não tivesse em mim nenhuma idéia de um ser mais perfeito e infinito, a idéia de Deus. Buscamos a igualdade Nele.
Essa idéia é clara e verdadeira porque tudo o que meu espírito concebe clara e distintamente de real e verdadeira está contido e encerrado inteiramente nesta idéia, e isso não deixa de ser verdadeiro.47 Mesmo que eu não compreenda o infinito das coisas de Deus e nem mesmo atinja com meus pensamentos, é natural que não as compreenda, basta acreditar e confiar na verdade de Deus.
Acredita que é possível que eu seja algo mais do que imagino ser, e que todas as perfeições que atribuo à natureza de Deus estejam em mim, embora não observe suas ações, uma vez que é feito a imagem e semelhança de Deus.
A cada instante nosso conhecimento aumenta, mas não seria infinito jamais e não
45 DESCARTES, 1988, p.40. 46 SILVA, 1996, p.66. 47 DESCARTES, 1988, p.40.
chegará a tão alto grau de perfeição que não seja capaz de adquirir algum conhecimento maior. Só o conhecimento de Deus é infinito, nada se pode acrescentar à soberana perfeição que Ele possui.
Sabemos, aprendemos, formamos idéias somente daquilo que Deus determina para nós. Só Ele é capaz de ter e criar idéias novas, claras e verdadeiras. A idéia que temos é colocada em nós por um Ser mais perfeito.
Como duvidar da existência e do poder de Deus? Como poderíamos existir se não existisse Deus? De onde tirarei minha existência? Talvez de mim mesmo, ou de meus pais, ou ainda outras coisas menos perfeitas que Deus, pois nada se pode imaginar de mais perfeito, nem mesmo de igual a Ele. Se fosse independente de outro ser e fosse o próprio autor de meu ser, certamente não duvidaria de coisa alguma e não me teria privado das melhores idéias, pois me teria dado todas as idéias e assim eu seria Deus. Apresentando a quinta verdade na cadeia das razões: Deus é colocado como causa de si, autor do meu ser e soberanamente perfeito.48
“Cumpre-me interrogar-me para saber se possuo algum poder e alguma virtude que
seja capaz de fazer com que seja agora o mesmo que no futuro, se tenho algum poder do qual deveria ter conhecimento; mas não sinto nenhum poder e por isso reconheço que dependo de algum ser diferente de mim”. Muitas causas ocorreram para formar o ser humano, uma é a idéia da perfeição que atribuo a Deus, e a outra é a idéia de alguma outra coisa que se encontra em alguma parte do universo.
A unidade, a simplicidade ou a inseparabilidade de todas as coisas que existe em Deus é uma das principais perfeições de Deus, e a idéia dessa unidade e reunião de todas as perfeições de Deus não foi colocada por nenhuma causa da qual não haja recebido também as idéias de todas as outras perfeições.
Descartes acredita que, a seus pais, deve apenas o nascimento, mas sabe que não são eles que o conservam, nem que o produziam enquanto coisa pensante, pois apenas puseram alguma disposição nessa matéria (corpo) e não tiveram nenhuma dificuldade porque é criado à vontade de Deus. Reconhece que seria impossível que tivesse em si a idéia de um Deus, se Deus não existisse verdadeiramente. Esse Deus possui todas essas altas perfeições de que nosso espírito pode possuir. A fé nos ensina que a soberana felicidade de outra vida consiste em contemplarmos a Majestade divina e assim perceberemos que seremos felizes, acreditando na sua força interior.
No poema XXVII, de O Guardador de Rebanhos, 49 Alberto Caeiro nos apresenta seu Deus natureza.
Só a natureza é divina, e ela não é divina... Se às vezes falo dela como de um ente
É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens Que dá personalidade às cousas,
E impõe nome às cousas.
Mas as cousas não têm nome nem personalidade: Existem, e o céu é grande e a terra larga,
E o nosso coração do tamanho de um punho fechado... Bendito seja eu por tudo o quanto não sei.
É isso tudo que verdadeiramente sou.
Gozo tudo isso como quem sabe que há o sol.
Para Alberto Caeiro, Deus é algo que os sentidos e a razão não podem compreender. E por ser incognoscível, não se pode nomeá-lo.50 Só podemos falar de natureza como uma linguagem que transforma aquilo em um “ente”. A Natureza, assim, fica restrita a uma imagem humana ou a uma personalidade. Mas a Natureza não tem personalidade. Assim,
49 CAEIRO, 2001, p.63. 50 ORDONEZ, 1994, p.64.
como eu, não obstante a personalidade, tenho algo que lhe excede. É nesse extremo que encontramos a natureza. Deus é, para Alberto Caeiro, a natureza.