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Mesures de propriétés thermochimiques: Microcalorimétrie

3.1 Calorimétrie et microfluidique

3.1.2 Mélange en microfluidique

Santa Rosa do Purus

Santa Rosa é um dos menores municípios do Acre e um dos mais isolados também. A região foi palco de um confronto sangrento entre peruanos e brasileiros. Seus limites foram impostos a partir da Expedição de Euclides da Cunha à região em 1905, tendo definido Santa Rosa do Purus, quatro anos depois, como ponto terminal da ocupação brasileira no rio Purus e dando origem ao Tratado do Rio de Janeiro, entre Brasil e Peru.

Para chegar à cidade, só de barco ou avião. Como o transporte fluvial demora mais de dez dias, o biomotor que comporta de doze a dezoito pessoas foi o meio

escolhido para realizar a pesquisa – mesmo assim, esse transporte aéreo só é oferecido três vezes por semana. Devido ao isolamento, a localidade possui uma forte dependência econômica da prefeitura e de outros municípios do entorno. As principais atividades econômicas desenvolvidas em Santa Rosa são o extrativismo vegetal de borracha e madeira, a agricultura de subsistência e a pesca.

A população da área urbana é formada por colonos, ribeirinhos, extrativistas e comunidades indígenas. De acordo com o site do governo do estado28, de cada dez

moradores, seis são índios das etnias Kulina e Kaxinawá. Com um quantitativo expressivo de indígenas, é comum ver as danças étnicas nas festividades do município, mas não há registro de nenhum espetáculo ou escola de dança cênica na região.

Sena Madureira

Sena Madureira é um município que compõe um capítulo especial na história do Acre, tendo sido uma das primeiras cidades a se desenvolver no estado. Fundada em 1904, após menos de uma década, nos tempos áureos da borracha, a cidade foi alvo de investimentos nacionais e estrangeiros para melhorar sua infraestrutura e poder receber os coronéis da borracha. Isso a transformou, por certo período, na cidade politicamente mais importante do estado, que passou a se relacionar diretamente com a sede do Governo Federal, então situada no Rio de Janeiro.

O nome da localidade é uma homenagem ao coronel do exército brasileiro que participou da Guerra do Paraguai: Antônio Sena Madureira. De acordo com o site do senador Jorge Vianna (VIANA, 2016), Sena Madureira, naquela época, já tinha jornal, tribunal de apelação, estação de telégrafo, vice-consulado de Portugal e até linha de bonde puxado a burro. O tempo áureo da borracha acabou rapidamente, mas uma ideia do quão abastada era a região, mesmo com todas as dificuldades geográficas e de desenvolvimento da época, pode ser obtida explorando o Museu de Sena Madureira.

Três terras indígenas localizadas nesse município, Mamoadate (uma parte apenas), Jaminawa do Rio Caeté e Jaminawa do Rio Guajará, abrigam sete comunidades indígenas no território e são responsáveis pela grande quantidade de

28 Portal do Governo do Acre. Terras Indígenas. Disponível em: <www.ac.gov.br>. Acesso em: 15 de

danças étnicas na região. Não se tem, contudo, registro de nenhum espetáculo ou escola de dança cênica.

Manuel Urbano

A localidade foi desmembrada do município de Sena Madureira, recebendo o nome de Manuel Urbano em homenagem ao caboclo explorador do rio Purus, entre as décadas de 1850 e 1860, Manuel Urbano da Encarnação. O acesso à cidade, que está a 84 km da capital do estado, pode ocorrer por via terrestre pela BR-364, que tem tráfego normal somente no período seco. Entre novembro e maio, meses de muita chuva na região, o acesso a Manuel Urbano é feito apenas pelo rio Purus, já que, nesse período, trafegar pela estrada torna-se impraticável, dificultando muito a comunicação com outros municípios.

A minha escolha foi utilizar a via fluvial para navegar mais um pouco pelo lendário Rio Purus, de Sena Madureira para Manuel Urbano, em um barco irregular, cheio de redes coloridas, que eu só descobri que eram inapropriadas para a viagem depois de realizá-la. Outra descoberta reveladora foi que meu corpo, mesmo com memórias de técnicas de dança diferentes, não era capaz de vivenciar aquela viagem de Sena Madureira até o município, como eu ingenuamente imaginei, no sentido contrário à correnteza, com duração exata de 25 horas, sem amargar dores absurdas. (PREFEITURA DE MANOEL URBANO, 2016).

Não foi encontrado nenhum registro de espetáculo ou escola de dança cênica na região.

Jordão

Jordão nasceu nos tempos áureos da borracha e transformou-se em município no dia 28 de abril de 1992, quando seu território foi desmembrado do município de Tarauacá. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a população indígena mais numerosa do Acre pertence a essa região e se autodenomina Huni Kuin – “homens verdadeiros” ou “gente com costumes conhecidos”. Para chegar à região, foram necessárias cinco horas de avião, oito de carro e oito de voadeira, pequena embarcação sem encosto.

Passei dias no município e aproveitei para compreender melhor uma das expressões culturais mais conhecidas do Huni Kuin, que são os Kene – grafismos tradicionais aplicados em pinturas corporais. Na ocasião, participei de discussões

sobre o registro dos Kene como patrimônio cultural imaterial visando à preservação da produção artística e também das discussões que envolvem o direito de imagem do indígena, que muitas vezes tem suas fotos expostas sem autorização. Participar dessa conversa e escutar a percepção do indígena foi tão impactante que revisitei a tese e retirei todas as fotos que envolviam indígenas, mesmo tendo a autorização das lideranças para a realização desses registros.

As lideranças indígenas e o governo do Acre são os responsáveis pelo crescimento do etnoturismo no município de Jordão e pela criação do Festival Xina

Benâ (“novo tempo”), que culminou na construção de uma base turística com estrutura

arquitetônica de refeitório e dormitórios voltados para o festival, apontado pela comunidade como uma forma de resistência cultural e de promoção das vivências do povo Huni Kuin (PREFEITURA DE JORDÃO, 2017).

Não foi encontrado nenhum registro de espetáculo ou escola de dança cênica no município, mas, o povo Huni Kuin e o seu cotidiano serviram de base para o trabalho cênico “Ikuãni” da Companhia Garatuja de Artes Cênicas, devidamente catalogado no acervo como um dos espetáculos de dança da artista e diretora Regina Maciel, uma das entrevistadas neste estudo. O espetáculo trata da decodificação da movimentação cotidiana da mulher Huni Kuin, da estrutura corporal e de sua organização estética, coreográfica e ritualística, uma questão fundamental no desempenho ritualístico das tradições indígenas que serviram de objeto de pesquisa para o trabalho da artista.

Feijó

A cidade de Feijó localiza-se na foz do Rio Envira, na região central do estado. No segundo dia na cidade, contraí uma infecção alimentar e fiquei um dia na ambulância fluvial que se encontra atracada no porto.

Atualmente, sua população possui aproximadamente 32.000 habitantes, sendo a terceira cidade mais populosa do estado. A região do município era habitada pelas tribos Jaminawás, kaxinauwás e Chacauwás. Com a chegada dos nordestinos em 1879, as terras foram loteadas, e surgiram os seringais, que foram o motivo de diversos conflitos com os índios. Um dos principais seringais foi o seringal Porto Alegre, que daria origem à cidade em 1938, data da sua emancipação.

Dentre os municípios do Acre, Feijó destaca-se por concentrar o maior número de territórios indígenas, com uma população média de 1.500 pessoas distribuídas em

30 aldeias. Foram encontradas mais de seis etnias diferentes, incluindo os índios isolados que habitam terras entre o Brasil e o Peru. Tal característica faz com a cidade de Feijó tenha uma grande diversidade cultural. A grande maioria dessas terras se situa no sudoeste, estabelecendo fronteira com o Peru, e o acesso à maioria das tribos indígenas se dá apenas por via fluvial. (FEIJÓ: GOVERNO MUNICIPAL, 2016) (O RIO BRANCO, 2016).

Também não foi encontrado nenhum registro de espetáculo ou escola de dança cênica no município.

Tarauacá

A exploração da região do município de Tarauacá começou em 1877, com a chegada dos nordestinos. No encontro dos rios Murú e Tarauacá, foi fundado o seringal Murú, muito usado como ponto de apoio às incursões de exploração da região. Com o tempo, o seringal foi ganhando importância, sendo elevado à categoria de vila no início do século XX. Em 1913, a vila tornou-se município, assumindo o nome de Tarauacá, o mesmo nome do rio que banha a região.

A região antes habitada por índios Kaxinauás e Jaminauas atualmente possui oito áreas destinadas a Terras Indígenas, totalizando 9,8% da área do município. Esses povos vivem em 30 aldeias, com aproximadamente 1.639 pessoas. Na atualidade, a cidade possui aproximadamente 35.500 habitantes, sendo o quarto município mais populoso do estado.

O primeiro teatro do estado do Acre foi construído em Tarauacá. O Teatro José Potyguara foi inaugurado em 26 de janeiro de 1933, tendo como estreia as peças melodramáticas “Razões do Coração” e “Alma Acreana”, escritas por José Potyguara, ex-promotor público de Tarauacá e escritor cearense. Atualmente, o teatro não possui uma programação fixa de espetáculos, e não foi encontrado nenhum registro de espetáculo ou escola de dança cênica no município.

Tarauacá possui uma relação econômica mais forte com Feijó do que com a própria capital. Isso se deve ao fato de que só nos últimos anos a ligação terrestre entre Rio Branco e Taraucá foi possível durante todas as estações. Anteriormente, no período chuvoso, o trecho da rodovia BR-364 entre as duas cidades era fechada, mas o trecho entre Tarauacá e Feijó permanecia trafegável (PREFEITURA DE TARAUACÁ, 2016).