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1.2. ETAT DE L'ART DES METHODOLOGIES ET OUTILS POUR L'ECO-CONCEPTION

1.2.1. OUTILS METHODOLOGIQUES POUR L'ÉCO-CONCEPTION

1.2.1.2. Etudes quantitatives

1.2.1.2.1. Logiciels pour L'ACV

Estritamente, podemos pensar que pecado é um problema religioso, enquanto a imoralidade é conduta antireligiosa. O problema da culpa é campo de estudo da psicologia: a palavra Schuld – culpa – deriva da palavra do antigo alemão Sculd. Significa carência, peso, débito. Logo, schuld é carregar o peso do débito. É algo que perpetuamente falta na vida do ser humano. A criança “deve” respeito aos pais, o jovem “deve” ao professor o cumprimento de suas tarefas educativas, o adulto “deve” ao Estado a ajuda para o aumento do potencial econômico dos meios de produção; o fiel “está em falta” com o cumprimento dos preceitos religiosos e o descrente “deve” ao destino o suportar de toda uma vida. Cada culpa tem um “o que ela deve” e um “credor” ao qual ela está devendo. Trata-se de uma dívida. O sujeito deve algo a alguém. Em razão da culpa ser aquilo que carece e falta, sua essência só pode ser entendida face à plenitude e realização da existência humana. Do ponto de vista psicológico, torna-se evidente que a culpa nem sempre coincide com os sentimentos de

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culpa, e isso pode ser entendido por inferência quando se diz que “a ignorância da lei não exclui alguém da penalidade diante dos tribunais de justiça”.248

Como surgem numa pessoa em desenvolvimento os sentimentos ansiosos de culpa? Paul Johnson (1982) enumera: a) A aventura de provar o novo coloca o sujeito diante de resultados desejáveis e indesejáveis; b) O sentimento de responsabilidade pessoal; c) Certa margem de anuência ou escolha; d) O sentimento de necessidade. É preciso levar em consideração, pelo menos, as quatro possibilidades acima quando tratamos esse assunto. A culpa está estritamente ligada à noção de pecado. A falta de consciência do pecado indica falta de preocupação religiosa e irresponsabilidade perante o Tu. Sim, por conseguinte, existe uma despreocupação com o futuro. O futuro é garantido apenas por valores que “poderão” garantir uma vida feliz. No Evangelho de Lucas 12.13ss, Jesus conta a parábola do rico insensato que depois de ajuntar muitos bens disse para sua alma comer, beber e folgar porque tinha bens para muitos anos; mas escuta Deus lhe dizendo: “louco esta noite te pedirão a sua alma e o que tens preparado para quem será?”.

Existe um tantum de responsabilidade no sujeito que o impulsiona a prestar contas a si mesmo, a sociedade e a algo superior que chamamos de Deus. Assim como o sujeito se vê diante desse júri onde é cobrado diuturnamente e, por vezes, pouco pode fazer para se livrar de sua culpa, procura na religião um pouco de alívio psicológico. Esse alívio para ser completo exige um relacionamento constante com a divindade, uma mudança de vida, um aceitar novos valores e deles se apropriar, a fim de que a mente possa dar conta do “arquivamento” de seu passado culposo.

Sob a tensão da culpa auto-acusativa, podem se desenvolver padrões neuróticos; ansiedades e temores, auto-rejeição, evasão de responsabilidade na projeção e repressão, ou atitudes defensivas de agressão e compulsão obsessiva. O fardo da culpa é difícil de ser agüentado e as mentes sofredoras não são facilmente aliviadas dessa tensão.249

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JOHNSON, Paul E. Psicologia da Religião, p.226. 249

Esse forte sentimento de culpa aflorou em Judas que após vender Jesus por trinta moedas de prata e tomar ciência da crucificação de Cristo, voltou para devolver o seu ganho e entendendo que isso era insuficiente, se suicidou (Mateus 27.5). Dependendo do volume e impacto da culpa é extremamente difícil parar essa dor psíquica. Um exemplo está no suicídio. O suicida não quer acabar com a sua vida e sim dar um basta a dor que não passa. Logo, a religião “poderia” por de lado a ideia de pecado já que o sentimento de culpa adoece o corpo e a alma e, mesmo assim, são encorajados por pais, professores, religiosos e em quase toda a sociedade modelada pelo cristianismo.

Vários fatores norteiam o sentimento de culpa: a) ele é uma experiência psicológica normal. É uma das tensões naturais entre a energia psíquica e o objetivo, mesmo como interesse, necessidade, desejo, intenção, esperança ou afeição; b) é inerente ao caráter ético. A consciência ética é o reconhecimento de um ideal como imperativo. A responsabilidade ética é o trabalho e evolução rumo aos ideais. Sem a culpa, como sentimento de fracasso pessoal ou como sentimento de urgência para fazer algo melhor, existem apatia e indiferença, sem nenhuma preocupação séria, e o melhor é igual ao pior. Admitir inaptidões é essencial para se lutar mais adequadamente; c) ele constitui um resíduo de relações interpessoais por meio dos quais as pessoas se interessam uma pelas outras, de modo a suscitar aprovação ou desaprovação. O sentimento de culpa é o reconhecimento de responsabilidade interpessoal, sentimento de vergonha em não cumprir sua parte, e o senso de obrigação em manter os direitos dos outros; d) A pessoa que não sente culpa é psicopata. Sua estrutura de caráter e de tal modo danificada, que não responde aos interesses e objetivos ideais de sua espécie humana, porém frustra-se a si própria, de maneira que eles não são levados em consideração. A religião sem pecado também é ilusória; a falta de preocupação acerca do pecado pode levar à deficiência em definir, declarar ou compreender os valores.

Se os terapeutas e psiquiatras procuram reduzir e aliviar a culpa, numa outra ponta estão às escolas psicológicas que consideram o sentimento de culpa como algo doentio. Já a parte religiosa procura ampliar a culpa. Mas no meio destas disputas as necessidades religiosas e de saúde se encontram. Sobre isso escreve Paul Johnson: “Sem ansiedade, temos a apatia que constitui uma resistência séria à motivação e, no outro extremo, a super ansiedade, que pode trazer perturbações à vida emocional”.250

Se ambos os lados são excessos é possível encontrar no meio termo a culpa saudável responsabilizando o sujeito consigo mesmo e com a sociedade na qual faz parte. É preciso adaptar o olhar, fazer leituras que condizem com a vida, consigo mesmo e com o outro e, assim, viver um dia de cada vez.