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Analyse de l'existant

2.4 Localisation initiale .1 Problème de l'initialisation

Faria de Vasconcelos, uma das vozes mais considerada na defesa dos princípios da “Escola Nova”, aborda em muitos dos seus textos as questões da educação estética e

101 Joaquim Ferreira GOMES. Estudos para a história da educação no século XIX. Coimbra: Almedina, 1980, Lisboa: Cap. 6: Uma proposta de lei para a criação de “escolas novas” apresentada ao Parlamento da 1ª República.

102 Sintese dos “30 princípios para as escolas novas” que Adolphe Férriére (1879-1960) enunciara no prefácio de Une écolle nouvelle en Belgique (1915) de Faria de Vasconcelos.

103 A síntese que apresentamos relativamente ao modelo da Escola Nova foi realizada a partir de Carlos Fontes: Modelos Organizativos de Escolas e Métodos Pedagógicos. In: http://educar.no.sapo.pt/metpedagog.htm (consultado em 16-09-2011).

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artística. Este pedagogo defende o ensino do desenho em termos bastante distintos daqueles que vinham a ocorrer nas escolas portuguesas. Na sua opinião, este ensino não deveria ter como finalidade fazer desenhadores, mas ensinar a criança a ver, a olhar e a observar:

(…) os antigos métodos de ensino do desenho não fazem apelo à iniciativa do aluno, que lhe impunham a imitação exacta dos mesmos modelos, áridos, monótonos, aborrecidos como sólidos geométricos, gessos, motivos de arquitectura e de ornamentação antigas, bustos romanos e gregos, cuja beleza abstracta não interessava a criança, estão hoje condenados pelos pedagogistas que defendem um método intuitivo e directo do desenho d´aprés nature. (…) O novo método baseia-se na psicologia da criança, nas suas aptidões, no seu gosto, nas suas tendências, na sua idade. O professor limita-se a guiar e ensinar a criança no que interessa os seus sentidos e as suas faculdades. É um método vivo que se adapta à criança e que apenas lhe pede a representação dos objectos que a interessam, pelos processos que lhe agradam.104

O novo método defendido por Faria de Vasconcelos baseava-se nos seguintes princípios:105

- “O desenho educa a vista” (incidência na observação detalhada)

- O desenho desenvolve a memória (a memorização visual permitirá uma melhor compreensão de um objeto)

- O desenho desenvolve a atenção e a vontade (partindo de objetos do interesse da criança)

- O desenho desenvolve o raciocínio (pela análise das partes, suas relações e respetiva verbalização).

Na opinião deste pedagogo, a aprendizagem do desenho deveria começar pela modelação e deveria associar-se aos Trabalhos Manuais” e aos trabalhos decorativos. No respeitante à educação estética, ou “educação da beleza”, como lhe chama, diz que esta deve abarcar todo o ambiente que envolve a criança, nomeadamente, a casa e os objetos que a compõem (mobiliário, vestuário, brinquedos), bem como a escola, o liceu, ou o colégio, pois estes, atendendo às novas ideias para a educação, deveriam perder a sua austeridade, para se tornarem espaços de acolhimento:

Não é só o lugar, a situação da escola, a que tudo deve atender. A arquitectura, a iluminação, as salas de estudo, a decoração, devem aliar à higiene, a arte, a fim de criar na escola, uma atmosfera de conforto, de bem-estar, de alegria, de beleza, que predisponha a criança para o estudo, encantando-lhe o coração.106

Vasconcelos enumera as iniciativas que, desde os finais do século XIX, diversos países europeus tinham vindo a tomar no sentido de contribuir para o embelezamento do

104 “Lições de Pedologia e Pedagogia experimental”, in: Faria de Vasconcelos, Obras Completas. Vol. I (1900-1909). Fundação

Calouste Gulbenkian,1986. Pp. 602-603.

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Idem, pp.603-604.

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espaço escolar, e que passavam pela integração de obras de arte e imagens apropriadas ao nível de escolaridade e idade das crianças. Referindo-se ainda às condições das escolas do meio urbano, preconiza uma escola “extra-muros”, que promova o contacto dos alunos com a natureza.107

Por sua vez, as escolas do ensino técnico, tendo em conta a existência de uma certa autonomia na organização dos cursos consoante as necessidades e características locais, vão colocando em prática novas experiências pedagógicas. Francisco Nobre Guedes (1863-1969) comenta as instruções gerais do programa de Desenho Geral da Escola Industrial de Afonso Domingues, datado de 1915. Este programa, influenciado por exemplos internacionais, introduz alterações didáticas significativas nessa disciplina, antecipando o que veio a acontecer no início da segunda metade do século XX, com o estabelecimento do “modelo expressivo” e as vertentes do “desenho livre” e do “desenho interpretativo.” Reiterando as ideias anteriormente defendidas por Faria de Vasconcelos, Nobre Guedes diz o seguinte:

O método do ensino do desenho tem de basear-se nos seguintes princípios: Primeiro, a liberdade do sentimento, e mesmo da interpretação, dentro dos limites de uma correção gradual que compete ao professor, devendo este animar toda a iniciativa, segundo o temperamento próprio de cada aluno; Segundo, fazer do desenho não em absoluto uma arte para distração geral de cultura mas como elemento para desenvolver o raciocínio, a sensibilidade e a memória; Terceiro, tomar como base a natureza, estudada e traduzida diretamente nas suas linhas, nas suas formas e na sua cor. Nenhuma teoria geométrica se deverá estabelecer entre o aluno e o objeto natural que se desenha. Observar o modelo, sentir a sua expressão e reproduzi-lo com sinceridade, deverá ser a única preocupação do aluno em face da natureza que, sob mil aspetos, será sempre o eterno modelo. Nenhuma confusão entre os assuntos da geometria e os da natureza, o que tornaria o desenho estéril. (…) O fim do ensino do desenho industrial não é de modo algum o exclusivo intuito de formar desenhadores, mas sim preparar o futuro operário, esclarecendo-lhe a inteligência e o bom gosto. Para isso, o que principalmente se deve exigir do professor é a direção inteligente para assim poder obter do aluno um desenho útil.108

Nobre Guedes refere-se ainda ao sentido que o “desenho à vista” viria a tomar. Ao expurgar a cópia e a imitação rigorosa dos modelos dados, possibilitaria a livre interpretação gráfica de modelos escolhidos em função das futuras profissões dos alunos, e de outros interesses seus.

107 Idem. Ibidem. 108

GUEDES, Francisco Nobre - Notas sobre a Instrução Profissional. Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1930, pp. 74-77 (citado por Natália LOBO na pág.75).

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