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Limites inductives et projectives des modules de diff´ erentielles relatives . 21

Dans le document des sch´ emas (Page 23-0)

Nimuendaju assim se expressa a respeito da unidade dos grupos Timbira: “A unidade

do povo Timbira e a sua classificação na família lingüística Jê são tão evidentes que até hoje não foram postas em dúvida por ninguém que se ocupou seriamente do assumpto”

(1946: 185). Ele nos dá apenas indicações sobre como esta unidade operava na prática, isto é, sobre o modo como mais de três dezenas de grupos semelhantes, vivendo em um mesmo território, se inter-relacionavam (AZANHA, 1984).

(...) os grupos Timbira tendem a afirmar o “ponto de vista da diversidade”. Há em princípio, uma endogamia do grupo local, na medida em que cada grupo é auto-suficiente na sua reprodução. A forma genérica “Timbira” permanece entretanto como o “fundo comum” que estabelece a unidade de todos esses grupos frente ao cupen (qualquer não-Timbira).(Azanha, 1984:17).

Há, ainda na atualidade, uma articulação política inter-aldeias e o um processo de intenso intercâmbio cultural entre o Timbira. Esses fatos contribuíram para o início da organização da associação Wyty-Catë. O CTI trabalha com os Krahô desde os anos 1970, sendo que a partir da discussão de antropólogos dessa entidade com o grupo, sobre seu futuro e condições de sobrevivência, ampliou-se a discussão para as outras aldeias Timbira, potencializando o conhecimento que esses grupos já possuíam uns dos outros. As primeiras reuniões dos caciques desses grupos, promovidas pelo CTI, apontaram para a criação de uma organização formal que refletisse, de alguma forma, a diversidade dos grupos envolvidos nos processos reivindicatórios naquela região, que focalizaram questões de demarcação e controle territorial, abrangendo uma macro área Timbira (SIQUEIRA, 2007).

55 Todas as ações do CTI junto aos Timbira visam fortalecer essa unidade e fomentar o intercâmbio entre esses grupos para que os mesmos construam projetos de futuro em comum, respeitando suas especificidades. O Programa Timbira é o primeiro projeto do CTI e data desde sua fundação, em 1979. É composto por um conjunto de ações nas áreas de educação indígena, valorização cultural, meio ambiente e desenvolvimento sustentável, saúde indígena, políticas públicas e assessoria às associações indígenas locais. Esse estudo se contextualiza no âmbito do Projeto de Educação e Referência Cultural Timbira que teve início em meados da década de 1980. No âmbito desse projeto são desenvolvidas ações que vão desde o ensino formal de jovens indígenas, formação de jovens e lideranças em gestão ambiental e territorial, política e administrativa e recentemente na construção e organização de acervos culturais. Também desenvolve ações no que se refere à formação e mobilização política de professores indígenas e a gestão do Centro de Ensino e Pesquisa Timbira Pënxwyj Hempejxà, localizado em Carolina - MA. O projeto é gerido em parceria com a Comissão de Professores Timbira, parte integrante da Associação Wyty-Catë das Comunidades Timbira do Maranhão e Tocantins.

Outro projeto desenvolvido pelo CTI junto aos Timbira e que tem direta ligação com o objeto dessa pesquisa, a temática ambiental no diálogo entre o sistema de conhecimento ambiental dos Timbira e o sistema ocidental, é o Projeto Frutos do Cerrado. Iniciado em 1993 numa parceria entre o CTI e Associação Wyty-Catë tem como objetivos incentivar o desenvolvimento regional, o aproveitamento racional dos recursos naturais do Cerrado e a geração renda. A idéia do projeto é gerar renda para subsidiar as atividades da associação

Wyty-Catë além de contribuir na melhoria da qualidade de vida das aldeias associadas e

dos pequenos produtores agroextrativistas moradores do entorno das áreas indígenas. Por meio da coleta, beneficiamento e comercialização de frutas nativas do Cerrado (caju, cajá, buriti, bacaba, murici, bacuri, araçá, mangaba, entre outras) o projeto visa incentivar atividades sustentáveis propondo um modelo de desenvolvimento sustentável regional (SIQUEIRA, 2006). As polpas de frutas são processadas e comercializadas em Carolina (MA) em uma agroindústria de propriedade da Wyty-Catë e do CTI, sob a marca FrutaSã. As ações desenvolvidas pelo projeto abrangem uma gama de atividades, que vão desde a implantação de viveiros florestais para plantio e recuperação de áreas degradadas, práticas de manejo sustentado e a formação de agentes ambientais indígenas (CTI, 2005). É um projeto piloto no Brasil, no que se refere à parceria entre indígenas e pequenos produtores, e foi contemplado com diversos prêmios (Chico Mendes, Fundação Getúlio Vargas, entre outros) além de visitas e intercâmbios constantes. Assim como a atuação do CTI entre os Timbira, o PFC também passou por diferentes fases, enfrentando inúmeros desafios, dentre eles os relacionados a gestão administrativa de projetos e os relacionados a base social e política de suas ações (PARESCHI, 2002). Alguns autores já discorreram sobre o Projeto

56 Frutos do Cerrado, seus resultados, dificuldades e reflexões, dentre eles Siqueira (2007), Pareshi (2002), Silveira (2005) e Little (2005).

A gestão ambiental é um tema transversal nas ações dos dois projetos citados acima. Construir estratégias de gestão ambiental é o grande desafio dos povos indígenas na fase pós-demarcação de suas terras indígenas. Diversas ações com essa natureza vêm sendo desenvolvidas no Brasil, onde a elaboração participativa de planos de uso dos recursos naturais coloca em diálogo conhecimentos tradicionais e conhecimentos ocidentais. Dentre as ações com cunho socioambiental em curso em terras indígenas atualmente destaca-se o Projeto de Agricultura e Meio Ambiente e o Projeto de Educação da Comissão Pró-Indio do Acre (CPI-AC).

No que se refere a essa pesquisa a experiência mais consistente de produção de mapas está inserida no Projeto de Educação e Referência Cultural Timbira, que desenvolve ações de educação formal e complementar de jovens indígenas. A experiência de educação formal desenvolvida pelo CTI recebe o nome de Escola Timbira e se propõe a oferecer modularmente o Ensino Fundamental para indígenas que não possuem esse serviço oferecido pelo Estado em suas aldeias. O projeto já atendeu, desde seu início, aproximadamente 100 jovens dos povos Krahô, Apinajé, Krikati, Gavião-Pykobjê, Apãniekrá- Canela e Rancocamekra-Canela. Em dezembro de 2006 a primeira turma de 40 jovens indígenas concluiu o ensino fundamental, realizados no Centro de Ensino e Pesquisa Timbira Pënxwyj Hempejxà. O Ensino Médio Integrado da Escola Timbira está sendo implementado pelo CTI em parceria com a FUNAI e a Secretária de Educação do Estado do Tocantins.

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