• Aucun résultat trouvé

Chapitre 1 Le constat

2.1 Les risques de réidentification

o funcionário era um l

ivr

o.«

Domingos T

eodor

o de Azevedo Mar

ques

IMAGEM 129. Estudo para o Plano CURA Jabaquara, escritório Croce, Aflalo & Gasperini, Fonte: ANELLI, Renato, Plano e conformação da base da metrópole: Redes de mobilidade paulista, 2011, p.52

»A tese da CURA era que novos empreendi- mentos na área iram gerar um refluxo de recurso e impostos, que iam cobrir o gasto da Prefeitura. Mas nunca esse feedback foi feito. Quem vai lá hoje per- cebe que tem uma transformação muito grande na área por razão da CURA.«3

3 Entrevista, Clementina Delfina de Ambrosis, Domingos Teodoro de Azevedo Marques e Geraldo Vespaziano Puntoni, 26.05.2014

Em 1973, a Prefeitura de São Paulo aderiu ao programa Comunidades Urbanas de Recupe- ração Acelerada - CURA, do BNH (Lucchese, 2004), que definiu, inicialmente quatro áreas de atuação: Santana, Jabaquara, Vila das Mercês e Itaquera. A EMURB foi a coordenadora do programa CURA e elaborou diretrizes para as áreas escolhidas. Depois de algumas experiên- cias menos sucedidas pelo programa CURA, a Prefeitura escolheu o projeto CURA Jabaquara como prioridade principal. Geraldo Vespaziano Puntoni atuou como coordenador dos estudos da implantação do projeto piloto do CURA em Jabaquara. O arquiteto acompanhou os estudos do escritório Croce, Aflalo e Gasperi- ni para a Viabilidade Econômico/Financeira da Área Cura Piloto Jabaquara. A grande área foi divida em quatro perímetros de reurbanização: Área da estação Conceição, áreas próximas da estação Jabaquara, área do Sítio da Ressaca e a área da Vila do Encontro. No extremo sul da linha de Metrô foi implantada a estação Jaba- quara, com o objetivo de ligar dois terminais, um de ônibus rodoviários interurbanos e outro

IMAGEM 130. Perspectiva do plano de reurbanisazão da poligonal do Sítio da Ressaca (ao lado do pátio de manobras do Mêtro). A verticalização pla- nejada em conjunto com um parque, restauração da casa histórica de 1712 e construção do Centro Cultural. Fonte: EMURB Revista, Reurbanização

para ônibus metropolitanos que pretendiam co- nectar a região do ABC.

»O projeto reorganizou completamente o

arruamento preexistente e integra por galeria sob a avenida os dois terminais e o mezanino da estação de Metrô«4

O partido arquitetônico dos terminais explora a especialidade por meio de grandes cober- turas horizontais, conectando os dois lados do espigão pelo qual passa a avenida. Nas proxi- midades do projeto intermodal encontram-se diversos conjuntos habitacionais, que foram re- alizados pelo COHAB e INOCOOP, além de ou- tros investimentos privados. No sul, ao lado do pátio de manobras do Metrô foi projetada uma área onde se localiza o Centro Cultural, prédio que incorpora uma casa tombada de 1712 em sua construção. O restauro da casa foi coor- denado pelo EMURB, com o arquiteto Nestor

4 ANELLI, Renato, Plano de Conformação da Base da Metrópole: Re- des de Mobilidade Paulistanas, USP São Carlos, Marca Visual, 2011, São Paulo, p.53

IMAGEM 131. Sítio da Ressaca, Centro Cultural Jabaquara a casa histórica em obra, Fonte: EMURB Revista, Reurbanização

IMAGEM 132. Centro Cultural Jabaquara em primeiro plano; mais ao fun- do a casa histórica restaurada, Gustavo Neves da Rocha Filho, Fonte: http:// www.shieh.com.br/CENTRO-CULTURAL-JABAQUARA

historiado Goulart Reis Filho como diretor de planejamento. Ao seu redor foi construído um parque com projeto paisagístico de Rosa Klias, local onde também se encontra uma bibliote- ca, posicionada de modo a passar despercebi- da diante à da casa tombada. Este exemplo de arquitetura dos equipamentos públicos paulis- tanos mostra as potencialidades arquitetônicas dos planos da EMURB, no entanto o plano in- tegrado para toda essa área, foi dividido entre várias secretarias da prefeitura, com a influên- cia de outros atores como INOCOOP, COHAB, COGEP, Secretarias Municipais de Vias Públicas e de Serviços e Obras. Ainda que a função do EMURB tenha sido evitar a dispersão das inter- venções municipais, os problemas decorrentes de coordenação expõe os limites sociais da política urbana do período; Apesar da área ter um conjunto de bairros periféricos, nos quais predominavam moradores com baixa renda e falta de infraestrutura, os conjuntos habitacio- nais propostos pela COHAB tinham um perfil de renda média (Lucchese,2004). Os estudos desenvolvidos pouco após a sua implantação

demonstraram uma grande valorização da área, alterando o perfil social de seus moradores. A mesma coisa ocorreu na área Conceição, situ- ado no norte da intervenção de reurbanização, no entanto a área já era mais consolidada do que os trechos da porção sul. No projeto foi previsto a reestruturação do sistema viário, uma praça aliada a da estação de metrô, um parque para aproveitar a mata existente, um terminal de ônibus e seis grande áreas para empreen- dimentos comerciais. Somente em 1981 foi iniciada a revisão do plano urbanístico, ou seja, a realização do empreendimento levou mais tempo do que o esperado. A unificação das quatro áreas, propostas no plano inicial, possi- bilitou uma nova estrutura do espaço comum. A interligação subterrânea entre os edifícios permitiu a liberação do solo para a continuida- de da superfície e criou uma experiência bem sucedida de novos padrões de urbanização. A experiência de Jabaquara cumpriu com seu objetivo original, criando adensamento através da verticalização ao longo das novas linhas de Metrô e promovendo corredores de atividades

múltiplas. O projeto conseguiu transformar uma área de baixo custo imobiliário em uma área de grande concentração populacional, servida por modernos sistemas de transporte de mas- sa. Entretanto deve ser considerado, segundo Renato Anelli:

» [...] que a estratégia de conquistar para o poder público o retorno financeiro dos seus investi- mentos no Metrô descarta o desenvolvimento de uma política social associado à melhoria no sistema de transporte.«5

A principal preocupação do programa CURA era a construção de moradias sociais nas áre- as de investimento público, algo que não era prioridade para os gestores municipais (Luc- chese, 2004). Mesmo assim, a crítica não pôde impedir a introdução de novas propostas urba- nísticas e arquitetônicas para a escala metropo- litana. O complexo intermodal junto à estação Jabaquara e a reurbanização das outras áreas

5 Idem. p. 56

ligadas a estação Conceição apresentaram ca- raterísticas distintas, mas ambos referem-se às condições de uma rede em macro escala, muito mais do que à situação preexistente. Baseado nisso, ainda que poucos dos propósitos foram de fato realizados, a EMURB contribuiu com no- vas concepções, que relacionam diretamente as maiores densidades urbanas com as linhas de transportes rápido de massa, para a concretiza- ção adequada de uma cidade do porte de São Paulo.